{"id":969986,"date":"2019-11-12T16:17:32","date_gmt":"2019-11-12T16:17:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=969986"},"modified":"2019-11-12T16:17:32","modified_gmt":"2019-11-12T16:17:32","slug":"as-facetas-do-genocidio-parte-3-o-genocidio-em-ruanda-1994-entrevista-com-andreia-couto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/11\/as-facetas-do-genocidio-parte-3-o-genocidio-em-ruanda-1994-entrevista-com-andreia-couto\/","title":{"rendered":"As facetas do genoc\u00eddio \u2013 parte 3: O genoc\u00eddio em Ruanda, 1994  &#8211;  entrevista com Andr\u00e9ia Couto"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Na entrevista final da s\u00e9rie \u201cAs facetas do genoc\u00eddio\u201d, falamos com Adr\u00e9ia Couto. Andr\u00e9ia \u00e9 bacharel em letras pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e em jornalismo pela Universidade Paulista (UNIP), mestre em comunica\u00e7\u00e3o social pela Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo (UMESP), doutora em engenharia agr\u00edcola pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e p\u00f3s-doutora pela Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia e pela EMBRAPA. Ela, entre 2004 e 2006, cruzou Ruanda, estudando as causas e consequ\u00eancias do genoc\u00eddio ocorrido no pa\u00eds em 1994 e escutando depoimentos de pessoas que sobreviveram ao massacre. Nesta entrevista, a professora universit\u00e1ria e jornalista discute os desdobramentos hist\u00f3ricos que levaram o pa\u00eds da regi\u00e3o dos grandes lagos africanos a ser v\u00edtima do \u00faltimo genoc\u00eddio do s\u00e9culo XX.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>Felipe Honorato: Como foi o processo de ocupa\u00e7\u00e3o, por parte do colonialismo europeu, da atual Ruanda?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Andr\u00e9ia Couto: Ap\u00f3s um curto espa\u00e7o de tempo de ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3, os belgas chegaram um Ruanda no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. \u00c9 importante notar que com eles foram tamb\u00e9m mission\u00e1rios religiosos, cat\u00f3licos em sua maioria, que tiveram um papel fundamental no processo de domina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o local. Logo no in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o, foram estabelecidas as bases para uma estrutura religiosa, educacional, e m\u00e9dica, privilegiando a etnia Tutsi, numericamente inferior, que passou a ocupar cargos na administra\u00e7\u00e3o, teve acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e aos melhores postos de trabalho, em detrimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o Hutu, relegados a <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">cidad\u00e3os de segunda categoria<\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">. A op\u00e7\u00e3o belga pelos Tutsis, desde o in\u00edcio, ter\u00e1 desdobramentos futuros ap\u00f3s a independ\u00eancia e na explos\u00e3o do genoc\u00eddio. Em Nyanza, a chamada cidade imperial, foi criada a Escola para os filhos dos chefes, que recebia somente Tutsis. Essa escolha \u00e9tnica para receber privil\u00e9gios n\u00e3o se deu de forma despropositada. Desde o in\u00edcio, os belgas perceberam as diferen\u00e7as entre as duas etnias e como a popula\u00e7\u00e3o local tratava essa quest\u00e3o. Embora houvesse uma distin\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre Tutsis e Hutus, eles sempre lidaram de maneira natural com essa estrutura, em que os Tutsis eram os pastores e possuidores de gado, considerado uma riqueza, e os Hutus, agricultores.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Ao perceber essa estrutura social em que cada etnia ocupava um lugar determinado em Ruanda, o colonizador refor\u00e7ou as diferen\u00e7as, tratando de colocar uns contra os outros no intuito de tirar proveito da situa\u00e7\u00e3o para melhor governar, utilizando esse jogo de poder como instrumento de domina\u00e7\u00e3o. Para a popula\u00e7\u00e3o Tutsi, al\u00e7ada \u00e0 posi\u00e7\u00e3o privilegiada, o esquema colonial foi aceito de bom grado, enquanto a popula\u00e7\u00e3o Hutu come\u00e7ou a nutrir ressentimentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o, fomentando o \u00f3dio contra os Tutsis. