{"id":917272,"date":"2019-09-13T20:26:26","date_gmt":"2019-09-13T19:26:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=917272"},"modified":"2019-09-13T20:26:26","modified_gmt":"2019-09-13T19:26:26","slug":"as-desigualdades-sao-escolhas-ideologicas-entrevista-com-thomas-piketty","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/as-desigualdades-sao-escolhas-ideologicas-entrevista-com-thomas-piketty\/","title":{"rendered":"\u201cAs desigualdades s\u00e3o escolhas ideol\u00f3gicas\u201d. Entrevista com Thomas Piketty"},"content":{"rendered":"<p>A publica\u00e7\u00e3o de uma grande obra de Thomas Piketty, Capital et Id\u00e9ologie, coloca as desigualdades no centro do debate p\u00fablico. La Vie encontrou-se com o economista e refletiu sobre as solu\u00e7\u00f5es que empresas, ONGs e a escola podem oferecer.<\/p>\n<p>A entrevista \u00e9 de Jean-Pierre Denis e Henrik Lindell, publicada por La Vie, 11-09-2019. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 de Andr\u00e9 Langer.<\/p>\n<p>Thomas Piketty n\u00e3o se acha superior. Quando recebe La Vie em seu modesto escrit\u00f3rio na Escola de Economia de Paris, o pop-star da economia n\u00e3o se superestima. Mas ele poderia. Seu livro anterior, O Capital no s\u00e9culo XXI, foi um sucesso estupefaciente ap\u00f3s seu lan\u00e7amento em 2013, a ponto de ser traduzido para 40 idiomas e chegar a 2,5 milh\u00f5es de leitores. De repente, Piketty tornou-se um dos intelectuais mais importantes do mundo.<\/p>\n<p>Com Capital e Ideologia, o pensador \u00e9 reincidente. Em mais de 1.200 p\u00e1ginas braudelianas e alertas, apesar da austera precis\u00e3o das curvas, o autor abra\u00e7a o tempo longo e o planeta inteiro. Ele se baseia na hist\u00f3ria, na sociologia e nas ci\u00eancias pol\u00edticas para desenvolver uma tese paradoxalmente simples, a ponto de poder ser resumida em poucas palavras, o que \u00e9 peculiar aos grandes livros: as desigualdades econ\u00f4micas\u00a0n\u00e3o existem. Em todo caso, elas n\u00e3o t\u00eam nada de natural. Elas resultam das rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a e das escolhas pol\u00edticas que procuramos justificar \u2013 \u00e9 o que o autor chama de \u201cideologia\u201d.<\/p>\n<p>Discuss\u00e3o de sal\u00e3o? N\u00e3o, porque se desde os anos 1980-1990 a mundializa\u00e7\u00e3o tirou centenas de milh\u00f5es de pessoas da pobreza, ela n\u00e3o consegue mais conter o crescimento espetacular das desigualdades. A frustra\u00e7\u00e3o das classes m\u00e9dias est\u00e1 alimentando o populismo. O sistema s\u00f3 pode quebrar. Mas, estima o autor, outros caminhos s\u00e3o poss\u00edveis. Isso o leva a formular propostas radicais e atacar o regime da propriedade com acentos que \u00e0s vezes evocam a doutrina cat\u00f3lica da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o se engane. Piketty n\u00e3o tem nada de consensual. Ele derruba muitas falsas verdades. Por exemplo, quando se afirma que os perdedores da mundializa\u00e7\u00e3o s\u00e3o aqueles que fracassaram em aproveitar as oportunidades da meritocracia e do liberalismo, uma ideia que ele despeda\u00e7a. Ou quando ataca com mordidas, dados de apoio, o desvio dos partidos socialistas ou democratas, que se tornaram o clube dos vencedores do sistema educacional: depois da \u201cesquerda caviar\u201d, bem-vindo \u00e0 \u201cesquerda br\u00e2mane\u201d.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, Piketty \u00e9 federalista e internacionalista, o que n\u00e3o \u00e9 muito a m\u00fasica da \u00e9poca. Ele tamb\u00e9m se mostra um pouco r\u00e1pido em sua argumenta\u00e7\u00e3o contra os \u201cdesvios identit\u00e1rios\u201d, mas em compensa\u00e7\u00e3o seu utopismo tem algo de revigorante.