Sagrado no Feminino: Sobre a condição feminina, os dragões da criação e as Deusas

09.11.2017 - São Paulo, Brasil. - Redação São Paulo

This post is also available in: Espanhol

Sagrado no Feminino: Sobre a condição feminina, os dragões da criação e as Deusas

“A Deusa cria o mundo, enche-o de energia e nutre a terra com criaturas e com a água, elemento vivificador. Ela emerge da morte e em seu corpo a nova vida começa. Ela não é a Terra(como será para os indo-europeus), mas o poder feminino capaz de se transformar em todas as formas vivas”Trecho do livro “A Deusa e os Deuses na Velha Europa”, de M. Gimbutas

“É sábio quem conhece os seus modelos profundos e é mais sábio ainda, quem pode pô-los ao serviço das melhores causas.”. – Trecho de “A Paisagem Interna”, de Silo.

O Encontro Sagrado no Feminino foi realizado no Parque de Estudos e Reflexão Caucaia, cidade de Cotia, com o objetivo de criar um espaço que abordasse temas do universo feminino. No formato de roda de conversa e oficinas os temas abordados foram a condição feminina, gênero e juventude, a condição feminina e as novas possibilidades no século XXI, o processo criativo e a Deusa Interior. Na sala de meditação foram realizadas práticas meditativas de contato com a força interna e bem estar aos seres queridos.

Mas afinal o que é a condição feminina? Seria uma identidade? Uma luta? Uma bandeira? Um estado de espírito? Uma força interna? A fonte da criação? O encontro com a Deusa Interior?

O Encontro, além de suscitar perguntas, buscou incentivar depoimentos e vivências das mulheres presentes, de distintas faixas etárias. Vários testemunhos sobre as pressões sociais na época da infância, juventude, maturidade e velhice foram compartilhados, além de relatos sobre conflitos cotidianamente vividos na cultura patriarcal.

Na oficina ‘Os sete dragões da criação’, que abordava o dragão como ser mitológico que representa nossa força criativa, situando-o em sete tipo de dragões. Tais forças podem estar a favor ou contra a criação, dependendo do manejo que se faça delas. A oficina transcorreu cheia de exemplos e alegorias que permeiam o mundo da criação e os impedimentos que surgem ao iniciar um processo criativo. Esse passeio por essas forças está conectado aos planetas, a astronomia e a astrologia e possibilitam observar como tais forças atuam e como direcioná-las a favor da criação.

A oficina ‘O encontro com a Deusa Interior’ foi uma experiência sensorial que estimulou todos os sentidos para tomar contato com a Deusa. Através de cânticos, exercícios de respiração e meditação que terminavam com o encontro de cada participante com sua Deusa, através de imagens de Deusas Celtas.

É fato que, a definição de ser mulher remete a ideia de uma construção histórica e social do feminino. O conceito de ser mulher é variável e pode transformar-se mediante a cultura, a classe social, à época, ao país e a religião. Para alguns o conceito de ser mulher se orienta pelo sexo biológico, entretanto muitas pessoas podem vivenciar a condição feminina sem ter nascido mulher. Ser mulher depende do contexto, do lugar e do tempo em que se vive.

Nos século XVIII e XIX muitos autores e cientistas influenciaram a concepção de um pensamento que depreciava as mulheres e a feminilidade. Adotou-se a perspectiva da mulher de natureza frágil e indefesa, inferior ao homem, voltada apenas a maternidade, impedindo a concepção de outros os papéis sociais, culturais e existenciais a serem desenvolvidos por mulheres.

Na atualidade, exige-se da mulher a adequação aos modelos de beleza, produtividade, competitividade e sobretudo eficácia. Sob o pressuposto de igualdade de direitos mesmo que as oportunidades sejam desiguais, cada dia mais as mulheres são pressionadas. À medida que as mulheres avançam no mercado de trabalho, no ativismo político-social, nas áreas de conhecimento e tecnologia, e nos mais diversos campos de atuação, mais cresce a pressão sobre seus corpos, seus afetos, seus comportamentos, assim como, cresce o rígido enquadramento do que é ser mulher e do que é ser feminina.

Dentre os vários feminismos e movimentos de mulheres, existem pensamentos e posicionamentos diferentes. Entretanto, todos eles têm pensado na garantia de direitos e oportunidades iguais; combater a discriminação, exigir respeito perante às escolhas das mulheres e reafirmar o clamor contra todo tipo de violência.

O Encontro Sagrado no Feminino criou um momento de pausa nessas sucessivas pressões, que nós mulheres estamos inseridas cotidianamente. Um momento cálido e afetuoso para pensarmos sobre o que a condição de ser mulher nos proporciona e o que há de sagrado no feminino. Essa pausa proporcionou em cada uma das presentes a oportunidade de repensar sobre a trajetória de vida percorrida. A tônica do Encontro foi a de repensar sobre as escolhas, mediante aos modelos impostos e também os modelos que queremos, meditando profundamente sobre a vida e buscando a reconciliação com ela. Essa pausa foi momento de reflexão, mas, sobretudo um compartilhamento sobre vivências da condição de ser mulher, como cada uma representava o sagrado e a feminilidade.

Cristiane Prudenciano – Mensageira de Silo
Mestranda em Ciências Sociais PUC-SP

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos, Humanismo e Espiritualidade, Não discriminação, Opinião

Boletim diário

Indique o seu e-mail para subscrever o nosso serviço diário de notícias.


Milagro Sala

Canale youtube

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

Arquivo

Except where otherwise note, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International license.