Duas batalhas decisivas que podemos vencer

29.03.2017 - Brasil - Redação São Paulo

Duas batalhas decisivas que podemos vencer
A nuvem de poeira construída pelo golpe começa a baixar e, a cada dia, vai ficando visível, para a maioria da população, o que está em jogo. (Crédito da Imagem: / Maxwell Vilela)

Por Ricardo Gebrim*

Na medida em que o golpe de 2016 não podia contar com o aparato repressivo de Estado como em 1964, as forças populares puderam organizar um conjuntos de lutas e manifestações de resistência, fortalecendo sua unidade em diversas articulações, cujo polo principal é a Frente Brasil Popular.

As lutas de resistência envolveram militantes, ativistas, intelectuais, recompondo um importante campo democrático e popular. Porém, as amplas massas, mesmo aquelas que foram diretamente beneficiadas pelos anos de governos petistas, nos faltaram. E isso foi decisivo em nossa derrota. Predominava uma forte desconfiança, alimentada pelo erro político de propor um “ajuste fiscal”, em 2015 e impulsionada pelo gigantesco aparato midiático que foi peça fundamental do golpe.

Este cenário começa aceleradamente a se alterar. Os ataques aos direitos sociais, promovidos pela ofensiva golpista, especialmente a proposta de reforma da Previdência, possibilitam obter um apoio popular crescente. A nuvem de poeira construída pelo golpe começa a baixar e, a cada dia, vai ficando visível, para a maioria da população, o que está em jogo.

Um novo momento em que se colocam duas batalhas decisivas que podem ser ganhas pelas forças democráticas e populares alterando qualitativamente a luta contra o golpe. A primeira batalha é a possibilidade concreta de derrotar a chamada reforma da Previdência, questão fundamental para assegurar a coesão do golpe e a sustentação de Temer, que assiste um processo de derretimento de seu governo. Se formos vitoriosos, não só impediremos o mais cruel ataque ao futuro da classe trabalhadora como abalaremos toda a sustentação política do campo de forças econômicas e sociais que patrocinou e sustenta o golpe.

A segunda batalha é impedir a inabilitação de Lula.  Esta é uma luta contra uma medida estratégica das forças golpistas. Muitos vacilam ou temem enfrentar esta luta por achar que implicará, necessariamente, no apoio político a sua candidatura. Não compreendem que seu significado, neste momento, transcende muito a mera opção eleitoral. O golpe não pode correr o risco de enfrentar uma candidatura com apoio popular, como a de Lula, em 2018. Precisam inabilitá-lo, a qualquer custo. Porém, o caminho que utilizam é de extrema fragilidade. Um processo em que todas as testemunhas da acusação comprovam a inocência, em que não existe nenhuma prova documental, é uma farsa que terá imenso impacto internacional.

Nestas duas batalhas a máquina midiática revela sua impotência. Voltamos a contar com um apoio popular que somente se ampliará nos próximos meses se compreendermos as tarefas que estão colocadas e não hesitarmos em lutar.

Estamos em uma nova situação, retomando o apoio popular e com capacidade de partir para a ofensiva se soubermos manter a unidade e não cedermos a apelos conciliatórios.

Como nos ensinou Karl Marx, “seria evidentemente muito cômodo fazer a história se só devêssemos travar a luta com chances infalivelmente favoráveis”. O surgimento de uma oportunidade apenas se concretiza quando encontra dirigentes e organizações capazes de compreendê-la. A oportunidade está colocada.


* Ricardo Gebrim é da direção nacional da Consulta Popular.

Categorias: Ámérica do Sul, Opinião, Política
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