“Primeiramente fora Temer!

Presenciamos atualmente no Fórum Social Mundial das Migrações um momento delicado para o Brasil, um golpe de Estado. Isto representa muito retrocesso em vários âmbitos de nossas vidas. Para a comunidade imigrante e refugiada representa um aumento na restrição de liberdades políticas, aumento do discurso de ódio e aprofundamento e reafirmação do capitalismo. Em termos concretos, isso reflete na criminalização de mobilizações políticas de imigrantes e refugiados, precarização do trabalho e tráfico de pessoas, bem como, reformas nos setores da educação e saúde que vão em contra dos direitos sociais em um governo interino formado na sua maioria por homens brasileiros, brancos, heterossexuais e pertencentes à classe dominante. É importante dizer que isso afeta profundamente a mulher imigrante.

Assim, é preciso falar de gênero nas migrações. As mulheres que migram são expostas a riscos derivados de circunstâncias mais graves que os homens, por serem mulheres, em sua maioria, jovens e pobres. Estar em outro país gera o isolamento de nossas culturas, redes familiares e sociais, situações que provocam incertezas e maior vulnerabilidade.

Pensando e lutando por isso a Frente de Mulheres Imigrantes fez um abaixo- assinado para exigir ao fórum a criação de um eixo, o Eixo 3 “Migração, Gênero e Corpo” que visibilizasse melhor essa discussão e também que este evento se comprometesse com a igualdade de gênero em todas suas atividades, onde as mulheres imigrantes sejam também as protagonistas. Algo que foi cobrado até o final por nós.

Quando falamos da importância de se falar gênero nas migrações e de abrir espaços de visibilidade e protagonismo das mulheres imigrantes, não somente falamos de mulheres heterossexuais, mas também de todas as pessoas dissidentes de gêneros como as mulheres lésbicas, mulheres e homens trans. Nós como Frente combatemos toda e qualquer forma de LGBTfobia, bem como a xenofobia, o racismo e mandamos toda a nossa solidariedade para a população pobre, preta e periférica.

Este Frente de Mulheres Imigrantes surgiu no percurso do ano 2013 como um bloco específico dentro da Marcha de Imigrantes que acontece cada ano na cidade de São Paulo, a partir daí nos mobilizamos e construímos um movimento de mulheres imigrantes e refugiadas de diferentes coletivos que se manifestam e posicionam em conjunturas políticas em prol dos direitos das mulheres imigrantes e refugiadas, lutando por ter maior visibilidade e espaços de protagonismo.

Desse modo, exigimos uma legislação inclusiva que enfoque direitos de gênero e multiculturalidade com políticas que garantam tratamento digno e respeitoso nos equipamentos públicos; que extingam a xenofobia e apoiem a integração da mulher e da comunidade imigrante.

Revindicamos campanhas de informação e sensibilização com relação comunidade imigrante a fim de favorecer o seu empoderamento e que modifique a cultura xenofóbica da população brasileira.

Exigimos ao Fórum Social Mundial de Migrações que se comprometa a manter o EIXO 3 “Migração, Gênero e Corpo”, como um eixo de trabalho fixo para os próximos fóruns, de forma que possa garantir também visibilidade e espaços de protagonismo para as mulheres em toda a organização do evento.

Adicionalmente, estamos aqui para gritar BASTA DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER IMIGRANTE E REFUGIADA!”

Representante: basta de violência contra a mulher imigrante e refugiada!

Coletivo: basta!

Representante: basta de violência contra todas as mulheres do mundo!

Coletivo: basta!

Representante: o machismo e a xenofobia não passarão!

Coletivo: não passarão!

Representante: Pelo compromisso com a equidade de gênero dentro do Fórum!

Coletivo: Sim!

Representante: Por maiores espaços de protagonismos para as mulheres imigrantes

e refugiadas!

Coletivo: Sim!

Chamamos todos e todas representantes da sociedade civil para se juntar à causa

das mulheres imigrantes e refugiadas, que é também uma causa universal, pois a

humanidade sofre com o machismo e a xenofobia.

Convidamos as mulheres a escrever na faixa de mulheres imigrantes e refugiadas

lutam por…

Assista o vídeo da leitura do manifesto.