{"id":930726,"date":"2019-09-30T02:43:52","date_gmt":"2019-09-30T01:43:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=930726"},"modified":"2019-09-30T02:43:52","modified_gmt":"2019-09-30T01:43:52","slug":"ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/","title":{"rendered":"Ayotzinapa: \u2018Dos 43 desaparecidos, n\u00e3o sabemos nada at\u00e9 hoje\u2019, diz sobrevivente de massacre no M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<p><em>Por <strong>Manuela Rached Pereira \/ Ponte Jornalismo<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Omar Garcia relata o que aconteceu h\u00e1 5 anos em Iguala, quando seis pessoas foram mortas e mais de 40 sequestradas pela pol\u00edcia, e fala de resist\u00eancia na Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 era noite no povoado mexicano de Ayotzinapa, h\u00e1 exatos cinco anos, quando o estudante Omar Garcia recebeu uma liga\u00e7\u00e3o que anunciava o in\u00edcio de mais um massacre cometido por for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado na hist\u00f3ria recente do M\u00e9xico. \u201cUm dos meus companheiros gritava no telefone: \u2018estamos em Iguala, a pol\u00edcia est\u00e1 atirando em n\u00f3s e um j\u00e1 morreu\u2019\u201d, conta.<\/p>\n<p>O que ocorreu em 26 de setembro de 2014 em Iguala, pequeno munic\u00edpio do estado de Guerrero, viria a ser conhecido tempos depois como o \u201ccaso Ayotzinapa\u201d, que resultou em seis mortos, 43 estudantes desaparecidos, milhares de pessoas em protesto pelo mundo, e que permanece at\u00e9 hoje sem respostas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o telefonema que recebeu, Omar e 30 outros estudantes da Escola Normal Rural Ra\u00fal Isidro Buergos, em Ayotzinapa, deixaram \u00e0s pressas seus dormit\u00f3rios estudantis e viajaram rumo \u00e0 Iguala, a pouco mais de duas horas dali, para encontrar com os cerca de 100 normalistas que, horas antes, sa\u00edram da regi\u00e3o em excurs\u00e3o para conseguir mais \u00f4nibus no munic\u00edpio vizinho que os levassem at\u00e9 a Cidade do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>O objetivo dos estudantes, a maioria secundaristas, que deixaram Ayotzinapa na tarde do dia 26, era participar de uma manifesta\u00e7\u00e3o que acontece anualmente h\u00e1 d\u00e9cadas na capital mexicana no dia 2 de outubro, em mem\u00f3ria ao hist\u00f3rico massacre de Tlatelolco, onde centenas de manifestantes foram assassinados pela pol\u00edcia em 1968.<\/p>\n<p>O que seria um protesto contra a repress\u00e3o e neglig\u00eancia estrutural de autoridades mexicanas a estudantes, camponeses, ind\u00edgenas e ativistas no pa\u00eds, se transformou em mais um epis\u00f3dio de assassinatos e desaparecimentos for\u00e7ados envolvendo for\u00e7as do Estado na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Naquela noite, cinco \u00f4nibus foram retidos e tomados pelos normalistas, mas, antes mesmo de sa\u00edrem do estado de Guerrero, foram alvejados por patrulhas policiais. Tr\u00eas civis que transitavam pela regi\u00e3o e tr\u00eas normalistas morreram com os tiros, enquanto outros 43 estudantes de Ayotzinapa foram raptados pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A convite da Escola Comum, escola de governo que busca formar lideran\u00e7as pol\u00edticas entre jovens de baixa renda das periferias de S\u00e3o Paulo, Omar Garcia esteve na capital paulista na \u00faltima semana para participar de debates sobre casos de viol\u00eancia estatal na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u00c0 <strong>Ponte<\/strong>, o estudante relatou o que testemunhou h\u00e1 cinco anos em Iguala, contextualizou o cen\u00e1rio pol\u00edtico em que ocorreram os massacres no M\u00e9xico e falou sobre a luta de movimentos sociais no pa\u00eds \u201ccontra o esquecimento, pela mem\u00f3ria e pela justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YlQQFptzODc\" width=\"720\" height=\"405\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Confira abaixo a