Os humanistas e o momento atual

25.10.2019 - Tomás Hirsch

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Os humanistas e o momento atual

Olá amigos,

É difícil fazer uma síntese do que estamos vivendo, mas na tentativa de transmitir o nosso olhar, vou contar para vocês um pouco.

Penso que estamos a assistir a algo que o Humanismo tem vindo a anunciar há muito tempo: uma explosão social em resultado de um sistema absolutamente violento e desumano que tem vindo a espremer, abusar e maltratar pessoas há demasiado tempo.

E por sinal, essa violência sistêmica, que é a violência racial, cultural, psicológica e econômica, acaba desencadeando o que estamos vendo hoje, protestos que depois se tornam uma efusão social e acabam em saques, incêndios e, por outro lado, um governo que não tem capacidade de resposta, que sobretudo não entende nada sobre esse fenômeno psicossocial e que, portanto, faz a única coisa que sabe fazer: os brutos, responder com violência, trazer os militares para a rua, atirar, reprimir.

Este é o panorama que estamos vivendo no momento. Nós, os humanistas, temos vindo a alertar para esta situação há demasiado tempo.

 Assim, quando algumas pessoas dizem hoje que todos os políticos têm de fazer uma autocrítica, não é assim, no nosso caso avisámos.

Em 1999, há 20 anos, deitámos a Constituição no lixo, dissemos que era inútil e que era necessário ter uma nova Constituição democrática e não continuar com a da ditadura.

Em 2005, levantamos a necessidade de acabar com as AFPs, levantamos a necessidade de avançar na justiça social, levantamos na época, que a educação deve ser um direito garantido, livre e de qualidade. A propósito, eles também não nos ouviram lá.

E com a Frente Ampla, levantamos desde o início, um programa, propostas para uma maior justiça social. Entretanto, este sistema tem sido dedicado a apertar, apertar e continuar a fazê-lo, até as pessoas rebentarem.

 Não validamos a violência, não partilhamos o ato violento, mas parece-nos fundamental compreender a raiz da violência, parece-nos fundamental que esta sociedade, este sistema, em vez de rasgar roupas, tenha capacidade de visão autocrítica e, portanto, aponte para transformações estruturais fundamentais. Fingir que isso vai ser resolvido retrocedendo com a tarifa do metrô é não entender nada.

Hoje há protestos de Arica a Punta Arenas, em mais de 50 cidades onde não há metrô, então isso não tem nada a ver com a tarifa do metrô. Isto tem a ver com abuso, com conluio, com pensões miseráveis, com salários miseráveis, com o preço da água, do gás, da electricidade, dos transportes. Com um país que foi construído sobre a desigualdade e com uma das piores distribuições de renda do planeta. Tu sabes tudo isto, e nós temos dito tudo isto há demasiado tempo. Mas hoje é fundamental que, como humanistas, sejamos claros sobre o que sempre foi nossa abordagem, nossa proposta e o que ainda é o mesmo de hoje: avançar com profundas mudanças estruturais, rumo à construção de uma sociedade muito diferente da atual.

“Este mundo vai explodir”, disse Silo uma vez, e nada nem ninguém poderá se opor a ele, nada nem ninguém poderá deter a violência, porque a geram dia a dia com seus maus-tratos às pessoas.

Hoje temos que estar muito unidos, muito ligados, para trabalhar em uma cunha, para deixar claro que é importante ser uma referência de não-violência ativa, para propor ao povo que continue com a mobilização, mas com uma mobilização não-violenta, com caceroleos, com encontros entre vizinhos, com debates, com discussões, com mobilização. Buscar construir uma organização social de base, fortalecer o movimento social. Estas são as nossas tarefas, temos que contribuir nesta direção e, deste ponto de vista, para elevar agora a exigência de uma Assembléia Constituinte, parece-me que ela pode ajudar a unificar, a unir as exigências específicas que cada um tem.

Quero enviar a cada um de vós um grande abraço, para vos dizer que continuamos totalmente empenhados em lutar, em trabalhar por uma sociedade muito, muito diferente do sistema desumano em que vive hoje a grande maioria dos chilenos e de todo o mundo.

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