{"id":914116,"date":"2019-09-06T16:54:08","date_gmt":"2019-09-06T15:54:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=914116"},"modified":"2019-09-06T16:54:08","modified_gmt":"2019-09-06T15:54:08","slug":"o-vale-do-silicio-e-o-novo-trabalho-fantasma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/09\/o-vale-do-silicio-e-o-novo-trabalho-fantasma\/","title":{"rendered":"O vale do Sil\u00edcio e o novo trabalho fantasma"},"content":{"rendered":"<p>As <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/592162\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">automatiza\u00e7\u00f5es nas f\u00e1bricas<\/a>\u00a0requerem o trabalho humano para manuten\u00e7\u00e3o ou para afinar os processos que essas realizam. O trabalho de f\u00e1brica, o trabalho por pe\u00e7a e a subcontrata\u00e7\u00e3o foram todos precursores das tarefas 4.0. Esses trabalhos vinham com pouca estabilidade ou apoio, por\u00e9m com muita visibilidade social. Realizadas, em sua maioria, por pessoas as quais segundo o modelo pol\u00edtico de sociedade poderiam ser consideradas prescind\u00edveis. No presente, um <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/585286\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">modelo extrativista, a IA, ter\u00e1 um efeito pior<\/a> devido ao seu car\u00e1ter invis\u00edvel para a maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O centro de um debate deriva de duas vertentes: uma estritamente t\u00e9cnica (engenharia) que se centra em como melhorar vari\u00e1veis cr\u00edticas que condicionam a efic\u00e1cia e a efici\u00eancia desses sistemas com o controle de qualidade ou a detec\u00e7\u00e3o de erros, os incentivos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e os modelos de intera\u00e7\u00e3o segundo o tipo de tarefas. Outra, pol\u00edtica, que tem a ver com os <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/592265\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aspectos \u00e9ticos, laborais, sociais e culturais<\/a>\u00a0ao momento de configurar modelos de vida humana ou extrativista. Dessa \u00faltima, se derivam pr\u00e1ticas que s\u00e3o assim\u00e9tricas para os direitos do trabalhador digital.<\/p>\n<p>As novas tecnologias somente ser\u00e3o uma ajuda para a sociedade se n\u00e3o gerarem maior desigualdade beneficiando a poucos e se esquecendo de muitos.<\/p>\n<p>O artigo \u00e9 de Alfredo Moreno, cientista da computa\u00e7\u00e3o e professor da Universidad Nacional de Moreno, na Argentina, publicado por Alai, 04-09-2019. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 de Wagner Fernandes de Azevedo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se chamam trabalhadores fantasmas porque quase ningu\u00e9m conhece as pessoas que est\u00e3o por tr\u00e1s das tarefas que por vezes parece que \u00e9 feita por uma m\u00e1quina de intelig\u00eancia artificial (IA). Em ingl\u00eas \u00e9 \u201c<em>ghost work<\/em>\u201d e \u00e9 a express\u00e3o que cunhou a antrop\u00f3loga Mary L. Gray para se referir \u00e0s pessoas que realizam tarefas invis\u00edveis como limpar e refinar os dados que alimentam os algoritmos que treinam a IA dentro da Microsoft. Junto \u00e0 Siddhart Suri, um estudioso da intersec\u00e7\u00e3o entre as ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o, a economia comportamentalista e pertencente ao Social Media Collective da Microsoft, em Boston, EUA, um laborat\u00f3rio interdisciplinar orientado por quest\u00f5es sociais, publicaram \u201c<em>Ghost Work: How to Stop Silicon Valley from Building a New Global Underclass<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>No livro, eles argumentam que os entregadores Deliveroo e Glovo ou os motoristas do Uber mal s\u00e3o chamados de trabalhadores fantasmas porque quase ningu\u00e9m conhece as pessoas por tr\u00e1s das tarefas apontadas pelo iceberg. Eles argumentam que o maior gatilho \u00e9 o que \u00e9 conhecido como &#8220;computa\u00e7\u00e3o humana&#8221;.<\/p>\n<p>A computa\u00e7\u00e3o humana \u00e9 uma t\u00e9cnica que deriva ou externaliza grupos massivos de pessoas a certos passos do processo computacional que os computadores n\u00e3o fazem bem, \u00e9 uma esp\u00e9cie de simbiose que busca otimizar a equa\u00e7\u00e3o de habilidade e custos na intera\u00e7\u00e3o homem-m\u00e1quina. Na computa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica o homem utiliza os computadores para resolver problemas, lhe demanda tarefas atrav\u00e9s dos Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o; enquanto que aqui se produz uma troca de papeis dado que \u00e9 o computador mediante <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/589188-os-cercos-do-algoritmo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">algoritmos<\/a> embebidos no software que designa tarefas a grupos de pessoas, e depois coleta, interpreta e integra os resultados que estas lhes enviam.