entrevista:<\/p>\n<p><strong>Ponte <\/strong>\u2013 <strong>Para entendermos melhor o contexto das execu\u00e7\u00f5es e dos desaparecimentos em Iguala, voc\u00ea poderia explicar o que s\u00e3o as escolas normais rurais no M\u00e9xico e qual a rela\u00e7\u00e3o delas com os camponeses do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Omar Garcia<\/strong> \u2013 Eu estudei numa escola normal rural. No M\u00e9xico existem apenas 17 normais rurais atualmente. Mas quando se fundaram, em 1920 <em>[a partir do fim da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana]<\/em>, eram cerca de 40 escolas. Ou seja, em cada estado do pa\u00eds, que tem 32 estados, havia pelo menos uma escola normal rural. Essas escolas contam com internato e terras para cultivo, e s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es estudantis que formam professores. S\u00e3o escolas politizadas, com uma ideologia de esquerda, e que sabem da realidade social do M\u00e9xico e do mundo.\u00a0Os estudantes das normais rurais v\u00eam do campo e cresceram nesse contexto. Quando se formam, eles tamb\u00e9m s\u00e3o enviados \u00e0s comunidades rurais para dar aulas e, muitas vezes, se tornam l\u00edderes rurais nesses locais.\u00a0A popula\u00e7\u00e3o rural do M\u00e9xico n\u00e3o \u00e9 muito diferente da popula\u00e7\u00e3o de outros locais da Am\u00e9rica Latina. Normalmente, n\u00e3o contam com servi\u00e7os b\u00e1sicos, como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, \u00e1gua pot\u00e1vel, eletricidade. N\u00e3o h\u00e1 cl\u00ednicas nas comunidades e \u00e9 muito dif\u00edcil o acesso deles a esses lugares. Ent\u00e3o, <em>[os normalistas]<\/em> vivem e entendem as causas camponesas, por isso sua liga\u00e7\u00e3o com os povos do campo e com os povos ind\u00edgenas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>\u2013 O que reivindicam os estudantes normalistas no M\u00e9xico?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Lutamos para reivindicar todas as causas sociais. N\u00e3o s\u00f3 a luta camponesa, mas tamb\u00e9m a luta dos professores, dos sindicatos, dos trabalhadores. Em geral, da classe oprimida. No M\u00e9xico, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os camponeses que t\u00eam problemas, mas tamb\u00e9m existem problemas entre os ind\u00edgenas, de assassinatos de l\u00edderes sociais, de defensores de direitos humanos e de quem se op\u00f5e a projetos neoliberais, como a minera\u00e7\u00e3o ou a constru\u00e7\u00e3o de empresas hidroel\u00e9tricas, que em nada beneficiam \u00e0s popula\u00e7\u00f5es rurais. N\u00f3s lutamos para dar visibilidade a todos esses problemas, para que a pol\u00edtica do estado neoliberal deixe de despejar as pessoas de seus patrim\u00f4nios, de suas terras, de contaminar os rios, de acabar com os nossos bosques, e que deixem de nos assassinar, sobretudo.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Como voc\u00ea classificaria a atua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de seguran\u00e7a estatais no M\u00e9xico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013<\/strong> A atua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as do Estado, das for\u00e7as de seguran\u00e7a, \u00e9 brutal contra os movimentos sociais, contra as pessoas que saem para se manifestar. Sejam estudantes, camponeses, trabalhadores, sempre h\u00e1 a for\u00e7a do Estado presente, porque essa \u00e9 a \u00fanica linguagem que conhecem. Eles sabem que as causas dos povos s\u00e3o leg\u00edtimas, mas n\u00e3o est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de resolv\u00ea-las, porque n\u00e3o \u00e9 do interesse das autoridades mexicanas resolver esses tipos de problemas. Resolvem muito r\u00e1pido a dos empres\u00e1rios, quando os concedem grandes territ\u00f3rios para que as mineradoras canadenses e brit\u00e2nicas entrem, mas quando um campon\u00eas ou estudante pede ajuda ao governo, lhe fecham a porta. Ou seja, a \u00fanica resposta que eles t\u00eam, normalmente, \u00e9 a repress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u2013 O que voc\u00ea presenciou na noite de 26 de setembro de 2014?