Ponte para essas pessoas pretas que precisam de voz

21.02.2020 - Vinícius Chamlet

Ponte para essas pessoas pretas que precisam de voz

Professora de Geografia da Rede Municipal de Ensino, premiada pela Secretaria Municipal  de direitos humanos, na categoria Educação em Direitos humanos. Adriana Vasconcellos é pré-candidata à vereança pelo Pc do B. Saiba mais sobre as suas ideias nesta entrevista exclusiva.

Pressenza – Como você avalia o atual cenário político?

Adriana Vasconcellos – O atual cenário político é péssimo,  um momento perda de direitos adquiridos com muita luta. Um desmonte da educação,  descredibilidade e não investimento na pesquisa e cultura.

Um caos proposital para que os privilégios sejam mantidos e a mobilidade social, deixe de acontecer.O caos estabelecido é proposital,  sempre que passamos por esses momentos, eles sempre foram representado por uma figura patética que na verdade está a mando dessa classe dominante que se fez em cima da exploração desumana de outros seres humanos. A base do capitalismo , em nosso País é a escravização e esse pensamento escravocrata permanece até os dias de hoje.

O desrespeito às instituições democráticas e o crescimento do nazifacismo é sustentado por essas famílias, que dominam o grande capital e investem na diferença social.

 

Pressenza – Qual é a situação da população negra do país? Quai são suas propostas para combater a estrutura racista que vigora no Brasil?

Adriana Vasconcellos – Para essa situação de racismo, que impede a mobilidade, ele está totalmente ligado ao poder. Não existe racismo reverso, e ele está ligado ao poder, ao impedimento de acesso. É preciso ter acesso aos lugares de poder, nos espaços determinantes, nos espaços de decisão. Quanto mais representantes negras e negros, mais nós vamos poder falar por nós, e fazer com que esse espaço monocromático, dominado por um mesmo segmento, tanto da direita e da esquerda. A proposta é que se mantenham as leis afirmativas, e que se crie mais leis afirmativas, em todas as instâncias, no judiciário principalmente, onde nós não temos representatividade.

Não há um recorte para a saúde da população negra, que é a que mais utiliza o SUS. um de nossos projetos é uma de profissionais da saúde dentro dos aparelhos públicos, UBS, etc. O olhar com viés racial não tem, tem o com o olhar racista.

A educação é tudo. Deve-se exigir que diretores, e coordenadores, realmente entendam a necessidade de se falar sobre a cultura africana, e as suas contribuições para a formação do país. Para que se acabe com essa cultura de ver o negro apenas como mão de obra.

Pressenza – Qual foi o motivo da sua saído do PSOL

Adriana Vasconcellos -A minha saída do Psol, ela se deu em um momento em que me senti desvalorizada. Não é a Adriana Vasconcelos que quer ter um cargo político, é a Adriana que ajudou na questão étnico-racial. Eu não me senti valorizada, a minha pauta não foi valorizada, respeitada.

Eu cheguei no partido sem nenhuma condição de competir, pois ninguém me conhecia, eu nunca tinha saído para uma disputa. Não sabia como se fazia uma campanha. Tive bons resultados, uma boa contribuição. Nos dois anos como assessora parlamentar, contribui também para aproximar mais pessoas negras e negros do partido. Essa questão ficou muito mais evidente quando eu estive lá.

Na segunda campanha eu fiquei como deputada federal suplemente, com mais de 20 mil votos. A minha luta é pela emancipação da população negra que está sendo morta, eles não se contentam de matar os nossos jovens, estão matando as nossas crianças. Por conta das correntes,quando vemos, estamos brigando. Se não se faz parte de corrente, você fica a mercê da sorte. Por isso, decidi sair. Nem um “obrigado” eu tive pela minha votação, e não fui chamada para fazer parte de absolutamente nada.

A questão da Marielle Franco também me deixou muito abalada. Porque foi muito usado, todos usaram a morte dela como mola propulsora, mas na verdade a valorização da mulher preta, não partiu do partido. Quando o Psol diz: “o partido elegeu tantas mulheres pretas”, isso não é verdade, quem elegeu foi a militância. A história que essa pessoa tem fora do partido. Eu não quis mais ser puxadora de votos.

Fui muito bem recebida no Pc do B, faço parte do diretório municipal, com o poder de voz. Eu acabei de chegar. Não tem nada de estrelismo, de individualismo, mérito pessoal. Eu sou a ponte para essas pessoas pretas que precisam de voz.

O que o Psol fez para essas mulheres pretas? Ou foi só usar a imagem para crescer o partido. Tem um vídeo da irmã da Marielle falando disso. Não estou falando mal do partido. Só saí, pois não via perspectiva de mudança. Isso não quer dizer que as manas pretas lá dentro não fazem um trabalho bacana, comprometidas com a emancipação da população preta. O que eu vejo de mais relevante é a questão da diferença social, diferença de classes. É o que está em primeiro, não é a questão do racismo, mulher, LGBTQIA. Apesar de que, a questão das mulheres cresceu bastante dentro do partido.

Pressenza – Como combater a desesperança e o pessimismo com a política em tempos de Bolsonaro e companhia?

Adriana Vasconcellos – Temos de estar próximo dos nossos. Temos que ir para os lugares mais pobres. Com as chuvas que tivemos, tem pessoas que perderam suas casas, temos de ir a estes lugares, conversar com essas pessoas e ter ações efetivas. Levar nosso conhecimento, mas sem arrogância, com troca. Quem vai dizer o que precisa, são elas. Fazer com que elas entendam que o espaço legislativo também é delas. Que a transformação vai acontecer de verdade. E não desses senhores de escravos que estão lá há séculos. É importante falar de maneira clara e direta, de acordo com o que está acontecendo no dia-a-dia.

É muito triste pensar que pagamos impostos caros e ver um governo tucano que está lá desde sempre e que não investe na questão de evitar esta tragédia para guardar dinheiro para a sua campanha. Esses poderosos vivem em paz sem peso na consciência, pois também nunca estiveram nestes lugares de verdade. É importante ter um trabalho efetivo, estar juntos, voltar para as bases. Não ficar com um linguajar academicista, achando que todos vão para o centro. É preciso valorizar essas pessoas. É importante fazer com que elas vejam que tem este poder.

Esta questão da polarização fez com que este infeliz chegou onde está. Foi apostando na mentira.

Categorias: Diversidade

Boletim diário

Digite seu endereço de e-mail para assinar o nosso serviço de notícias diárias.

Pesquisa

Informe Pressenza

Informe Pressenza

Caderno de cultura

Caderno de cultura

O Princípio do fim das armas nucleares

Documentário 'RBUI, o nosso direito de viver'

Canale YouTube

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

Arquivo

xpornplease pornjk porncuze porn800 porn600 tube300 tube100 watchfreepornsex

Except where otherwise note, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International license.

maltepe escort