<\/p>\n<p>Resolutamente otimista, portanto, Piketty acredita no \u201cprogresso humano m\u00e9dio\u201d baseado na expectativa de vida ou no acesso \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 escola. Isso faria algu\u00e9m como Stefan Zweig rir amargamente, ele que mostrou desde as primeiras p\u00e1ginas de seu livro Autobiografia. O mundo de ontem (1944) [Jorge Zahar, 2014] como o progresso material e t\u00e9cnico poderia se acomodar em um mergulho na mais extrema barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Ainda podemos, entrando em detalhes \u2013 como, ali\u00e1s, o fizemos \u2013, julgar que esse desenvolvimento n\u00e3o \u00e9 convincente. \u201cCroquignolette\u201d, por exemplo, \u00e9 sua tese segundo a qual se escolheu impor o celibato dos padres na Idade M\u00e9dia para favorecer a acumula\u00e7\u00e3o de capital em favor da Igreja! Isso n\u00e3o tira quase nada da for\u00e7a do livro e da import\u00e2ncia do assunto. Capital e Ideologia divide a \u00e9poca. Ser\u00e1 necess\u00e1rio pensar com, mesmo se quisermos pensar contra.<\/p>\n<p><strong>Eis a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O senhor se interessa pelas desigualdades desde o in\u00edcio da sua carreira universit\u00e1ria. Mas de maneira mais pessoal, de onde vem essa preocupa\u00e7\u00e3o? Uma lembran\u00e7a da inf\u00e2ncia, talvez?<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho sobre as desigualdades est\u00e1 simplesmente no cora\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias sociais. N\u00e3o acho que minhas experi\u00eancias pessoais tenham tido muito impacto sobre o que estou dizendo. Certamente, posso dizer que tenho sorte de ter sido exposto muito cedo a convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Meus av\u00f3s eram cat\u00f3licos e bem marcados \u00e0 direita (mas muito simp\u00e1ticos!), ao passo que meus pais eram inclusive ativistas de extrema esquerda no in\u00edcio dos anos 70. Mas eu nasci em 1971. Tendo completado 18 anos, em 1989, senti-me ficando adulto ao acompanhar pelo r\u00e1dio ao colapso do bloco sovi\u00e9tico. Como estudante, viajei muito pelo Leste Europeu e a R\u00fassia. Eu nunca tive a tenta\u00e7\u00e3o de me tornar comunista.<\/p>\n<p>Aos 25 anos, eu tinha, sem d\u00favida, uma convic\u00e7\u00e3o mais liberal do que hoje. Eu fui marcado, como muitos outros, pelo desastre comunista. No entanto, isso levou a uma mudan\u00e7a ideol\u00f3gica, que deu origem a outros excessos. Em muito pouco tempo, a R\u00fassia passou do sistema sovi\u00e9tico que proibia toda a propriedade privada a uma desigualdade infinita em que os oligarcas se apoderaram do pa\u00eds atrav\u00e9s dos para\u00edsos fiscais, gra\u00e7as a uma extrema toler\u00e2ncia \u00e0 falta de transpar\u00eancia financeira. Ainda hoje, essas grandes mudan\u00e7as ideol\u00f3gicas, que s\u00e3o o assunto do livro, continuam. Minhas pesquisas me tornaram cada vez mais cr\u00edtico do capitalismo. Agora advogo um socialismo participativo.<\/p>\n<p><strong>Seu trabalho \u00e9 muito cr\u00edtico, mas sua filosofia \u00e9 otimista. O senhor acredita no \u201cprogresso humano\u201d, o que n\u00e3o \u00e9 nada \u00f3bvio quando se olha a hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX, marcada por incr\u00edveis realiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e t\u00e9cnicas, mas tamb\u00e9m por duas guerras mundiais e v\u00e1rios genoc\u00eddios&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sim, sou otimista, n\u00e3o acredito em determinismos hist\u00f3ricos, sempre formulados a posteriori, e acredito no progresso. Em momentos de crise pol\u00edtica, v\u00e1rias trajet\u00f3rias s\u00e3o