Sim, O Capitalismo Gera Pobreza e Miséria

08.08.2017 - Redação São Paulo

Sim, O Capitalismo Gera Pobreza e Miséria

YES, O CAPITALISMO GERA POBREZA

Apesar dos avanços, hoje os capitalistas globais utilizam o poder e a força econômica e tecnológica para assassinar, empobrecer e oprimir em vastas regiões do mundo, destruindo, além disto, o futuro das novas gerações e o equilíbrio geral da vida no planeta. Uma pequena porcentagem da humanidade possui grandes
riquezas, enquanto a maioria padece sérias necessidades. Em alguns lugares há trabalho e remuneração
suficientes, porém, em outros a situação é desastrosa. Em todas as partes do mundo os setores mais humildes sofrem horrores para não morrer de fome.

NÃO, O CAPITALISMO NÃO É UMA FORÇA DA NATUREZA
Sabemos que muitos aspirantes a bilionários e alguns candidatos “gestores” (estes que afirmam não serem políticos),  ficarão “chocados” quando perceberem que o capitalismo não é uma força da natureza (como a gravidade), mas sim uma simples ideologia criada por seres humanos que desejavam obter vantagens e justificar seus privilégios.

O CAPITALISMO NÃO É BASEADO EM LEIS NATURAIS
Toda e qualquer legislação feita por seres humanos é uma construção histórica, coletiva e cultural.
Não adianta espernear, chorar e depois nos acusar de colocar a culpa no capitalismo. As premissas do capitalismo partem de uma concepção equivocada do ser humano, como se fóssemos meros animais em disputa por alimento. O ser humano é muito mais do que isso, é bom que saibam disso.

O CAPITALISMO É APENAS UMA IDEOLOGIA
Existem muitas ideologias na história da humanidade, o capitalismo é apenas uma delas.  Quando um defensor do capital nos ataca, qual a versão de capitalismo ele está defendendo? O Capitalismo industrial, o Liberalismo ou o Neoliberalismo? Anarco-capitalismo? A versão atual e vigente do capitalismo não tem garantia de continuidade.

CAPITALISMO NÃO É SINÔNIMO DE PROGRESSO
Nós humanistas desejamos a aceleração dos acontecimentos, enquanto tratamos de adaptar-nos crescentemente aos novos tempos. A humanidade sempre progrediu desde tempos imemoriais, quando nem dinheiro existia, o progresso depende da imaginação, dos mitos e das crenças humanas, não do capital.  O progresso depende da imagem ideal que cada ser humano projeta mentalmente sobre o melhor estilo de vida e da imagem ideal que cada povo projeta coletivamente sobre qual seria o melhor tipo de sociedade, e isto vai mudando conforme o momento histórico.

A “NOVA ORDEM” LIBERAL JÁ NÃO É TÃO NOVA
Quanto ao modo de expressar a argumentação dos defensores da “Nova Ordem” podemos comentar o seguinte: ao falar deles não tem deixado de ressoar em nós os acordes daquelas diametrais ficções literárias, 1984 de
Orwell e Admirável Mundo Novo de Huxley.

Estes magníficos escritores profetizaram um mundo futuro em que, por meios violentos ou persuasivos, o ser humano terminava submergido e robotizado. Creio que ambos atribuíram demasiada inteligência aos “maus” e demasiada estupidez aos “bons” de seus romances, movidos talvez por um pessimismo de fundo que não vem ao caso interpretar agora.

Os “maus” de hoje são pessoas com muitos problemas e uma grande avidez, porém, de qualquer forma,
incompetentes para orientar processos históricos que claramente escapam a sua vontade e capacidade
de planificação. Em geral, trata-se de gente pouco estudiosa e de técnicos a seu serviço que dispõem de
recursos parcelados e pateticamente insuficientes.