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>No contexto que comentei, que as <em>[escolas]<\/em> normais rurais sempre participam dos protestos sociais, naquele 26 de setembro, n\u00f3s <em>[estudantes normalistas]<\/em> est\u00e1vamos reunindo condi\u00e7\u00f5es de log\u00edstica para pedir uma manifesta\u00e7\u00e3o que aconteceria no dia 2 de outubro de 2014. Essa manifesta\u00e7\u00e3o acontece todos os anos, de 1968 at\u00e9 a data de hoje.\u00a0Em 1968, o governo mexicano assassinou muitos manifestantes na Cidade do M\u00e9xico, na capital do pa\u00eds. Ent\u00e3o, todo ano os estudantes se organizam para lembrar essa data. \u00c9 uma luta contra o esquecimento,pela mem\u00f3ria e pela justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Pelo que protestavam em 1968?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Em 1968, os estudantes estavam manifestando contra a viol\u00eancia da pol\u00edcia, mas tamb\u00e9m por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, pela autonomia das universidades e por educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, sobretudo. As demandas eram muito concretas e muito locais. Nem sequer eram uma quest\u00e3o de n\u00edvel nacional. Claro que, quando a pol\u00edcia come\u00e7ou a reprimi-los, virou um movimento nacional. Em 1968, o 2 de outubro foi s\u00f3 um dos ataques brutais que os estudantes sofreram, pois j\u00e1 haviam sofrido ataques nos meses anteriores e nos meses posteriores continuaram os ataques do governo. Ent\u00e3o, se lutava por democratizar a universidade p\u00fablica e para acabar com a viol\u00eancia governamental.<\/p>\n<p><strong>\u2013 O que antecedeu os desaparecimentos e o massacre de Iguala?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013<\/strong> No dia 26 de setembro, os estudantes de Ayotzinapa e de outras universidades estavam tomando \u00f4nibus de empresas para utiliz\u00e1-los durante alguns dias, com o objetivo de atravessar para a Cidade do M\u00e9xico. Uma vez que a manifesta\u00e7\u00e3o terminava, os \u00f4nibus ficavam livres. Muita gente acredita que os sequestramos, mas claro que \u00e9 um acordo com os motoristas e com as empresas. Eles sabem que todos os anos fazemos isso. \u00c9 uma tradi\u00e7\u00e3o. Tratamos bem os motoristas e, inclusive, pagamos a eles o que corresponderia a esses dias <em>[de trabalho]<\/em>. Aos \u00f4nibus cuidamos e fazemos manuten\u00e7\u00e3o. Ou seja, \u00e9 sim uma a\u00e7\u00e3o fora da lei, mas tampouco \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o que justifique a viol\u00eancia do Estado. Sobretudo, porque o Estado tem uma d\u00edvida muito grande com os estudantes desde 1968 e, al\u00e9m disso, no M\u00e9xico h\u00e1 liberdade de express\u00e3o e de manifesta\u00e7\u00e3o. O que aconteceu \u00e9 que quando est\u00e1vamos fazendo isso, a pol\u00edcia nos reprimiu, nos atacou com tiros e matou seis pessoas. Tr\u00eas delas, meus companheiros e outros 43 levaram em suas patrulhas. Desses 43 estudantes, n\u00e3o sabemos nada at\u00e9 hoje. N\u00f3s, os demais, tivemos que correr e buscar ref\u00fagio atr\u00e1s das casas, dos pr\u00e9dios, esconder embaixo dos caminh\u00f5es, \u00f4nibus ou carros e correr pelas montanhas e bosques.\u00a0Eu sou um dos sobreviventes e sou testemunha, junto com os outros sobreviventes, que a pol\u00edcia levou os meus companheiros. E tamb\u00e9m vi o ex\u00e9rcito mexicano naquela noite patrulhando e perseguindo estudantes. Houve muitos feridos, inclusive, um deles meu amigo Edgar, que foi ferido a bala. Atiraram na cara dele e toda a parte da sua boca se desprendeu. E durante todo aquele caos, levando feridos com a gente, a pol\u00edcia nos perseguia e seguia disparando.