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>FH: Como funcionava o sistema de etniza\u00e7\u00e3o aplicado pelos belgas em Ruanda-Urundi e quais foram as consequ\u00eancias dele na situa\u00e7\u00e3o colonial?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">AC: Como foi falado acima, os belgas al\u00e7aram a popula\u00e7\u00e3o Tutsi \u00e0 posi\u00e7\u00e3o privilegiada. Al\u00e9m da quest\u00e3o do jogo da domina\u00e7\u00e3o \u2013 dividir para dominar, h\u00e1 um outro elemento que fez com que a popula\u00e7\u00e3o Tutsi fosse escolhida como a detentora dos privil\u00e9gios. Estando a coloniza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios africanos mergulhada em pleno desenvolvimento das ideias antropol\u00f3gicas racistas que dominavam a Europa desde o final do s\u00e9culo XIX, a etnia Tutsi era vista como descendente de povos semitas e origin\u00e1ria de povos nobres. O europeu utiliza a complei\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos Tutsis para refor\u00e7ar essa ideia: eram longil\u00edneos, de nariz afilado, porte altivo, bem ao gosto dos instrumentos de an\u00e1lise que punham os africanos baixos, de nariz e l\u00e1bios grossos, como sendo os opostos fenotipicamente do ideal europeu de homem civilizado preconizado na \u00e9poca. Essa oposi\u00e7\u00e3o acintosa entre as duas etnias esteve na g\u00eanese do genoc\u00eddio que ocorreria d\u00e9cadas mais tarde.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>FH: Ap\u00f3s a independ\u00eancia de Ruanda e do Burundi, as consequ\u00eancias desta etniza\u00e7\u00e3o foram resolvidas?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">AC: De certa maneira, com o fim do genoc\u00eddio, o governo interino tentou equalizar essas diferen\u00e7as. O governo que assumiu ap\u00f3s o genoc\u00eddio foi composto por um presidente Hutu, inicialmente, com uma composi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica equilibrada. Quando Paul Kagame, Tutsi, assume o poder como presidente, adota o discurso \u201cRuanda para os ruandeses\u201d, numa tentativa de livrar o pa\u00eds do jogo de oposi\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas, ao n\u00e3o falar mais em Tutsis e Hutus e sim, em Ruandeses. No entanto, observa\u00e7\u00f5es da situa\u00e7\u00e3o p\u00f3s genoc\u00eddio e mais recentes, mostram algumas posturas do governo ruand\u00eas que contradizem essa posi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">H\u00e1 relatos, por exemplo, ap\u00f3s o genoc\u00eddio, de incurs\u00f5es ruandesas nos campos de refugiados na fronteira da RDC para atacar a popula\u00e7\u00e3o Hutu. O governo sempre negou.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Nas duas vezes em que estive em Ruanda, e nas viagens pelo pa\u00eds, o discurso \u00e9tnico parecia n\u00e3o existir mais e mesmo para uma estrangeira, diferenciar as duas etnias pelo fen\u00f3tipo era algo quase imposs\u00edvel. O que encontrei foram v\u00e1rios memoriais espalhados nas diversas cidades que visitei relatando os horrores do genoc\u00eddio, ou seja, Ruanda trabalha para que esse epis\u00f3dio n\u00e3o seja apagado da hist\u00f3ria, conclamando a popula\u00e7\u00e3o a uma vida sem diferen\u00e7as \u00e9tnicas. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>FH: Porque se diz que, neste per\u00edodo p\u00f3s-colonial, o Burundi foi um espelho invertido de Ruanda?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">AC: O per\u00edodo que antecede o genoc\u00eddio mostra um panorama pol\u00edtico e social cada vez mais dram\u00e1tico na regi\u00e3o dos Grandes Lagos, uma vez que os conflitos internos de Ruanda acabam atingindo os pa\u00edses vizinhos, como Uganda, Tanz\u00e2nia (Tanganica, na \u00e9poca), Zaire (atual RDC) e Burundi, que passam a receber um grande contingente de refugiados que atravessam suas fronteiras. Alguns conflitos internos no Burundi, como o de outubro de 1993 (alguns meses antes da eclos\u00e3o do genoc\u00eddio ruand\u00eas, portanto), o golpe de Estado perpetrado por um batalh\u00e3o formado majoritariamente por soldados Tutsis (os Tutsis do Burundi), sob o comando militar de um Tutsi, Fran\u00e7ois Ngeze, contra o presidente Hutu democraticamente eleito, Melchior Nadadaye, no qual ele e o vice-presidente da Assembleia Nacional, Gilles <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Bimazubute<\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">, e alguns de seus colaboradores, perdem a vida. A rea\u00e7\u00e3o, imediata, foi o in\u00edcio de um massacre de fam\u00edlias Tutsis, organizado sob as ordens do Frodebu (Frente pela Democracia do Burundi), deixando milhares de v\u00edtimas (100 mil, segundo a Cruz Vermelha). Ap\u00f3s o golpe, cerca de 300 mil refugiados seguiram em dire\u00e7\u00e3o a Ruanda, tornando o clima ainda mais tenso na regi\u00e3o, mergulhando o Burundi tamb\u00e9m em dire\u00e7\u00e3o a um massacre \u00e9tnico. O reflexo do golpe e na sequ\u00eancia, do massacre Tutsi no Burundi acirra a desconfian\u00e7a pela Frente Patri\u00f3tica Ruandesa, analisada como pr\u00f3xima ao ex\u00e9rcito do Burundi (majoritariamente Tutsi) no meio Hutu ruand\u00eas.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><a name=\"firstHeading\"><\/a> <span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>FH: Qual era o contexto pr\u00e9-genoc\u00eddio em Ruanda, que fez com que o \u00f3dio \u00e9tnico, novamente, se elevasse, quem foi <\/b><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\"><b>Juv\u00e9nal Habyarima e qual foi seu papel e o de sua esposa, Agathe Habyarimana, para que a situa\u00e7\u00e3o escalasse a este n\u00edvel de tens\u00e3o?<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">AC: O que ocorreu em Ruanda em 1994 n\u00e3o pode ser compreendido sem uma grande contextualiza\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer de forma muito resumida, sob pena de incorrer em uma falta de compreens\u00e3o. Em linhas gerais podemos dizer que o \u00f3dio \u00e9tnico foi gestado desde o instante em que os belgas colocaram os p\u00e9s em Ruanda, no entanto h\u00e1 uma s\u00e9rie de fatores que foram se desenrolando ao longo de d\u00e9cadas que formaram o xadrez pol\u00edtico e social que desencadeou o genoc\u00eddio.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">O \u00f3dio \u00e9tnico, a partir da polariza\u00e7\u00e3o perpetrada pelo colonizador, estava latente entre a popula\u00e7\u00e3o, e s\u00f3 fez aumentar com o passar do tempo. Ao longo da coloniza\u00e7\u00e3o, v\u00e1rias matan\u00e7as ocorreram entre as duas etnias, em Ruanda e Burundi, at\u00e9 que, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a dar mostras de que uma grande trag\u00e9dia estava por vir. Alguns fatores deram pistas dos acontecimentos futuros: a Frente Patri\u00f3tica Ruandesa (n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o aqui para falar sobre seu surgimento, mas, de maneira sucinta, trata-se de um ex\u00e9rcito formada por soldados muito bem treinados, em grande parte por Tutsis que nasceram no ex\u00edlio e viviam \u00e0s bordas entre Ruanda e Uganda. Entre eles estava Paul Kagame, grande estrategista e que viria a ser o presidente de Ruanda ap\u00f3s o genoc\u00eddio. A FPR j\u00e1 fazia incurs\u00f5es em Ruanda desde o in\u00edcio da d\u00e9cada e havia j\u00e1 um desgaste entre o governo de Habyarimana e a FPR, ap\u00f3s dois anos de guerra. Assim, nesse per\u00edodo, come\u00e7am as negocia\u00e7\u00f5es de paz entre o governo de Habyarimana e a FPR e uma tentativa de entendimento para um cessar fogo, e em 1993, tem in\u00edcio, em Arusha, na Tanz\u00e2nia, os tratados de paz entre as duas partes, ap\u00f3s dois anos de guerra. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Foi o ent\u00e3o presidente ugand\u00eas, Museveni, quem pediu o envio de um contingente de boinas azuis \u00e0 For\u00e7a de Paz da ONU justamente para guardar a fronteira entre os dois pa\u00edses, uma vez que as for\u00e7as rebeldes, como era conhecida a FPR estava alocada na divisa, ao norte.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">\u00c9 nesse contexto que chega a Ruanda, em agosto de 1993, a Minuar \u2013 Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Assist\u00eancia a Ruanda \u2013 sob o comando do general canadense Dallaire, no intuito de analisar a viabilidade de ser estabelecida uma for\u00e7a de paz no pa\u00eds. Enquanto isso, uma delega\u00e7\u00e3o ruandesa vai a Nova Iorque em setembro de 1993 para pressionar a ONU a enviar uma for\u00e7a de paz para Ruanda. \u00c0 frente da FPR estava Patrick Mazimbaka, enquanto que o governo interino foi representado por Anastace Gasana.