Lições da Coreia do Norte: Desarmamento nuclear mundial e total

29.09.2017 - Dario Ergas

Lições da Coreia do Norte: Desarmamento nuclear mundial e total
(Crédito da Imagem: Rafael Edwards)

É difícil imaginar que um ato terrorista possa acontecer enquanto alguém querido, ou eu mesmo esteja a circular ao longo de uma avenida movimentada ou a visitar um local religioso ou turístico. É difícil imaginar o assassinato de seres humanos intencionalmente. É difícil imaginar que uma bomba nuclear possa cair numa cidade e matar centenas de milhares de pessoas e que a radioatividade continuará a matá-las nos próximos anos e que as futuras gerações sofrerão as consequências da radiação. É difícil de imaginar, que isso aconteça. Aconteceu uma vez, e acreditamos que foi um sonho ou que não acontecerá de novo. Afastamos esses pensamentos porque eles nos magoam e os colocamos no campo da novela fantástica.

No entanto, as ameaças da Coreia do Norte para liberar o monstro nuclear são notícias diárias. As ameaças dos Estados Unidos também. O fracasso da política nuclear restritiva em 5 poderes, os Estados Unidos, a Rússia, a China, a França e a Inglaterra já falhou. São agora poderes nucleares Índia, Paquistão, Israel, Coreia do Norte e o Irão a qualquer momento. Não existe nenhuma lógica que possa justificar que alguns poucos países tenham bombas nucleares e outros não. Por muito que ridiculizemos os líderes norte-coreanos, eles põem em perigo a paz mundial tanto quanto os outros países mencionados. Isto tem que terminar e há um só caminho: O desarmamento nuclear mundial e total. Isto parece ingênuo, e é até que não se tome consciência de que somos uma humanidade e há limites na capacidade de destruição que não podemos transgredir. “Desarmamento nuclear mundial e total” é um aforismo que podemos subscrever e transmitir ao nosso meio imediato, nas nossas escolas e nos nossos parlamentos. Que se torne senso comum. O desarmamento nuclear mundial e total, é uma reflexão para cada individuo decidir se merece ser abraçada como uma causa digna.

Não há outro caminho para a humanidade, já há algum tempo que se violou a restrição do comité de segurança das Nações Unidas. Em breve aparecerão outros países a pensar que eles também têm direitos nucleares.

Não é tão interessante a análise sociopolítica da psicologia paranóica de Trump ou Kim. O problema de fundo não é o teste nuclear norte-coreano, mas as próprias armas nucleares. Não é o direito que tem ou não um país; a questão é que as armas nucleares devem ser banidas para todos. Ter uma bomba como dissuasão para que o outro não lance, foi um argumento sustentável em outro nível tecnológico; não o é mais. Agora precisamos de uma consciência antinuclear para que trave qualquer aventura deste tipo. O desarmamento nuclear mundial e total é o projeto que deve unir a toda humanidade.

2 de outubro, dia da não violência, aniversário de Gandhi, aniversário da primeira marcha mundial pela Paz e a Não-Violência, é um bom dia para aumentar a consciencialização.

Quero começar por um pedido interior e convidar a outros a fazê-lo comigo:

Inspiro e levo o ar ao meu coração, peço com força pelo desarmamento nuclear mundial e total. Peço que as pessoas de todas as raças, de todas as idades, de todos as crenças e culturas, de todos os tipos, se juntem para um desarmamento nuclear mundial e total. Que a paz ocupe o meu coração e a violência retroceda na minha vida. Peço para sentir a presença daqueles que morrem por causa das guerras, e dos que fogem em busca de refúgio e solidariedade. Para concluir este pedido, imagino no futuro os seres humanos de todos os povos e nações, livres e unidos, construindo um novo mundo.

Escrito por: Dario Ergas, Parques de Estudo e Reflexão Punta de Vacas, Primavera 2017

Tradução: Djamila Andrade

Categorias: Ecologia e Meio Ambiente, Paz e Desarmamento
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