<\/p>\n<p>Um exemplo de \u201ccomputa\u00e7\u00e3o humana\u201d \u00e9 a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/586634\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Netflix<\/a>. O cat\u00e1logo de conte\u00fados necessita de processos que incorporam metadados (tags ou etiquetas que descrevem outros dados) a milhares de s\u00e9ries, filmes, programas de TV, etc. Esses conte\u00fados est\u00e3o em formato original e os metadados que se buscam n\u00e3o podem ser obtidos de forma autom\u00e1tica por um computador. Tem que haver uma pessoa que visualize os conte\u00fados e defina as tag que os descrevem.<\/p>\n<p>A computa\u00e7\u00e3o humana se baseia em um software (programa) que converte a an\u00e1lise das imagens em microtarefas realizadas por pessoas, para depois oferece-las em uma plataforma (<em>marketplace<\/em>) em troca de micropagamento.<\/p>\n<p>Os trabalhadores interessados baixam as imagens ou conte\u00fado, as analisam e sobem os metadados \u00e0 plataforma. Depois o programa processa e agrega toda a informa\u00e7\u00e3o aportada pelos participantes para conseguir o resultado que buscava: a cataloga\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados para oferecer aos usu\u00e1rios da plataforma de v\u00eddeo <em>on demand<\/em>.<\/p>\n<p>Outra aplica\u00e7\u00e3o s\u00e3o os tradutores de idiomas autom\u00e1ticos como Google Tradutor, que traduz de 26 idiomas. Esse servi\u00e7o emprega pessoas com forma\u00e7\u00e3o em lingu\u00edstica e idiomas para trabalhar nos \u201cbastidores on-line\u201d em forma invis\u00edvel.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, os <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/591161\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>humanos<\/strong> seguem sendo mais eficazes que as m\u00e1quinas<\/a> para algumas tarefas. Por exemplo: classificar fotos, detectar erros, taxonomizar documentos com fins arquiv\u00edsticos, introduzir tags, realizar desenhos, buscar informa\u00e7\u00e3o sobre determinados produtos, verificar endere\u00e7os em guias de neg\u00f3cios, definir relev\u00e2ncia ou rankings em resultados de buscas pela Internet, transcrever textos escritos \u00e0 m\u00e3o, realizar tradu\u00e7\u00f5es, e claro, gerar conte\u00fados sobre determinados temas. Ademais, se realizam tarefas mais subjetivas como valorizar os sentimentos ou emo\u00e7\u00f5es que geram tu\u00edtes, blogs, coment\u00e1rios, filmes ou programas pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Os processos de \u201ccomputa\u00e7\u00e3o humana\u201d s\u00e3o tamb\u00e9m uma modalidade de \u201c<em>Crowdsourcing<\/em>\u201d, que consistem em propor atividades, desafios e problemas a quantidades massivas de colaboradores externos para que os solucionem em troca de algum benef\u00edcio. Uma pr\u00e1tica muito Vale do Sil\u00edcio, empregada dentro das l\u00f3gicas de inova\u00e7\u00e3o aberta. Proposta como processos de criatividade e aprendizagem coletiva; \u00e9 uma estrat\u00e9gia encoberta das empresas para gerar mecanismos de auto-explora\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios que participam nesses processos sem se dar conta que a verdadeira inten\u00e7\u00e3o \u00e9 baratear a m\u00e3o de obra que requer o trabalho.<\/p>\n<h3>A vida 4.0\u00a0 Motorizadas por las GAFAM (Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft)<\/h3>\n<p>H\u00e1 alguns anos, a\u00a0Microsoft come\u00e7ou a recrutar pesquisadores do mundo das ci\u00eancias sociais para analisar o impacto das tecnologias na sociedade. \u201cSe deram conta de que os produtos e entornos que estavam construindo tinham a ver mais com a sociedade que com o indiv\u00edduo\u201d, afirma Gray em reportagens, em raz\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o do livro <em>Ghost Work<\/em>.<\/p>\n<p>Depois de come\u00e7ar a trabalhar na Microsoft, Gray\u00a0notou que v\u00e1rios de seus novos companheiros usavam as plataformas de <em>crowdsourcing<\/em>, como Amazon Mechanical Turk. Atendiam a essas plataformas \u201cpara qualquer coisa, desde treinar sistemas de aprendizagem autom\u00e1tica a etiquetas para reconhecimento de imagens\u201d. Descobriu que a IA funciona gra\u00e7as a essas pessoas que, na sombra, realizam as tarefas que a tecnologia n\u00e3o \u00e9 capaz.