Ucrania: o povo e a praça

01.03.2014 - Gilberto Rodrigues

Ucrania: o povo e a praça
(Crédito da Imagem: http://atdigital.com.br/)

Praça da Independência evoca, só pelo nome, um lugar onde a democracia nasce e renasce. Em Kiev, capital da Ucrania, aquela praça foi tomada por milhares em nome da libertação. Uma libertação antecipada, cautelar, contra a Rússia.

A Rússia voltou a ter projeto de potência global. Putin é o arquiteto e czar dessa renovada projeção de Moscou nos arredores do vasto continente russo, que vai do Ocidente ao Oriente, que toca o Mar Báltico, o Mar Negro e o Oceano Pacífico. A Rússia é imensa e o apetite de seus dirigentes assusta.

Mas não é apenas o colosso territorial e militar que impõe medo. A liberdade na Rússia anda mal nos últimos tempos, com restrições à imprensa, aos direitos civis e políticos e perseguições (notadamente a homossexuais). É preciso ter isso em mente para entender a aversão de milhares de ucranianos ao sentir que o bafo do urso estaria mais próximo do que a prudência vital sugere.

A independência cobra seu preço. Moscou ofereceu um pacote de ajuda bilionário para a Ucrania honrar seus compromissos internacionais, além de vender gás a preços reduzidos, permitindo ao setor privado ucraniano seguir produzindo. Foi essa atraente proposta russa que induziu o presidente ucraniano, agora deposto, a encetar a reaproximação com o Kremlim. E a União Europeia? Em situação econômica crítica, a UE não poderia oferecer nada semelhante ao pacote russo. Poderá fazê-lo agora?

A Ucrania é um país-chave na política europeia em relação à Russia. Além de ter capacidade nuclear (herdada da URSS), Kiev tem peso estratégico na Europa, por seu tamanho, pela questão energética (território por onde passam gasodutos que abastecem a Alemanha com gás russo) e como bolsão de resistência ao neo-expansionismo russo.

Se a UE não dispõe de fichas, ela própria, para bancar a recuperação ucraniana, poderá pressionar o FMI a dar condições de sobrevivência, um balão de oxigênio para a Ucrania, como fez com a Grecia. Mas, “não existe almoço grátis”: entre a Russia e o FMI, o povo e a praça seguirão lutando, e sonhando, pela independência.

Categorias: Asia, Assuntos internacionais, Europa, Opinião
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