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Voc\u00eas esperavam essa rea\u00e7\u00e3o dos policiais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Para mim e meus companheiros, foi muito dif\u00edcil aquela noite porque n\u00e3o sab\u00edamos por qual raz\u00e3o estavam nos atacando assim, se nunca haviam feito isso. Quando muito, chegavam a nos bater, nos levavam para a pris\u00e3o, e s\u00f3. Ent\u00e3o, quando n\u00e3o encontramos no dia seguinte os nossos companheiros na pris\u00e3o, come\u00e7amos a entender que se tratava de um desaparecimento for\u00e7ado e que, claro, feito pelas autoridades mexicanas.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Como foi a repercuss\u00e3o do caso entre a sociedade mexicana depois do massacre?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Uma vez que souberam que se tratava dos estudantes de Ayotzinapa e que havia sido a pol\u00edcia que havia nos atacado, a sociedade mexicana saiu \u00e0s ruas a manifestar-se e a exigir que o governo dissesse onde estavam os meninos. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nos deram muita cobertura, os internacionais, sobretudo.\u00a0Pela primeira vez no pa\u00eds se formou um movimento muito grande para denunciar e para exigir que os desaparecimentos for\u00e7ados acabem, que acabe essa pr\u00e1tica de Estado. Come\u00e7aram a surgir mais v\u00edtimas e pessoas buscando covas clandestinas, exigindo que tamb\u00e9m os seus familiares desaparecidos aparecessem. N\u00e3o era a primeira vez que as fam\u00edlias se manifestavam, elas j\u00e1 vinham lutando pelos seus desaparecidos, mas ningu\u00e9m os via, os visibilizava. N\u00e3o havia c\u00e2meras, n\u00e3o havia meios de comunica\u00e7\u00e3o que se interessassem pelo tema. E quando as fam\u00edlias de Ayotzinapa, dos meus companheiros, sa\u00edram fortes e unidas \u00e0s ruas, os estudantes sobreviventes e muitos movimentos da sociedade mexicana tamb\u00e9m sa\u00edram para dizer \u201cj\u00e1 basta\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Qual foi a resposta que o governo de Enrique Pe\u00f1a Neto deu ao caso na \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Quando o governo de Enrique Pe\u00f1a Neto viu a resposta da sociedade, quando viu que o movimento estava muito grande, come\u00e7ou a inventar mentiras sobre o que havia ocorrido aos meios de comunica\u00e7\u00e3o, a quem pagam muito dinheiro. Come\u00e7aram a dizer que os nossos companheiros eram narcotraficantes e que por isso nos haviam atacado. Nosso movimento come\u00e7ou a ser desacreditado e diziam que nossos companheiros j\u00e1 estavam mortos, que haviam sido encontrados em covas clandestinas, que haviam queimado todos os corpos em um lix\u00e3o. A investiga\u00e7\u00e3o se fez muito r\u00e1pida, supostamente eficiente, mas n\u00e3o estava certo, claramente o que buscavam era uma sa\u00edda midi\u00e1tica. Buscavam dizer algo r\u00e1pido \u00e0 sociedade mexicana para desativar o movimento, para conter um pouco o descontentamento social que estava surgindo em torno do caso.\u00a0Sa\u00edram investiga\u00e7\u00f5es muito importantes sobre grandes propriedades at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas do presidente e de sua esposa, e de atos de corrup\u00e7\u00e3o de seus aliados. Come\u00e7aram a surgir outros temas que tamb\u00e9m atingiam o governo de Enrique Pe\u00f1a Neto. O governo tinha toda a sociedade contra ele. Por isso, inventaram que os nossos companheiros haviam morrido. Tudo isso foi mentira porque a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos mostrou as inconsist\u00eancias dessa investiga\u00e7\u00e3o. Para n\u00f3s, a rea\u00e7\u00e3o do governo mexicano foi muito ruim, muito equivocada e muito injusta. Para n\u00f3s foi uma goza\u00e7\u00e3o. Trataram de zombar da intelig\u00eancia do povo mexicano, que tinha certeza que n\u00e3o era assim que havia ocorrido as coisas.