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Ou seja, o genoc\u00eddio j\u00e1 se prenunciava, os pedidos para uma for\u00e7a de paz estavam sendo feitos, tudo levava a crer que algo de muito grave aconteceria. A partir desse encontro, o ent\u00e3o Subsecret\u00e1rio-Geral para as Opera\u00e7\u00f5es de Manuten\u00e7\u00e3o da Paz da ONU, Kofi Annan, passa \u00e0 a\u00e7\u00e3o e envia cerca de 2.300 soldados belgas como parte integrante do contingente da Minuar.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Outro fator importante que deve ser analisado foi o papel da m\u00eddia ruandesa, que histericamente transmitia mensagens racistas contra os Tutsis. A r\u00e1dio nacional racista RTML (R\u00e1dio-Televis\u00e3o Livre das Mil Colinas) fazia uma campanha acirrada contra o que denominava \u201co perigo da domina\u00e7\u00e3o Tutsi\u201d. De fato, a propaganda racista contra a popula\u00e7\u00e3o Tutsi vinha acontecendo desde a d\u00e9cada de 1960, mas foi no in\u00edcio dos anos 1990 que tomou propor\u00e7\u00f5es assustadoras, em um clima que prenunciava j\u00e1 um estado de guerra, enquanto a popula\u00e7\u00e3o era exposta \u00e0 incita\u00e7\u00e3o ao \u00f3dio dos Hutus contra os Tutsis atrav\u00e9s de letras de m\u00fasicas racistas e provocativas, referindo-se aos Tutsis como \u201cbaratas\u201d. Em um artigo intitulado <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>M\u00eddia e propaganda racista: como os mass media constroem a imagem da realidade social \u2013 uma leitura do genoc\u00eddio de Ruanda<\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"> (Revista <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>Extraprensa<\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">, v. 1, n. 6. S.P.: USP, jun 2010), analiso o papel da m\u00eddia ruandesa e seu papel na escalada de viol\u00eancia que culminou no genoc\u00eddio em 1994.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Nesse clima de viol\u00eancia, as mil\u00edcias simpatizantes ao presidente Habyarimana, os <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>Interahamwe,<\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"> estavam descontroladas e a persegui\u00e7\u00e3o aos Tutsis cada vez maior, sem que as for\u00e7as de paz da ONU pudessem control\u00e1-las (a Minuar, em abril de 1994, \u00e0s v\u00e9speras da eclos\u00e3o do genoc\u00eddio, contava com um efetivo de 2000 homens, reduzido em seguida a 250). <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">FH<\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\"><b>: Logo que as matan\u00e7as come\u00e7aram a ocorrer em Ruanda, qual foi a postura das pot\u00eancias internacionais e das Na\u00e7\u00f5es Unidas ante as not\u00edcias que vinham da \u00c1frica Central?<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">AC: \u00c0s v\u00e9speras do in\u00edcio do genoc\u00eddio, as matan\u00e7as perpetradas pelas mil\u00edcias simpatizantes ao presidente Habyarimana estavam descontroladas, atingindo um n\u00edvel inimagin\u00e1vel. O general Dallaire j\u00e1 havia sinalizado sobre o aumento descontrolado da viol\u00eancia e suas terr\u00edveis consequ\u00eancias, mas tanto os Estados Unidos quanto Fran\u00e7a, B\u00e9lgica e Inglaterra preferiram ignorar o aviso e somente de forma muito tardia se interpuseram diante do governo genocid\u00e1rio e a popula\u00e7\u00e3o civil acuada. A comunidade internacional vergonhosamente fechou os olhos ao drama ruand\u00eas, deixando a popula\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte, nada fazendo para frear a viol\u00eancia e evitar a matan\u00e7a fren\u00e9tica que estava por vir. A Fran\u00e7a, particularmente, protagonizou um dos epis\u00f3dios mais vergonhosos de sua hist\u00f3ria, ao enviar uma tropa de soldados para retirar a popula\u00e7\u00e3o francesa \u2013 e somente ela &#8211; presa no Hotel Mil Colinas, junto com centenas de Tutsis acuados. Os ruandeses assistem estarrecidos a retirada dos europeus, enquanto s\u00e3o deixados praticamente para morrer nas m\u00e3os dos <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>Interahamwe<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>FH: Quanto tempo durou o genoc\u00eddio e quais s\u00e3o as estat\u00edsticas dessa trag\u00e9dia (n\u00fameros de v\u00edtimas, n\u00famero de ruandeses que se refugiaram em outros pa\u00edses\u2026) ?