No dia da votação, 22 de junho, gostaríamos que um controlador, um prefeito e um conselho anunciassem e expandissem esses valores e esse modelo em nossa cidade.

A luta contra as armas nucleares é uma prioridade que vale a pena ser mantida durante a crise da Covid? Claro que é! Ela permanece não apenas uma questão iminente de vida ou morte, mas uma questão fundamental para os fundos prioritários tão importantes para as necessidades da cidade. Os moradores de Nova Iorque estão pagando, em impostos, sozinhos, bilhões para a sigilosa indústria de armas. A questão permanece imersa no senso comum. É um movimento fundamental que, quando bem-sucedido, terá um efeito prodigioso e positivo em nossa cidade, em nossa nação e em nosso mundo. E que vai pôr um fim à enorme quantidade de dejetos nucleares.

A Resolução 0976-2019 vai ajudar a despertar, orientar e educar nossos representantes. Ela é um exemplo de liderança durante tempos desafiadores e um investimento na garantia do nosso futuro. Ela não só afeta as terríveis mentiras da indústria e demonstra solidariedade com todo mundo, como enfrenta o racismo profundo e insidioso da indústria e poderia ser a saída, sob nossa responsabilidade, para prevenir uma destruição irreversível, em níveis além do catastrófico. Ela se alinha com outra valiosa resolução do conselho — Resolução 747-A —, que exige que nosso dinheiro e nossa mentalidade passem do militarismo absoluto para soluções e resultados mais pragmáticos e éticos.

Realizada em 28 de janeiro de 2020 e com todos os lugares lotados, a audiência pública da Prefeitura sobre a Res. 0976 provou que Nova Iorque está, mais uma vez, pronta para liderar o retrocesso em uma corrida armamentista nuclear completamente descontrolada, uma corrida que, desta vez, a grande mídia corporativa ignora de propósito, mantendo a maioria dos cidadãos no escuro.

Lideranças pedem, com razão, não apenas o desinvestimento, mas também o tão esperado apoio a um tratado sobre a proibição de armas nucleares.

Apenas um dos milhares de dispositivos nucleares prontos para serem acionados irá, em minutos, transformar tudo, tudo que amamos, valorizamos, tudo que conhecemos, todos nós, em cinzas. Em 1960, o presidente Eisenhower usou, solenemente, a palavra “roubo” para se referir ao desvio de recursos incalculáveis, habilidades e verbas que ocorre enquanto lutamos para ajudar as pequenas empresas a sobreviver, pagar por subsídios e por cuidados médicos devido à COVID, implorar por justas condições de moradia, por uma boa educação, por infraestrutura adequada, pelo enfrentamento do terrível desafio climático/ambiental e pelas muitas e urgentes reformas políticas/sociais que clamam pela nossa atenção.

Dos membros do conselho do meu distrito, uma das primeiras a assinar essa resolução foi Carlina Rivera. Quando questionada sobre a questão, meses atrás, ela disse “Claro, vamos convocar uma votação! Sem dúvida nenhuma.”

O link para a resolução e para a audiência contém a gravação dos testemunhos e o arquivo em pdf de todas as submissões escritas:

https://legistar.council.nyc.gov/LegislationDetail.aspx?ID=3996240&GUID=4AF9FC30-DFB8-45BC-B03F-2A6B534FC349

Em 11 de fevereiro, no WNYC’s Brian Lehrer Show, Corey Johnson deu uma resposta paradoxal a um ouvinte que apoiava a medida: “Eu apoio 100% (a resolução) … (mas) fica um pouco estranho quando a Câmara Municipal está ponderando sobre questões internacionais… nesse momento de pandemia, estamos muito focados no que vem acontecendo aqui em Nova Iorque… só acho que a pergunta é … isso abre precedente para que continuemos a passar resoluções de fora da jurisdição do corpo legislativo local…”.

A equipe de Brian Lehrer foi contatada algumas vezes para levar adiante a promessa de Corey Johnson de falar com Danny Dromm. Não houve resposta direta.

Quanto à resposta de Johnson, deixemos de lado se a aniquilação da vida humana na Terra é uma questão local ou internacional. A verdade é que, na época daquela ligação de fevereiro, uma rápida análise, de fato, encontrou cerca de dezesseis outras medidas da Prefeitura de Nova Iorque envolvendo “questões internacionais” durante a pandemia da COVID.

A cidade de Nova Iorque tem uma longa e orgulhosa história de ficar “ponderando sobre questões internacionais”. Uma ação que nos serve de exemplo foi o pedido feito pelo Conselho que exige o desinvestimento de empresas que fazem negócios na África do Sul — como o New York City Employees’ Retirement System (Sistema de aposentadoria dos funcionários de Nova Iorque, em tradução livre) fez em 1984 —, elemento essencial na queda do apartheid. O desinvestimento de combustíveis fósseis, algo que Scott Stringer vê como oportuno e importante, também é uma questão global.

O corpo legislativo da cidade apresentou e aprovou, ao longo das décadas, mais de uma dúzia de resoluções, especificamente sobre os graves perigos da corrida armamentista nuclear e o desperdício de recursos importantes causados por ela.

Entre 1963 e 1990, nossa cidade liderou a agenda moral das nações com 15 resoluções pedindo o fim da corrida armamentista nuclear. Convocou as “partes inimigas” para negociar e recuar diante desse grave perigo e do gasto de nosso capital. Quando o presidente John F. Kennedy quebrou o gelo na Guerra Fria pedindo o primeiro Tratado de Proibição de Testes Nucleares, o Conselho de Nova York não hesitou por um momento em apoiá-lo por meio de uma resolução. O banimento era para ter sido o primeiro passo para o desarmamento total. Todas as nações estiveram presentes na Assembleia Geral da ONU naquele setembro de 1963, quando os representantes irromperam em raros aplausos espontâneos ao ouvirem JFK falar sobre o tratado. O povo sempre esteve pronto.


Traduzido do inglês para o português por Felipe Balduíno / Revisado por Larissa Dufner