Assim, pediremos que não levem muito a sério alguns destes parágrafos, nos quais, na realidade, nos divertimos colocando em suas bocas palavras que não dizem, ainda que suas intenções vão nesta direção. Cremos que devemos considerar estas coisas fora de toda solenidade (própria da época que morre) e, pelo contrário, colocá-las com o bom humor e o espírito de brincadeira como cartas trocadas virtualmente entre amigos.

1. COMO CHEGAMOS NA SITUAÇÃO ATUAL?

Desde o começo de sua história a humanidade evolui, trabalhando para obter uma vida melhor.

Hoje, minimamente, e pelo simples fato de ter nascido em um meio social, todo ser humano requer adequada alimentação, sanidade, moradia, educação, vestuário, serviços… e, chegando a certa idade, necessita assegurar seu futuro pelo tempo de vida que lhe resta.

Com todo o direito as pessoas querem o melhor para elas e seus filhos, ambicionando que estes possam viver melhor. No entanto, estas aspirações de bilhões de pessoas hoje não são satisfeitas.

2. O CAPITALISMO É MAIS UM EXPERIMENTO ECONÔMICO

Em toda sua história os seres humanos têm feito diferentes experimentos econômicos com distintos resultados. Atualmente, a tendência é aplicar um sistema em que supostas leis de mercado regularão automaticamente o progresso social, superando o desastre produzido pelas anteriores economias dirigistas.

Segundo este esquema idealista e utópico do capitalismo, as guerras, a violência, a opressão, a desigualdade, a pobreza e a ignorância irão retrocedendo sem produzir maiores sobressaltos. Os países se integrarão em mercados regionais até chegar a uma sociedade mundial sem barreiras de nenhum tipo.

E assim como os setores mais pobres dos pontos desenvolvidos irão elevando seu nível de vida, as regiões
menos avançadas receberão a influência do progresso. A maioria se adaptará ao novo esquema que
técnicos capacitados ou homens de negócios estarão em condições de colocar em andamento. Se algo
falha, não será pelas naturais leis econômicas, mas por deficiências destes especialistas que, como
acontece em uma empresa, terão que ser substituídos todas as vezes que for necessário. Por outro lado,
nesta sociedade “livre” será o público quem decidirá democraticamente entre diferentes opções de um
mesmo sistema. Parece bom, né. Mas será que funciona assim mesmo? Ou é mais um produto de marketing?

3. A EVOLUÇÃO SOCIAL FAZ PARTE DE NOSSA HUMANIDADE

Dada a situação atual e a alternativa que se apresenta para a obtenção de um mundo melhor,
cabe refletir brevemente sobre essa possibilidade. Com efeito, têm sido realizadas numerosas tentativas
econômicas que têm dado diferentes resultados; e frente a eles se diz que o novo experimento capitalista é a única
solução para os problemas fundamentais.  No entanto, alguns aspectos dessa proposta são inexplicáveis.

3.1 – LEIS ECONÔMICAS COISA NENHUMA
Em primeiro lugar, aparece o tema das lei econômicas. Ao que parece, existiriam certos
mecanismos, como na natureza, que, ao atuar livremente, regulariam a evolução social. O processo humano e, consequentemente, o processo econômico, não são da mesma ordem que os fenômenos naturais.

Ao contrário, as atividades humanas não são naturais, são intencionais, sociais e históricas, fenômenos estes que não existem nem na natureza em geral, nem nas espécies animais. Tratando-se pois de intenções e de interesses, também não temos porque supor que os setores que detêm o bem estar estejam preocupados em superar as dificuldades de outros menos favorecidos.

3.2 – A RIQUEZA NÃO TRANSBORDA PARA OS MAIS POBRES
Em segundo lugar, a explicação que se dá a respeito de que sempre houveram grandes diferenças econômicas entre uns poucos e as maiorias e que, não obstante isto, as sociedades têm progredido, nos parece insuficiente.
A História nos ensina que os povos avançaram reinvindicando seus direitos frente aos poderes estabelecidos.
O progresso social não se produziu porque a riqueza acumulada por um setor depois tenha transbordado automaticamente “para baixo”.

