O direito ao lazer e ao ócio para a realização de um ser humano mais completo

16.01.2017 - São Paulo, Brasil - Redação São Paulo

O direito ao lazer e ao ócio para a realização de um ser humano mais completo
Cadeira para escalar, criação de Guilherme Simões para Juliana Tozzi, personagens de reportagem do UOL que inspirou comentário. (Crédito da Imagem: RBA)

Por Paulo Vannuchi/RBA

Analista comenta reportagem sobre um casal que se dedica a escalar montanhas e cita Hannah Arendt, ao relacionar o ócio como momento em que o ser humano exercita sua capacidade de transcender.

São Paulo. O direito humano ao lazer está lá no artigo 24 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Junto com repouso, termo que remete à luta histórica por férias. Férias remuneradas, depois com adicional, mais tempo de férias.

Fora do repouso, que é absolutamente indispensável – durante os três séculos e meio de escravidão não havia tempo para nenhum –, o direito ao lazer é importante porque a necessidade do ser humano se desligar um pouco remete diretamente ao direito humano à saúde.

Para os mais pobres e para o trabalhador em geral, o exercício desse direito depende do Estado. No Brasil, a Constituição de 1988 foi a primeira a registrar o direito ao lazer. O problema é isso não se traduzir em quase nada. Há também o vínculo com cultura, com um momento em que se pode desfrutar de uma leitura, um museu, um espetáculo, um aprendizado.

A inspiração para o comentário de Paulo Vannuchi hoje (16) na Rádio Brasil Atual, sobre o direito humano ao lazer, vem de uma reportagem de Adriano Wilkson, no UOL Esporte. Wilkson retrata as aventuras de um casal, Guilherme Simões e Juliana Tozzi, que refazem, na companhia do filho Benjamim, ainda bebê, caminhadas por dezenas de montanhas. Trilhas que já haviam percorrido antes de Juliana, hoje cadeirante, perder a capacidade de andar, de controlar movimentos de braços e de falar – em decorrência de um câncer descoberto durante a gravidez.

Vannuchi cita a escritora e filósofa alemã Hannah Arendt, que definiu o ócio como um momento em que o ser humano tem capacidade de transcender. E relaciona, em seu comentário, o direito ao lazer e ao bem viver à solidariedade, a superação, à energia necessária para associar a existência, além da necessidade do trabalho, ao prazer como fonte de formação de um ser humano mais completo.

Ouça

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos, Radio, Saúde
Tags: , , ,

Boletim diário

Indique o seu e-mail para subscrever o nosso serviço diário de notícias.


Milagro Sala

Canale youtube

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

Arquivo

Except where otherwise note, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International license.