<\/p>\n<p>Mechanical Turk tem como objetivo que o acesso \u00e0 intelig\u00eancia humana seja simples, escal\u00e1vel e rent\u00e1vel. As empresas ou os desenvolvedores que necessitem que lhes fa\u00e7am \u201cTarefas de Intelig\u00eancia Humana\u201d ou \u201c<em>HITs<\/em>\u201d (segundo suas siglas em ingl\u00eas) podem utilizar as potentes API (Interface de Programa\u00e7\u00e3o de Aplica\u00e7\u00f5es) da Mechanical Turk para acessar a milhares de empregados sob medida, de alta qualidade, de baixo custo e de todo o mundo e, ainda, integrar mediante programa\u00e7\u00e3o (software) os resultados de tal trabalho diretamente em seus processos e sistemas empresariais. Essas plataformas de \u201c<em>outsourcing<\/em>\u201d (terceiriza\u00e7\u00e3o) s\u00e3o conhecidas como <em>crowdsourcing<\/em>.<\/p>\n<p>O futuro do trabalho, j\u00e1 est\u00e1 aqui, protagonizado pela nova \u201ceconomia\u201d dos servi\u00e7os sob demanda, baseados em software, se caracteriza por <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/589409\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">longas jornadas de trabalho mal pagas com aus\u00eancia de leis trabalhistas<\/a>, deixam trabalhadores com alta forma\u00e7\u00e3o profissional e trabalhadores para servi\u00e7os b\u00e1sicos \u00e0 intemp\u00e9rie. O fator comum em que esses trabalhos est\u00e3o \u00e0 sombra, sem defini\u00e7\u00e3o e oculta aos consumidores (cidad\u00e3os) que se beneficiam dela, propiciando as condi\u00e7\u00f5es para um trabalho sem direitos praticamente pr\u00e9-capitalista.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas que configuraram o modelo neoliberal da economia e a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, produz desocupados, o modelo \u201cempreendedor\u201d configura um contexto laboral darwiniano produzindo sub-ocupa\u00e7\u00e3o e limita\u00e7\u00f5es de mobilidade das pessoas. A isso lhes oferecem \u201cnovas oportunidades econ\u00f4micas\u201d como alternativa \u00e0s restri\u00e7\u00f5es do mercado e mobilidade na vida privada. Concretamente, s\u00e3o os que ganham a vida ou buscam melhorar suas rendas mediante empregos espor\u00e1dicos que encontram em plataformas de trabalho <em>on demand<\/em>, como Uber, Glovo, Pedidos Ya, Rappi, Amazon Mechanical Turk, entre outras.<\/p>\n<h3>Educa\u00e7\u00e3o e mercado digital<\/h3>\n<p>Microsoft Corp. anunciou novas associa\u00e7\u00f5es com institui\u00e7\u00f5es globais de educa\u00e7\u00e3o superior para alinhar e integrar os programas e credenciais de habilidades t\u00e9cnicas da Microsoft para ajudar a fazer frente \u00e0 crescente brecha de talento do s\u00e9culo XXI. Os programas de habilidades preparam para os empregos do amanh\u00e3 com tecnologias muito requeridas em campos como a intelig\u00eancia artificial (IA), ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o, ciberseguran\u00e7a e ci\u00eancia de dados.<\/p>\n<p>Ao redor do mundo, j\u00e1 uma crescente brecha de habilidades que amea\u00e7a inibir o crescimento econ\u00f4mico para trabalhadores, neg\u00f3cios e governos. De acordo com a pesquisa Talent Shortage de Manpower, cerca de 45% dos empregadores relatam que a escassez de habilidades ter\u00e1 um impacto negativo em seus neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Os convencidos dessa \u201cnova pedagogia\u201d pregam que o uso dos cursos da Microsoft por col\u00e9gios e universidades brindar\u00e1 op\u00e7\u00f5es educativas rent\u00e1veis para os estudantes, para lhes ajudar a adquirir as habilidades necess\u00e1rias para encher a iminente brecha de habilidades que emerge na economia global.<\/p>\n<p>\u201cA incr\u00edvel transforma\u00e7\u00e3o da qual somos testemunhas sobre o trabalho do s\u00e9culo XXI clama para que as organiza\u00e7\u00f5es, governos, institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o superior, empregadores, e o setor n\u00e3o lucrativo, fa\u00e7am frente a um dos desafios fundamentais de nosso tempo: fechar a brecha de habilidades atrav\u00e9s do ensino, treinamento e prepara\u00e7\u00e3o dos trabalhadores para os empregos do amanh\u00e3\u201d, sustenta Karen Kocher, gerente geral de empregos, habilidade e empregabilidade do s\u00e9culo XXI na Microsoft.