{"id":91146,"date":"2014-03-04T21:47:01","date_gmt":"2014-03-04T21:47:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pressenza.com\/?p=91146"},"modified":"2014-03-05T13:01:21","modified_gmt":"2014-03-05T13:01:21","slug":"chomsky-sobre-precarizacao-trabalho-e-da-educacao-na-universidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2014\/03\/chomsky-sobre-precarizacao-trabalho-e-da-educacao-na-universidade\/","title":{"rendered":"Chomsky: Sobre a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e da educa\u00e7\u00e3o na universidade"},"content":{"rendered":"<p>O crescimento da contrata\u00e7\u00e3o de tempor\u00e1rios nas universidades dos EUA \u00e9 parte de um modelo de neg\u00f3cios projetado para reduzir os custos do trabalho.<\/p>\n<p>Por Noam Chomsky<\/p>\n<p>O que se segue \u00e9 uma transcri\u00e7\u00e3o editada de observa\u00e7\u00f5es feitas por Noam Chomsky via Skype, no dia 4 de fevereiro de 2014, a membros e apoiadores da Adjunct Faculty Association [NT] do Sindicato dos Metal\u00fargicos, em Pittsburgh. As observa\u00e7\u00f5es de Chomsky foram provocadas por perguntas feitas por Robin Clarke, Adam Davis, David Hoinski, Maria Somma, Robin J. Sowards, Matthew Ussia e Josu\u00e9 Zelesnick. A transcri\u00e7\u00e3o ficou a cargo de Robin J. Sowards e foi editada pelo pr\u00f3prio Chomsky.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre o modelo de contrata\u00e7\u00e3o de professores<\/strong><\/p>\n<p>Isso faz parte do atual modelo de neg\u00f3cios. \u00c9 o mesmo que ocorre com a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores tempor\u00e1rios na ind\u00fastria ou com o que eles chamam de &#8220;associados&#8221; na Wal-Mart, funcion\u00e1rios que n\u00e3o tem direito a benef\u00edcios. \u00c9 parte de um modelo de neg\u00f3cios privados projetado para reduzir os custos do trabalho e aumentar o servilismo no trabalho. A transforma\u00e7\u00e3o das universidades em corpora\u00e7\u00f5es, como tem ocorrido sistematicamente ao longo da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, como parte do assalto neoliberal geral sobre a popula\u00e7\u00e3o, veio acompanhada de um modelo de neg\u00f3cios onde o que importa \u00e9 o lucro no final do balan\u00e7o.<\/p>\n<p>Os verdadeiros propriet\u00e1rios s\u00e3o os gerentes (ou legisladores, no caso das universidades estaduais) e eles querem manter os custos baixos e assegurar que o trabalho seja d\u00f3cil e obediente. A melhor maneira de fazer isso \u00e9, fundamentalmente, contratar tempor\u00e1rios. Assim como a contrata\u00e7\u00e3o de tempor\u00e1rios foi se disseminando na sociedade no per\u00edodo neoliberal, o mesmo fen\u00f4meno ocorreu nas universidades. A ideia \u00e9 dividir a sociedade em dois grupos. Um grupo \u00e9 \u00e0s vezes chamado de \u201cplutonomia\u201d (plutonomy, um termo usado pelo Citibank para aconselhar seus investidores sobre onde aplicar seus recursos), o setor top da riqueza, concentrado principalmente nos Estados Unidos. O outro grupo, o restante da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 um \u201cprecariado\u201d, as pessoas que vivem uma exist\u00eancia prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>Esta ideia, por vezes, torna-se bastante evidente. Quando Alan Greenspan testemunhou perante o Congresso, em 1997, sobre as maravilhas da economia, ele disse diretamente que uma das bases para o seu sucesso econ\u00f4mico era o que ele chamou de \u201cmaior inseguran\u00e7a dos trabalhadores\u201d. Se os trabalhadores s\u00e3o mais inseguros, isso \u00e9 muito \u201csaud\u00e1vel\u201d para socieadade, porque eles n\u00e3o ficar perguntando sobre seus sal\u00e1rios, n\u00e3o v\u00e3o entrar em greve, n\u00e3o v\u00e3o pedir reparti\u00e7\u00e3o de lucros, e v\u00e3o servir a seus patr\u00f5es de bom grado e de forma passiva. E isso \u00e9 \u00f3timo para a sa\u00fade econ\u00f4mica das empresas.