sempre poss\u00edveis. O processo de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/576212-a-esquerda-deve-superar-velhas-concepcoes-de-industrializacao-e-politica-industrial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">industrializa\u00e7\u00e3o<\/a> ocorreu atrav\u00e9s da escravid\u00e3o, do colonialismo e da autodestrui\u00e7\u00e3o genocida das sociedades europeias entre 1914 e 1945. Seria absurdo fingir que essa era a \u00fanica maneira de levar para onde estamos hoje em termos de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<\/p>\n<p>Eu tiro disso duas li\u00e7\u00f5es. Primeiro, que poder\u00edamos ter chegado a isso sem passar pelas fases de regress\u00e3o civilizacional extremamente violentas. Em segundo lugar, que o progresso humano \u00e9 muito fr\u00e1gil, que pode ser destru\u00eddo por falhas desigualit\u00e1rias e identit\u00e1rias, como \u00e9 prov\u00e1vel que ocorra agora. \u00c9 por isso que devemos revisitar constantemente a hist\u00f3ria. Para que o progresso continue. Um progresso que n\u00e3o \u00e9 apenas material, porque inclui a educa\u00e7\u00e3o, o acesso ao conhecimento e \u00e0 cultura.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, vamos revisar a hist\u00f3ria com o senhor. Toda ideologia tem sua parte de verdade, o senhor explica em seu livro. Mesmo as mais desiguais&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>A ideia de que existiam regimes desiguais baseados na for\u00e7a bruta, enquanto as desigualdades atuais se baseariam em crit\u00e9rios aceit\u00e1veis de hipermobilidade e de meritocracia, sempre me pareceu um pouco tola. Toda ideologia desigualit\u00e1ria, por exemplo, o sistema do Antigo Regime, cont\u00e9m um fundo de plausibilidade, um ideal a servi\u00e7o do interesse geral. Cada sociedade tenta dar um sentido \u00e0 exist\u00eancia humana e \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o social. E assim, cada sociedade precisa mostrar que as desigualdades s\u00e3o agenciadas a servi\u00e7o do interesse geral e inclusive a servi\u00e7o dos mais desfavorecidos. E isso nunca \u00e9 pura hipocrisia.<\/p>\n<p>Vejamos a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. As fortes desigualdades estatut\u00e1rias do Antigo Regime, a alta concentra\u00e7\u00e3o de terras nas m\u00e3os da nobreza e da Igreja Cat\u00f3lica provocam uma forte insatisfa\u00e7\u00e3o. Mas realmente n\u00e3o sabemos muito bem como sair pelo alto. A Revolu\u00e7\u00e3o destruiu a Igreja como prestadora de servi\u00e7os educacionais e sociais, mas sem realmente substitu\u00ed-la em seu papel por um Estado social. Atribui-se a ela inclusive uma forma de sacraliza\u00e7\u00e3o da propriedade. Uma sacraliza\u00e7\u00e3o ca\u00e7a a outra. O que d\u00e1 ao s\u00e9culo XIX o que chamo de sociedade proprietarista.<\/p>\n<p>Sua ilustra\u00e7\u00e3o mais extrema manifesta-se na \u00e9poca da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, em 1833 no Reino Unido e em 1848 nas col\u00f4nias francesas. Foi implementada uma compensa\u00e7\u00e3o integral&#8230; para os propriet\u00e1rios. Nenhuma compensa\u00e7\u00e3o para os escravos, que passaram anos trabalhando sem serem pagos! E na \u00e9poca, isso era \u00f3bvio para todos, especialmente para pensadores liberais como Tocqueville. Porque temos muito medo, na aus\u00eancia de compensa\u00e7\u00e3o total dos propriet\u00e1rios, de n\u00e3o saber onde parar e acabar questionando a ordem proprietarista.<\/p>\n<p>O historiador austr\u00edaco Walter Scheidel sustenta que \u00e9, sobretudo, a viol\u00eancia que torna as sociedades mais igualit\u00e1rias. O senhor, pelo contr\u00e1rio, insiste no papel das reformas pac\u00edficas e no papel das ideias.