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Como est\u00e3o os familiares dos desaparecidos hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013<\/strong> Os familiares dos meus companheiros s\u00e3o camponeses, s\u00e3o donas de casa, n\u00e3o estudaram, vieram do campo e, tampouco, tinham muito conhecimento pol\u00edtico ou estavam envolvidos em movimentos sociais. Por isso, tiveram que aprender e se esfor\u00e7ar para manifestar uma consci\u00eancia social, mas tamb\u00e9m por sua dignidade, para encontrar seus filhos. Tem sido longa a luta dessas fam\u00edlias. S\u00e3o 5 anos de mobiliza\u00e7\u00f5es, de excurs\u00f5es pelo M\u00e9xico e outros pa\u00edses.\u00a0Nesse processo, ocorreram mortes entre os familiares de nossos companheiros, que ficaram doentes ou j\u00e1 estavam doentes e pioraram. Morreram no caminho, sem saber o que passou com seus filhos. Pioravam com o desespero, o estresse, a dor de n\u00e3o encontrar a seus filhos. Tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas diretas dos acontecimentos. Mas ainda assim as fam\u00edlias que continuam aqui seguem firmes com a for\u00e7a que resta para dizer \u201cn\u00e3o vamos nos ajoelhar, n\u00e3o vamos parar, vamos continuar at\u00e9 o final para encontrar os nossos filhos\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Como est\u00e3o as investiga\u00e7\u00f5es hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>As investiga\u00e7\u00f5es com o governo atual n\u00e3o avan\u00e7aram muito. Deram bons sinais, firmou-se um decreto presidencial para que todas as autoridades contribuam com a investiga\u00e7\u00e3o, se confirmou uma comiss\u00e3o para a investiga\u00e7\u00e3o da verdade do caso, se confirmou uma fiscaliza\u00e7\u00e3o especial para ele e voltaram alguns dos especialistas internacionais para continuar a investiga\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma narrativa distinta do governo, j\u00e1 n\u00e3o se criminaliza, j\u00e1 n\u00e3o se desacredita no movimento, pelo contr\u00e1rio, se reconhece que h\u00e1 um problema s\u00e9rio no pa\u00eds que tem que ser resolvido. Ent\u00e3o, eu acredito que h\u00e1 bons sinais, mas ainda h\u00e1 poucos avan\u00e7os.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Voc\u00ea sente que a busca pelos desaparecidos de Ayotzinapa ganhou for\u00e7a ao longo dos anos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013<\/strong> Eu acredito que todos os movimentos crescem e diminuem, segundo as circunst\u00e2ncias pr\u00f3prias do pa\u00eds, das for\u00e7as pol\u00edticas e etc. Nosso movimento foi muito grande nas ruas e isso diminuiu muito. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00ednhamos v\u00ednculos e agora temos. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o gosto de medir nossa for\u00e7a pelas manifesta\u00e7\u00f5es nas ruas. Isso \u00e9 acess\u00f3rio, \u00e9 uma simples demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a. Para mim, o que me satisfaz \u00e9 que hoje as fam\u00edlias t\u00eam muitos v\u00ednculos com muitas pessoas no pa\u00eds e na Am\u00e9rica Latina e no mundo, que as apoiam. E isso \u00e9 o que vai mant\u00ea-las de p\u00e9 por mais tempo, at\u00e9 que se descubra o que aconteceu com os nossos companheiros. Ent\u00e3o, posso dizer que vamos muito bem como movimento social. No entanto, apesar do nosso movimento ser grande, forte e ter uma rede imensa de solidariedade, isso se torna pouco importante quando medimos os resultados. Ou seja, enquanto acharmos que somos grandes, somos pequenos, porque n\u00e3o conseguimos encontr\u00e1-los, n\u00e3o conseguimos saber o que houve com eles.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Quais s\u00e3o as suas expectativas para o governo de Manuel L\u00f3pez Obrador?