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, todo mundo achou o coment\u00e1rio de Greenspan muito razo\u00e1vel, a julgar pela falta de rea\u00e7\u00e3o e pelo grande sucesso que ele gozava. Vamos transferir isso para as universidades: como garantir \u201cmaior inseguran\u00e7a dos trabalhadores\u201d? Fundamentalmente, n\u00e3o garantindo o emprego, mantendo as pessoas penduradas em um galho que pode ser serrado a qualquer momento, de modo que elas saibam que \u00e9 melhor calar a boca, receber pequenos sal\u00e1rios, fazer o seu trabalho e se forem agraciados com a autoriza\u00e7\u00e3o para servir em condi\u00e7\u00f5es miser\u00e1veis por mais um ano, devem se contentar com isso e n\u00e3o pedir nada a mais. Essa \u00e9 a receita das corpora\u00e7\u00f5es para manter uma sociedade eficiente e est\u00e1vel. Como a suniversidades se moveram na dire\u00e7\u00e3o desse modelo de neg\u00f3cios, a precariedade \u00e9 exatamente o que est\u00e1 sendo imposto. E n\u00f3s vamos ver mais e mais do mesmo.<\/p>\n<p>H\u00e1 outros aspectos que tamb\u00e9m s\u00e3o bastante conhecidos na ind\u00fastria privada, como um grande aumento dos n\u00edveis de administra\u00e7\u00e3o e burocracia. Afinal, se voc\u00ea precisa controlar as pessoas, precisa ter uma for\u00e7a administrativa que fa\u00e7a isso. Assim, nas empresas dos EUA, mais do que em outros lugares, h\u00e1 sucessivos n\u00edveis de administra\u00e7\u00e3o, uma forma de desperd\u00edcio econ\u00f4mico, mas \u00fatil para o controle e a domina\u00e7\u00e3o. O mesmo ocorre em muitas universidades. Nos \u00faltimos 30, 40 anos, houve um aumento muito acentuado da propor\u00e7\u00e3o de administradores em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de professores e alunos. O n\u00edvel de professores e alunos at\u00e9 aumentou, mas o de administradores subiu mais proporcionalmente.<\/p>\n<p>H\u00e1 um livro muito bom sobre esse tema, escrito por um conhecido soci\u00f3logo, Benjamin Ginsberg, chamado \u201cThe Fall of the Faculty: The Rise of the All-Administrative University and Why It Matters\u201d (Oxford University Press, 2011), que descreve em detalhes esse estilo de administra\u00e7\u00e3o com seus diversos n\u00edveis de administradores que, \u00e9 claro, s\u00e3o muito bem pagos. Isso inclui os administradores profissionais, como os reitores, por exemplo, que costumavam ser membros do corpo docente que eram deslocados por alguns anos para exercer atividade administrativa e, depois, voltavam para seus afazeres acad\u00eamicos. Agora, na maioria dos casos, eles s\u00e3o profissionais que contratam sub-reitores e secret\u00e1rios, fazendo proliferar toda uma estrutura administrativa. Esse \u00e9 outro aspecto importante do atual modelo de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Mas o uso de m\u00e3o-de-obra barata e fragilizada no trabalho \u00e9 uma pr\u00e1tica t\u00e3o antiga quanto a iniciativa privada e os sindicatos surgiram em resposta a ela. Nas universidades, trabalho vulner\u00e1vel e barato significa professores auxiliares e estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Alunos de gradua\u00e7\u00e3o s\u00e3o ainda mais vulner\u00e1veis, por raz\u00f5es \u00f3bvias. A ideia \u00e9 transferir as atividades universit\u00e1rias aos trabalhadores prec\u00e1rios, o que melhora a disciplina e o controle, e tamb\u00e9m permite a transfer\u00eancia de recursos para outras finalidades que n\u00e3o a educa\u00e7\u00e3o. Os custos, naturalmente, s\u00e3o arcados pelos estudantes e pelas pessoas que s\u00e3o atra\u00eddas para estas ocupa\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis. \u00c9 uma caracter\u00edstica normal dessa sociedade de gest\u00e3o de neg\u00f3cios transferir os custos para o povo.<\/p>\n<p>Os economistas cooperam com esse esquema. Suponha que voc\u00ea encontre um erro em sua conta corrente e ligue para o banco para tentar corrigi-lo. Bem, voc\u00ea sabe o que acontece. Vai telefonar e ouvir\u00e1 uma mensagem gravada dizendo: \u201cN\u00f3s amamos voc\u00ea, aqui est\u00e1 um menu de op\u00e7\u00f5es\u201d. Talvez esse menu tenha o que voc\u00ea est\u00e1 procurando, talvez n\u00e3o. Se acontecer de voc\u00ea encontrar a op\u00e7\u00e3o correta, ouvir\u00e1 alguma m\u00fasica e, de vez em quando, uma voz dir\u00e1: \u201cAguarde, por favor, enquanto transferimos a sua liga\u00e7\u00e3o\u201d. Finalmente, passado algum tempo, voc\u00ea at\u00e9 poder\u00e1 ser atendido por um ser humano a quem poder\u00e1 fazer uma breve pergunta. Os economistas chamam isso de \u201cefici\u00eancia\u201d, um sistema que reduz custos trabalhistas para o banco. \u00c9 claro que imp\u00f5e custos para voc\u00ea e esses custos s\u00e3o multiplicados pelo n\u00famero de usu\u00e1rios, que pode ser enorme, mas que n\u00e3o \u00e9 contado como um custo no c\u00e1lculo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea olhar o modo como a socieade funciona, ver\u00e1 esse tipo de pr\u00e1tica em todo lugar. Assim, a universidade imp\u00f5e custos aos alunos e professores que n\u00e3o s\u00e3o apenas tempor\u00e1rios, mas colocados em um modelo que garante que eles n\u00e3o ter\u00e3o seguran\u00e7a. Tudo isso \u00e9 perfeitamente normal dentro de modelos de neg\u00f3cios corporativos. \u00c9 prejudicial para a educa\u00e7\u00e3o, mas a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 seu objetivo.