Rosa, Fama e Metamorfose: ensaios para a potência humana criativa

11.10.2020 - Rio de Janeiro, Brasil - Carlos Contente

Rosa, Fama e Metamorfose: ensaios para a potência humana criativa
LIVRO

 

 

Pressenza convida ao lançamento do livro de Eduardo Alves

 

A liberdade é sempre a liberdade daquele que pensa diferente. Esta frase sintetiza o legado da filósofa e economista marxista alemã Rosa Luxemburgo, que é a liberdade de pensamento. Por sua garra e insistência em que para haver socialismo deve haver liberdade a sua figura é admirada por um amplo espectro da esquerda, que vai da partidária à autonomista. De candidatas a vereadora, padres católicos, sem-teto, sem-terra, originários, sindicalistas, filósofas, comunicadoras da favela, educadores, pacifistas, artistas circenses, entregadores de aplicativo, professores à torcedores antifascistas, seu espectro evoca profunda admiração. Entretanto o autor insere as quatro letras do nome dela no título do livro como um manifesto, pois não se trata de uma biografia da socialista alemã.

“Rosa, Fama e Metamorfose: ensaios para a potência humana criativa” é uma coletânea de ensaios escritos por Eduardo Alves de Carvalho, o Edu Alves, intelectual orgânico da periferia como ele se intitula, remixando o conceito criado pelo italiano Antonio Gramsci – referencial teórico de sua formação – na batida funk da suada metrópole do sul global do século XXI. O mote evidencia o seu rolé – nascido na zona norte do Rio de Janeiro em 1968 (ano do recrudescimento da ditadura empresarial militar no Brasil) o jovem corpulento gigante da Vila da Penha dos anos oitenta que soltava e vendia pipas se junta à Juventude Operária Católica. Da Teologia da Libertação e as pastorais – aquela figura sempre com o violão ao lado- até atuar como secretário de formação política do Partido dos Trabalhadores, junto aos diretórios municipal, estadual e nacional, sendo também da secretaria nacional. Depois em Brasília, no início dos anos dois mil, foi assessor de dois sindicatos de servidores públicos federais. De volta ao efervescente e tenso contexto carioca em 2013, foi diretor do Observatório de Favelas, fundado entre outros, por seu amigo de longa data, Jailson de Souza, no Complexo da Maré, atuando no Instituto Maria e João Aleixo – IMJA. Os ensaios deste livro compõem um conjunto de textos publicados pelo Observatório das Favelas, em formato de artigos no website da organização, entre 2017 e 2018.

Os textos foram escritos com um certo senso de urgência, de alerta. São análises de conjuntura, todas com a cabeça localizada onde os pés pisam e as antenas ligadas nos perigos do regressivo flerte global com uma estética da guerra – presente na conversação diária, no cotidiano, na mídia, na dinâmica das organizações – a militarização da vida. O cano do fuzil refletiu o lado ruim do Brasil, escreveu um dia o saudoso Marcelo Yuka – também amigo de Edu. Nestes anos difíceis, pressente o autor o fato de que já não se trata de resquício da ditadura, mas de cretina continuidade, que obedece aos interesses do capital. Entretanto a escrita é muito poética o tempo todo e atravessada por referências literárias que vão de Tolstói (Guerra e Paz) à Rosa Luxemburgo ( Reforma ou Revolução); Kafka (Metamorfose) e Hélio Pellegrino (A honra de ser inseto) ; Sócrates e a Lua; Zé Ramalho & Zé Geraldo… e por aí vai, tecendo uma gigantesca colcha de afetos que visa se sobrepôr à força desumanizadora do mercado, do lucro e do Estado. O autor se contrapõe à lógica do extermínio evocando o espectro de Rosa, em sua defesa mais aguerrida do socialismo amalgamado com a liberdade.

Eduardo que se afirma teoricamente Marx, politicamente Gramsci e esteticamente Rosa, propõe aos nossos corações e intelectos, a superação do desejo de eliminação do outro, do divergente – já que a vida é feita de conflitos e dissenso – e chama para a construção de condições para o diálogo e o desenvolvimento da inteligência coletiva, gigantesco desafio do nosso tempo.

Produzido pela editora InMediares e organizado pela Doutora em Educação Adriana Doyle Portugal, Rosa, Fama e Metamorfose será lançado no dia 15 de outubro, às 20 horas. O evento reunirá amigos do autor, jornalistas, escritores, professores e artistas e será transmitido ao vivo no canal You Tube da Pressenza e com retransmissão pelo canal da Bancada Preta.

Categorias: Ámérica do Sul, Cultura e Mídia, Opinião
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