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\">AC: O genoc\u00eddio propriamente dito, ou seja, o ataque descontrolado e feroz das mil\u00edcias Hutu sobre a popula\u00e7\u00e3o Tutsi teve in\u00edcio n<\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">o dia 6 de abril de 1994, quando o avi\u00e3o de Habyarimana, presidente de Ruanda, \u00e9 abatido, quando se preparava para aterrissar no aeroporto de Kanombe, Kigali, voltando de uma reuni\u00e3o pol\u00edtica em Dar-es-Salan, na Tanz\u00e2nia. No avi\u00e3o abatido (at\u00e9 hoje n\u00e3o se sabe ao certo sobre a origem do m\u00edssil que o derrubou) al\u00e9m do presidente de Ruanda, morreram o ent\u00e3o recentemente eleito presidente do Burundi, Cyprien Ntaryamira, e alguns ministros. Pouco mais de 30 minutos ap\u00f3s a queda do avi\u00e3o presidencial, por volta das 21 horas, a guarda presidencial come\u00e7a a parar os carros nos quarteir\u00f5es de Kimihurura e Kicyiru. Os policiais, de forma amea\u00e7adora, fazem sair todos os passageiros dos ve\u00edculos com brutalidade, pedindo carteiras de identidade e retirando dos ve\u00edculos aqueles cuja identifica\u00e7\u00e3o mostrava a origem \u00e9tnica Tutsi.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Os assassinatos em s\u00e9rie que tomam conta de Ruanda, enquanto os estrangeiros e o corpo diplom\u00e1tico s\u00e3o evacuados do pa\u00eds em opera\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e eficientes, ao mesmo tempo em que a popula\u00e7\u00e3o Tutsi se v\u00ea acuada \u00e0 espera da morte.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">No espa\u00e7o de poucas horas ap\u00f3s a queda do avi\u00e3o presidencial, grupos da etnia Hutu, armados de fac\u00f5es, come\u00e7am a matan\u00e7a da outra etnia, os Tutsis, com um furor incontrol\u00e1vel, a uma velocidade impressionante: n\u00e3o havia lugar seguro para onde os Tutsi pudessem se esconder. Muitos buscaram ref\u00fagio nas igrejas Cat\u00f3licas, imaginadas como abrigo seguro, que no final se transformaram em uma terr\u00edvel armadilha. Milhares de Tutsis abrigados nesses lugares foram queimados vivos l\u00e1 dentro, enquanto do lado de fora uma multid\u00e3o ensandecida gritava palavras de ordem.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Os n\u00fameros s\u00e3o estarrecedores: cerca de 800 mil pessoas mortas, entre Tutsis e Hutus moderados, nos meses entre abril, in\u00edcio do genoc\u00eddio, a julho, m\u00eas em que tomou posse o governo provis\u00f3rio, segundo dados oficiais; se forem calculadas as v\u00edtimas nos meses seguintes, a cifra praticamente dobra. Segundo as organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, o n\u00famero ultrapassa a cifra de um milh\u00e3o de mortos, al\u00e9m de mais de tr\u00eas milh\u00f5es de refugiados para fora do pa\u00eds, sem contar as epidemias, como c\u00f3lera, meningites, disenteria, AIDS, amea\u00e7ando dizimar os mais fr\u00e1geis entre a popula\u00e7\u00e3o de Ruanda e a dos campos de refugiados superpovoados. Nesses lugares, contabilizou-se milhares de mortos, seja por assassinados, por fome, ou por doen\u00e7as. Nos deslocamentos em dire\u00e7\u00e3o aos campos de refugiados nas fronteiras com os pa\u00edses vizinhos, outros milhares pereceram. Entre os mortos do genoc\u00eddio, contabilizou-se mais de 300 mil crian\u00e7as assassinadas e milhares de \u00f3rf\u00e3os, al\u00e9m de outras milhares que se perderam de seus familiares; a elas somam-se ainda milhares de crian\u00e7as mutiladas e milhares de estupros.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Entre o \u00eaxodo ruand\u00eas de 1994 e a ressurgimento do genoc\u00eddio em 2003, \u201cestima-se que quatro milh\u00f5es de seres humanos pereceram na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e na regi\u00e3o dos Grandes Lagos. Esses dados, fruto de longa pesquisa, est\u00e3o contidos no meu livro <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>O pa\u00eds das mil colinas<\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>FH: Por que se fala que a Fran\u00e7a teve uma atua\u00e7\u00e3o um tanto quanto question\u00e1vel na crise em Ruanda?