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria nem suficiente. Se eu escolhi escrever livros em vez de fazer guerrilhas, \u00e9 porque tenho a esperan\u00e7a de que o conhecimento e a delibera\u00e7\u00e3o racional possam produzir resultados. Certamente, epis\u00f3dios violentos \u00e0s vezes desempenham um papel redistributivo importante. \u00c9 o caso da Primeira Guerra Mundial. Mas trazer a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades para o s\u00e9culo XX ao efeito cumulativo desse conflito, da revolu\u00e7\u00e3o bolchevique, da crise da d\u00e9cada de 1930 e da Segunda Guerra Mundial seria excessivo. Mesmo se tudo isso tem um papel importante, a verdadeira transforma\u00e7\u00e3o foi, a princ\u00edpio, intelectual, ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Tomemos a Su\u00e9cia, que at\u00e9 1911 era muito mais desigual do que os outros pa\u00edses europeus. Entre 1865 e 1911, este pa\u00eds possu\u00eda um sistema pol\u00edtico incr\u00edvel: os direitos de voto eram proporcionais \u00e0 fortuna, \u00e0 propriedade de cada um. Entre 1815 e 1848 na Fran\u00e7a, apenas o 1% mais rico podia votar. Mas a Su\u00e9cia foi muito al\u00e9m. Era poss\u00edvel que os mais ricos tivessem at\u00e9 100 votos e os menos ricos apenas 1 voto. Ao n\u00edvel municipal, \u00e0s vezes, um \u00fanico indiv\u00edduo possu\u00eda mais da metade dos votos. Este foi o caso do primeiro-ministro da \u00e9poca. Esse sistema criou contradi\u00e7\u00f5es no seio de uma popula\u00e7\u00e3o mais instru\u00edda que a m\u00e9dia da Europa, principalmente gra\u00e7as ao protestantismo, o que levou provavelmente a uma mobiliza\u00e7\u00e3o popular principalmente n\u00e3o violenta.<\/p>\n<p>Os socialdemocratas, que encarnam os mais modestos, chegaram ao poder em 1932 e usaram a capacidade do Estado, projetada para organizar as desigualdades em propor\u00e7\u00e3o \u00e0 fortuna, para colocar o sistema a servi\u00e7o de um projeto muito diferente. Eles obt\u00eam progressos sociais muito importantes. A li\u00e7\u00e3o sueca \u00e9 clara: n\u00e3o h\u00e1, de um lado, culturas que adoram a igualdade e, de outro, aquelas que preferem a desigualdade. Se as desigualdades s\u00e3o escolhas ideol\u00f3gicas, os processos pol\u00edticos podem transformar um regime desigual muito mais rapidamente do que podemos crer.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o impede que o senhor critique profundamente a cegueira dos socialdemocratas.<\/p>\n<p>Hannah Arendt critica os socialdemocratas do per\u00edodo entreguerras por n\u00e3o serem internacionalistas o suficiente, ou apenas em seus discursos. Eles permaneceram trancados no Estado-na\u00e7\u00e3o. A ideologia colonialista, inglesa ou francesa, tem um projeto global de capitalismo, assentado em uma base muito hier\u00e1rquica. O projeto sovi\u00e9tico \u00e9 um messianismo comunista destinado ao grande espa\u00e7o euroasi\u00e1tico. O projeto nazista \u00e9 imperial. Os movimentos socialdemocratas, por sua vez, n\u00e3o conseguem assumir essa dobra p\u00f3s-nacional para regular as for\u00e7as desencadeadas pelo capitalismo. Esta li\u00e7\u00e3o \u00e9 relevante para n\u00f3s hoje.<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Acreditava-se entre 1950 e 1980 que cada Estado-na\u00e7\u00e3o seria capaz de desenvolver um modelo social em seu territ\u00f3rio. E isso funcionou. A partir da d\u00e9cada de 1980, houve a abertura dos fluxos de capital, em parte por boas raz\u00f5es, mas n\u00e3o conseguimos construir padr\u00f5es coletivos de justi\u00e7a tribut\u00e1ria e de regulamenta\u00e7\u00e3o financeira. Isso resultou em uma hiper financeiriza\u00e7\u00e3o e em uma perda de soberania.