3.3 – PAÍSES RICOS NÃO SERVEM DE MODELO
Em terceiro lugar, apresentar como modelo determinados países que, operando com essa suposta economia livre, hoje têm um bom nível de vida, parece um excesso.

Estes países realizaram guerras de expansão sobre outros, impuseram o colonialismo, o neo-colonialismo e a divisão de nações e regiões; arrecadaram com base na discriminação e violência e, finalmente, absorveram mão-de-obra barata, ao mesmo tempo em que impuseram acordos de intercâmbio desfavoráveis para as economias mais fracas.

Poderão argumentar que aqueles eram os procedimentos que se entendiam como “bons negócios”. Porém, se se afirma isto, não poderá sustentar-se que o desenvolvimento comentado seja independente de um tipo especial de
relação com outros povos.

3.4 – A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA NÃO DEPENDE DO CAPITALISMO
Em quarto lugar, nos falam do avanço científico e técnico e da iniciativa que se desenvolve numa economia “livre”. No que diz respeito ao avanço científico e técnico, há que saber que este opera desde que o homem inventou a clava, a alavanca, o fogo e assim seguindo, numa acumulação histórica, que não parece ter se preocupado muito com as leis de mercado.

Se, no entanto, se quer dizer que as economias abundantes sugam talentos, pagam equipamento e investigação e que, por último, são motivadoras de uma melhor remuneração, diremos que isto é assim desde épocas
milenares e que tampouco se deve a um tipo especial de economia, mas, simplesmente, a que nesse lugar
existem recursos suficientes, independentemente da origem de tal potencialidade econômica.

3.5 – LIVRE MERCADO VIROU ARTIGO DE FÉ
Em quinto lugar, fica o expediente de explicar o progresso destas comunidades pelo intangível “dom” natural de
especiais talentos, virtudes cívicas, trabalho, organização e coisas semelhantes. Este já não é um
argumento, mas uma declaração devocional na qual se escamoteia a realidade social e histórica que
explica como se tem formado esses povos.

Certamente, temos pouco conhecimento para compreender como, com semelhantes antecedentes
históricos, este esquema poderá se sustentar no futuro imediato, mas, isto faz parte de outra discussão,
a discussão sobre se existe realmente tal economia livre de mercado, ou se se trata de protecionismos e dirigismos encobertos que abrem determinadas válvulas onde se sentem dominando uma situação e fecham outras, em caso contrário.

Se isto é assim, tudo o que se acrescente como uma promessa de avanço ficará reservado só à explosão e difusão da ciência e da tecnologia, independentemente do suposto automatismo das leis econômicas.

4. OS FUTUROS EXPERIMENTOS CAPITALISTAS

Como tem acontecido até hoje, quando for necessário se substituirá o esquema vigente por outro
que “corrija” os defeitos do modelo anterior. Deste modo e, passo a passo, a riqueza continuará se
concentrando nas mãos de uma minoria cada vez mais poderosa.

É claro que a evolução não se deterá, nem tampouco as legítimas aspirações dos povos. Assim, em pouco tempo, serão varridas as últimas ingenuidades que asseguram o fim das ideologias, das confrontações, das guerras, das crises econômicas e das desordens sociais.

Certamente, tanto as soluções quanto os conflitos se mundializarão porque já não restarão pontos desconectados entre si. Também há algo seguro: nem os esquemas atuais de dominação poderão sustentar-se, nem as fórmulas de luta vigentes até o dia de hoje.

5. A MUDANÇA E AS RELAÇÕES ENTRE AS PESSOAS

Tanto a regionalização dos mercados quanto a reivindicação regionalista e das etnias apontam
para a desintegração do Estado nacional. A explosão demográfica nas regiões pobres leva a migração
ao limite de controle. A grande família camponesa se desagrega deslocando a geração jovem em direção
ao aglomerado urbano. A família urbana industrial e pós-industrial se reduz ao mínimo, enquanto
as macro-cidades absorvem contingentes humanos formados em outras paisagens culturais.