<\/p>\n<p>Entre as primeiras institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o superior que colaborar\u00e3o com a Microsoft est\u00e3o:<\/p>\n<p>Bellevue College, que oferece um modelo mesclado e de aprendizagem flex\u00edvel em IA, big data, ci\u00eancia de dados e ciberseguran\u00e7a baseado nos cursos da Microsoft.<\/p>\n<p>A Universidade Global Purdue dar\u00e1 cr\u00e9dito para uma gradua\u00e7\u00e3o completa quando os estudantes terminarem os programas de habilidades t\u00e9cnicas da Microsoft em \u00e1reas como IA, ciberseguran\u00e7a, ci\u00eancia de dados e mais.<\/p>\n<p>A Escola de Economia e Ci\u00eancia Pol\u00edtica de Londres integra habilidades e conhecimento em ci\u00eancia dos dados nos planos de estudo dos estudantes do primeiro ano.<\/p>\n<p>A Universidade Staffordshire entrega cursos da Microsoft em sua popula\u00e7\u00e3o de estudantes, e integra m\u00f3dulos como parte de seu programa de empregabilidade \u201cStaffordshire Award\u201d.<\/p>\n<p>A Universidade de Londres integra o Microsoft Professional Program in Data Science em seus novos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia dos Dados.<\/p>\n<h3>A redefini\u00e7\u00e3o do mundo digital<\/h3>\n<p>Constru\u00edmos o seguinte quadro onde tentamos mostrar que a origem do Vale do Sil\u00edcio tamb\u00e9m esteve associada ao setor educativo, como estrat\u00e9gia desde onde estabelecer e sustentar a transforma\u00e7\u00e3o digital inicial.<\/p>\n<p>Ao criar programas mistos de aprendizagem, que incluem os programas de habilidades t\u00e9cnicas da Microsoft, as institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o superior orientam os estudantes e trabalhadores a conseguirem credenciais da ind\u00fastria e cr\u00e9ditos universit\u00e1rios ao mesmo tempo, ademais de apoio a aquisi\u00e7\u00e3o de habilidades por parte dos estudantes para lhes ajudar a acessar novas oportunidades com a tecnologia mais recente na transformadora for\u00e7a de trabalho da atualidade. Preparam os trabalhadores para postos de trabalho de alta demanda frente \u00e0 tecnologia, como <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/561306\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ci\u00eancia de dados<\/a>, engenharia em IA e <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/559801\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">administra\u00e7\u00e3o de Internet das Coisas<\/a> (IoT).<\/p>\n<p>\u201cNossa miss\u00e3o na Universidade de Londres \u00e9 desenvolver graduados conscientes, inovadores e aptos para o emprego a n\u00edvel internacional\u201d, comentou a professora Mary Stiasny OBE, vice-chanceler profissional (internacional) na Universidade de Londres. \u201cQuando nossos estudantes trabalham para a conquista desse fim antes de entrar ao trabalho, conseguimos nossa miss\u00e3o e nossos estudantes podem ter \u00eaxito. Por essa raz\u00e3o, estamos em particular emocionados sobre nossa colabora\u00e7\u00e3o com a Microsoft e seu potencial de ajudar nossos estudantes a cumprir e superar as mutantes necessidades do mundo do trabalho do s\u00e9culo XXI\u201d.<\/p>\n<p>Somente as tarefas de marca\u00e7\u00e3o de tags relacionadas com a <strong>IA<\/strong>\u00a0sup\u00f5e um mercado global de mais de 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares ao fim de 2023, segundo um relat\u00f3ria de <strong>Cognilytica<\/strong>.<\/p>\n<p>Esses trabalhos potencializam os sistemas, os websites e os aplicativos de IA que todos usamos e damos por garantidos. TripAdvisor, Match.com, Google, Twitter, Facebook, Netflix, Google Tradutor ou a pr\u00f3pria Microsoft s\u00e3o algumas das empresas mais conhecidas que geram servi\u00e7os <em>on demand<\/em>\u00a0nessas plataformas.<\/p>\n<p>\u201cCada dia surgem novas companhias com modelos de neg\u00f3cio que dependem delas. Esse tipo de trabalho n\u00e3o somente est\u00e1 aumentando, mas sim que se traduz, de fato, em uma reorganiza\u00e7\u00e3o mais ampla e profunda do emprego em si\u201d, todas as <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/582010\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">leis de prote\u00e7\u00e3o do trabalhador<\/a>, desde as leis de trabalho infantil at\u00e9 as pautas de seguran\u00e7a trabalhista, ficam desfocadas nos contratos trabalhistas na internet, asseguram Gray e Suri.<\/p>\n<p>Dado que esse trabalho n\u00e3o se ajusta a nenhuma classifica\u00e7\u00e3o contemplada na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, os acordos de termos de servi\u00e7o para plataformas de servi\u00e7os globais s\u00e3o similares aos quadros de di\u00e1logo, em que todos aceitamos para instalar ou atualizar nossos aplicativos e softwares.