Nenhum país está imune: a abordagem coletiva das vacinas contra a COVID-19 é a única forma de prosseguir

25.01.2021 - The Conversation

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Nenhum país está imune: a abordagem coletiva das vacinas contra a COVID-19 é a única forma de prosseguir
Cientista do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID, que compõe o NIH – Institutos Nacionais de Saúde) pesquisando sobre a vacina contra a COVID-19 examina placa de ágar. (Crédito da Imagem: Wikipedia / Imagem em domínio público)

À medida que os países em todo o mundo começam a comprar e a lançar vacinas contra a COVID-19, uma questão fundamental é saber quanto tempo levará para que a vacina chegue à África e quão acessível ela será para o continente. Moina Spooner, editora responsável pelo The Conversation Africa, pediu a Mosoka Fallah, um especialista em doenças infecciosas, para nos dar suas impressões.

Quais são as opções para os países em desenvolvimento?

Da última vez que verifiquei, o custo das vacinas atuais contra a COVID-19 (que demonstraram maior eficácia) variou entre US$ 19,50 por dose (vacina mRNA da Pfizer-BioNTech) e cerca de US$ 37 por dose (vacina mRNA da Moderna).

Isso é caro. Em comparação, a vacina pneumocócica conjugada está disponível a US$ 2,00 por dose. Essa vacina é utilizada para proteger bebês, crianças pequenas e adultos contra a doença causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae.

A COVID-19 destruiu as economias já enfraquecidas dos países de rendas baixa e média, devido aos confinamentos e encerramentos de fronteiras. Isso, acompanhado do enorme pagamento da dívida que prejudicou muitos países, significa que: se essas nações tentarem comprar as vacinas aos preços atuais de mercado, mais da metade do mundo se afundará numa pobreza ainda maior.

Simplificando, os países em desenvolvimento não podem comprar as vacinas imediatamente. A realidade é que algumas contribuições terão que ser concedidas por esses países. E surgiu uma estrutura para isso, conhecida como a iniciativa COVAX.

Na minha opinião, esta é a melhor opção para os países subdesenvolvidos resolverem o seu dilema atual. Outra opção seria conceder a países como a África do Sul e a Índia direitos de propriedade intelectual para que eles fabriquem as vacinas, uma medida que foi contestada por vários países na reunião da Organização Mundial do Comércio.

Como funciona a iniciativa COVAX?

A COVAX é co-liderada pela GAVI Vaccine Alliance (Aliança das Vacinas), pela Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Até agora, a COVAX tem 190 economias participantes. Os EUA ainda não aderiram à iniciativa.

A COVAX trabalha comunitariamente coletando doações de países ricos e desenvolvidos, filantropos – como a Fundação Bill e Melinda Gates – e doadores privados. Estes fundos comuns são utilizados para financiar a pesquisa, o desenvolvimento e a fabricação de candidatas a vacinas que foram eficazes. Uma vez que uma candidata à vacina se revele eficaz, ela pode ser colocada à disposição dos países, independentemente dos meios financeiros que tenham para pagar.

Este método também reduz o risco para os países que possam ter comprado apenas um ou dois tipos de vacina.

O plano é disponibilizar os primeiros dois bilhões de doses a todos os membros da coalizão. Embora esse número almejado não seja suficiente, eles planejam atingir populações vulneráveis como a primeira linha de defesa.

Até agora, a COVAX garantiu contratos de dois bilhões de doses de vacinas contra a COVID-19, que serão entregues quando forem despachadas. A maioria das pré-encomendas são da empresa AstraZeneca e do Instituto  Serum da Índia.

Atualmente, existem três categorias de países que irão se beneficiar imensamente da COVAX:

  • Países de baixa renda que normalmente não teriam como pagar por essas vacinas;
  • Países ricos que não assinaram acordos bilaterais com fabricantes dedicados à produção de vacina;
  • Países que assinaram acordos bilaterais e que terão a garantia de uma provisão específica assim que as vacinas forem aprovadas.