As crises econômicas e as reconversões dos modelos produtivos fazem com que a discriminação irrompa
novamente. Entretanto, a aceleração tecnológica e a produção massiva deixam obsoletos os produtos no
instante em que entram no circuito de consumo. A substituição de objetos corresponde à instabilidade
e ao deslocamento na relação humana.

5.1 – CADA UM POR SI E O CAPITALISMO CONTRA TODOS 
A antiga solidariedade, herdeira do que em algum momento se chamou “fraternidade”, terminou perdendo seu significado. Os companheiros de trabalho, de estudo, de esporte e as amizades de outras épocas tomam o caráter de competidores; os parceiros da relação a dois lutam pelo domínio, calculando, desde o começo da relação, qual será a cota de benefícios ao se manterem juntos, ou qual será a cota ao separarem-se.

Nunca antes o mundo esteve tão comunicado, no entanto os indivíduos padecem cada dia mais de uma angustiosa incomunicação. Nunca os centros urbanos estiveram mais povoados, no entanto as pessoas falam de “solidão”.Nunca as pessoas necessitaram mais que agora o calor humano, no entanto qualquer aproximação converte em suspeitas a amabilidade e a ajuda.

Assim o capitalismo têm deixado a nossa pobre gente: fazendo todo infeliz crer que tem algo importante a perder
e que este “algo” intangível é cobiçado pelo resto da humanidade! Nessas condições é possível contar-lhe
este conto como se se tratasse da mais autêntica realidade…

6. UM CONTO PARA LIBERAIS ASPIRANTES A EXECUTIVOS

“A sociedade que está sendo colocada em marcha trará finalmente a abundância. Porém, além
dos grandes benefícios objetivos, ocorrerá uma liberação subjetiva da humanidade. A antiga solidariedade, própria da pobreza, não será necessária. Muitos já estão de acordo que com dinheiro, ou algo equivalente, se solucionarão quase todos os problemas; por conseguinte, os esforços, pensamentos e sonhos estarão lançados nessa direção.

Com o dinheiro se comprará boa comida, boa moradia, viagens, diversões, brinquedos tecnológicos e pessoas que façam o que se queira. Haverá um amor eficiente, uma arte eficiente e psicólogos eficientes que resolverão os problemas pessoais que pudessem ficar, e que, mais adiante, terminarão de ser resolvidos pela nova química cerebral e pela engenharia genética.

Nessa sociedade de abundância diminuirá o suicídio, o alcoolismo, a droga, a insegurança urbana e a delinquência, como hoje já mostram os países economicamente mais desenvolvidos (?).

Também desaparecerá a discriminação e aumentará a comunicação entre as pessoas. Ninguém estará
pressionado a pensar desnecessariamente no sentido da vida, na solidão, na enfermidade, na velhice e
na morte porque com adequados cursos e alguma ajuda terapêutica, se conseguirá bloquear esses
reflexos que tanto têm detido o rendimento e a eficiência das sociedades. Todos confiarão em todos
porque a competição no trabalho, no estudo, na relação a dois terminará por estabelecer relações
maduras.

Finalmente, as ideologias terão desaparecido e já não serão utilizadas para lavagem cerebral das
pessoas. Certamente, ninguém impedirá o protesto ou a inconformidade com temas menores, sempre que
para se expressar sejam pagos os canais adequados. Sem confundir liberdade com libertinagem, os
cidadãos se reunirão em números pequenos (por razões sanitárias) e poderão expressar-se em lugares
abertos (sem perturbar com sons contaminadores ou com publicidade que enfeie o “município”, ou como
se chame mais adiante).

