Rosa Parks e a Igualdade de Direitos

04.02.2021 - Countercurrents

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Rosa Parks e a Igualdade de Direitos
Rosa Parks

Por Sally Dugman

Rosa Parks aprendeu a se manter firme em defesa da causa que posteriormente acarretou em sua prisão.  Esse incidente não foi o primeiro, nem o último, que fez um afro-americano ser encarcerado por um ato de desobediência civil.

A prisão de Parks se deu por conta deste evento: Um motorista de ônibus em Montgomery, Alabama, que havia ordenado que ela abrisse mão de seu lugar destinado às “pessoas de cor” para um passageiro branco. Ela se recusou e foi presa e multada por desafiar a lei. O evento ocorreu em 1955 e, dessa forma, deu início ao Boicote aos ônibus de Montgomery. Depois de tudo, por que haveria transporte público se ele não estivesse disponível de maneira igualitária a todos?

Durante sua vida, a discriminação racial e os atos de resistência não eram algo novo para Rosa. Em sua infância, ela precisava caminhar até a escola enquanto crianças brancas iam no ônibus escolar. Seu avô, um escravo emancipado, permaneceu do lado de fora de casa, com uma arma, enquanto a Ku Klux Klan caminhava pela rua próxima. De fato, muitas das experiências que ela precisou suportar durante sua vida a levaram a lutar por direitos iguais e tornar-se uma ativista considerável.

Amiga de Martin Luther King e de E. D. Nixon, ela declarou, “As pessoas sempre dizem que eu não desisti do meu lugar no ônibus por estar cansada… o único cansaço que sentia é o cansaço de ceder.” Ela compartilhou, ainda, “Eu gostaria de ser lembrada como uma pessoa que queria ser livre … para que, então, outras pessoas pudessem também ser livres.” Em outras palavras, ela não estava pensando apenas em si mesma, mas sim que gostaria que os outros tivessem condições justas equivalentes.

Com isso em mente, ela acrescentou, “Quando olho àqueles dias, são apenas um sonho, e a única coisa que me incomodava era o fato de termos esperado tanto para fazer esse protesto e tornar conhecido o assunto por onde fôssemos, que todos devemos ser livres e iguais, ter as mesmas oportunidades que os demais devem ter.” Por isso, é lamentável que nossa luta coletiva por direitos iguais ainda seja atual, visto que o racismo infesta profundamente os Estados Unidos, por meio do ódio e de atos de violência. Resumindo, o racismo deveria ter desaparecido anos atrás.

Apesar de seu posicionamento, foi difícil e levou muitos anos até eliminar as leis de segregação, chamadas “Leis de Jim Crow,” que existiam nos estados do sul dos EUA. Além disso, essas leis discriminatórias ordenavam que pessoas negras e pessoas não brancas usassem banheiros e bebedouros separados dos brancos, assim como não permitiam o acesso delas a muitos restaurantes, hotéis, postos de gasolina e outros lugares de reunião do Sul. Portanto, podia ser arriscado viver ou viajar a certos locais caso não fossem brancos.

Assim sendo, seu caso mofou no tribunal. Até, finalmente, uma decisão ser tomada em novembro de 1956, e a segregação no ônibus tornar-se ilegal devido à 14° Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que continha a Cláusula da Proteção Igualitária. (Infelizmente, Rosa havia falecido antes dessa decisão histórica).

Do mesmo modo que acontece atualmente, aconteceu no tempo de Rosa em reação aos protestos pelos direitos civis: Igrejas frequentadas por pessoas negras foram bombardeadas. As casas de King e Nixon foram também foram bombardeadas até sobrarem somente os destroços e muitas pessoas foram presas. Naquela época, eles eram presos até mesmo por boicotar o transporte público como parte do movimento de Boicote aos ônibus de Montgomery, que durou 381 dias.

Além do mais, os ônibus ficaram amplamente vazios devido ao boicote e este serviço ficou dificultado financeiramente. Consequentemente, muitos negros pediam carona para se deslocarem ao trabalho ou pegavam táxis dirigidos por taxistas “de cor” (até que a companhia de seguro cancelou o seguro dos táxis). Diante disso, ainda mais pessoas passaram a caminhar ao trabalho para juntarem-se aos muitos que já andavam em torno de trinta quilômetros por dia para irem e voltarem de seus empregos.

Como um adendo, sou considerada branca, embora possa garantir que não o seja. Branca é a cor de alguns lençóis, livros e papéis escolares.

Certamente, eu teria uma aparência peculiar caso fosse branca como esses itens. Além disso, eu teria me orgulhado, quando criança e morava na Flórida no começo dos 1960, de usar um bebedouro ou banheiro para ‘pessoas de cor’. Então, e se eu fosse presa pela polícia devido ao meu ato?  No fim das contas, amigos da família, os quais eram advogados em Nova York, teriam me representado no tribunal. No entanto, isso não era para acontecer.

Isso porque não existiam banheiros ou bebedouros para “pessoas de cor” próximos de onde eu morava na Flórida. Igualmente, não havia absolutamente nenhuma criança negra na minha escola. Além disso, até onde sei, só havia pessoas brancas onde eu morava, lá no sul.

Portanto, no dia de Rosa Parks, 4 de fevereiro (data do seu aniversário), comemoremos o corajoso ato para combater o racismo que ela realizou. É apropriado que celebremos seu feito, visto que o transporte público tornou-se um direito civil nos Estados Unidos graças a ela.

Como o Dr. M. L. King comentou, “os sistemas de trânsito urbanos, na maior parte das cidades da América, tornaram-se um assunto de direito civil devido ao esboço do sistema de trânsito rápido que determina a acessibilidade aos trabalhos.” Este sistema pode, ainda, determinar se sua casa, o mercadinho, restaurantes, entre outros, tornam-se mais acessíveis.

Sally Dugman mora em Massachusetts, EUA.


 

Tradução do inglês por Laura Zanetti / Revisado por Graça Pinheiro

Categorias: Direitos Humanos, Não violência, Opinião
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