A vacina, que precisa ser armazenada entre dois e oito graus Celsius, também supera os esforços da Pfizer e da Moderna, que requerem temperaturas extremamente baixas.

Sandipan Talukdar

A vacina desenvolvida na Rússia – Sputnik V – tem uma eficácia de 92% contra a COVID-19, de acordo com os resultados do ensaio clínico em fase avançada publicado na terça (02). A vacina foi considerada segura e pode oferecer proteção total contra a hospitalização e, consequentemente, contra a morte.

A polêmica rodeou a vacina depois que ela foi liberada antes mesmo dos dados finais do ensaio ficarem disponíveis. No entanto, os resultados publicados na revista Lancet acalmarão os ânimos.

A Sputnik V une-se agora ao Clube das vacinas comprovadas e aplicáveis, como as feitas pela Pfizer, Moderna e Oxford/AstraZeneca. A vacina, que precisa ser armazenada entre dois e oito graus Celsius, também supera os esforços da Pfizer e da Moderna, que requerem temperaturas extremamente baixas.

Além de ser usado na Rússia, a Sputnik V foi administrada em países como Argentina, Venezuela, Hungria, Emirados Árabes Unidos, Irã e em territórios palestinos.

Como Sputnik V funciona:

Sputnik V usa a mesma técnica que a vacina de Oxford/AstraZeneca e a desenvolvida pela Janssen Empresas Farmacêuticas (parte da Johnson & Johnson). Nesses casos, outro vírus que causa a gripe comum é projetado de forma que se torne inofensivo e, então, um pequeno fragmento do coronavírus é introduzido nele. Este vírus modificado atua como um vetor e carrega a nova porção de coronavírus dentro do corpo.

O pequeno fragmento é um código genético do coronavírus e produz a proteína Spike. Quando o corpo é exposto a ele, o sistema imunológico é prontamente ativado para reconhecê-lo como um objeto estranho e prejudicial. O sistema imunológico, um lutador implacável contra qualquer coisa estranha e nociva ao corpo, então, aprende a combatê-lo.

Após a injeção da vacina, o corpo produz anticorpos que são especialmente adaptados para o combate ao coronavírus. Isso torna o nosso sistema capaz de combater o perigo real – quando o verdadeiro coronavírus entra em seu corpo.

Diferentes doses da vacina:

A Sputnik V também utiliza duas doses para a vacinação completa, como a maioria das vacinas em uso no momento. No entanto, ao contrário das outras, a vacina russa utiliza duas versões ligeiramente diferentes nas duas doses, que são administradas com 21 dias de intervalo.

Ambas as doses visam a porção do coronavírus que é introduzida através da vacina – a proteína Spike – que é usada pelo coronavírus como uma porta de entrada para ter acesso à célula humana. As doses usam vetores diferentes para transportar a porção de proteína Spike do coronavírus e isso marca a Sputnik V como diferente das demais vacinas.

Contudo, alguns efeitos colaterais, geralmente leves , estão associados à vacina. Estes podem variar entre um braço dolorido, cansaço e até um ligeiro aumento da temperatura corporal. Não se observaram mortes ou doenças graves entre os grupos imunizados com a ajuda da vacina.

Em um comentário publicado ao lado do artigo da Lancet, os professores Ian Jones e Polly Roy disseram: “o desenvolvimento da vacina Sputnik V tem sido criticado por sua liberação antecipada, considerada como imprópria , e falta de transparência. Mas o resultado relatado aqui é claro: o princípio científico da vacinação é demonstrado, o que significa que outra vacina pode agora juntar-se à luta para reduzir a incidência de Covid-19”. Jones, um pesquisador da Universidade de Reading (University of Reading) e Roy, um notável virologista, também apontaram que a vacina demonstrou resultados positivos em todos os grupos etários, além de reduzir a gravidade da doença após uma única dose.

Notavelmente, a Sputnik V tem uma colaboração indiana com os laboratórios do Dr. Reddy. A vacina está sendo submetida a ensaios clínicos de fase II na Índia, de acordo com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica – ICMR.


 

Traduzido do inglês por Luma Garcia Camargo / Revisado por Luciana Leal

O artigo original pode ser visto aquí