<\/p>\n<p>A economia sob demanda gera valor e corta custos das empresas. No processo, elimina as formas de estabilidade, seguran\u00e7a e pertencimento sindical associadas aos gastos gerais do emprego a tempo completo.<\/p>\n<p>A tecnologia n\u00e3o gera desigualdade, n\u00e3o s\u00e3o nem boas, nem m\u00e1s, somente que n\u00e3o s\u00e3o inocentes. As decis\u00f5es pol\u00edticas do impulso Vale do Sil\u00edcio, respondem a um modelo de sociedade concentrada nos servi\u00e7os das <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/586251\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">GAFAM<\/a>, esse modelo na automatiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 gerando desigualdade e instabilidade trabalhista.<\/p>\n<p>A tecnologia avan\u00e7a e cada vez consegue ter menos depend\u00eancia dos humanos em trabalhos mec\u00e2nicos. No entanto, esse mesmo avan\u00e7o est\u00e1 gerando agora outros novos servi\u00e7os para que se volte a necessitar da ajuda humana. A esse fato recursivo se denomina \u201co paradoxo da \u00faltima milha da automatiza\u00e7\u00e3o\u201d, o desejo neoliberal de eliminar o trabalho humano que sempre gera novas tarefas para os humanos.<\/p>\n<p>As automatiza\u00e7\u00f5es nas f\u00e1bricas requerem o trabalho humano para manuten\u00e7\u00e3o ou para afinar os processos que essas realizam. O trabalho de f\u00e1brica, o trabalho por pe\u00e7a e a subcontrata\u00e7\u00e3o foram todos precursores das tarefas 4.0. Esses trabalhos vinham com pouca estabilidade ou apoio, por\u00e9m com muita visibilidade social. Realizadas, em sua maioria, por pessoas as quais segundo o modelo pol\u00edtico de sociedade poderiam considerar prescind\u00edveis. No presente, um modelo extrativista, a IA, ter\u00e1 um efeito pior devido ao seu car\u00e1ter invis\u00edvel para a maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O centro de um debate deriva de duas vertentes: uma estritamente t\u00e9cnica (engenharia) que se centra em como melhorar vari\u00e1veis cr\u00edticas que condicionam a efic\u00e1cia e a efici\u00eancia desses sistemas com o controle de qualidade ou a detec\u00e7\u00e3o de erros, os incentivos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e os modelos de intera\u00e7\u00e3o segundo o tipo de tarefas. Outra, pol\u00edtica, que tem a ver com os aspectos \u00e9ticos, laborais, sociais e culturais ao momento de configurar modelos de vida humana ou extrativista. Dessa \u00faltima, se derivam pr\u00e1ticas que s\u00e3o assim\u00e9tricas para os direitos do trabalhador digital.<\/p>\n<p>As novas tecnologias somente ser\u00e3o uma ajuda para a sociedade se n\u00e3o gerarem maior desigualdade beneficiando a poucos e se esquecendo de muitos.<\/p>\n<h3>Crowdworkers: assimetrias na qualifica\u00e7\u00e3o profissional<\/h3>\n<p>O relat\u00f3rio sobre \u201cAs plataformas digitais e o futuro do trabalho\u201d apresentado pela OIT mostra os resultados da pesquisa realizada sobre <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/582712\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">condi\u00e7\u00f5es de trabalho<\/a> entre 3500 trabalhadores que residem em 75 pa\u00edses de todo o mundo e que trabalham em cinco plataformas angl\u00f3fonas dedicadas \u00e0 atribui\u00e7\u00e3o de microtarefas. Essas plataformas s\u00e3o digitais e d\u00e3o \u00e0s empresas e a outros clientes acesso a uma for\u00e7a de trabalho extensa e flex\u00edvel (o \u201c<em>crowd<\/em>\u201d) para executarem tarefas geralmente de pouca envergadura que podem ser realizadas a dist\u00e2ncia fazendo uso de um computador e de internet.<\/p>\n<p>Trata-se de servi\u00e7os que v\u00e3o desde a identifica\u00e7\u00e3o, transcri\u00e7\u00e3o e anota\u00e7\u00e3o de imagens at\u00e9 a modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fados, recopila\u00e7\u00e3o e processamento de dados, passando pela transcri\u00e7\u00e3o de \u00e1udio e v\u00eddeo, e tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas plataformas, os clientes publicam pacotes de tarefas que devem ser completados, enquanto que os trabalhadores selecionam tarefas e recebem um pagamento por cada tarefa que realizam. O pagamento que recebem os trabalhadores corresponde ao pre\u00e7o indicado pelo cliente menos a comiss\u00e3o que cobram as plataformas.