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013<\/strong> Finalmente chegou um governo de esquerda no pa\u00eds. \u00c9 o primeiro na hist\u00f3ria do M\u00e9xico desde a revolu\u00e7\u00e3o mexicana, desde L\u00e1zaro C\u00e1rdenas, em 1934. H\u00e1 muitas expectativas, muita esperan\u00e7a, muito apoio da popula\u00e7\u00e3o. H\u00e1 tr\u00eas dias, no dia 15 de setembro, uma multid\u00e3o de pessoas saiu em grito de independ\u00eancia em apoio ao presidente. \u00c9 o primeiro que n\u00e3o gritam \u201cassassino\u201d, que n\u00e3o gritam que \u00e9 uma fraude e que chegou ao poder por uma fraude eleitoral. Mas tamb\u00e9m se sabe, pela hist\u00f3ria do M\u00e9xico e pela hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina, que a esquerda falhou muitas vezes. Expectativas muito grandes s\u00e3o criadas, mas realmente n\u00e3o fazem muito. Para o nosso movimento est\u00e1 muito claro que n\u00e3o h\u00e1 como apostar toda a nossa esperan\u00e7a no governo, que devemos manter o movimento nas ruas, com os protestos e o v\u00ednculo com outras for\u00e7as sociais, porque \u00e9 o que pode garantir que o novo governo fa\u00e7a bem as coisas. Se confiarmos demais, podemos cometer um erro.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Voc\u00ea citou um v\u00ednculo com outras for\u00e7as sociais. Isso envolve os zapatistas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Sim. No M\u00e9xico, existem muitos movimentos e muitas for\u00e7as pol\u00edticas. H\u00e1 diferentes refer\u00eancias de luta, a maioria ainda vanguardistas. A esquerda vanguardista sobrevive h\u00e1 muitas d\u00e9cadas e h\u00e1 quem siga lutando pelo socialismo, mas existe outra refer\u00eancia, que s\u00e3o os zapatistas, que nem sequer falam de socialismo ou comunismo, mas da constru\u00e7\u00e3o de autonomia, da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos, da autogest\u00e3o em todas as esferas da vida p\u00fablica. Os zapatistas s\u00e3o um dos maiores movimentos que nos apoiou desde o princ\u00edpio. N\u00f3s sempre fomos bem recebidos em suas comunidades ind\u00edgenas e, junto aos zapatistas, ao Congresso Nacional Ind\u00edgena, por todo o pa\u00eds. Eles nos deram muita visibilidade a n\u00edvel internacional porque os zapatistas tamb\u00e9m t\u00eam muitos coletivos e muitas redes de apoio a n\u00edvel internacional.<\/p>\n<p><strong>\u2013 O que representa a luta dos familiares e sobreviventes de Ayotzinapa para o M\u00e9xico e para o mundo hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013<\/strong> Eu acredito que Ayotzinapa se tornou um exemplo vivo de como os movimentos, mesmo com todas as dificuldades, com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es internas, devem sempre se manter unidos. Para mim, representa muito acompanhar as fam\u00edlias, falar com outras pessoas de outros pa\u00edses porque, ainda que sejam grandes os esfor\u00e7os, ainda que tenham poucos resultados e gerem pouca simpatia e pouca ajuda concreta, representa uma possibilidade de mudar algo no nosso sistema de justi\u00e7a do M\u00e9xico, para que n\u00e3o se volte a repetir um caso como o de Ayotzinapa.\u00a0Tamb\u00e9m quero esclarecer que n\u00e3o se trata s\u00f3 de 43 estudantes, mas de um problema generalizado no pa\u00eds e na Am\u00e9rica Latina, onde milhares de pessoas, l\u00edderes sociais e ativistas s\u00e3o assassinados e desaparecem todos os dias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Manuela Rached Pereira \/ Ponte Jornalismo Omar Garcia relata o que aconteceu h\u00e1 5 anos em Iguala, quando seis pessoas foram mortas e mais de 40 sequestradas pela pol\u00edcia, e fala de resist\u00eancia na Am\u00e9rica Latina J\u00e1 era noite&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":44,"featured_media":931191,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[116,42],"tags":[64655,64658,64659,64656,64657],"class_list":["post-930726","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-direitos-humanos","category-internacional-2","tag-aparato-policial-do-estado","tag-ayotzinapa-pt-pt","tag-iguala-pt-pt","tag-massacre-de-ayotzinapa","tag-massacre-de-tlateloco"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ayotzinapa: \u2018Dos 43 desaparecidos, n\u00e3o sabemos nada at\u00e9 hoje\u2019, diz sobrevivente de massacre no M\u00e9xico<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Por Manuela Rached Pereira \/ Ponte Jornalismo Omar Garcia relata o que aconteceu h\u00e1 5 anos em Iguala, quando seis