Precisamos aprender a paz

03.10.2016 - Nelsy Lizarazo

This post is also available in: Inglês, Espanhol, Francês, Italiano, Grego

Precisamos aprender a paz

A 2 de Outubro, o Dia Internacional da Não-violência, o povo colombiano foi às urnas. Na sequência dos acordos assinados entre o governo de Juan Manuel Santos e as FARC-EP, no passado dia 26 de Setembro, depois de quatro anos de negociações, a Colômbia teve que decidir entre o sim e não a esses acordos. O que aconteceu?

Aconteceu que 62,5% da população colombiana, não foi às urnas. Não disse sim, nem não… Talvez o desespero, o cepticismo, descrença ou simplesmente indiferença, imobilizaram-nos.

Assim, apenas 37% pronunciou-se, um pouco mais de 13 milhões de pessoas. E aconteceu que, desses 37,5%, 49,78% disse Sim aos acordos de paz. Disseram sim os habitantes do Pacífico, Caribe e Amazóna: povos castigados uma e outra vez pela guerra. povos afros, índios, camponeses. Disseram sim as vítimas da guerra, pela primeira vez tornadas visíveis e reconhecidas como interlocutores nos acordos. Eles disseram sim, e amplamente, as novas gerações, solidárias e ansiosos por um novo país.

Mas também aconteceu que 50,21% dos que votaram disseram não aos acordos de paz. Disseram não os habitantes das grandes cidades, com excepção de Bogotá. Disseram não as regiões prósperas do país, as das indústrias e das grandes empresas, que lucraram com a guerra. E também disseram não as regiões do paramilitarismo. Mas também disseram não muitos colombianos aterrorizados, convencidos de que a Colômbia poderia tornar-se comunista ou de que Timoleon Jimenez subiria ao poder e levaria tudo de todos. E assim foi, calou-se a mentira na consciência da nossa gente. Disse que não quem viu a guerra de longe, como uma história que não lhes pertence.

Colômbia esta dividida, esta dividida por muitos e muitos anos. Profundamente dividida. Hoje, essa profunda divisão se expressou nas urnas, não nas armas, não na morte. É verdade que tudo foi tratado como se fosse um confronto Uribe/Santos, e é verdade que muitos votaram pensando que votavam por um ou outro poder e não por todos, como um povo. Mas no fundo, no fundo, essa mínima diferença é o sinal de uma divisão que nos acompanha historicamente como povo, que nos tornou intolerante frente a diferença e nos acostumou a eliminação do contrário como a única e falsa fora para sair de um conflito.

Neste momento difícil, é um avanço que a divisão reflectiu-se sem violência. É um avanço que as FARC-EP mantenham a sua palavra e o compromisso que o cessar-fogo, por tempo indeterminado e bilateral, seja mantido. Sem o ruído doloroso das armas e ainda sabendo que não estamos de acordo entre todos, talvez seja possível um cenário de um amplo diálogo e um grande acordo nacional. Talvez isso seja necessário para construir uma paz de todos e todas as pessoas que realmente querem; mesmo que tenham votado não. Talvez.

Precisamos aprender a paz e desaprender a guerra. Um obstáculo apareceu no caminho. Certamente saberemos supera-lo, mas, entretanto, é impossível não sentir que a paz esta hoje um pouco mais longe do que ontem.

Categorias: Ámérica do Sul, Opinião, Paz e Desarmamento, Política
Tags: , , ,

Boletim diário

Indique o seu e-mail para subscrever o nosso serviço diário de notícias.


Greve Internacional Feminista

Milagro Sala

Canale youtube

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

Arquivo

Except where otherwise note, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International license.