<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos est\u00e3o ocupados em explicar que apenas as classes populares e m\u00e9dias devem pagar impostos, porque n\u00e3o sabemos o que fazer com as grandes empresas ou as categorias privilegiadas, que s\u00e3o mais ou menos desincumbidas do pagamento de impostos. Isso mina profundamente o contrato social e fiscal sobre o qual o Estado social da era p\u00f3s-guerra se assenta.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas de Hannah Arendt podem ser reformuladas com rela\u00e7\u00e3o aos socialdemocratas do p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial e das \u00faltimas d\u00e9cadas. Apesar de todos os seus sucessos, eles pensavam na mundializa\u00e7\u00e3o apenas como livre circula\u00e7\u00e3o de bens, servi\u00e7os e de capitais, sem impostos em comum e sem solidariedade.<\/p>\n<p>O senhor \u00e9 duro com a esquerda governamental, quer seja americana, brit\u00e2nica ou francesa. Os ataques mais fortes do senhor s\u00e3o contra ela!<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m analiso todos os sucessos das sociedades socialdemocratas. O problema \u00e9 que as esquerdas francesa e inglesa passaram de um sistema em que tudo estava focado na nacionaliza\u00e7\u00e3o para um sistema em que, desde os anos 90, n\u00e3o apenas n\u00e3o h\u00e1 mais nacionaliza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 mais nenhum objetivo de mudan\u00e7a real do sistema. Nem sequer aplicamos os m\u00e9todos dos socialdemocratas alem\u00e3es ou suecos. Por exemplo, desde a d\u00e9cada de 1950, na Alemanha, metade dos direitos de voto nos conselhos de administra\u00e7\u00e3o das grandes empresas s\u00e3o para os representantes dos trabalhadores. Na Su\u00e9cia, \u00e9 um ter\u00e7o. E isso se aplica tamb\u00e9m \u00e0s pequenas e m\u00e9dias empresas.<\/p>\n<p>Mas eu tamb\u00e9m gostaria de insistir sobre a educa\u00e7\u00e3o. Nas d\u00e9cadas de 1950, 1960 e 1970, os partidos socialdemocratas atra\u00edram as vozes dos eleitores menos instru\u00eddos e daqueles com renda mais baixa e n\u00edveis mais baixos de posse patrimonial. Hoje, s\u00e3o as pessoas mais qualificadas que votam neles. Os partidos que apostaram na emancipa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o transformaram-se pouco a pouco nos partidos dos vencedores do sistema educacional. Seus dirigentes, nos Estados Unidos e na Europa, s\u00e3o oriundos cada vez mais das melhores universidades e das carreiras mais seletivas. As pessoas que n\u00e3o tiveram o mesmo sucesso educacional, muitas vezes de origens modestas, t\u00eam a impress\u00e3o de uma forma de abandono.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 a trai\u00e7\u00e3o das elites?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o acuso a esquerda de compl\u00f4. Eu observo um fen\u00f4meno gradual. Quando o projeto era o do ensino prim\u00e1rio, depois o secund\u00e1rio para todos, era mais f\u00e1cil elaborar e financiar um programa educacional igualit\u00e1rio. Isso foi feito e ajudou a reduzir as desigualdades no per\u00edodo p\u00f3s-guerra. N\u00e3o \u00e9, pois, a sacraliza\u00e7\u00e3o da propriedade ou da desigualdade que permite o crescimento, mas a difus\u00e3o dos conhecimentos e dos saberes.