Quem está por trás da juíza que decide o caso Assange.

06.10.2020 - Manlio Dinucci

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Quem está por trás da juíza que decide o caso Assange.

A arte da guerra. Envolvida em vários conflitos de interesses por causa de seus laços familiares, a juíza que vai decidir sobre o destino de Assange é casada com um figurão da indústria militar e dos serviços de inteligência.

Emma Arbuthnot é a magistrada-chefe que, em Londres, instruiu o julgamento de extradição de Julian Assange para os EUA, onde ele aguarda uma pena de 175 anos de prisão por “espionagem”, por ter publicado, como jornalista investigativo, evidências de crimes de guerra dos EUA, incluindo vídeos de massacres de civis no Iraque e no Afeganistão. No julgamento, atribuído à juíza Vanessa Baraitser, todos os pedidos da defesa foram negados.

Em 2018, depois que a alegação de agressão sexual na Suécia foi arquivada, a juíza Arbuthnot se recusou a cancelar o mandado de prisão, para que Assange não pudesse obter asilo no Equador.

Emma Arbuthnot rejeitou as conclusões do Grupo de Trabalho da ONU sobre a detenção arbitrária de Assange. Foram ignoradas também as palavras do Relator Especial sobre tortura da ONU: “Assange, detido em condições extremas de isolamento injustificado, mostra os sintomas típicos de uma exposição prolongada à tortura psicológica”. Em 2020, enquanto milhares de detidos foram transferidos para prisão domiciliar como medida contra o corona vírus, Assange foi deixado na prisão, exposto à infecção em condições físicas já comprometidas. Na sala do tribunal, Assange não pode consultar os advogados, é mantido isolado em uma gaiola de vidro blindada e ameaçado de expulsão se abrir a boca. O que está por trás dessa persistência?

Arbuthnot tem o título de “Lady”, sendo a consorte de Lord James Arbuthnot, um conhecido “falcão” Tory, ex-Ministro de Compras da Defesa, ligado ao complexo militar-industrial e aos serviços secretos. Lord Arbuthnot é, entre outras coisas, presidente do conselho consultivo britânico da Thales, uma multinacional francesa especializada em sistemas militares aeroespaciais, e membro da Montrose Associates, especializada em inteligência estratégica (cargos altamente pagos).

Lord Arbuthnot faz parte da Henry Jackson Society (HJS), um influente think tank transatlântico ligado ao governo e aos serviços secretos dos EUA. Em julho passado, o secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo falou em uma mesa redonda da HJS em Londres: desde 2017, quando era diretor da CIA, acusa o WikiLeaks, fundado por Assange, de ser “um serviço de espionagem inimigo”. A mesma campanha é conduzida pela Henry Jackson Society que acusa Assange de “semear dúvidas sobre a posição moral dos governos democráticos ocidentais, com o apoio de regimes autocráticos”. No conselho político da HJS, ao lado de Lord Arbuthnot, estava até recentemente Priti Patel, a atual secretária do Ministério do Interior do Reino Unido, responsável pelo pedido de extradição de Assange.

Emma Arbuthnot está fortemente ligada a este grupo de pressão que, sob a direção de Lord Arbuthnot, está conduzindo uma campanha ferrenha pela extradição de Assange. A “lady” foi nomeada pela Rainha como magistrada-chefe em setembro de 2016, depois do WikiLeaks ter publicado, em março, os documentos mais comprometedores para os EUA. Entre estes, os e-mails da Secretária de Estado, Hillary Clinton, que revelam o verdadeiro proposito da guerra da OTAN na Líbia: impedir que o pais usasse suas reservas de ouro para criar uma moeda pan-africana alternativa ao dólar e ao franco CFA, a moeda imposta pela França a 14 ex-colônias.

O verdadeiro “crime”, pelo qual Assange é julgado, é o de ter aberto fissuras na parede de silêncio político-midiático que cobre os reais interesses de grupos poderosos os quais, operando no “estado profundo”, jogam a carta da guerra. É este poder oculto que sujeita Julian Assange a um processo judicial, instruído por Lady Arbuthnot, que, pelo tratamento ao acusado, relembra aqueles da Santa Inquisição.

Se extraditado para os EUA, Assange seria submetido a “medidas administrativas especiais” muito mais duras do que as britânicas: ficaria isolado em uma pequena cela, não poderia contatar sua família ou falar, nem mesmo por meio de advogados que, se comunicassem uma mensagem sua, seriam incriminados. Em outras palavras, ele seria condenado à morte.


Traduzido do italiano por Cristiana Gotsis

Categorias: Direitos Humanos, Internacional
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