NOTA PRETA

Por Mauro Viana

 

A coluna NOTA PRETA recebe o Produtor Cultural (ASQ Produções), Adriano Queiroz. Ele nos fala da experiência em viver e trabalhar nos Estados Unidos. A temporada americana só reforçou sua dedicação às estrelas e astros da MPB e das artes plásticas brasileiras.

Ex-Subsecretário da Igualdade Racial de Niterói – Rio de Janeiro, Adriano da Silva Queiroz, nos conta sobre suas ações antirracistas. Quanto ao portfólio da ASQ Comércio e Produções Artísticas Ltda., o destaque são as parcerias com o Instituto Cravo Albin e o Instituto Social Oscar Niemeyer. Para comemorar os 10 anos destas coproduções, em 2023, a ASQ está elaborando vários projetos cuja peculiaridade é itinerância pelos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Ceará.

1) Conte-me um pouco sobre os antigos projetos da ASQ Produções.

Sou carioca, mas depois de trabalhar, por anos, nos Estados Unidos, adotei a cidade de Fortaleza, no Ceará, como minha nova casa.

No ano de 2013, voltei ao Rio de Janeiro onde fiz parcerias com os Institutos Cravo Albin e Instituto Social Oscar Niemeyer. Naquele período, desenvolvemos e executamos projetos culturais conjuntamente. Nossos principais produções são: O LEMBRA DE MIM, TRIBUTO AO TIM MAIA, EXPOSIÇÃO DE CARICATURAS NO CENTRO CULTURAL DOS CORREIOS.

2) Você tem uma trajetória profissional muito rica. Quais as primeiras ações culturais da ASQ Produções?

Uma das primeiras ações da produtora foi o projeto Série Depoimentos. O projeto aconteceu nas praças do Rio de Janeiro (Niterói) e em Fortaleza, no Ceará. Simultaneamente, nos anos de 2011, 2012 e 2013. Mas antes disso, fui coprodutor do Teatro TAM em Miami. Estávamos 2004 e 2005. anos que remontam nossas realizações no show-business Internacional.

3) Você pode nos contar algumas curiosidades da SÉRIE DEPOIMENTOS?

São muitas histórias, mas duas eu acho bem interessantes. A primeira foi com o Flávio Venturini, que é um gentleman. Como ele não fez exigência alguma de camarim, colocamos petiscos e frutas de época. O espetáculo acabou às 22 horas. Era uma terça-feira. Venturini fez questão de atender a todas as pessoas que estavam na fila para autógrafos. Resultado: ele saiu para jantar depois da meia-noite. Acontece que os melhores restaurantes de Fortaleza já estavam fechados. Moral da história: Paramos num pé-sujo. Pedimos um frango com farofa. Acredite. O frango estava duro que nem pedra. Em nenhum momento, ele reclamou.

A outra foi com o Luiz Melodia. A sua esposa e empresária, Jane, nos pediu para não colocar bebida alcóolica no camarim. Ela recomendou-nos também que Melodia fosse direto para o hotel depois do espetáculo. Eles teriam de voar muito cedo. Mas no caminho entre o Centro Cultural Dragão do Mar e o hotel, ele pediu ao motorista para parar em um bar, na orla da praia de Iracema. O calçadão estava super cheio. Melodia nos garantiu que só tomaria um chopp. Ele também achou que ninguém o reconheceria. Imagine a cena?

2 horas da manhã, o motorista me ligou, pedindo para eu ir ao bar. Minha missão: tentar convencer Luiz Melodia para seguir para o hotel. Ele foi cercado de fãs que pagaram todas as bebidas e outras coisas mais e não o deixavam ir embora. kkkkkkkkkkk

4) Dos contatos com os artistas, quais são os aprendizados no campo de produção?

Cumprir e fazer cumprir o que está estabelecido em contrato. Dos mais de 30 shows que produzi, só tive problemas em dois, mas a culpa não foi dos artistas e, sim, dos empresários. Talvez nem eles (os artistas) tiveram conhecimento das ocorrências. Afinal, da mesma forma que fazem várias exigências, eles têm de cumprir o que cabem a eles também.

5) Em quais Estados você já atuou como produtor cultural?

No Brasil, os Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Ceará.

6) E com quais leis vocês já trabalham?

Leis Estaduais (ICMS) e Municipais (ISS) Rio e Niterói.

7) Existe alguma técnica especial para agilizar as inscrições, nas Leis de Incentivo?

Não deixe para o último dia.

8) Você conhece as Leis de Incentivo Cultural de outros Estados?

Sim! Tive a oportunidade de ter sido aprovado em dois editais culturais, nos anos de 2012 e 2013, no Estado do Ceará, onde morava na época.

9) Como elas funcionam?

No mesmo modelo do Rio de Janeiro. No Ceará, o percentual de renúncia fiscal bate os 100 por cento, desde sua publicação.

10) Qual é o segredo para obter o certificado de captação de recursos?

Não existe uma técnica nem segredo. O que existe é uma boa apresentação do projeto aliado a uma proposta inédita. Por exemplo: As imagens são mais impactantes do que os textos. É bom observar se há excesso de informações. Importante: criatividade e inovação são quesitos muito apreciados.