Por Luca DiMatteo

Quantos amigos verdadeiros você tem? Como romancista e blogueiro, essa pergunta me é feita repetidamente. Sempre fico intrigado com o que a pergunta significa. Tenho muitos amigos que nunca conheci fisicamente e também alguns que, pessoalmente, são bem antiquados.

Durante os primeiros dias da humanidade e talvez por muito tempo depois, os amigos estavam limitados pela distância que precisavam percorrer para visitar uns aos outros. Os perigos de andar de uma aldeia a outra dificultavam a construção de amizades. Muitas pessoas estavam limitadas aos que viviam na mesma aldeia. Fazer amizades fora da proteção da aldeia era deliberado e feito devido à necessidade de comércio, alianças e paz. Assim, nasceu o modelo Friend-Necessity (Amigo por necessidade).

O advento do transporte – da carruagem ao avião – deu lugar às viagens de longa distância. O tipo de aliança Friend-Necessity agora poderia ser feita através de grandes extensões de terra e oceanos. Durante séculos, o modelo foi usado para prevenir guerras.

O ano de 1876 viu a criação de uma invenção que deu ao modelo Friend-Necessity seu próximo grande salto. O telefone permitiu que as pessoas escapassem da limitação de estarem fisicamente presentes ou de precisarem enviar uma carta possivelmente mal interpretada. O telefone permitiu que o modelo Friend-necessity se expandisse sem o uso de um emissário ou viagem.

Em 2004, Mark Zuckerberg mudou a definição de amigos para sempre. O Facebook tornou a amizade ilimitada. Os limites físicos foram eliminados e qualquer um poderia ser amigo de qualquer outro, em qualquer lugar. Mas o mais importante, e pela primeira vez na história, o modelo Friend-Necessity teve competição direta em escala mundial. Zuckerberg trouxe um novo conceito: o modelo “Friend-Commonality” (Amizade por afinidade). Consciente ou não, ele até usou o termo “Gostar”. A ideia foi engenhosa porque jogou com a insegurança das pessoas. Todo mundo quer ser “gostado” e todo mundo quer ter amigos. Outras plataformas de mídia social seguiram a engenhosidade de Zuckerberg. O Twitter e o Instagram usaram o termo “Seguidores”. O Linkedin parece ter ficado com o modelo mais antigo e estabelecido de Friends-Necessity, usando a palavra “Conexões” e um foco nas alianças necessárias.

Não me entenda mal, não acho isso uma coisa ruim. Facebook, Twitter, Instagram e até mesmo o Linkedin criaram um mundo que conseguiu unir as pessoas de uma infinidade de maneiras que o modelo Friend-Necessity sozinho nunca poderia realizar. Existem aspectos do modelo Friend-Necessity na mentalidade de mídia social, é claro! A mídia social ultrapassou a premissa básica de “sejamos amigos porque é uma boa para nós dois”. Havia um princípio subjacente na ideia de Zuckerberg. Ele tem uma confiança inerente embutida. Fazer um amigo que é apenas um amigo implica que existe um nível de confiança.

O recente esclarecimento sobre a pirataria cibernética internacional criou complicações para o modelo Friend-Commonality em relação à confiança. A desconfiança generalizada e o mau uso da mídia social são um sinal de que o modelo Friend-Necessity ainda é muito poderoso. Também trouxe à luz que ambos os modelos são vítimas de abusos e enganos.

Cabe a nós entender que ambos os modelos são essenciais e têm uma função. O modelo Friend-Necessity é antigo, e o modelo Friend-Commonality é uma alternativa muito necessária. Todos nós usamos componentes de cada um para criar nossas amizades. Agora nós sabemos disso.

Por favor, diga-me seus pensamentos.


O autor Luca DiMatteo acredita que a palavra escrita não é uma fuga, é uma aventura.

Ele foi médico por mais de 25 anos antes de se aposentar e passou muitos anos trabalhando dentro e ao redor de lares de idosos. Além disso, ele foi cofundador de duas organizações de crescimento pessoal, teve sua própria coluna e foi publicado em revistas e boletins informativos. Luca foi publicado na Pressenza, The New Haven Register e na revista Aspire. Ele é membro da Connecticut Author’s and Publisher’s Association. Ao longo de sua vida, manteve-se próximo da palavra escrita e encontrou uma maneira de torná-la parte de tudo o que faz.

Escrevendo Green Haven, um romance lhe veio em um sonho. Segundo o autor, a história e seus personagens ganharam vida. Era como se estivessem contando a história para ele. Ele admite que não conseguia digitar rápido o suficiente e muitas vezes ia até tarde da noite tentando recuperar o atraso.

“As histórias são caminhos que conduzem a grandes viagens. E as viagens são o que compõe nossas vidas. Então, escolha quantos caminhos você puder e aproveite o máximo de viagens. ”

O que está por vir para Luca são seus segundo, terceiro e quarto romances (atualmente em andamento) e sua co-apresentação de uma série de podcast intitulada The Author’s Way.


Traduzido do inglês por Luciana Leal / Revisado por Magui Vallim