<\/p>\n<p>As plataformas digitais de trabalho dedicadas \u00e0 atribui\u00e7\u00e3o de microtarefas consideram que seus trabalhadores s\u00e3o independentes, com o qual os privam as prote\u00e7\u00f5es dispostas nas legisla\u00e7\u00f5es trabalhistas e em mat\u00e9ria de seguridade social e direitos sociais.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas plataformas est\u00e3o dispostas em seus \u201ctermos de servi\u00e7o\u201d, que os trabalhadores devem aceitar para come\u00e7ar a realizar tarefas. Nesses documentos se disp\u00f5e como e quando ser\u00e3o remunerados os trabalhadores, como ser\u00e3o avaliados e de que recursos disp\u00f5em ou carecem em caso de problemas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da OIT caracteriza quem s\u00e3o os trabalhadores das plataformas digitais da seguinte maneira:<\/p>\n<p>&#8211; Nesta modalidade de trabalho, trabalhadores de todas as idades participam. A idade m\u00e9dia dos participantes da pesquisa \u00e9 de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/584662\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">33 anos<\/a>.<br \/>\n&#8211; Existe uma <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/589573\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">diferen\u00e7a importante de g\u00eanero<\/a> na propens\u00e3o a realizar esse tipo de trabalho: apenas um em cada tr\u00eas trabalhadores \u00e9 mulher. Esse n\u00famero \u00e9 menor nos pa\u00edses em desenvolvimento, onde apenas um em cada cinco trabalhadores \u00e9 mulher.<br \/>\n&#8211; Os trabalhadores da plataforma digital t\u00eam altos n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o: menos de 18% tinham ensino m\u00e9dio ou menos, enquanto um quarto dos participantes obteve um certificado t\u00e9cnico ou concluiu estudos universit\u00e1rios, 37% conclu\u00edram uma gradua\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria e 20% era formado.<br \/>\n&#8211; Entre os <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/589802\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">participantes com diploma universit\u00e1rio<\/a>, 57% estudaram ci\u00eancia ou tecnologia (12% em ci\u00eancias naturais ou medicina, 23% em engenharia e 22% em ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o) e 25% economia, Finan\u00e7as ou contabilidade.<br \/>\n&#8211; 56% dos entrevistados realizam esse tipo de trabalho h\u00e1 mais de um ano e 29% t\u00eam uma experi\u00eancia de mais de tr\u00eas anos<\/p>\n<p>As raz\u00f5es para trabalhar em plataformas digitais levantadas no relat\u00f3rio da OIT mostram que:<\/p>\n<p>Os dois motivos mais recorrentes foram \u201ccomplementar a remunera\u00e7\u00e3o recebida por outros trabalhos\u201d (32%) e \u201cprefer\u00eancia por trabalhar de casa\u201d (22%).<\/p>\n<p>Uma cartografia laboral em constru\u00e7\u00e3o mostra que os trabalhadores dedicam em m\u00e9dia 20 minutos de atividades n\u00e3o remuneradas por cada hora de trabalho remunerado. As atividades n\u00e3o remuneradas incluem a busca de tarefas,\u00a0 provas de qualifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o remuneradas, a verifica\u00e7\u00e3o dos antecedentes dos clientes para evitar fraudes e a reda\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es.<\/p>\n<p>88% dos entrevistados afirmaram que desejariam realizar, em m\u00e9dia, 11,6 horas semanais a mais de trabalho nas plataformas. Em m\u00e9dia, os trabalhadores realizam 24,5 horas semanais desse tipo de trabalho, das quais 18,6 s\u00e3o remuneradas e 6,2 n\u00e3o s\u00e3o remuneradas.<\/p>\n<p>58% dos participantes declarou que n\u00e3o havia servi\u00e7os suficientes dispon\u00edveis, enquanto que 17% respondeu que n\u00e3o encontrou tarefas o suficientemente bem-remuneradas.<\/p>\n<p>A insufici\u00eancia de tarefas faz com que esse tipo de trabalhadores busque trabalho em outras plataformas. Em efeito, quase metade dos entrevistados afirmou que havia trabalhado em mais de uma plataforma. 21% havia trabalhado em tr\u00eas ou mais plataformas. N\u00e3o obstante, 51% dos entrevistados afirmou que somente havia trabalhado em uma plataforma devido aos elevados custos iniciais e de transa\u00e7\u00e3o que requer participar em v\u00e1rias plataformas.<\/p>\n<p>Mesmo assim, mais de 60% dos participantes respondeu que desejava ter mais trabalho em outras modalidades, o qual p\u00f5e de manifesto elevados n\u00edveis de subemprego. Por \u00faltimo, 41% buscava ativamente emprego em outras modalidades.