Palestina: uma história resumida

10.06.2016 - Pressenza Hong Kong

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Palestina: uma história resumida

Os palestinos são um povo endógeno do Sudeste da Terra de Canaã (Parte Ocidental do Crescente Fértil), a área entre o mar Mediterrâneo e o rio Jordão. Marcos importantes aconteceram nessa Terra de Canaã: a domesticação animal e vegetal, o desenvolvimento do alfabeto, e o desenvolvimento de leis e religiões.

Extraído de comunicação com Mazin Qumsiyeh, Professor e Diretor (voluntário) do Palestine Museum of Natural History, do Palestine Institute of Bidiversity and Sustainability, da Bethlehem University e da Occupied Palestine.

Períodos históricos principais:

12000 – 10000 a.C.: Desenvolvimento da Agricultura pelos ancestrais natufianos. Revolução cognitiva torna-se possível bem como o aumento elevado da poulação.

5000 – 1500 a.C.: Os cananeus desenvolvem cidades-Estado. Os cananeus fenícios do norte desenvolvem o comércio e a navegação em torno do Mediterrâneo. Os cananeus filisteus desenvolvem rotas de deserto e o comércio. Os cananeus nabateus controem cidades como Petra, Bir Saba e ‘Asqalan. Possível início das tradições mosaicas em 1000 a.C. que constituem um amálgama de mitologias religiosas derivadas da Mesopotâmia e do Egito (Adão e Eva, o Dilúvio, a abertura do mar Vermelho, Satã etc.)

1.500 – 500 a.C.: A Palestina continua sendo um amálgama multi-religioso de pequenos reinos e grupos de domínio tribal, mas todos são cananeus (jebuseus, amorreus, nabateus, hebreus, fenícios, filisteus). A linguagem predominante era o aramaico com dialetos locais do aramaico árabe, o aramaico hebreu e o aramaico sírio modificando suas escrituras a partir do aramaico primitivo. O nome palestino (filisteu) é mencionado na literatura grega do período.

500 a.C. – 765 d.C.: A Palestina continua sendo um amálgama de pequenas tribos e religiões, mas agora é dominada por Impérios (Assírio, Persa, Egípcio, Bizantino, Romano). O cristianismo desenvolve-se sob o Império Romano na Palestina e torna-se a religião predominante entre os nativos em 300 d.C. (alguns judeus, nazarenos, samaritanos e outros permanecem na tradição abraâmica). Por volta da mesma época, uma nova religião baseada na religião abraâmica evoluiu e ficou conhecida como “judaísmo” talmudico rabínico. Os adeptos remanescentes da fé abraâmica rejeitam a nova religião (por exemplo, os samaritanos). O Talmude surgiu mais de 200-300 anos depois do Novo Testamento (que se desenvolveu principalmente em Safad na Palestina e Mesopotâmia). Tecnicamente, não existiram “judeus” antes do segundo e terceiro século d.C. Existiram o povos judaico, o povo nazareno, os samaritanos etc (denotando a geografia, não a religião).

765 d.C. – 1919 d.C.: Nativos convertem-se amplamente para o Islã, mas grandes segmentos da população (uns 15%) são cristãos e 3% são judeus nativos, samaritanos e bahai. Todos falam e adotam a língua árabe dominante (essa mesma criada a partir do aramaico).

1516: A Palestina se torna uma província do Império Turco-Otomano.

1845: O Império Britânico e alguns judeus simpatizantes embarcam num programa pela colonização de judeus asquenazes (europeus) na Palestina, com o objetivo de estabelecer um Estado/território judeu (ideologia política chamada sionismo). Primeiro assentamento sionista, estabelecido em 1880. Primeiro congresso sionista na Suiça, realizado em 1897.

1916: Os ingleses e franceses concordam secretamente em dividir o mundo árabe, enquanto alegam publicamente o apoio à independência e a auto-determinação.

1917: Os Impérios Francês e Britânico declaram proclamações em apoio ao sionismo (Declarações Jules/Balfour).

1919: Após a derrota do Império Otomano na II GM, a Grã-Bretanha ocupa a Palestina e faz lobbies por um “Mandato” da Liga das Nações para dominar a Palestina e implementar o programa sionista (contra a Carta da Liga que apoiava a auto-determinação). Década de 20 e início da década de 30: a Palestina fica sob domínio do comissário britânico sionista Herbert Samuel e arma forças secretas sionistas reforçadas por tropas britânicas. A resistência palestina não-violenta é reprimida por força letal. Violência “interreligiosa” também é iniciada, reivindicando vidas de inocentes de todas as religiões.

1936 – 1939: Revolta palestina contra o dominio britanico e a colonização sionista é rechaçada violentamente. A maioria dos líderes do movimento libertário é morta ou deposta.