<\/p>\n<p>No entanto, a partir da d\u00e9cada de 1980, h\u00e1 uma estagna\u00e7\u00e3o ou mesmo uma diminui\u00e7\u00e3o nos gastos com educa\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 compreens\u00edvel. O n\u00edvel das contribui\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias j\u00e1 era alto. E os custos com sa\u00fade e previd\u00eancia continuaram a aumentar por raz\u00f5es quase incontrol\u00e1veis, relacionados ao aumento da expectativa de vida. Ent\u00e3o, quando se faz economias, isso ocorre em parte na educa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que, ao mesmo tempo, o acesso ao ensino superior est\u00e1 crescendo. Passamos de 10% da popula\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1980 para quase 50% hoje em muitos pa\u00edses. Na Fran\u00e7a, o n\u00famero de estudantes aumentou 20% desde 2008, mas os recursos n\u00e3o acompanharam este ritmo. O investimento por estudante caiu acentuadamente, algo em torno de 10% nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p>Para quem est\u00e1 atr\u00e1s das melhores carreiras, as mais elitistas, as coisas est\u00e3o indo bem. Mas para aqueles a quem foi prometido o sucesso educacional e que se encontram amontoados em salas de aula mal equipadas e para as carreiras tecnol\u00f3gicas, cujo n\u00famero de vagas n\u00e3o aumentou, h\u00e1 um abandono. O sal\u00e1rio m\u00e9dio dos professores, incluindo b\u00f4nus, aumenta acentuadamente com o percentual de alunos favorecidos nas institui\u00e7\u00f5es onde trabalham. O que foi feito na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 compar\u00e1vel ao que foi feito no sistema tribut\u00e1rio do Antigo Regime, quando os impostos eram distribu\u00eddos de maneira pouco transparente. Essa falta de ambi\u00e7\u00e3o em termos de justi\u00e7a educacional, fiscal e social alimenta os desvios identit\u00e1rios.<\/p>\n<p>A esquerda abandonou as classes populares em benef\u00edcio das minorias?<\/p>\n<p>Sinto-me distante desta an\u00e1lise. Nos Estados Unidos, as pessoas explicaram a fuga das classes populares desde a d\u00e9cada de 1960 pelo fato de o Partido Democrata ter se ocupado demais com as minorias negras. De fato, desde o fim da segrega\u00e7\u00e3o, o Partido Republicano, de Nixon\u00a0em 1972, depois Reagan, e Trump\u00a0hoje, tentou capitalizar o eleitorado racista ou aqueles que pensavam que se estava fazendo demais para as pessoas negras. \u00c9 o Partido Republicano que estigmatiza as minorias para prosperar. O mesmo acontece na Fran\u00e7a com a extrema direita e em boa parte da direita.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 que a esquerda tenha sido muito \u201cgentil\u201d com os imigrantes: \u00e9, antes, porque a direita explorou desavergonhadamente o fil\u00e3o racista p\u00f3s-colonial. Em segundo lugar, quando comparamos a evolu\u00e7\u00e3o dos eleitorados socialdemocratas no sentido amplo e o abandono das categorias populares, descobrimos as primeiras tend\u00eancias nos anos 50 nos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m na Europa, onde a clivagem migrat\u00f3ria se desenvolveu muito mais tarde.<\/p>\n<p>Diante disso, eu proponho uma interpreta\u00e7\u00e3o: antes da quest\u00e3o migrat\u00f3ria e identit\u00e1ria, h\u00e1 a quest\u00e3o social. N\u00f3s n\u00e3o fizemos uma revis\u00e3o dos programas de redistribui\u00e7\u00e3o, das quest\u00f5es de excesso de propriedade, da justi\u00e7a tribut\u00e1ria e educacional. E \u00e9 essa falta de ambi\u00e7\u00e3o social que criou o terreno favor\u00e1vel para movimentos racialistas ou antimigrantes.<\/p>\n<p>Mas o que constatamos, acima de tudo, \u00e9 a enorme absten\u00e7\u00e3o eleitoral das classes populares. Em todos os pa\u00edses europeus e nos Estados Unidos, a grande diferen\u00e7a entre o per\u00edodo de 1950 a 1980 e o per\u00edodo de 1990 a 2020 \u00e9 que, no primeiro per\u00edodo, as classes populares eram t\u00e3o ass\u00edduas \u00e0s elei\u00e7\u00f5es quanto as classes mais favorecidas. No segundo per\u00edodo, h\u00e1 um colapso da participa\u00e7\u00e3o das classes populares em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s classes privilegiadas. No entanto, se as classes populares realmente tivessem sido tentadas pela oferta \u201canti-imigrante\u201d, todas elas teriam acorrido \u00e0s urnas.