Testemunho na montanha

08.07.2014 - Ernesto H. De Casas

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Testemunho na montanha
(Crédito da Imagem: Foto montagem Teresa Gutiérrez)

Em 4 de maio de 2014 fomos à nossa celebração na montanha. Passaram 45 anos daquela data tão memorável que foi um “antes de” e um “depois de” para todos! Naquela ocasião aconteceram muitas coisas: A Arenga, a coletiva de imprensa, as entrevistas com Silo e a reunião posterior com participantes e viajantes de diversos lugares.

 

Desta vez nos encontramos novamente para comemorar, fizemos cerimônias, ouvimos a Arenga gravada e demos testemunho de como estas ideias foram incidindo positivamente em nossas vidas, com os comentários e agradecimentos conjugando-se em emotivos relatos.

 

Este é o meu. Embora talvez o mais significativo e simples seja o do participante que, depois de ouvir o Silo, comentou: “e…a ficha caiu aos poucos…” Isto é, vai se caindo em conta de tamanhas verdades, que nos vão permitindo ver um modo em que as coisas podem ser melhores.
O testemunho anterior ao meu fez referência à decisão de ‘deixar de sofrer’, com base no tema principal da arenga, como algo crucial, descrito amplamente. Sem dúvida é algo para incorporar, cedo ou tarde, o fato de querer superar o sofrimento. É decisivo. Mas não sabíamos disso até aquele dia. Antes conhecíamos outras coisas. Contávamos com muitos recursos. Porém, este tema foi desvendado nesta ocasião pela primeira vez. É importante compreender isso bem, porque o sofrimento desnecessário freia a vida, complica as coisas. Este se apresenta de diversas maneiras e também é enganoso. Nos faz acreditar que ‘não dá para tanto’.

 

Que ‘sofrer, sofrer’(1) é coisa de lugares em guerra, onde se passa fome, ocorrem catástrofes, mas não em nosso diário viver. Porém, não é assim, nem de longe. Também parece que o sofrimento de alguém pode fazer os outros sofrerem; Isto é como aquilo de ‘trata os outros….’, mas ao contrário! Por isso é imprescindível propor-se a sua superação. Como mínimo, acredito que o sofrimento social e pessoal nos indica que ‘algo não vai bem’ e que se deve mudar…

 

Lembro-me de uma amiga andaluza que, nos começos de sua participação no Siloismo, dizia: “Me disseram: ‘olha, isto é para não sofrer’, e eu disse comigo mesma: ‘Ah, isto é pra mim!’ Bonito, não? É assim. A propósito, agora nessas terras está sendo construído outro Parque de Reflexão.

 

Isto tudo teve vários passos, começou em 1967 quando ele nos falou que iria anunciando o de Silo. Nós pensamos ‘que bom!’. Depois ele propôs adiantar tudo para metade do ano 1968, mas já quando mencionou que se retirava para morar na montanha é que vimos que isso era sério, muito sério, mais ainda considerando a censura daquela ditadura… Ele se instalou na paisagem cordilheirana no início de 1969 e em março começaram os preparativos do ato previsto para abril-maio. Foi-nos dada a permissão com a célebre frase ‘ir falar para as pedras’, já que foi pedido um lugar na cidade e outro na montanha, pensávamos em um local espaçoso e pouco convencional. Não o negaram e, então, viemos para o local na cordilheira.

 

Lá estivemos desde a manhã daquele dia 4, um dia ensolarado como o de hoje. Aos poucos chegavam os viajantes em ônibus e carros, e os jornalistas no meio do enxame de policiais armados ‘custodiando’ a paisagem. Por volta do meio-dia um orador apresentou textos anteriores de Silo, até que este desceu a montanha e começou com aquele famoso ‘Se viestes aqui…’ Então começou Silo, com o núcleo de seu ensinamento, de sua proposta, Silo começou a andar. Terminada a mensagem, ele entregou aos presentes um objeto, dizendo: ‘ a ti, meu irmão, lanço esta esperança… ’, como uma forma manifesta de se comunicar com as pessoas. Seu interesse permanece. Depois, fomos para a coletiva de imprensa, com vários jornalistas, alguns respeitosos, outros nem tanto… Alguém perguntou ‘E agora, como continuará Silo?’ Ele respondeu: “As pessoas dirão, as pessoas dirão…

 

E foi assim que desde aquele momento tivemos uma vida com dois aspectos: um para si mesmo e o outro público, no qual levaríamos adiante a proposta sempre que fosse possível, tentando sermos coerentes, pensando , sentindo e agindo na mesma direção.

 

Depois fomos para o centro da cidade, para a casa de amigos, onde a jornada foi finalizada. Trocamos ideias sobre o ato realizado, Silo nos presenteou com um livrinho com a proposta de levar adiante este projeto – antecedente do Humanismo e A Mensagem- que continuava abrindo a participação amplamente.
Demos então um salto para frente. Já existia Silo, contávamos com seu ensinamento, com sua corrente de ação em gestação.

Tivemos a clara sensação, o registro nítido de uma grande conquista. Se tínhamos conseguido fazer isso, contra vento e a maré, poderíamos fazer muitas coisas mais. Sem dúvida nenhuma. Isso nos entusiasmava. Algo grande e bom tinha acontecido ali, poderíamos comunicá-lo, dar continuidade e projeção para o futuro.
Punta de Vacas, 04 de maio de 1914

 

 


[1] Este é um tema muito importante.Em nossa cultura só aparece ligado ao tema da saúde. Além do mais, é considerado meritório. Só no século passado começou a ser mencionado como ‘mal estar da cultura’, por exemplo, ou como ‘angústia’, e hoje já é um clássico, o ‘stress’, e claro, a depressão (mesmo nos jovens). Na Índia, o conceito apareceu com dukka e é tratado certeiramente, como algo do que se libertar, pelo budismo. Hoje é delatado pelas  mil e uma formas da chamada ‘autoajuda’. Por algo deve ser… Mas, é com Silo que aparece claramente o conceito de superar o sofrimento mental, junto à não-violência, para avançar na História.

 

Tradução: Cristina Obredor

Categorias: Ámérica do Sul, Diversidade, Humanismo e Espiritualidade, Internacional, Não violência, Opinião
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