Campanha pede união de mulheres migrantes e nativas contra a violência no parto

09.09.2014 - Redação São Paulo

Campanha pede união de mulheres migrantes e nativas contra a violência no parto
(Crédito da Imagem: Evelyn Queiróz/Divulgação)

O parto é um momento especial e delicado ao mesmo tempo. Em especial porque não apenas uma, mas duas ou até mais vidas estão em jogo durante o procedimento. Garantir a dignidade ao parto é também garantir dignidade à vida – tanto da mãe quanto de seus filhos.

Por MigraMundo – http://migramundo.com/

No entanto, o que se vê no sistema de saúde brasileiro nem sempre corresponde à atenção que o parto merece. Sejam nativas ou imigrantes, muitas mulheres acabam submetidas a atos de violência durante o processo para dar à luz seus filhos. De acordo com uma pesquisa divulgada em 2012 pela Fundação Perseu Abramo, 25% das brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de abuso ou maus tratos durante a assistência ao parto.

Tais procedimentos inadequados incluem a imposição da cesariana como forma de parto – procedimento mais comum nos hospitais brasileiros, mas que deveria ser adotado somente em casos excepcionais; o uso de recursos controversos para apressar o nascimento da criança, como a Manobra de Kristeller; ou até mesmo o corte vaginal (episiotomia) sem consentimento da mulher.

Para lutar contra situações como essas, a equipe de base Warmis está organizando uma campanha na qual convoca mulheres migrantes e nativas a evitar e denunciar tais práticas e violência durante o parto. O lançamento da iniciativa será no próximo dia 14 de setembro, a partir das 15h, na praça Kantuta (em frente à Escola Técnica Federal de São Paulo e tradicional ponto de referência da comunidade boliviana em São Paulo).

Evento convida mulheres migrantes e nativas a lutarem contra a violência obstétrica.

[/media-credit]Evento convida mulheres migrantes e nativas a lutarem contra a violência obstétrica.

No evento estão confirmados: uma tenda da Warmis para falar de temas relacionados à saúde da mulher; outra da ONG Artemis, com orientações jurídicas em relação a violência obstétrica e direitos da gestante e da puérpera (mulher que teve filhos recentemente); e a participação de Tati Cotrim, que trabalha como madrinha de gestantes e as ajuda a elaborar planos de parto – uma ferramenta muito útil (não infalível) para evitar a violência obstétrica. Haverá também apresentação culturais do grupo de folclore paraguaio Acuarela Paraguaya.

A Warmis também procura voluntários (nativos ou migrantes, mulheres ou homens) para ajudar na realização e divulgação no evento. Caso tenha interesse, basta entrar em contato com a equipe por meio deste link.

Embora a campanha se dirija especialmente às mulheres migrantes, muito mais habituadas culturalmente ao parto normal, ela também se estende às brasileiras que se opõem à prática indiscriminada de procedimentos obstétricos invasivos – especialmente em um momento no qual começa a ganhar espaço o debate sobre o parto humanizado no sistema de saúde brasileiro.

 

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos, Diversidade, Humanismo e Espiritualidade, Internacional, Não violência, Saúde
Tags: , , ,

Boletim diário

Indique o seu e-mail para subscrever o nosso serviço diário de notícias.


Milagro Sala

Canale youtube

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

Arquivo

Except where otherwise note, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International license.