Quais são os interesses por trás de “O Mecanismo” da Netflix?

29.03.2018 - Redação São Paulo

Quais são os interesses por trás de “O Mecanismo” da Netflix?

Série lançada pela Netflix, “O Mecanismo“, gerou polêmica ao tratar sobre a operação Lava Jato. Na trama a fala notoriamente de “Romero Jucá” é dita por um personagem que faz associação ao Lula.

O Mecanismo da Netflix faz alusão ao “sistema”

Dirigida por Eliseu Padilha, diretor de Tropa de Elite I e II e também da série Narcos, O Mecanismo tenta recontar a Operação Lava Jato. O próprio nome “O Mecanismo” é uma tentativa de transmitir neutralidade e fazer uma alusão ao “sistema”. Ou seja, tratar o problema sem assumir uma postura tida como de direita ou de esquerda. Porém, ao ver apenas alguns episódios da série, é possível ver nitidamente que é uma neutralidade aparente.

Logo de início aparece na tela os dizeres que se trata de uma dramatização e fatos poderiam ser alterados. Porém cada personagem é facilmente identificado.

O Mecanismo Luís Inácio Lula da Silva é João Higino (Arthur Kohl)(Imagem: Divulgação)

Luís Inácio Lula da Silva é João Higino (Arthur Kohl)(Imagem: Divulgação)


Aécio Neves é Senador Lúcio Lemes (Michel Bercovicht) (Imagem: Divulgação)


O Mecanismo Michel Temer é Samuel Thames (Tonio Carvalho) (Imagem: Divulgação)

Michel Temer é Samuel Thames (Tonio Carvalho) (Imagem: Divulgação)


O Mecanismo Dilma Rousseff é Janete Ruscov (Sura Beroitchevsky)(Imagem: Divulgação)

Dilma Rousseff é Janete Ruscov (Sura Beroitchevsky)(Imagem: Divulgação)


O MecanismoJuiz Sérgio Moro é Juiz Paulo Rigo (Otto Jr) (Imagem Divulgação)

Juiz Sérgio Moro é Juiz Paulo Rigo (Otto Jr) (Imagem Divulgação)

Hora de Cancelar a Netflix ?

A fala de Romero Jucá que foi gravada pelo ex-presidente da Transpeto Sérgio Machado, na qual o político diz que é preciso “estancar a sangria e fazer um acordo nacional entre diversos agentes políticos” foi colocada na boca do personagem que representa o ex-presidente Lula. Gerando uma confusão dos fatos.

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A série “O Mecanismo” desencadeou reação da ex-presidenta Dilma –

“O cineasta não usa a liberdade artística para recriar um episódio da história nacional. Ele mente, distorce e falseia. Isso é mais do que desonestidade intelectual. É próprio de um pusilânime a serviço de uma versão que teme a verdade.” – Nota de Dilma Rousseff

Não é a primeira vez que uma série da Netflix modifica fatos históricos. Em uma das passagens de Narcos, é dito que o ex-ditador chileno Pinochet teria dado um fim no tráfico de drogas. O que é uma inverdade.

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Apesar de se tratar de uma dramatização, ao tentar recontar a história se manipula de forma sutil fatos históricos. Tudo isso sob o véu da imparcialidade. Alguém que assiste a série e não conhece os fatos pode se levar a crer que Lula articulou o golpe de Dilma Rousseff. Pior ainda é para quem não vive no Brasil e não está a par dos fatos políticos.

Por conta da polêmica envolvendo a série “O Mecanismo“, uma campanha tem varrido as redes sociais em que pessoas tem cancelado o serviço de streaming.

A série da Netflix é uma Tentativa de manipular as eleições e influenciar no julgamento de Lula

A mídia durante o período do do impeachment de Dilma legitimou o movimento de afastamento da ex-presidente. O mesmo ocorre com a série “O Mecanismo”. A série dá legitimidade ao golpe branco.

Imagem de um espectador assistindo O Mecanismo. O detalhe é que a tv está em um Pato.

por Ribs

O uso de produções audiovisuais para legitimar articulações políticas é notório. “O Triunfo da Vontade” (Triumph des Willens), de Leni Riefenstahl (1936) é um grande exemplo. Os nazistas precisavam legitimar suas posições autoritárias e arbitrárias frente ao povo alemão.

“O Mecanismo” legítima um movimento que se diz ser contra a corrupção e neutro, mas que tem claro viés político. Que quer na verdade manter um status quo com o discurso de que se é contra a corrupção. A série da Netflix é lançada em ano eleitoral e em momentos antes do julgamento do Habeas Corpus de Lula.

Imagem em destaque por Laerte Coutinho

Texto por Vinícius Chamlet

Categorias: Ámérica do Sul, Cultura e Mídia, Opinião
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