Madri, 28 de março (Prensa Latina) Com a produção do HQ intitulado 15, os espanhóis Andrés G. Leiva e David Muñoz redescobrem hoje acontecimentos pouco conhecidos da história bélica do seu país, a partir de passagens da Guerra Civil.

Publicada pelo selo Astiberri, o romance gráfico narra a Espanha de 1938, quando sua capital foi destruída por bombardeios, os tiroteios eram frequentes, e, em meio a esse caos, surge um garoto de 15 anos, pertencente a um grupo de franco-atiradores conhecido como Pacos.

O HQ, que revive os horrores das guerras e o impacto desses feitos no psicológico das pessoas, obrigando-as a cometer atos atrozes, vem acompanhado de uma capa sugestiva, no estilo dos cartazes de propaganda da época.

Ainda, constitui uma obra documental das poucas existentes no país em torno da Guerra Civil e seus anos posteriores (segundo dados oficiais, 95% do cinema espanhol não faz alusão a acontecimentos deste tipo), fato pelo qual ganha ainda mais relevância dentro da indústria criativa ibérica.

Para a elaboração do roteiro, Muñoz se baseou em um tiroteio protagonizado por Alejandro, o adolescente irmão de um falangista morto, e um grupo de milicianos, situação que constituía algo corriqueiro naquele contexto, mas que ao mesmo tempo tinha todos os elementos para enriquecer a narrativa da guerra.

Com base na premissa ‘Não é fácil ser bom em um mundo cercado de horror’, o HQ está marcado por doses de vingança, emoções ofuscadas pelo ódio, conflitos de consciência diante da ordem de assassinar uma criança, assim como pela ideia constante de ser ‘bom’ e tomar decisões opostas.

Em tons de branco e preto, as tiras fogem da caracterização dos personagens como totalmente bons ou maus, e buscam incitar a reflexão em torno da guerra e das consequências durante e depois dos acontecimentos.


Traduzido do espanhol por Nathália Cardoso / Revisado por Tatiana Elizabeth