Será que uma abordagem coletiva é o melhor caminho?

A abordagem coletiva tem demonstrado funcionar, segundo diferentes modelos, e reforça a negociação por preços reduzidos.

Por exemplo, nos últimos 20 anos, a GAVI teve sucesso em obter vacinas através de contribuições coletivas de países mais pobres, países doadores e doações. Isso acelerou a imunização de crianças nos países pobres.

O Programa Mundial de Alimentos faz aquisição coletiva de alimentos durante emergências, assim, obtém mercadorias a preços muito reduzidos.

Mesmo com uma margem de lucro reduzida, o grande mercado criado por uma abordagem coletiva à vacinação contra a COVID-19 proporciona uma resposta favorável por parte de seus fabricantes e das empresas farmacêuticas.

As empresas fabricantes estão neste negócio para conseguir lucro. Ao custo atual, apenas alguns países poderiam comprar a vacina. Mas, através da COVAX, eles têm garantia de financiamento para mais compradores. A COVAX também assume o risco se os candidatos não chegarem à aprovação final da agência reguladora em um determinado país.

Quais são as suas lacunas?

Apesar de suas intenções altruístas e nobres, há alguns desafios que precisam ser superados para que a iniciativa COVAX seja um sucesso.

Em primeiro lugar, os fundos necessários para investir na pesquisa, desenvolvimento e fabricação destas potenciais vacinas ainda não foram arrecadados.

Embora haja muita boa vontade, ela deve ser acompanhada por contribuições financeiras para que cubram os custos necessários para produzir essas vacinas. A COVAX precisa de pelo menos US$ 4,6 bilhões em 2021 para obter doses das candidatas eficazes.

Em segundo lugar, o processo de identificação e posterior aprovação das vacinas eficazes ainda está nos primeiros passos. Apenas duas – Pfizer-BioNTech e Moderna – estão autorizadas e são recomendadas para prevenir a COVID-19. Atualmente, existem mais de 50 candidatas à vacina contra a COVID-19 em ensaios clínicos, muitas das quais não serão adequadas para utilização. Os relatórios sugerem que apenas 7% das vacinas na fase de  ensaios pré-clínicos conseguiriam chegar aos ensaios clínicos. E, depois, somente 20% dessas candidatas terão sucesso.

Este será um investimento de alto risco que está correndo contra o tempo.

As mutações das cepas do coronavírus recentemente relatadas mostram por que as candidatas devem ser rapidamente identificadas. A nova variante parece estar coberta pelas vacinas existentes, mas as futuras mutações poderão não estar.

Por último, o fato de os Estados Unidos não terem aderido à COVAX poderá ser um desafio à capacidade da coalizão de obter recursos e financiamento.

Quais são as suas vantagens?

Por se tratar de uma grande iniciativa, existe a grande vantagem de ela reunir os melhores recursos, conhecimentos e boa vontade.

Ela também oferece uma certa segurança tanto aos países de baixa renda quanto aos ricos desenvolvidos de que a população terá acesso à vacina aprovada.

Vai atingir o resultado desejado?

Apesar de todos os desafios e das atuais desigualdades criadas com as candidatas aprovadas à vacina, acredito que a COVAX terá sucesso.

E vai dar certo porque essa iniciativa construiu uma coalizão gigante e é do interesse de todos assegurar que a COVAX triunfe. A menos que as nações que adquiriram as atuais e caras vacinas se tornem ilhas isoladas, elas não estão imunes a reinfecções através das novas variantes do vírus. Isso continuará representando um perigo incontestável e constante ao nosso mundo.

A história tem demonstrado repetidamente que sempre ganhamos quando a humanidade se junta para derrotar um inimigo comum.


 

Traduzido do Inglês por Luma Garcia Camargo / Revisado por Graça Pinheiro

Categorias: Internacional, Saúde
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