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\"><b>AC<\/b><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\">: <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">. Como afirmou o general Dallaire em seu livro <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>J\u2019ai serr\u00e9 la main du diable<\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"> (2003, ainda sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas), \u201c<\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">o genoc\u00eddio de Ruanda \u00e9 imputado aos ruandeses\u201d, a Fran\u00e7a teve sua parcela de culpa, \u201cuma vez que se manifestou muito tarde e terminou por proteger os autores do genoc\u00eddio, desestabilizando a regi\u00e3o de maneira permanente\u201d. O general pergunta: \u201co que havia de fato, por tr\u00e1s da ONU e de certos governos, como a Fran\u00e7a\u201d, que mantiveram uma atitude de mera observa\u00e7\u00e3o at\u00e9 que toda a repercuss\u00e3o na m\u00eddia tornasse claro para o mundo o que estava se passando em Ruanda? O governo Fran\u00e7ois Mitterrand insistia em defender o governo genocid\u00e1rio de Habyarimana por afirmar ter sido ele eleito democraticamente e, portanto, ser um governo leg\u00edtimo. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>FH: Houve algum tipo de puni\u00e7\u00e3o contra as pessoas que comandaram o genoc\u00eddio em Ruanda?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\"><b>AC<\/b><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\">: Sim. Ap\u00f3s a institui\u00e7\u00e3o do \u201cgoverno de uni\u00e3o nacional\u201d (sendo Pasteur Bizimungu proclamado presidente de Ruanda para o per\u00edodo de 1994 a 2000 e Paul Kagame ministro da Defesa \u2013 mais tarde eleito presidente, gest\u00e3o 2000 a 2006 \u2013 ele est\u00e1 no poder ainda hoje), uma das sequ\u00eancias foi dar uma resposta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 ruandesa, como internacional sobre a puni\u00e7\u00e3o dos perpetradores do genoc\u00eddio. <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Estando o sistema judici\u00e1rio ruand\u00eas em ru\u00ednas, \u00e9 institu\u00eddo pelo Conselho de Seguran\u00e7a da ONU (resolu\u00e7\u00e3o 977, 1995) o Tribunal Penal Internacional para Ruanda &#8211; TPIR, alocado em Arusha, na Tanz\u00e2nia, servindo para julgar as viola\u00e7\u00f5es graves dos direitos humanos. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Enquanto o TPIR trabalhava em rela\u00e7\u00e3o aos julgamentos mais graves, internamente Ruanda tratava de restabelecer seu sistema judici\u00e1rio. Em agosto de 1996, a Assembleia Nacional de Ruanda aprovou a Lei Org\u00e2nica n\u00ba 8, estabelecendo quatro categorias para os crimes relacionados ao genoc\u00eddio, dos crimes mais graves aos menos graves, assim descritos por <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\">Paula, (<\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\"><i>Genoc\u00eddio e Tribunal Penal Internacional para Ruanda<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\">. S.P.: USP, 2011, p. 130): <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\">1 \u2013 a) aqueles que estiveram envolvidos diretamente, no sentido de idealizar e tornar poss\u00edvel o genoc\u00eddio, julgados por crime contra a humanidade; b) os que atuaram em setores administrativos ou pol\u00edticos, bem como no ex\u00e9rcito ou em ordens religiosas, mil\u00edcias ou encorajaram os crimes; c) os ditos assassinos de fato que cometeram atrocidades com crueldade e tiveram destaque no genoc\u00eddio; d) os que cometeram violencia sexual; 2 \u2013 os que, atrav\u00e9s de atos criminosos, levaram ao cometimento de homic\u00eddio doloso ou les\u00e3o corporal seguida de morte; 3 \u2013 os culpados de s\u00e9rios ataques contram outras pessoas; 4 \u2013 pessoas culpadas por crimes contra o patrim\u00f4nio\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">No entanto, uma s\u00e9rie de desafios e inconsist\u00eancias passou a tomar conta do sistema judici\u00e1rio ruand\u00eas, que ainda se encontrava em fase de reestabelecimento e n\u00e3o dava conta do volume gigantesco de processos e pessoas aprisionadas aguardando julgamento em pris\u00f5es abarrotadas. Os dados a seguir est\u00e3o em uma artigo que escrevi em parceria com um