pessoas foram mortas e mais de 40\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Ayotzinapa: \u2018Dos 43 desaparecidos, n\u00e3o sabemos nada at\u00e9 hoje\u2019, diz sobrevivente de massacre no M\u00e9xico\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Por Manuela Rached Pereira \/ Ponte Jornalismo Omar Garcia relata o que aconteceu h\u00e1 5 anos em Iguala, quando seis pessoas foram mortas e mais de 40\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Pressenza\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaPortugues\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2019-09-30T01:43:52+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Omar-Garcia-Guilherme-Adami.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"983\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"706\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Reda\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@pressenza_pt\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@PressenzaIPA\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Reda\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"16 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/\"},\"author\":{\"name\":\"Reda\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/d171826afb7693cfc394da95892bfd93\"},\"headline\":\"Ayotzinapa: \u2018Dos 43 desaparecidos, n\u00e3o sabemos nada at\u00e9 hoje\u2019, diz sobrevivente de massacre no M\u00e9xico\",\"datePublished\":\"2019-09-30T01:43:52+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/\"},\"wordCount\":3160,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Omar-Garcia-Guilherme-Adami.jpg\",\"keywords\":[\"aparato policial do estado\",\"Ayotzinapa\",\"Iguala\",\"massacre de Ayotzinapa\",\"massacre de Tlateloco\"],\"articleSection\":[\"Direitos Humanos\",\"Internacional\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/\",\"name\":\"Ayotzinapa: \u2018Dos 43 desaparecidos, n\u00e3o sabemos nada at\u00e9 hoje\u2019, diz sobrevivente de massacre no M\u00e9xico\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Omar-Garcia-Guilherme-Adami.jpg\",\"datePublished\":\"2019-09-30T01:43:52+00:00\",\"description\":\"Por Manuela Rached Pereira \/ Ponte Jornalismo Omar Garcia relata o que aconteceu h\u00e1 5 anos em Iguala, quando seis pessoas foram mortas e mais de 40\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Omar-Garcia-Guilherme-Adami.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Omar-Garcia-Guilherme-Adami.jpg\",\"width\":983,\"height\":706},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Accueil\",\"item\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Ayotzinapa: \u2018Dos 43 desaparecidos, n\u00e3o sabemos nada at\u00e9 hoje\u2019, diz sobrevivente de massacre no M\u00e9xico\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\",\"name\":\"Pressenza\",\"description\":\"International Press Agency\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\",\"name\":\"Pressenza\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg\",\"width\":200,\"height\":200,\"caption\":\"Pressenza\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia\",\"https:\/\/x.com\/PressenzaIPA\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/d171826afb7693cfc394da95892bfd93\",\"name\":\"Reda\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo\",\"description\":\"News from the Pressenza bureau in Sao Paulo, Brazil\",\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaPortugues\",\"https:\/\/x.com\/pressenza_pt\"],\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/author\/redaccao-sao-paulo\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Ayotzinapa: \u2018Dos 43 desaparecidos, n\u00e3o sabemos nada at\u00e9 hoje\u2019, diz sobrevivente de massacre no M\u00e9xico","description":"Por Manuela Rached Pereira \/ Ponte Jornalismo Omar Garcia relata o que aconteceu h\u00e1 5 anos em Iguala, quando seis pessoas foram mortas e mais de 40","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Ayotzinapa: \u2018Dos 