Europa das pessoas ou Europa do capital?

09.10.2015 - Rafael de la Rubia

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Europa das pessoas ou Europa do capital?
  • Esta será uma das consultas que se realizarão nas Euromarchas que percorrerão a Europa no próximo mês de outubro.

Os acontecimentos recentes em torno a situação do povo grego, e seu momento político, têm demonstrado que as instituições europeias estão mais a favor dos mercados do que dos cidadãos. Estas instituições surpreenderam por sua falta de imparcialidade por tomar posições desde fora sem respeitar os processos e decisões democráticas internas.

Esta vertente autoritária e mercantilista já visto desde a criação do euro como moeda comum tem aumentado nos últimos tempos. Tudo isso levou a uma situação agora a nível europeu, muito parecida a que teve isoladamente em alguns países, como a Grécia, Espanha, Portugal, Itália, Irlanda, etc. São as mesmas problemáticas, os mesmos ajustes e os mesmos excessos que ocorreram ao nível que os países procuram agora que sejam instalado na Europa.

No entanto, há indícios de que estão emergindo diferentes tipos de protestos de cidadãos que apontam na direção de uma outra construção da Europa, uma Europa dos cidadãos. Novas plataformas, movimentos, ondas e novas formações políticas empurrados pela cidadania são realidade em vários países.

A convocatória das Euromarchas 2015 organizada desde os movimentos sociais, organizações de base, e sobretudo apoiados por cidadãos, vai nessa direção. As marchas estão articulando-se de maneira descentralizada, em base a 5 pilares, dos quais 3 surgem do sul europeu (Espanha, Portugal, Itália e Grécia) outra do centro-norte (Alemanha e países nórdicos) e a última é um ramal que parte da Grã-Bretanha. À parte contaram com numerosas outras rotas confluentes.

A chamada nestas Euromarchas 2015 se centrará em 5 reivindicações comuns:

  • Construir uma Europa dos cidadãos e dos povos por sobre a Europa dos mercados. Uma Europa que priorize os direitos humanos e o bem-estar social acima dos interesses financeiros.
  • Denunciar o TTIP (acordo de livre comércio entre os EUA e a UE), que permitirá às transnacionais operarem fora das instituições democráticas e até mesmo processará os governos perante os tribunais especiais, sem controle democrático.
  • Denunciar os territórios paraísos fiscais na Europa, que são plataformas para a evasão e fraude fiscal, negócios escusos, a especulação e lavagem de dinheiro dos corruptos e do crime organizado.
  • Denunciar os danos ao meio ambiente, florestas, atmosfera, rios e mares, apelando para que medidas radicais e eficazes sejam implementadas para detê-lo.
  • Exigir a implementação de políticas eficazes para garantir por um lado a igualdade de gênero e por outro o fim da Europa racista, xenófoba e insolidária com os migrantes e refugiados. É vergonhoso o que está acontecendo nas nossas fronteiras.

Até agora a Europa foi construída principalmente com assinaturas de tratados cupulares. É hora da Europa ser construída por seus cidadãos! Esta é uma das motivações das Euromarchas. Recordemos que nas consultas eleitorais há 57% dos europeus que não participam (segundo dados das últimas eleitores de 2014)

Outro interesse é fazer confluir toda nova sensibilidade que esta já manifestando-se sobre a necessidade de uma forma de fazer política mais participativa, que tenha em conta a cidadania.

Nos últimos anos se observam retrocessos importantes em nossos direitos, e cada vez fica mais claro que só será possível recuperá-los se houver mobilizações cidadãs que os demande. Nem as instituições europeias, nem os partidos políticos tradicionais farão nada, já que eles têm sido os executores dos retrocessos. Há certos espaços institucionais aos quais tem acessado a cidadania com novas opções políticas. Este processo irá avançando, mas para garantir seu êxito, terão que seguir sendo acompanhado por mobilizações e pressões dos cidadãos para poder produzir uma mudança real diante de tanto desastre.

Cada vez mais pessoas, cidadãos da chamada União Européia, terminam o dia tendo perdido o trabalho ou se vendo questionados e esgotados os direitos à moradia adequada e saúde atendida, a uma educação inclusiva ou pensões dignas. A chamada crise financeira tem sido a desculpa perfeita do capitalismo globalizado para minimizar direitos dos cidadãos e privar o povo de sua soberania democrática.

Está claro que estamos em um momento de emergência social e cívica. Um desses momentos em que o povo necessariamente há de levantar-se contra a tirania, se não quer viver como excravo o resto da vida. A liberdade, esse grande valor da democracia, é demasiado preciosa para deixar em mãos dos mercados e políticos a seu serviço. Ninguém é livre se não pode decidir sobre sua vida, e há de vender sua força de trabalho em condições próximas à escravidão.

Com as Euromarchas 2015 vamos ter uma primeira mobilização a nível europeu, e se vai recorrer ao indicador de apoio da cidadania para esta iniciativa. Será decisivo que as marchas penetrem e conectem com os cidadãos europeus, e demonstrem aos poderes que não é possível, sem eles, construir uma verdadeira Europa integrada.

Até agora a construção da Europa foi feito desde os partidos e instituições. É o momento de que sejam os cidadãos quem aportem com suas propostas e pontos de vista para fazer uma Europa de todos.

As Euromarchas estão sendo empurradas desde seu início por dezenas de organizadores de diferentes países Europeus.

Para mais informações: http://euromarchas2015.net/

Rafael de la Rubia
Mundo sem guerras e sem violência
Membro da Coordenadora Estadual da rodovia Sul-Oeste das EuroMarchas 2015

Categorias: Assuntos internacionais, Direitos Humanos, Diversidade, Ecologia e Meio Ambiente, Economia, Europa, Política

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