Porém, o mais extraordinário ocorrerá quando já não se precise do controle policial, uma vez
que cada cidadão será alguém decidido que protegerá os demais das mentiras que algum terrorista
ideológico possa tentar inculcar. Esses defensores terão tanta responsabilidade social que irão rapidamente aos meios de comunicação, nos quais encontrarão imediata acolhida para alertar a população; escreverão brilhantes estudos que serão publicados imediatamente e organizarão fóruns nos quais formadores de opinião de grande cultura esclarecerão a algum desprevenido, que ainda pudesse estar a mercê das forças obscuras do dirigismo econômico, do autoritarismo, da antidemocracia e do fanatismo religioso.
Nem sequer será necessário perseguir os perturbadores porque com um sistema de difusão tão eficiente
ninguém desejará aproximar-se deles para não se contaminar. No pior dos casos, serão desprogramados” com eficácia e eles agradecerão publicamente sua reinserção e o benefício que lhes produzirá reconhecer as bondades da liberdade. Por sua vez, aqueles esforçados defensores, se é que não foram enviados especificamente para cumprir essa importante missão, serão pessoas comuns que assim poderão sair do anonimato, ser reconhecidas socialmente por sua qualidade moral, dar autógrafos e, logicamente, receber uma merecida retribuição.
A Companhia será a grande família que favorecerá a capacitação, as relações e o lazer. A robótica terá suplantado o esforço físico de outras épocas e trabalhar para a Companhia na própria casa será uma verdadeira realização pessoal.

Assim, a sociedade não necessitará de organizações que não estejam incluídas na Companhia.
O ser humano, que tanto tem lutado pelo seu bem estar, finalmente, terá chegado aos céus. Saltando de
planeta em planeta terá descoberto a felicidade. Instalado ali, será um jovem competitivo, sedutor,
aquisitivo, triunfador e pragmático (sobretudo pragmático)… executivo da Companhia!”

7. A MUDANÇA HUMANA

O mundo está mudando em grande velocidade e muitas coisas nas quais há pouco tempo se
acreditava cegamente, já não podem sustentar-se. A aceleração está gerando instabilidade e desorientação
em todas as sociedades, sejam estas pobres ou opulentas. Nesta mudança de situação, tanto as direções
tradicionais e seus “formadores de opinião”, como os antigos lutadores políticos e sociais, deixam de ser
referência para as pessoas.

7.1 – UMA NOVA SENSIBILIDADE
No entanto, está nascendo uma sensibilidade correspondente aos novos tempos. É uma sensibilidade que capta o mundo como uma globalidade e adverte que as dificuldades das pessoas em qualquer lugar terminam implicando outras ainda que se encontrem a muita distância.

As comunicações, o intercâmbio de bens e o veloz deslocamento de grandes contingentes humanos de
um ponto a outro, mostram este processo de mundialização crescente. Também estão surgindo novos
critérios de ação ao compreender-se a globalidade de muitos problemas, advertindo-se que a tarefa
daqueles que querem um mundo melhor será efetiva sempre que cresça desde o meio no qual se tem
alguma influência.

7.2 –  MUDAR O MEIO IMEDIATO
Diferentemente de outras épocas cheias de frases vazias com as quais se buscava reconhecimento externo, hoje se começa a valorizar o trabalho humilde e sentido, mediante o qual não se pretende engrandecer a própria figura, senão mudar a si mesmo e ajudar a mudar o meio imediato familiar, do trabalho e da relação.

Os que realmente valorizam as pessoas não depreciam esta tarefa silenciosa, no entanto incompreensível para qualquer oportunista formado na antiga paisagem dos líderes e da massa, paisagem onde ele aprendeu a usar outros para ser lançado ao ápice social.