<\/p>\n<p><strong>Numa \u00e9poca em que as na\u00e7\u00f5es se fecham, o senhor defende o internacionalismo. O senhor defende solu\u00e7\u00f5es transnacionais para a tributa\u00e7\u00e3o, o que poucos governos consideram, mesmo em escala europeia. Isso pode parecer quase ing\u00eanuo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo o projeto Brexit\u00a0de Boris Johnson\u00a0situa-se em uma economia mundializada, inserida no mercado mundial. De fato, vivemos uma \u00e9poca que nunca foi t\u00e3o internacionalista, mas sofre de falta de imagina\u00e7\u00e3o. Seguimos pensando que o regime dos anos 1990 \u00e9 a \u00fanica maneira de organizar a mundializa\u00e7\u00e3o, com tratados de livre circula\u00e7\u00e3o de bens, servi\u00e7os e capitais, e nada em troca. Isso \u00e9 uma loucura! Esses tratados s\u00e3o desiguais, eles destroem o planeta e produzem ressentimento. Se h\u00e1 uma ideia ing\u00eanua e at\u00e9 perigosa, \u00e9 pensar que a mundializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser organizada de outra maneira.<\/p>\n<p>Por outro lado, acho que muitas coisas podem ser feitas em escala de Estado-na\u00e7\u00e3o. Podemos superar o capitalismo pela propriedade social, isto \u00e9, pela distribui\u00e7\u00e3o dos direitos de voto nas empresas entre trabalhadores e acionistas. Isso foi feito na Su\u00e9cia e na Alemanha h\u00e1 meio s\u00e9culo. E nos pa\u00edses em quest\u00e3o, as rendas mais altas explodiram menos do que em outros lugares. Mas isso n\u00e3o basta. A Fran\u00e7a e o Reino Unido poderiam come\u00e7ar a aplicar esse modelo, e a Alemanha e a Su\u00e9cia poderiam avan\u00e7ar ainda mais, por exemplo, com o teto dos direitos de voto dos acionistas majorit\u00e1rios. Em seguida, mecanismos poderiam ser implementados em n\u00edvel mundial, pa\u00eds por pa\u00eds.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, o imposto progressivo sobre grandes patrim\u00f4nios deve permitir a circula\u00e7\u00e3o da propriedade e do poder. Podemos desenvolv\u00ea-lo ao n\u00edvel de um \u00fanico pa\u00eds, mesmo se podemos ir mais longe gra\u00e7as \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o internacional. No caso franc\u00eas, cometemos um grande erro com o imposto sobre a fortuna para os investimentos financeiros. Esse imposto, apesar das suas defici\u00eancias \u2013 por ter sido mal administrado \u2013, era importante. Suas receitas, no entanto, aumentaram cinco vezes desde 1990 (de 1 para 5 bilh\u00f5es de euros), muito mais r\u00e1pido que o PIB e os pre\u00e7os dos im\u00f3veis. Portanto, a ideia de que os ativos estavam saindo do pa\u00eds n\u00e3o tem nenhuma fundamenta\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, \u00e9 uma mentira factual.<\/p>\n<p><strong>Como reverter a tend\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>A livre circula\u00e7\u00e3o de capitais foi organizada sem nenhum sistema de troca de informa\u00e7\u00f5es para saber quem \u00e9 o dono do qu\u00ea nos diferentes pa\u00edses, sem qualquer regulamenta\u00e7\u00e3o fiscal ou financeira comum, o que cria uma enorme fragilidade. \u00c9 uma escolha que deveria ser retomada. Os tratados deveriam ser revogados, o que geralmente acontece na hist\u00f3ria. Quando, em 2010, Obama\u00a0amea\u00e7ou os su\u00ed\u00e7os de retirar a licen\u00e7a banc\u00e1ria em territ\u00f3rio americano, caso n\u00e3o transmitissem os nomes dos contribuintes americanos que tinham contas em Genebra, eles cederam rapidamente. Se a Fran\u00e7a ou a Alemanha tivessem feito o mesmo em rela\u00e7\u00e3o a Luxemburgo, ter\u00edamos dito que violavam os tratados europeus&#8230; Salvo que esta \u00e9 a \u00fanica maneira de obter o resultado desejado!