Um mês do desabamento no Largo Paissandu

06.06.2018 - Redação São Paulo

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Um mês do desabamento no Largo Paissandu

Após o desabamento no largo Paissandu pessoas seguem desabrigadas

A Tragédia no Largo Paissandu

São Paulo, a maior cidade do sul do mundo. Um formigueiro gigantesco de pessoas. Um mar de cheiros, sons, sabores e cultura. Em um importante ponto no coração da selva de pedra o arranha céu de vidro, edifício Wilton Paes de Almeida estava localizado. Próximo da galeria do Rock, local que é ponto de encontro de muitos jovens paulistanos e da histórica Igreja do Rosário.

Erguido na década de 60 o prédio no largo paissandu foi sede conglomerados empresariais, da Polícia Federal e abrigou por um curto período uma agência do INSS. Antes de desabamento no Largo Paissandu, no dia primeiro de Maio, dia do trabalhador, o prédio serviu de moradia para dezenas de famílias.

Ninguém ocupa por que quer. Ocupa por necessidade. As famílias que ocuparam o prédio do largo paissandu são algumas entre as milhares que não conseguem pagar os aluguéis exorbitantes, nem têm acesso aos financiamentos dos grandes bancos.

Ocupar é resistir. Resistir em uma cidade caótica e marcada por uma forte especulação imobiliária. Resistir frente às adversidades trazidas por um sistema que privilegia o lucro ao invés das vidas. Resistir ocupando os espaços centrais, que no imaginário de muita gente só deve servir de moradia para as pessoas ricas. Para os pobres: os extremos da cidade com suas favelas e falta de infraestrutura (hospitais, rede de trêm e metrô, escolas, e etc).

Assita o vídeo produzido pela QuatroV sobre o assunto –

Criminalização do movimento de Moradia que ocupava o prédio do Largo Paissandu

Leia – “Desabamento em SP: uma amostra do quão perigosa é a combinação entre vulnerabilidade e lucros.”

A narrativa da grande mídia, da mídia comercial, foi a de culpabilizar os movimentos sociais de luta por moradia. O desabamento do Largo Paissandu foi reproduzido nos diferentes veículos de comunicação como fruto das ocupações. Famílias inteiras foram reduzidas literalmente as cinzas por conta de uma negligência dos diferentes poderes públicos (governo federal, estadual e prefeitura) e o que se via e ouvia era de que a culpa não era do descaso e negligência do Estado brasileiro e sim das pessoas que ocuparam o prédio do Largo Paissandu por um único e exclusivo motivo: N-E-C-E-S-S-I-D-A-D-E.

Após um mês do desabamento pessoas seguem acampadas no largo paissandu. Uma reportagem publicada no site dos Jornalistas Livres trouxe a tona que além de não prover moradia para tais pessoas, o (des)governo do prefeito de São Paulo teria buscado intimidar as mães para que saíssem do local com a retirada da guarda de seus filhos. Um ato cruel, desumano e que mais uma vez reforça a retórica de uma cidade para ricos, para poucos.

A prefeitura tem afirmado que no local do desabamento do largo paissandu será construído moradia para as pessoas. Porém o que ainda temos visto (infelizmente) é o descaso. A carta magna do Brasil diz com todas as letras e de forma clara e evidente que morar é um direito. Um direito que não pode ser reduzido aos interesses do capital. A propriedade deve antes de mais nada cumprir sua função social. As casas devem servir de moradias. Quantos terrenos estão sem uso? Quantas casas no Brasil e no mundo estão abandonadas e que poderiam abrigar inúmeras famílias?

Imagem de capa Mídia Ninja

Texto por Vinícius Chamlet

 

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos
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