7.3 –  UM NOVO MODO DE AGIR
Quando alguém comprova que o individualismo esquizofrênico já não tem saída e comunica abertamente a todos seus conhecidos o que pensa e o que faz, sem o ridículo temor de não ser compreendido; quando se aproxima de outros; quando se interessa por cada um e não por uma massa anônima; quando promove o intercâmbio de idéias e a realização de trabalhos em conjunto; quando claramente expõe a necessidade de  multiplicar essa tarefa de reconexão num tecido social destruído por outros; quando sente que mesmo a pessoa mais “insignificante” é de superior qualidade humana que qualquer desalmado posto no cume da conjuntura epocal…

Quando sucede tudo isto, é porque no interior desse alguém começa a falar novamente o Destino que tem movido os povos na sua melhor direção evolutiva; esse Destino tantas vezes desviado e tantas vezes esquecido, mas sempre reencontrado nas encruzilhadas da história.

7.4 – UMA NOVA ÉTICA MAIS HUMANA
Não só se vislumbra uma nova sensibilidade, um novo modo de ação, como também, além disso, uma nova atitude moral e uma nova disposição tática perante a vida. Se me fizessem precisar o enunciado acima, diria que as pessoas, ainda que isto se tenha repetido desde há três milênios atrás, hoje experimentam como uma novidade a necessidade e a verdade moral de tratar os outros como cada um quer ser tratado.

7.5 – QUATRO LEIS GERAIS DE COMPORTAMENTO
Acrescentaria que, quase como leis gerais de comportamento, hoje se aspira a:

a).- uma certa proporção e equilíbrio, tratando de ordenar as coisas importantes da vida, levando-as em conjunto e evitando que algumas se adiantem e outras se atrasem excessivamente;

b).- uma certa adaptação crescente, atuando a favor da evolução (não simplesmente da curta conjuntura) e não cooperando com as diferentes formas de involução humana;

c).- uma certa oportunidade, retrocedendo diante de uma grande força (não perante qualquer inconveniente) e avançando no seu declínio;

d).- uma certa coerência, acumulando ações que dão a sensação de unidade e acordo consigo mesmo, e pondo de lado aquelas que produzem contradição e que se registam como desacordo entre o que se pensa, sente e faz.

Não cremos que seja preciso explicar por que digo que se está “a sentir a necessidade e a verdade moral de tratar os outros como cada um quer ser tratado“, face à objeção que levanta o fato de que assim não se atua nestes momentos. Também não creio que me deva alongar em explicações acerca do que entendo por “evolução” ou por “adaptação crescente” e não simplesmente por adaptação de permanência. Quanto aos parâmetros do retroceder ou avançar diante de grandes ou declinantes forças, sem dúvida que haveria que contar com indicadores ajustados que não mencionei.

7.6 – UNIDADE E CONTINUIDADE DAS AÇÕES
Por último, isto de acumular ações unitivas perante as situações contraditórias imediatas que nos cabe viver ou, em sentido oposto pôr de lado a contradição, a olhos vistos aparece como uma dificuldade. Isso é certo, mas se revemos o comentado mais acima, ver-se-á que mencionamos todas estas coisas dentro do contexto de um tipo de comportamento ao qual hoje se começa a aspirar, bastante diferente do que se pretendia noutras épocas.

Tratamos algumas características especiais que estão se apresentando, correspondentes a uma nova sensibilidade, uma nova forma de ação interpessoal e um novo tipo de comportamento pessoal que, nos parece, ultrapassaram a simples crítica de situação. Sabemos que a crítica é sempre necessária, mas quanto mais necessário é fazer algo diferente daquilo que criticamos!

Recebam com esta carta os meus melhores cumprimentos.

Releitura da Primeira Carta a meus Amigos
de SILO – 1992
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Obs – Este texto é uma interpretação livre da primeira carta de SILO do livro “Cartas a meus amigos

Obs 2 – Nas próximas cartas, Silo detalha as soluções e saídas a este ideologia chamado “capitalismo”

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos, Educação, Não discriminação, Não violência, Opinião, Política, Video
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