<\/p>\n<h3>A maioria dos trabalhadores da plataforma digital depende economicamente da renda que obt\u00e9m com esse tipo de trabalho<\/h3>\n<p>Cerca de 32% dos entrevistados disseram que o trabalho em plataformas \u00e9 sua principal fonte de renda. Nesse grupo, a renda obtida por essa modalidade representava 59% de sua renda total, seguida pela renda de seus c\u00f4njuges (22%) e emprego secund\u00e1rio (8%).<\/p>\n<p>No caso dos outros entrevistados, essa modalidade geralmente gera a mesma propor\u00e7\u00e3o de renda que o emprego principal (36% cada), complementada pela renda dos c\u00f4njuges (18%) e outras fontes de renda (9%).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/567551\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Trabalho flex\u00edvel<\/a>, mas com hor\u00e1rios n\u00e3o convencionais, a maioria dos participantes disse que aprecia a possibilidade de decidir seus pr\u00f3prios hor\u00e1rios e trabalhar em casa.<\/p>\n<p>No entanto, muitos deles trabalham em hor\u00e1rios n\u00e3o convencionais. De fato, enquanto 36% trabalhavam sete dias por semana, 43% trabalhavam \u00e0 noite e 68% trabalhavam \u00e0 tarde (das 18:00 \u00e0s 22:00), ou porque essas horas correspondiam a per\u00edodo de publica\u00e7\u00e3o de tarefas (ou devido a diferen\u00e7as de hor\u00e1rio) ou devido a outros compromissos. Eles combinaram esse tipo de trabalho com responsabilidades de cuidados de terceiros, e um em cada cinco tinha pelo menos um filho entre 0 e 5 anos sob seus cuidados. No entanto, os participantes passaram uma m\u00e9dia de 20 horas por semana nas plataformas, cinco horas a menos que a m\u00e9dia de toda a amostra, e a maioria o fez durante a noite.<\/p>\n<p>A assimetria profissional mostra nos resultados da pesquisa uma inadequa\u00e7\u00e3o de qualifica\u00e7\u00f5es e uma aus\u00eancia de promo\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>Os<strong> participantes da pesquisa<\/strong> nomearam as seguintes atividades como as que realizavam com maior frequ\u00eancia: responder a pesquisas e participar de experimentos (65%), consultar conte\u00fado em websites (46%), recopilar dados (35%) e transcri\u00e7\u00e3o (32%).<\/p>\n<p>Um a cada cinco entrevistados mencionou que frequentemente realizava atividades de cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e reda\u00e7\u00e3o, enquanto que 8% apontou que participada em tarefas relacionadas com <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/569179\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">treinamento de intelig\u00eancia artificial<\/a>.<\/p>\n<p>A maioria das microtarefas s\u00e3o simples e repetitivas e n\u00e3o somente coincidem com os elevados n\u00edveis de estudos dos trabalhadores das plataformas.<\/p>\n<p>Se trata de trabalho muito valioso para v\u00e1rias companhias do clube GAFAM que somente se caracteriza por remunera\u00e7\u00f5es inferiores ao sal\u00e1rio m\u00ednimo, fluxos imprescind\u00edveis de renda e a aus\u00eancia de prote\u00e7\u00f5es trabalhistas que somente se observa em uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho t\u00edpica. N\u00e3o obstante, nenhum desses resultados negativos \u00e9 inerente a essa modalidade de trabalho ou \u00e0s microtarefas.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es para reconfigurar as modalidades do microtrabalho para melhorar as condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com as pol\u00edticas trabalhistas dos Estados onde atuam.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, algumas iniciativas do setor foram promovidas para incentivar as plataformas e os clientes para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Como exemplo, podemos citar: Turkopticon, um site e complemento para a plataforma Amazon Mechanical Turk (AMT) que permite que os clientes publiquem tarefas a serem avaliadas; Dynamo Guidelines for Academic Requesters on AMT (Diretrizes Dynamo para candidatos acad\u00eamicos na plataforma AMT); o site FairCrowdWork.org; e Crowdsourcing Code of Conduct (C\u00f3digo de Conduta para externaliza\u00e7\u00e3o de tarefas), um compromisso volunt\u00e1rio iniciado nas plataformas alem\u00e3s. Al\u00e9m disso, algumas plataformas criaram, em colabora\u00e7\u00e3o com o IG Metall, um escrit\u00f3rio do ombudsman ao qual os trabalhadores podem denunciar disputas com os operadores de plataforma.