1947: Em 1919, a população é composta por 94% de muçulmanos e cristãos, e 6% de judeus. Em 1947, é composta por 68% de muçulmanos e cristãos, e 32% de judeus. Judeus nativos se opõem ao sionismo. A Resolução 181 de Partilha pela ONU pressionada pelos EUA é adotada recomendando a partilha. Nativos de todas religiões rejeitam UNGA 181 porque esta viola a premissa fundamental da Carta da ONU sobre a autodeterminação dos povos e por causa da injustiça inerente em dar soberania e domínio aos sionistas sobre 55% do território sendo que os judeus representam apenas 32% da população e possuem menos que 7% do território (muitos eram então imigrantes).

1947 – 1949: A UNGA 181 é uma recomendação que nunca foi implementada. Forças sionistas, bem equipadas pelos ingleses, iniciam um processo de remoção de não-judeus em novembro de 1947. Metade dos refugiados palestinos sofreram limpeza étnica antes de maio de 1948 quando a Grã-Bretanha retirou suas forças e Israel declarou sua independência. Entre o inverno de 1947 e o verão de 1949, mais de 530 cidades palestinas e vilarejos são completamente destruídos e seus habitantes fogem ou são expulsos (70% dos palestinos nativos, cristãos e muçulmanos, tornam-se refugiados) Para os palestinos, essa é a Al-Nakba , “a catástrofe” da perda de lares e terras.

1948: No dia 11 de dezembro, a ONU aprovam a Resolução 194, que reafirma a aplicabilidade da lei internacional incluindo que os refugiados palestinos devem ser permitidos a retornar para seus lares e terras e a ser compensados por perdas.

1949: No dia 11 de maio, Israel admitiu à ONU sua segunda aplicação concordando com resoluções relevantes da ONU (incluindo a 181 e a 194). Mas nunca as implementou.

1967: “Guerra dos Seis Dias”: forças israelenses (IDF) atacam e ocupam partes da Palestina que não havia ocupado antes (a Cisjordânia incluindo a Jerusalém Ocidental e Belém e Gaza, 22% da Palestina). Também ocupam as Colinas de Golã e a península do Sinai. A comunidade internacional considera unanimemente essas ocupações como ilegais e exige a retirada dos israelenses (por exemplo, pelas resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança da ONU). Contra a Lei Internacional (Convenções de Genebra), Israel, ao invés disso, embarca numa nova fase de atividade de assentamento colonial incluindo as proximidades do campo de refugiados Aida em Belém.

1974: Início da capitulação da OLP por meio de um programa de dez pontos que levou a situação instável de aceitação de Israel sem a aceitação da Palestinas por políticos israelenses. Ironicamente, é também o ano em que a UNGA vota que o sionismo é uma forma de racismo.

1987 – 1991: Revolta não-violenta em grande escala (intifada) reprimida brutalmente pelo exércio de ocupação israelense. Em 1988, OLP vota na independência e na aceitação da UNGA 181 a.

1993 – 1996: Processo de Oslo se inicia e facilita maiores violações das Convenções de Genebra e a institucionalização do controle israelense sobre os palestinos (“bantustanização” da população palestina centraliza-se por meio de fechamentos, pontos de controle, estradas de desvio somente para judeus, subdesenvolvimento da economia palestina).

2000 – 2005: Intifada “Al-Aqsa” (a 14ª em 130 anos de conflito contra o sionismo colonialista). O exército israelense responde brutalmente. Todas organizações de direitos humanos que reportam sobre a situação condenaram o exército israelense e os invasores por mirar civis palestinos em ampla escala e por outros abusos de direitos humanos (também condenaram atentados suicidas por alguns grupos palestinos).

2004: Tribunal Internacional de Justiça determina que assentamentos/colônias isralenses e áreas ocupadas (inclusive Jerusalém) são ilegais e que a Muralha que Israel está construindo em território palestino também é ilegal. Essa decisão é apoiada por mais de 160 países.

Hoje: 12.5 milhões de palestinos no mundo inteiro, quase 2/3 dos quais são pessoas refugiadas e desalojadas. Enquanto isso, o governo norte-americano manda 5 bilhões de dólares todo ano para Israel. Os EUA vetaram 35 resoluções do Conselho de Segurança da ONU que tentavam trazer a paz baseadas na Lei Internacional e nos Direitos Humanos. O “Mapa de Estrada” defendido pelos EUA em 2002 tem 2218 palavras mas faltam quatro: Lei Internacional, Direitos Humanos. Israel tem mais de 7.000 prisioneiros políticos palestinos (incluindo centenas de crianças), destrói regularmente lares e propriedades dos palestinos, e conseguiu dominar 91.7% da Palestina histórica para ilegalmente torná-la “território judeu”. 6.2 milhões de palestinos são agora permitidos a usar 9.3% da Palestina histórica como prisões ao ar aberto (depósito de pessoas) em lugares como Gaza, Belém, Ramallah, Neqab (Neguev) etc.

Traduzido do inglês por Lucas Murai

http://qumsiyeh.org

http://palestinenature.org

 

Categorias: Cultura e Mídia, Oriente Médio
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