<\/p>\n<p>A livre circula\u00e7\u00e3o de bens e capitais n\u00e3o \u00e9 ruim por si s\u00f3. Mas deveria ser um cap\u00edtulo entre outros nos tratados de codesenvolvimento que incluiriam metas identific\u00e1veis, em base a outros crit\u00e9rios, como a justi\u00e7a tribut\u00e1ria e as emiss\u00f5es de carbono. \u00c9 inteiramente poss\u00edvel. Quando queremos verifica\u00e7\u00f5es e san\u00e7\u00f5es contra as viola\u00e7\u00f5es de tratados internacionais, por exemplo, sobre a energia nuclear, sabemos muito bem como faz\u00ea-lo. Mas quando se trata de justi\u00e7a tribut\u00e1ria ou clim\u00e1tica, n\u00e3o sabemos mais&#8230; O Ceta [Acordo Econ\u00f4mico e Comercial de Livre Com\u00e9rcio entre a Uni\u00e3o Europeia e o Canad\u00e1] \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o. Este tratado n\u00e3o estabelece metas de carbono verific\u00e1veis e sancion\u00e1veis. A Europa poderia ter imposto isso ao Canad\u00e1. Receio que nos encontraremos amanh\u00e3 com sa\u00eddas desordenadas dos tratados atuais, sem ter pensado no que vem depois.<\/p>\n<p><strong>O senhor contribuiu para um \u201cmanifesto pela democratiza\u00e7\u00e3o da Europa\u201d, que defende uma tributa\u00e7\u00e3o comum. Como avan\u00e7ar rumo a esse objetivo?<\/strong><\/p>\n<p>Trata-se de convencer as classes populares e m\u00e9dias de que a mundializa\u00e7\u00e3o pode ser organizada em seu benef\u00edcio. Mas o caminho a percorrer \u00e9 enorme. \u00c9 necess\u00e1ria uma assembleia europeia capaz de adotar medidas fortes de justi\u00e7a tribut\u00e1ria, para impor-se \u00e0s rendas mais altas, por exemplo, caso contr\u00e1rio, o div\u00f3rcio se agravar\u00e1. Para o anivers\u00e1rio do Tratado Elys\u00e9e (Tratado Franco-Alem\u00e3o de 1963), Merkel e Macron decidiram criar uma assembleia franco-alem\u00e3: 50 deputados alem\u00e3es e 50 franceses de diferentes grupos pol\u00edticos para discutir temas comuns, como a defesa. Excelente iniciativa! Mas \u00e9 necess\u00e1rio propor essa assembleia tamb\u00e9m \u00e0 It\u00e1lia e a todos os pa\u00edses que desejam entrar nela e, acima de tudo, \u00e9 necess\u00e1rio dar a essa assembleia poderes reais. Por exemplo, sobre a tributa\u00e7\u00e3o. Agindo assim, n\u00e3o vamos destruir a Uni\u00e3o Europeia, mas constru\u00ed-la.<\/p>\n<p><strong>Uma observa\u00e7\u00e3o para terminar. O senhor \u00e9 muito cr\u00edtico com a a\u00e7\u00e3o do presidente Macron, tratando-o, entre outras coisas, como \u201cpr\u00f3-rico\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito factual. O 1% das fam\u00edlias mais ricas tiveram um aumento do poder de compra de 8% entre 2017 e 2019. O 0,1% teve um aumento de 20%. Portanto, dizer que essa pol\u00edtica beneficia os mais ricos me parece ser uma descri\u00e7\u00e3o baseada nos fatos. Al\u00e9m disso, ele financiou essa pol\u00edtica aumentando os impostos sobre a gasolina e a CSG [Contribui\u00e7\u00e3o Social Generalizada] dos aposentados. Pagar mais CSG e impostos no mesmo ano em que voc\u00ea foi informado de que o governo est\u00e1 cortando o imposto sobre as fortunas, como espera que isso acabe?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A publica\u00e7\u00e3o de uma grande obra de Thomas Piketty, Capital et Id\u00e9ologie, coloca as desigualdades no centro do debate p\u00fablico. La Vie encontrou-se com o economista e refletiu sobre as solu\u00e7\u00f5es que empresas, ONGs e a escola podem oferecer. 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