Democracia a la carte

10.03.2014 - Gilberto Rodrigues

Democracia a la carte
(Crédito da Imagem: Imagen: http://bit.ly/1elfq6s)

 

Ao entrar no restaurante o freguês se acomoda na mesa e, tão logo o garçom chega, fica sabendo que há um prato do dia. Em geral, ele é mais barato e, possivelmente, será mais rápido. Mas pode ser que essa oferta não agrade o gosto do freguês, então a opção é pedir a la carte.

Essa situação se repete aos milhares e milhões, todos os dias, em todos os lugares do mundo. Com a democracia parece estar passando o mesmo, senão na mesma quantidade, com a mesma regularidade. Como pode ser isso?

O caso da Ucrânia é ilustrativo. O Presidente ucraniano tinha maioria no parlamento, foi pressionado pela massa nas ruas de Kiev e teve que fazer um acordo de governabilidade. Até aí, democracia do dia. Mas, diante da ameaça da turba, o presidente fugiu para um lugar seguro e, em seguida, o Parlamento aprovou a sua destituição, sem direito à defesa. Democracia a la carte.

Do outro lado do país, a minoria russa, temerosa de sofrer represálias, clama pelo apoio de Moscou. Este, que mantem bases militares na Criméia, amparada em acordo bilateral com a Ucrânia, desloca suas tropas para proteger a segurança da minoria russa e de suas instalações bélicas. O Parlamento da Criméia, que é uma região autônoma da Ucrânia, aprova por unanimidade um referendo para votar por sua independência e possível união com a Rússia. Tudo democracia a la carte.

O detalhe é que a carta do restaurante democrático tem opções para todos os gostos, o que alimenta a disputa entre as potências que querem que todos comam o prato do dia, quer dizer, a democracia do dia, desde que elaborado pelo seu chef.O que está ocorrendo é que não querendo comer o prato do dia, porque não atende o seu gosto, o freguês opta pelo menu a la carte, que é mais custoso e demorado e, no caso da Ucrânia como em outros, contestado e ameaçado sob acusação de ser anti-democrático e ilegal.

A democracia não deveria ser um joguete na mão das potências. Mas de fato ela é, na medida em que não existe um modelo aceito e universal de democracia, mais além das eleições periódicas e limpas. O que é Estado de Direito? As respostas são muitas e variadas. Mas, pelo menos, a democracia está no menu das relações internacionais, mesmo que, atônito, o freguês ouça a sentença do garçom: “Infelizmente não temos esse prato hoje”.

Categorias: Opinião, Política
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