África, uma história para redescobrir – 7 Kimpa Vita, a Joana D’Arc africana

06.10.2018 - Redação São Paulo

África, uma história para redescobrir – 7 Kimpa Vita, a Joana D’Arc africana

Nascida entre 1684 e 1686, Kimpa Vita foi o resultado de uma união milagrosa. Depois da luta entre a rainha Nzingha Mbande contra o colonialismo e a escravidão, em 1666 outro rei, M’vita Kanga tentou libertar seu povo dos portugueses. A rebelião, sem embargo, terminou muito mal, já que os europeus tinham melhores armas e apenas um menino chamado Kangu a Vimba sobreviveu ao massacre. Cresceu e casou com uma nobre do reino do Congo. Uma profetiza chamada Mafuta anunciou que deles nasceria uma grande mulher, enviada por Nzambi Pungu ou Tata Nzambi (o criador) para salvar o povo do seu sofrimento. A criança, Kimpa Vita foi batizada com o nome de Beatriz.

Quando criança começou suas orações para ajudar muitas pessoas a se recuperar da depressão devido ao sequestro de seus entes queridos. Pedro IV que havia se refugiado nas montanhas, também pôde voltar ao trono do Congo.

É preciso recordar que o cristianismo chegou a Àfrica, concretamente na Etiópia, antes de muitos países europeus, porém sem a escravidão e opressão imposta pelo colonialismo em muitos países subsaharianos. Neste contexto, Kimpa Vita adotou o cristianismo a realidade africana, incorporando tradições regionais. Era devota de Santo Antônio, que apareceu com a pele negra e afirmava que no paraíso também havia santos negros. Cantava e rezava em Kikongo, a língua local e não em português ou latim, línguas e cultos trazidos pelos opressores para a população que não conhecia nem entendia.

Em 1704 lançou uma campanha não violenta para a libertação e restauração do reino do Congo destruído pelos portugueses. Se opôs a todas as formas de escravidão, desde as práticas locais até as vinculadas a dominação europeia, e dirigiu a milhares de pessoas a reconstrução e povoamento de Mbanza Kongo, a antiga capital, trazendo de volta par ao rei Pedro.

Neste ponto sua história adquire impressionantes semelhanças com a de Joana D’arc. Os portugueses, os missionários franciscanos e o próprio rei, zelosos por sua popularidade, viram em sua figura um grave perigo e iniciaram uma revolta contra ela, acusando-a de bruxaria, heresia e de ter um filho antes do casamento. No dia 2  de julho e 1706, Kimpa Vita foi queimada na fogueira em Evululu junto com seu companheiro e seu filho recém nascido. Segundo a professia de sua mãe, reencarnaria séculos mais tarde com o nome de Simón Kimbangu, que seria seu nome.

As missas católicas inspiradas pelo culto criado por Kimpa Vita se celebram em toda a África e no movimento que ela fundou existe até os dias atuais. Em Angola, um grupo teatral, Elinga Teatro, encenou o espetáculo “Kimpa Vita: a profetisa Ardente”, escrito e dirigido por José Mena Abrentes. No dia 2 de julho, aniversário de sua morte, se celebra em muitos lugares da África.

Categorias: Africa, Cultura e Mídia
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