<\/p>\n<p>Embora sejam iniciativas promissoras, a escala do desafio de regular esse tipo de trabalho disperso em todo o mundo n\u00e3o deve ser subestimada. Atualmente, n\u00e3o h\u00e1 regulamenta\u00e7\u00e3o estatal sobre plataformas de trabalho digitais, mas as plataformas t\u00eam suas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de trabalho em seus termos de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da OIT apresenta 18 propostas em vista de garantir um trabalho decente nas plataformas digitais de trabalho, as mesmas:<\/p>\n<p>1. Outorgar um status adequados aos trabalhadores<br \/>\n2. Permitir que esses tipos de trabalhadores exer\u00e7am seus direitos \u00e0 liberdade de associa\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o coletiva<br \/>\n3. Garantir o sal\u00e1rio m\u00ednimo aplic\u00e1vel do pa\u00eds de resid\u00eancia dos trabalhadores<br \/>\n4. Garantir transpar\u00eancia nos pagamentos e comiss\u00f5es cobrados pelas plataformas<br \/>\n5. Garantir que os trabalhadores possam rejeitar tarefas<br \/>\n6. Cobrir os custos do trabalho perdido devido a problemas t\u00e9cnicos na plataforma<br \/>\n7. Adotar regras r\u00edgidas e justas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aus\u00eancia de pagamentos<br \/>\n8. Garantir que os termos de servi\u00e7o sejam escritos de forma clara e concisa<br \/>\n9. Informar os trabalhadores das raz\u00f5es pelas avalia\u00e7\u00f5es negativas que recebem<br \/>\n10. Adotar e aplicar c\u00f3digos de conduta claros a todos os usu\u00e1rios da plataforma;<br \/>\n11. Garantir que os trabalhadores possam recorrer \u00e0 falta de pagamento, avalia\u00e7\u00f5es negativas, resultados de testes, acusa\u00e7\u00f5es de viola\u00e7\u00f5es do c\u00f3digo de conduta e suspens\u00e3o de contas<br \/>\n12. Criar sistemas para a avalia\u00e7\u00e3o de clientes t\u00e3o abrangentes quanto os da avalia\u00e7\u00e3o de trabalhadores<br \/>\n13. Certificar-se de que as instru\u00e7\u00f5es sejam claras e validadas antes de publicar qualquer trabalho<br \/>\n14. Permitir que os trabalhadores possam consultar e exportar o trabalho leg\u00edveis para humanos e computadores e seu hist\u00f3rico a qualquer momento<br \/>\n15. Permitir que os trabalhadores estabele\u00e7am uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho com o cliente fora da plataforma sem pagar uma taxa desproporcional<br \/>\n16. Garantir que os clientes e operadores de plataforma respondam r\u00e1pida, educada e substancialmente \u00e0s comunica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores<br \/>\n17. Informar os trabalhadores sobre a identidade de seus clientes e o objetivo das tarefas<br \/>\n18. Indicar clara e coerentemente as tarefas que podem causar estresse psicol\u00f3gico ou que podem causar danos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m inclui tr\u00eas recomenda\u00e7\u00f5es para adaptar os sistemas de prote\u00e7\u00e3o social de maneira que os trabalhadores das plataformas digitais estejam cobertos:<\/p>\n<p>1. Adaptar os mecanismo de seguridade social para que cubram os trabalhadores em todas as modalidades de emprego, independentemente do tipo de contrato;<br \/>\n2. Fazer uso da tecnologia para simplificar os pagamentos de cotiza\u00e7\u00f5es e benef\u00edcios;<br \/>\n3. Criar e fortalecer mecanismos universais e financiados com impostos de prote\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<h3>Argentina, 13 de abril de 2019<\/h3>\n<p>Ramiro Cayola, da prov\u00edncia de Quilmes, em Buenos Aires, trabalhava para a empresa de entrega Rappi, morreu ap\u00f3s ser atropelado por um caminh\u00e3o no bairro de Retiro, em Buenos Aires. Do gr\u00eamio Asociaci\u00f3n Personal de Plataformas (APP), eles relataram que Cayola Camacho trabalhava para a Rappi e disseram que testemunhas do atropelamento indicaram que, enquanto a per\u00edcia estava sendo realizada, o celular do jovem soava insistentemente com pedidos e que entre seus pertences estava o cart\u00e3o que a empresa fornece aos entregadores para fazer pagamentos.<\/p>\n<p>Na esperan\u00e7a de um ar novo e bom diante da possibilidade de um governo que promova pol\u00edticas estatais para proteger os trabalhadores, o relat\u00f3rio da OIT \u00e9 uma base a partir da qual se adicionam contribui\u00e7\u00f5es a a\u00e7\u00f5es e debates destinados a &#8220;inflamar a economia&#8221; em benef\u00edcio dos argentinos. Que assim seja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As automatiza\u00e7\u00f5es nas f\u00e1bricas\u00a0requerem o trabalho humano para manuten\u00e7\u00e3o ou para afinar os processos que essas realizam. 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