Plantation, Capitalismo e Ideologia de Gênero

28.11.2018 - Redação São Paulo

Plantation, Capitalismo e Ideologia de Gênero

Qual é a relação que o plantation, o sistema capitalista e a ideologia de gênero? Os defensores desta ideia estão apegados a uma lógica de controle dos corpos e da sexualidade humana. Dimensões muita das vezes desprezadas por muitos teóricos da esquerda. Neste breve artigo vamos explorar em duas etapas, que em nossa visão e de outrxs autorxs contribui para uma retórica de aprisionamento dos corpos e cerceamento das liberdades. A quem interessa que gênero e sexualidade não sejam debatido? Quais seriam as raízes desta “neura” que se cristaliza em movimentos como o escola sem partido, no caso brasileiro, e no “con mis hijos no te metas”, presente no Perú, Chile e outros países latino-americanos

Plantation, revolução verde e aprisionamento dos corpos

Anna Tsing demonstra a relação entre a mudança que a transição entre o sistema de coletores/caçadores para o modelo de plantation, que surge com o nascimento dos primeiros estados em alguns casos, e em algumas vezes o antecede, e trouxe consigo o aumento do controle dos corpos. Principalmente os femininos.

O conceito de plantation aqui registrado é amplo e se estende das primeiras práticas agrícolas de monocultura, até as plantações de cana-de-açúcar no Brasil Colônia.

O modelo de plantation requer largas quantidades de terra, cultivadas com o maior número de pessoas possíveis para aumentar a produtividade. Isso fez com que, segundo a autora, o corpo feminino fosse cerceado no meio doméstico e focado apenas na criação da prole e no aumento do número de filhos.

Capitalismo, produtividade, expropriação e lucro

O capitalismo não é e nunca foi homogêneo. Passou por fases. Se mergulharmos nos livros de história veremos as particularidades do mercantilismo espanhol e português, numa etapa de “preparação” para a ascensão do mercado como o eixo central das sociedades ocidentais.

O Big Bang, a explosão do capitalismo, se dá na Inglaterra. Palco da industrialização, das teorias de Newton, e dos trabalhos infantis e de jornadas que chegavam a 18 horas por dia!

A diferentes correntes teóricas da Sociologia que explicam o surgimento e florescimento do sistema capitalista. O que mais se aproxima de nossa visão, é o de Max Weber. O sociólogo alemão, defende que a “ética protestante”, principalmente dos calvinistas, formou as condições para que o sistema existisse e se tornasse dominante.

O que é esta ética? Por que ela é tão impactante? O que ela tem haver com o controle dos corpos?  Os calvinistas acreditam na ideia de predestinação. Ou seja: algumas pessoas já seriam salvas da perdição eterna e teriam um espaço garantido no céu. Os salvos já seriam salvos e os perdidos já estariam perdidos. O que iria dizer se a pessoa iria ser salva ou não é o êxito material. Por conta disso, os povos germânicos e anglo-saxões de um modo mais abrangente (incluindo EUA) dedicaram um estrondoso esforço para trabalhar o máximo possível, economizar, gerar poupança e investir. Isso deu as condições para o nascimento do capitalismo.

Poderíamos também acrescentar aqui a variável climática. O norte da Europa com seu frio rigoroso requer um intenso trabalho para a sobrevivência. Tal forma de entender a vida era vital para a sobrevivência de comunidades inteiras. Não é a única variável a se considerar, mas também é de grande importância.

Para essas cosmovisões, o controle do corpo, dos corpos, é de vital importância. O corpo feminino alvo de expropriação foi e tem sido controlado via diversos dispositivos visíveis e não tão visíveis. É fácil pensar na proibição do aborto como uma forma de controle. Mas pouco se pensa sobre o tratamento conferido a meninas e meninos nos seus anos iniciais de vida.

E daí?

Bom, os defensores da censura em sala de aula estão ligados umbilicalmente ao controle dos corpos. A terminologia “ideologia de gênero” nasce com os teóricos católicos e é reciclada e reutilizada mundo afora.

Coincidentemente ou não, a bancada do boi, ligada a plantation, e a bancada evangélica, ligada a esta ética do controle massivo e intensivo dos corpos, vivem em simbiose, se retroalimentando em suas retóricas de contenção dos corpos e tentando impedir o debate tão urgente e necessário sobre gênero e sexualidade, no país com altos índices de violência contra mulher, e que mais mata pessoas Ts (homens e mulheres trans e travestis) em todo o globo terrestre.

por Zigfrid

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