Repressão marca os protestos da Greve Geral ocorrido em todo Brasil.

30.04.2017 - Rio de Janeiro, Brasil - Valdir Silveira

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Repressão marca os protestos da Greve Geral ocorrido em todo Brasil.
(Crédito da Imagem: Ana Carolina Fernandes)

Texto e fotos Valdir Silveira/Pressenza

Esta semana os congressistas votaram em regime de urgência, pela Reforma das Leis Trabalhistas (CLT), que prevê grande perdas de direitos da classe trabalhadora, ao colocar por exemplo que o acordo entre patrão empregado sobrepõe a CLT.  Antes disso, havia sido também aprovada a Reforma da Previdência, que inviabiliza a aposentadoria integral para amplos setores da sociedade, fruto do lobby dos bancos para forçarem a adoção dos Plano de Previdência privado de forma generalizada.  O governo do Estado do Rio de janeiro segue com salários atrasados de seus servidores. Nesse contexto, as centrais sindicais, movimentos e entidades convocam Greve Geral em todo Brasil para esta sexta-feira, 28/04.

O relato a seguir é do protesto ocorrido na cidade do Rio de Janeiro, no centro da cidade no fim da tarde.  A Greve Geral foi o maior movimento grevista realizado nos últimos 20 anos, mobilizando milhões de pessoas (35 milhões estimam os organizadores) em diversas capitais e cidades pelo país.

O Ato no Rio começou em clima festivos com sindicatos, servidores públicos, trabalhadores, aposentados  e militâncias juvenis na vanguarda. Em poucos minutos, quando os manifestantes deram as costas para a tropa de choque na concentração, ocorreram as primeiras bombas de gás na retaguarda, onde estavam os professores, aposentados e o caminhão do SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação). O movimento não se dispersou e seguimos nosso ato, sem derivar em provocações.

A poucos metros, na Igreja da Candelária, quando iniciava uma nova concentração, novas bombas foram lançadas.  Era a tentativa clara de que o protesto nem tivesse início.

A dispersão ocorreu pelas ruas adjacentes à Av. Rio Branco. Nesse momento um grupo de manifestantes anarquistas deram inicio às táticas black bloc como reação ao avanço das bombas.

Abrindo um parênteses. Durante a manhã um numeroso efetivo da guarda da Fecomércio estavam em todas as esquinas e em frente aos bancos. Entretanto,  na manifestação, que prometia ser tensa, onde eles estavam? Concentrados todos longe dali, atrás de grades da Polícia Militar.  Não entendo de táticas de segurança, mas a impressão que tive é que os efetivos policiais e de segurança não estavam preocupados em conter o caos, muito pelo contrário fizeram todo o possível para que ele se estabelecesse, e focaram apenas na perseguição e agressão de manifestantes (soube depois de muitos relatos de pessoas feridas e cercadas pela polícias em bares do Centro).

A grande maioria seguiu em direção à Cinelândia (local final do protesto) determinada a prosseguir, as dispersões todas se convergiram para lá.

Mal começaram as falas no palco com as lideranças políticas novamente vieram bombas lançadas precisamente no meio da multidão e sobre o palco.

Vejam os vídeos:

Ato na Cinelândia sofrendo dispersão
Greve geral. Cinelândia, abril de 2017

A partir daí a tensão aumentou, as perseguições aos manifestantes com bombas e balas de borracha se intensificaram. A táticas black bloc também com a destruição de ônibus. Nas áreas de maior caos não havia sequer presença policial.  Chegaram alguns poucos depois que os ônibus estavam todos incendiados. Nessa ocasião houve a dispersão de curiosos com bombas de gás e bala de borracha.

As perseguições se seguiram entre Lapa e Glória jogando gás lacrimogêneo em bares.

Nesse momento, retornei à Cinelândia e o Ato havia retomado.  Mas, não durou muito e logo vieram as bombas, dispersão e perseguições pelas ruas do centro, Praça Mauá, Lapa e Glória.

Avalio que ficou claro que a tática segue a mesma de 2013, deixar que se estabeleça o caos e a destruição, perseguição incansável pelas ruas e bares, fortes repressões a manifestantes na intenção de desencorajar a participação em Atos públicos cuja intenção seja a defesa de direitos, e assim esvaziar as lutas.  Sendo a grande imprensa solidária à posição do governo, essa atmosfera de caos será usada para passar a imagem distorcida para população, colocando-as contra manifestantes e suas causas.

Nunca, nunca houve na história conquista de direitos sem luta. Nunca se consquistaram direitos passeando numa tarde ensolarada de sábado ou domingo.

As lutas terão que continuar. Mas, terão também que derivar em ações cujo objetivo é esclarecer a população que nossa luta não é como os telejornais relatam. Que essa luta é também dela, que não é mais o tempo ser meros expectadores. À grande imprensa cabe desmoralizar essa luta em troca de verba publicitária do governo e patrocinadores do golpe. Às vezes ela disfarça uma empatia e humanidade em seus programas de TV ou rádio, mas não hesitou em ameaçar nossos direitos dando suporte ao golpe de estado orquestrado pela classe política e empresarial mais abjeta que tivemos. Tudo isso é apenas para conquistar simpatia e influência, e ela tem tido êxito nisso.

A luta precisará realizar ações contundentes como contraponto à toda manipulação e repressão que está apenas começando.  Temos um longo caminho adiante.

Seguem os registros

Foto: Ana Carolina Fernandes

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