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Como dar um sentido à própria vida?

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Cabeça memorial em bronze (1984) de Agamemnon Makris na Universidade Técnica Nacional de Atenas, em homenagem às vítimas da revolta estudantil de 1973 contra a junta militar grega. (Crédito da Imagem David Andersson)

Numa série de artigos, explorei a questão do «sentido da vida» e em que medida ela difere da simples procura de bens materiais. Permitam-me abordar este tema sob outro ângulo.

Tornámo-nos muito racionais na forma como avaliamos aquilo que nos parece possível. Construímos uma imagem interior do que pode e não pode ser feito neste mundo — o que pode ser mudado, o que não pode ser transformado, o que está dentro das nossas capacidades individuais e colectivas e o que as ultrapassa.

Perguntem à maioria das pessoas se desejam a paz no Médio Oriente e responderão que sim. Perguntem-lhes se acreditam que a paz é possível, e muitas responderão que não.

Eis uma profunda contradição. Já não acreditamos nas nossas próprias aspirações.

Este fosso entre as nossas aspirações e aquilo que acreditamos ser possível gera uma fractura interior silenciosa. Banalizamos a violência. Racionalizamos as desigualdades. Aceitamos o caos como uma fatalidade. Chamamos a isso «ser realista».

Dizem-nos que a pobreza é natural, que a guerra é inevitável, que a injustiça é complexa e, portanto, permanente. Mas a pobreza não é culpa dos pobres, e enriquecer não é a solução. Tentar resolver problemas estruturais individualmente apenas mascara o problema de fundo.

O desenvolvimento humano nunca se baseou apenas nas capacidades percepcionadas. Foi sempre guiado pela aspiração. Toda grande transformação começou com algo que parecia impossível.

O sentido de uma vida depende em grande parte das aspirações que alimentamos para o futuro. E a felicidade está profundamente ligada à distância entre essas aspirações e a sua concretização.

As crises atuais não se limitam às alterações climáticas, à guerra e à pobreza. Aí abre-se um fosso entre as nossas aspirações e a confiança na nossa capacidade de as realizar.

A nossa energia interior foi desviada por forças externas — sistemas económicos, discursos políticos, distracções tecnológicas — que nos convencem de que é mais seguro reduzir as nossas aspirações do que lutar por elas.

Ser humano é manter viva a chama da aspiração.


Traduction du français vers le portugais européen de Matteo Pupillo

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