História oficial

28.10.2013 - Gilberto Rodrigues

História oficial
(Crédito da Imagem: Foto: http://vimeo.com/22446679)

Uma frase terrível dita por um personagem do filme “A história oficial” persegue-me desde a última vez que a ouvi: “A história é escrita pelos assassinos”. O personagem é Horacio Costa, aluno de um colégio de ensino médio em Buenos Aires; o filme, dirigido por Luis Puenzo, foi o primeiro latino-americano ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1986. A fita aborda o tema dos desaparecidos políticos, numa Argentina que mal acabava de sair da guerra suja promovida pela ditadura militar.

Assisti o filme, pela primeira vez, num cinema em Santos, no seu lançamento. Impactante, o tema parecia um retrato trágico do país vizinho e da América Latina, mas distante de nossa realidade… Décadas depois, eis-me comentador desse filme num Ciclo de Cinema sobre a História das Relações Internacionais, realizado pela UFABC… e as conexões com o Brasil são muitas.

Em regimes autoritários é comum haver uma história oficial que impõe a sua versão dos fatos, sem que haja forma direta de contestar. Na redemocratização, assim foi na Argentina e em outros países, aquele simulacro de história passa a ser questinado com fatos até então ocultados pelas autoridades e desconhecidos da população. Uma história que, até hoje, produz fatos novos e clama por conhecer a verdade não oficial. O que foi feito dos desaparecidos? Foram torturados? Onde estão os seus corpos? São perguntas dolorosas que a sociedade, aos poucos, exige e cobra ter respostas.

A história oficial ganha sobrevida nas leis da anistia; ex-autoridades negam os fatos, ou dão a eles versões heroicas e justificadas no contexto adverso do período. Por isso, comissões da verdade são criadas para trazer à tona documentos, depoimentos e testemunhos. Sempre haverá versões e interpretações, mas os fatos devem vir à tona, para que a sociedade os julgue e, com transparência, construa a história (sem adjetivos).

Mais dia, menos dia, a história oficial cai por terra. Seja a mais antiga, para rever e humanizar seus mitos, seja a mais recente, para curar feridas, a história é reescrita por peritos forenses na justiça, pesquisadores na academia e jornalistas na imprensa. De governos a biografados, não há história oficial que não nasça efêmera…

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos, Opinião
Tags: , , , ,

Boletim diário

Digite seu endereço de e-mail para assinar o nosso serviço de notícias diárias.

Search

Whatsapp

Pressenza Whatsapp

Informe Pressenza

Informe Pressenza

Caderno de cultura

Caderno de cultura

O Princípio do fim das armas nucleares

Documentário 'RBUI, o nosso direito de viver'

Canale YouTube

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

Arquivo

xpornplease pornjk porncuze porn800 porn600 tube300 tube100 watchfreepornsex

Except where otherwise note, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International license.