Bertha Zúniga Cáceres: “Devemos avançar na soberania alimentar”

13.06.2020 - Manágua, Nicaragua - Giorgio Trucchi

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Bertha Zúniga Cáceres: “Devemos avançar na soberania alimentar”
Berta Zúñiga Cáceres (Crédito da Imagem: Giorgio Trucchi)

A pandemia nas Honduras continua a bater fortemente. Mais de 5.500 casos e cerca de 230 mortes. Sendo um dos países com as mais elevadas taxas de desigualdade e pobreza (67%) da América Latina, é inevitável que a pandemia se tenha mostrado em especial nos sectores mais vulneráveis da sociedade.

Na zona rural é onde se observam com mais frequência os efeitos nefastos do modelo neoliberal imposto pelas elites nacionais e pelos grandes capitais transnacionais.

Os povos indígenas e negros e as comunidades camponesas estão a sofrer os principais impactos de uma crise sanitária que põe a nu a crueldade e a desumanidade deste sistema.

Apesar das dificuldades e limitações, Bertha Zúniga Cáceres, coordenadora da Copinh¹ e filha de Berta Cáceres, disse que era essencial redobrar esforços e promover formas de autogestão e soberania alimentar.

– Como é que a pandemia afectou as comunidades indígenas?

–Veio agravar os problemas que já são quase crónicos, nomeadamente a falta de alimentos.

Felizmente, a maioria das comunidades organizadas na Copinh são produtoras de alimentos (grãos) básicos. Mas há outras que sofrem de escassez de água e estão a atravessar tempos muito difíceis.

Além disso, a quarentena tornou impossível a venda de produtos comunitários e outras actividades comerciais informais. Verifica-se também um recrudescimento da violência de género e um aumento dos abusos policiais e militares.

Sem quarentena para os abusos

– Existiram muitos abusos?

– A quarentena permitiu-lhes tomar as ruas, atacando de forma selectiva e violenta aqueles que identificam como adversários. E como ninguém os controla, eles fazem o que querem.

Membros da Copinh sofreram espancamentos e houve detenções arbitrárias. Foram comunicados muitos casos de repressão e de violação dos direitos humanos noutras zonas do país.

– Hevera também uma quarentena para o exturpo nas Honduras?

– Nem pensar. Um dos primeiros actos do governo, depois de declarar o estado de emergência, foi o lançamento de uma plataforma digital para apresentação em linha de pedidos de licença ambiental. As autoridades comprometeram-se a conceder a licença no prazo de 90 dias.

Além disso, em conformidade com a Lei dos Segredos Oficiais², tudo o que esteja relacionado com estudos técnicos ambientais é considerado “informação reservada”³. A localização dos projectos também não pode ser conhecida.

Não só o exturpo não foi travado, como vemos que continuam a enganar e a ridicularizar aqueles que temos lutado pelo direito de consulta prévia livre e informada.

– Como é que se organizou a Copinh para apoiar as comunidades?

– Reforçámos o funcionamento das nossas estações de rádio comunitárias para defenir quatro pontos muito importantes.

A primeira foi desenvolver uma campanha sobre medidas de prevenção e convivência com as pessoas infectadas. Tivemos o apoio dos médicos da Plataforma em Defesa da Saúde e da Educação e foi uma campanha muito consentânea com a realidade e as limitações das comunidades.

“Honduras solidária”

As rádios também serviram de espaço para denunciar abusos, bem como a corrupção governamental relacionada com a distribuição de alimentos. O programa “Honduras Solidaria” foi uma farsa. Foi um escândalo.

Também se trabalhou para a promoção da soberania alimentar, dando todos os elementos para multiplicar as hortas familiares e comunitárias, e assim diversificar a oferta alimentar.

Por último, foram desenvolvidas campanhas a favor das crianças e dos jovens para promover a educação, tendo em vista a reabertura das escolas.

Além disso, tivemos também de apoiar com alimentos algumas comunidades que sofrem de escassez crónica de água e a produção não é suficiente, produzimos cartões de saúde e até fornecemos tecido para fazer máscaras.

Em suma, foi todo um trabalho de auto-organização que envia sinais importantes.

– Que tipo de sinais?

– Os impactos da pandemia, somados à pilhagem do orçamento do regime e à enorme dívida, vão ter consequências muito graves.

É por isso que queremos apoiar mais o desenvolvimento das hortas familiares e comunitárias, exigindo a autonomia das comunidades, a soberania alimentar e um modelo de agricultura diferente.


¹ Conselho Cívico das Organizações Populares e Indígenas das Honduras
² Lei de Classificação de Documentos Públicos Relacionados com a Segurança e Defesa Nacional
³ https://bit.ly/2Xsrrr7

Fuente: Rel UITA

Categorias: América Central, Assuntos indígenas, Entrevista
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