43 desaparecidos, n\u00e3o sabemos nada at\u00e9 hoje\u2019, diz sobrevivente de massacre no M\u00e9xico","og_description":"Por Manuela Rached Pereira \/ Ponte Jornalismo Omar Garcia relata o que aconteceu h\u00e1 5 anos em Iguala, quando seis pessoas foram mortas e mais de 40","og_url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/","og_site_name":"Pressenza","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaPortugues","article_published_time":"2019-09-30T01:43:52+00:00","og_image":[{"width":983,"height":706,"url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Omar-Garcia-Guilherme-Adami.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Reda\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@pressenza_pt","twitter_site":"@PressenzaIPA","twitter_misc":{"Escrito por":"Reda\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo","Tempo estimado de leitura":"16 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/"},"author":{"name":"Reda\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/d171826afb7693cfc394da95892bfd93"},"headline":"Ayotzinapa: \u2018Dos 43 desaparecidos, n\u00e3o sabemos nada at\u00e9 hoje\u2019, diz sobrevivente de massacre no M\u00e9xico","datePublished":"2019-09-30T01:43:52+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/"},"wordCount":3160,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Omar-Garcia-Guilherme-Adami.jpg","keywords":["aparato policial do estado","Ayotzinapa","Iguala","massacre de Ayotzinapa","massacre de Tlateloco"],"articleSection":["Direitos Humanos","Internacional"],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/","name":"Ayotzinapa: \u2018Dos 43 desaparecidos, n\u00e3o sabemos nada at\u00e9 hoje\u2019, diz sobrevivente de massacre no M\u00e9xico","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Omar-Garcia-Guilherme-Adami.jpg","datePublished":"2019-09-30T01:43:52+00:00","description":"Por Manuela Rached Pereira \/ Ponte Jornalismo Omar Garcia relata o que aconteceu h\u00e1 5 anos em Iguala, quando seis pessoas foram mortas e mais de 40","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Omar-Garcia-Guilherme-Adami.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Omar-Garcia-Guilherme-Adami.jpg","width":983,"height":706},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/ayotzinapa-dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Accueil","item":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Ayotzinapa: \u2018Dos 43 desaparecidos, n\u00e3o sabemos nada at\u00e9 hoje\u2019, diz sobrevivente de massacre no M\u00e9xico"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/","name":"Pressenza","description":"International Press Agency","publisher":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization","name":"Pressenza","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg","width":200,"height":200,"caption":"Pressenza"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia","https:\/\/x.com\/PressenzaIPA"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/d171826afb7693cfc394da95892bfd93","name":"Reda\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo","description":"News from the Pressenza bureau in Sao Paulo, Brazil","sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaPortugues","https:\/\/x.com\/pressenza_pt"],"url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/author\/redaccao-sao-paulo\/"}]}},"place":"S\u00e3o Paulo, Brasil","original_article_url":"https:\/\/ponte.org\/dos-43-desaparecidos-nao-sabemos-nada-ate-hoje-diz-sobrevivente-de-massacre-no-mexico\/","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/930726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=930726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/930726\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/931191"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=930726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=930726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=930726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}