Voluntários dão aulas de português e de inglês para refugiados em São Paulo

21.07.2017 - Redação São Paulo

Voluntários dão aulas de português e de inglês para refugiados em São Paulo

Em tempos de forte xenofobia ao redor do mundo, iniciativas promovem uma relação diferente para com os imigrantes, ajudando a construir um mundo mais justo e sem discriminação. Neste artigo exploraremos duas ações afirmativas auxiliam imigrantes e refugiados em São Paulo, uma cidade multicultural que recebe pessoas de todo o globo.

Equipe de Base Warmis Convergência das Culturas

 

A Warmis  tem iniciativas para mulheres refugiadas e imigrantes. Desenvolve projetos como o da saúde de mulher migrante latino americano em São Paulo – que tem parceria com: Grupo La  Mare, Colectivo Feminista e Obstetrizes em Rede. Conforme está testificado em seu site elas se afirmam como mulheres voluntárias, e que querem transformar sua realidade e melhorar as condições nas quais vivem, desenvolvendo e promovendo atividades para as suas comunidades.

A organização faz parte do Organismo Internacional Convergência das Culturas, e tem como missão incentivar o diálogo entre os povos de diversas culturas e costumes. A iniciativa voltada para mulheres imigrantes desenvolve aulas de inglês para mulheres imigrantes e refugiadas. O formulário para a inscrição pode ser acessado a partir deste link. 

Há também o Lakitas Warmis que desenvolve atividades culturais que tem o objetivo de visibilizar as produções culturais tradicionais.

Ensaio de hoje no @centroculturalsp

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Mafalda Meraki – Educação, Cultura e Cidadania

 

Nascido em 2011, o Cursinho Popular Mafalda desenvolve cursos para diversos estratos da população. A iniciativa é construída a partir do trabalho de voluntários de diversas áreas. O nome remete a personagem de Quino, que foi criada em 1963. Uma jovem inquieta e que sempre estava disposta a fazer questionamentos que abalavam o status quo.  No momento em que esse artigo é escrito, o cursinho conta com unidades na cidade de São Paulo.

O seu carro chefe é o curso pré-universitário nele, centenas de jovens de baixa renda puderam ter acesso a conhecimento imprescindível para a construção do sonho de ser universitário. Em todos os seus anos de funcionamento, o cursinho coleciona casos de vestibulandos que conseguiram adentrar em uma universidade.

Mediante parceria com a Caritas Arquidiocesana de São Paulo e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – ACNUR/NU, no ano de 2014 começou a ser ofertado um curso de português para refugiados.

Neste curso, organizado e feito por voluntários, as aulas são ministradas para pessoas que por algum motivo tiveram que se deslocar de sua terra natal.

Hoje o Pressenza Brasil vai entrevistar um dos coordenadores desta iniciativa. Leandro Almeida Lima, 25, coordenador do curso de português para refugiados e imigrantes do Curso Mafalda.

Em que contexto surge o curso de português básico para refugiados ?

O Curso Mafalda, que já oferecia aulas de idiomas e de preparação pré-vestibular anteriormente, começou a oferecer aulas de português para refugiados e solicitantes de refúgio no segundo semestre de 2014. O projeto surgiu em um contexto de crescente fluxo de refugiados das mais variadas nacionalidades em direção ao Brasil. A grande maioria nunca havia tido contato com a língua portuguesa antes de chegar ao país, o que torna a barreira linguística um obstáculo significativo para a integração destas pessoas.  Havia, e ainda há, portanto, uma demanda por iniciativas lidando com o ensino de português a refugiados e solicitantes de refúgio. O sistema brasileiro de refúgio está aquém dos desafios atualmente colocados e a tentativa de oferecer acolhimento adequado se baseia largamente na proatividade da sociedade civil, a exemplo do nosso projeto.

Quantos voluntários estão trabalhando atualmente no projeto?

Atualmente, temos cerca de 12 voluntários dedicados ao projeto com refugiados e solicitantes de refúgio.

Qual é a importância do projeto para os refugiados?

O ensino da língua portuguesa é de suma importância para que os refugiados e solicitantes de refúgio possam se integrar à sociedade brasileira. A língua pode ser uma grande barreira na adaptação ao país e na busca por trabalho, por exemplo. Procuramos ao longo do curso melhorar a capacidade de comunicação dos alunos em situações cotidianas e profissionais, além de demandas específicas como a elaboração de currículos. Também abordamos temas relacionados à saúde, educação e direitos humanos. E isto não pode ser deixado de lado porque a dificuldade com a língua se sobrepõe a uma série de outros obstáculos, como o racismo. Ensinar o português é uma forma de empoderá-los em diversos sentidos.

O que é preciso fazer para poder atuar como educador de português básico para refugiados?

O mais importante é o comprometimento com o projeto e a causa, afinal um trabalho voluntário ainda é trabalho e deve ser levado com seriedade. Em termos de formação, não há um perfil fechado para se tornar educador. Nossa equipe é bastante diversificada, nem todos possuíam experiência em ensino antes de integrar o projeto e as formações acadêmicas também são variadas. Ajuda sempre é bem-vinda e cada pessoa, nas suas particularidades, tem algo a contribuir.

Leandro, tem algo que você gostaria de falar?

Além da equipe de educadores para os adultos, contamos desde o ano passado com voluntários dedicados a lidar com o público infantil: os filhos de nossos alunos. Às vezes famílias inteiras comparecem às aulas e por isso vimos a necessidade de pensar estratégias lúdicas de ensino para as crianças. As atividades ocorrem enquanto os familiares têm as aulas de português em outras salas, o que é uma forma de melhorar o aproveitamento tanto de adultos quanto de crianças.

Nosso projeto também investiu na produção de um material didático particularmente voltado a refugiados e imigrantes. O livro é intitulado “Pode Entrar” e foi resultado de uma parceria do Curso Mafalda com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e a Caritas Arquidiocesana de São Paulo. Lançamos o material no final de 2015, que tem sido um suporte importante para as aulas. Está livremente disponível a quem precisar no site do ACNUR:

* Fim da entrevista

Aqui temos o mapa da unidade do Carrão do Mafalda

 

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos
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