Entrevista com Alexya Salvador, candidata a deputada estadual pelo Psol. Aléxya faz parte da Dobradona, projeto político que reúne diversas candidaturas aos cargos do legislativo tanto em nível estadual, quanto no nível federal e é inspirado no processo de construção política chileno, no qual houve uma expressiva vitória da Frente Ampla no Congresso Chileno.

Pressenza – Qual a sua trajetória?

Aléxya Salvador – Desde de sempre eu sempre atuei na defesa dos direitos humanos, por ser uma mulher transgênera, isso sempre me lança em prol da busca de direitos e que o estado possa garantir essa cidadania plena, onde todos os seres humanos tenham a liberdade de ser quem são.

P. Quais são seus motivos para entrar na disputa política?

A.S. – Minha vida é um ato político, me envolver neste ano, como candidata a deputada estadual é a primeira vez. O que me leva nessas eleições de 2018 é que o estado não responde às nossas necessidades de maneira efetiva, pois não temos representantes que de fato percebem quem é essa comunidade LGBT, somos o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Estar lá pra mim é um ato político, de tentar via Pls [projetos de lei] mudar essa realidade tão triste.

P. Quais são suas propostas?

A.S. – Eu costumo dizer que eu não sou apenas uma mulher trans, também tenho a questão do magistério público, sou professora há 14 anos, aqui no estado de São Paulo o PSDB sucateou e humilha constantemente a nossa categoria. Tenho a questão da adoção, eu sou mãe de um filho com necessidades especiais, Quando a gente tem um filho com necessidades especiais, e não tem um convênio, depende do SUS sabe das dificuldades. Eu também luto pela comunidade surda e da LGBT, nós não temos CRTs [Centros de Referência às Pessoas Travestis ou Trans] espalhados [pelo estado], acaba que culmina tudo na cidade de São Paulo, o que sobrecarrega o serviço. Eu tenho como proposta ampliar esse serviço, multiplicar mais destes centros, em todo o estado de São Paulo. Muitos homens trans, mulheres trans, acabam se medicando sozinhos, nós recebemos notícias de várias pessoas que vieram a óbito, por conta desta auto-hormonização sem um endócrino.

P. Qual é a importância de apoiar a Dobradona?

A.S. – A dobradona me deixou apaixonada, pois vem ao encontro do que eu sempre acreditei, a gente tem que ter um jeito novo de fazer política. A dobradona traz como base fundamental a redução dos nossos salários em 50% e até mais, é vergonhoso que um pai de família sobrevive com 1, 2 salários mínimos e um salário de deputado vive com seus 20,30, 40 mil, fora as verbas de gabinete, que futuramente as 3 esferas do poder tenham seus salários reduzidos como exemplo e que possamos aplicar este dinheiro em saúde, educação, em saneamento básico.

*Fim da Entrevista

Ouça na íntegra a entrevista com a Alexya Salvador –