Histórias que mudam

18.05.2014 - Redação São Paulo

Histórias que mudam
(Crédito da Imagem: Photo: http://alunoscontadores.com.br/)

Crescer não é fácil e pode ser ainda mais difícil para aqueles que estão fora de seu ambiente habitual. O espaço hospitalar é desagradável tanto para adultos quanto para crianças, mas boa parte dos pequeninos que não aproveitam a infância estão nesse recinto. Foi na expectativa de mudar essa realidade, resgatando o mundo infantil de alegria e imaginação, que nasceu os “Alunos Contadores de Histórias”.

Por Marry Lima Ferreira *

Com o objetivo de plantar sorrisos, a ONG RIO DE HISTÓRIAS se instala no IPPMG, Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, em 2005. A ONG capacitava pessoas que moravam na redondeza e profissionais residentes para contar histórias infantis às crianças daquele lugar. No entanto, apesar da boa receptividade, a iniciativa foi perdendo  força ao longo do tempo devido a boa parte dos voluntários terem dificuldade de acesso à localização do hospital, situado na Ilha do Governador.

Com o desejo de continuar levando a literatura infantil, estimulando a imaginação daqueles pequeninos e mudando sua realidade, marcada por internação ou consultas frequentes, Regina Fonseca – uma das antigas coordenadoras da ONG – se torna voluntária da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e cria o projeto “Alunos Contadores de Histórias”, em 2008.

O projeto foi muito bem acolhido por todos. Feito somente por alunos da universidade e sendo hoje um projeto de extensão dessa, a presença dos estudantes mudou a rotina do hospital. Atualmente, é composto por 2 coordenadoras e 64 alunos de vários cursos da Universidade que, após um treinamento com especialistas da saúde e oficinas de contação, se tornaram os novos contadores do IPPMG. “O projeto incentiva a pluralidade dos cursos para a interação entre os alunos e a diversidade no hospital. As crianças tem contato com estudantes de todos os tipos e isso enriquece a troca de conhecimento, tornando a contação de histórias singular”, conta Regina.

O ambiente não é feito só de contação não. Durante o ano, algumas festas em datas comemorativas como Natal, Páscoa e Dia das Crianças transformam a rotina de pais, filhos e enfermeiros gerando uma interação única entre eles e os contadores. “O contador influencia na vida da criança ao contar uma história. Com a ajuda da literatura,  ela vai até onde sua imaginação permitir. Ser voluntária foi, pra mim, engrandecedor” – Priscila Cunha, 20 anos, estudante de Engenharia Civil da UFRJ.

Os universitários levam os livros como um grande tesouro que faz diferença na vida de alguém. Para Sônia Motta, pediatra e uma das atuais coordenadoras, a maior recompensa é o ganho de experiências e de situações humanas que não seriam vividas na sala de aula, é uma relação que vai além de folhear as páginas de uma história: “O projeto resgata a parte saudável da criança. Quando um contador abre o livro e recebe um sorriso, aquele momento se tranforma. Sou apaixonada pelo que faço. É uma troca de experiências riquíssimas e ver cada expressão de alegria  nelas durante aquele momento de dor faz toda diferença.”

O desejo de Regina, Sônia e todos os outros alunos é que esse tipo de projeto exista em diversos hospitais para que mais crianças sejam incentivadas a se fortalecer na luta diária. A literatura e a dedicação dos estudantes da UFRJ mudou a rotina não só do IPPMG, mas de centenas de crianças e famílias que estiveram ali.  Para os que quiserem saber mais sobre as super crianças, os grandes heróis, o tesouro encantado e os finais felizes, foi lançado o site dos Alunos Contadores onde muitas outras histórias poderão ser acompanhadas: http://alunoscontadores.com.br/

 

(*) aluna do 1° período de jornalismo, Universidade Veiga de Almeida

Categorias: Ámérica do Sul, Internacional, Opinião, Saúde
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