colega antrop\u00f3logo:<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">At\u00e9 2004, apenas 6.500 pessoas tinham sido julgadas, 120 mil permaneciam nas pris\u00f5es e outras centenas de milhares ainda seriam formalmente acusadas. Alguns autores afirmam que, no ritmo em que andavam os processos, seriam necess\u00e1rios mais de cem anos para que os tribunais ruandeses conclu\u00edssem seu trabalho e a maioria dos prisioneiros morreria antes de seu julgamento, levando em considera\u00e7\u00e3o que a expectativa m\u00e9dia de vida em Ruanda era de 45 anos. Um sentimento de desilus\u00e3o passa a dominar aqueles que tinham esperan\u00e7a de justi\u00e7a, principalmente os sobreviventes e os parentes das v\u00edtimas. O projeto de reconcilia\u00e7\u00e3o nacional, no qual a justi\u00e7a era um valor inegoci\u00e1vel, estava em risco\u201d (Couto e Souza, <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>O Tambor e a Toga: Os Tribunais Gacaca de Ruanda. Campinas, Al\u00ednea, <\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">2015, pp. 189-190).<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Uma tentativa de fazer valer a justi\u00e7a foi a restaura\u00e7\u00e3o de um antigo sistema enraizado na cultura ruandesa desde tempos imemoriais: os tribunais Gacaca. Os anci\u00e3os escolhidos pela comunidade locais para resolver conflitos e lit\u00edgios a partir de uma perspectiva reconciliat\u00f3ria, sem prever a aplica\u00e7\u00e3o de uma pena prisional, mas sim preconizava uma justi\u00e7a reparadora, prevendo uma compensa\u00e7\u00e3o para a pessoa lesada. Parte importante do ritual era o pedido de desculpas. Para que o Gacaca pudesse ser utilizado nessa ocasi\u00e3o, passou por um processo de moderniza\u00e7\u00e3o e a eles foram atribu\u00eddas as compet\u00eancias acima mencionadas nos n\u00edveis 2, 3 e 4, desafogando assim o sistema jur\u00eddico ruand\u00eas tradicional, que p\u00f4de concentra-se nos casos mais graves. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>FH: Voc\u00ea esteve no pa\u00eds ap\u00f3s o genoc\u00eddio. Como o ruand\u00eas, em geral, lida com as mem\u00f3rias desta trag\u00e9dia?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\"><b>AC<\/b><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\">: Como relatei acima, o genoc\u00eddio foi um acontecimente ocorrido relativamente recente e ainda est\u00e1 na mem\u00f3ria de muitos ruandeses. Os memoriais est\u00e3o em toda parte para lembr\u00e1-los do ocorrido. A cada ano, em abril, realizam cerim\u00f4nias para as quais s\u00e3o convidadas personalidades do mundo todo e a programa\u00e7\u00e3o da m\u00eddia repassa a trag\u00e9dia ocorrida. As crian\u00e7as que sobreviveram ao terror hoje s\u00e3o adultos e tentam lidar com esse epis\u00f3dio aniquilante em suas vidas. No entanto, n\u00e3o deixam de falar, de relatar seus dramas pessoais. O que pude observar \u00e9 que muitos se refugiaram na religi\u00e3o como forma de lidar com essa situa\u00e7\u00e3o extrema. <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>PP: Voc\u00ea escreveu um livro sobre essa sua experi\u00eancia em Ruanda. Conte o nome da obra e fale um pouco do que o leitor encontra nela.<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\"><b>AC<\/b><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\">: O livro <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\"><i>O pa\u00eds das Mil Colinas \u2013 o \u00faltimo genoc\u00eddio do s\u00e9culo XX<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\"> (<\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Curitiba: Appris, 2013) <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\"> relata, na forma de livro-reportagem, o genoc\u00eddio ruand\u00eas. Para que o leitor compreenda de forma clara o que foi esse epis\u00f3dio t\u00e3o avassalador, deve voltar ao per\u00edodo em que o sistema colonial se instala na regi\u00e3o dos Grandes Lagos, pois o caso de Ruanda n\u00e3o pode ser analisado isoladamente. H\u00e1 uma gama de situa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que envolve os pa\u00edses vizinhos, alguns com uma configura\u00e7\u00e3o etnica muito semelhante a Ruanda, como o Burundi, mas al\u00e9m disso, deve compreender a extensa teia de acontecimentos que tomaram conta da regi\u00e3o ao longo do s\u00e9culo XX, que envolvem massacres \u00e9tnicos de grandes propor\u00e7\u00f5es, antes da eclos\u00e3o do genoc\u00eddio. A compreens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Uganda, por exemplo, antes do genoc\u00eddio, assim como a do Burundi \u00e9 fundamental para entender o desdobramento dos fatos, assim como as consequ\u00eancias, ap\u00f3s o genoc\u00eddio, da Guerra dos Grandes Lagos. Sim, porque o drama ruand\u00eas n\u00e3o termina com a instaura\u00e7\u00e3o do \u201cgoverno de uni\u00e3o nacional\u201d e a deposi\u00e7\u00e3o do governo genocid\u00e1rio. Muitos acontecimentos se desenvolveram ap\u00f3s esse epis\u00f3dio evolvendo Ruanda e, principalmente, a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. \u00c9 uma hist\u00f3ria com muitos detalhes e implica\u00e7\u00f5es, na pol\u00edtica, economia, explora\u00e7\u00e3o de bens naturais, mil\u00edcias. <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>FH: Para concluir a entrevista, gostaria de lhe fazer uma pergunta que ser\u00e1 replicada a todos os entrevistados desta s\u00e9rie de entrevistas: h\u00e1 grupos que defendem que, hoje, h\u00e1 um genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra em curso no Brasil. Voc\u00ea concorda com isso? Se sua resposta for positiva, destaque pontos em que o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil se aproxima do genoc\u00eddio ocorrido em Ruanda. Muito Obrigado!<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\"><b>AC<\/b><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span lang=\"pt-PT\">: H\u00e1 tempos movimentos sociais e organismos internacionais denunciam, principalmente no cen\u00e1rio do Rio de Janeiro, um massacre \u201cinvis\u00edvel\u201d contra a popula\u00e7\u00e3o negra, tanto por parte da pol\u00edcia como por parte de mil\u00edcias. Ap\u00f3s o mais recente epis\u00f3dio de assassinato de uma crian\u00e7a no Rio, o da menina \u00c1gata, voltaram \u00e0 cena os dados estat\u00edsticos sobre a pol\u00edcia que mata e que mata essencialmente negros, homens e jovens. \u00c9 claro que esse extem\u00ednio n\u00e3o ocorre apenas no Rio de Janeiro, mas devido \u00e0 configura\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que envolve v\u00e1rios atores sociais na regi\u00e3o, como policia, mil\u00edcia, traficantes, a m\u00eddia \u2013 a chamada \u201cgrande m\u00eddia\u201d &#8211; acaba dando maior visibilidade a esse lugar. Mas a viol\u00eancia e exterm\u00ednio dessa popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 em S\u00e3o Paulo, Pernambuco, Par\u00e1, no Brasil afora. Al\u00e9m disso, vivemos hoje um momento muito prop\u00edcio \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, com a defesa pelo acesso \u00e0s armas, o discurso racista, homof\u00f3bico e sexista que se instalou no pa\u00eds n\u00e3o s\u00f3 desde a chegada ao poder do atual governo como antes, mesmo durante o golpe que dep\u00f4s a presinte Dilma Rousseff. Vivemos um momento de retrocesso inimagin\u00e1vel h\u00e1 pouco mais de tr\u00eas anos, em que o governo tem procurado sistematicamente desmontar todas as conquistas dos anos recentes p\u00f3s ditadura, atacando a Educa\u00e7\u00e3o, a universidade p\u00fablica, a ci\u00eancia, o conhecimento. O discurso chulo de membros do governo, principalmente daqueles ligados diretamene \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, mostra o horror que t\u00eam sobre aqueles que pensam e questionam. \u00c9 natural que em um ambiente fascista, a viol\u00eancia predomine, principalmente em meio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o socialmente mais fragilizada. Que o exterm\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o negra existe, \u00e9 fato. No entanto, n\u00e3o creio ser poss\u00edvel fazer uma compara\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o brasileira com o genoc\u00eddio ruand\u00eas. O que motivou a matan\u00e7a que deixou praticamente um milh\u00e3o de mortos e tr\u00eas meses em Ruanda teve ra\u00edzes espec\u00edficas e desdobramentos muito caracter\u00edsticos. <\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na entrevista final da s\u00e9rie \u201cAs facetas do genoc\u00eddio\u201d, falamos com Adr\u00e9ia Couto. 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