<\/p>\n<p>Na verdade, se olharmos para mais longe, veremos que as ra\u00edzes desse modelo s\u00e3o mais profundas ainda. Se voltarmos para o in\u00edcio dos anos 1970, quando muitas dessas coisas atuais come\u00e7aram, havia muita precoupa\u00e7\u00e3o em praticamente todo o espectro pol\u00edtico sobre os temas do ativismo dos anos 1960.<\/p>\n<p>Essa \u00e9poca foi chamada de \u201cera dos problemas\u201d, porque o pa\u00eds estava finando civilizado, e isso \u00e9 periogoso. As pessoas estavam se tornando politicamente engajadas e estavam tentando conquistar direitos para grupos com os chamados \u201cinteresses especiais\u201d, como as mulheres, os trabalhadores, os agricultores, os jovens, os idosos, e assim por diante. Isso levou a uma rea\u00e7\u00e3o grave, o que foi muito evidente.<\/p>\n<p>No final liberal do espectro pol\u00edtico, h\u00e1 um livro chamado The Crisis of Democracy: On the Governability of Democracies (New York University Press, 1975 &#8211; Crise da Democracia: Sobre a Governabilidade das Democracias), um relat\u00f3rio elaborado por Michel Crozier, Samuel P. Huntington e Joji Watanuki para a Comiss\u00e3o Trilateral, uma organiza\u00e7\u00e3o de liberais internacionalistas. O governo Carter saiu praticamente todo de suas fileiras. Eles estavam preocupados com o que chamavam de \u201ccrise da democracia\u201d. Para eles, o problema \u00e9 que havia um \u201cexcesso de democracia\u201d. Na d\u00e9cada de 1960, havia press\u00f5es partindo de diversos setores da popula\u00e7\u00e3o, esses \u201cinteresses especiais\u201d que referi, para tentar obter direitos na arena pol\u00edtica. Para os autores, estava se colocando muita press\u00e3o sobre o Estado e isso era errado. Havia um \u201cinteresse especial\u201d que eles deixaram de fora, que era o do setor empresarial. Mas esse interesse, para eles, se confundia com o \u201cinteresse nacional\u201d de que n\u00e3o seria o caso de falar dele.<\/p>\n<p>Os demais \u201cinteresses especiais\u201d estavam causando problemas e esses autores disseram: \u201cn\u00f3s temos que ter mais modera\u00e7\u00e3o na democracia\u201d, o p\u00fablico tem de voltar a ser passivo e ap\u00e1tico. Eles estavam particularmente preocupados com as escolas e as universidades, que n\u00e3o estavam fazendo devidamente seu trabalho de \u201cdoutrinar os jovens\u201d. O ativismo estudantil, sua participa\u00e7\u00e3o nos movimentos de direitos civis, anti-guerra, feminista, ambiental, entre outros, mostrava que os jovens n\u00e3o estavam sendo doutrinados corretamente.<\/p>\n<p>Como se doutrina os jovens? H\u00e1 certo n\u00famero de modos de fazer isso. Um deles \u00e9 sobrecarreg\u00e1-los com uma d\u00edvida irremediavelmente pesada. A d\u00edvida \u00e9 uma armadilha, especialmente a d\u00edvida do estudante, que \u00e9 enorme, muito maior do que a d\u00edvida do cart\u00e3o de cr\u00e9dito. \u00c9 uma armadilha para o resto de sua vida, porque as leis s\u00e3o projetadas para que voc\u00ea n\u00e3o fique de fora. Se uma empresa, por exemplo, fica muito endividada, ela pode declarar fal\u00eancia, mas os indiv\u00edduos quase nunca podem se aliviar de uma d\u00edvida por meio da fal\u00eancia. Eles podem at\u00e9 mesmo tirar sua seguridade social se voc\u00ea n\u00e3o pagar. Essa \u00e9 uma t\u00e9cnica disciplinar. Eu n\u00e3o digo que foi conscientemente produzida para ter esse efeito, mas certamente tem esse efeito.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil argumentar que h\u00e1 algum fundamento econ\u00f4mico para ele. Basta dar uma olhada pelo mundo: na maioria dos casos, o ensino superior \u00e9 gratuito. Em pa\u00edses com os mais elevados \u00edndices de educa\u00e7\u00e3o, como a Finl\u00e2ndia, o ensino superior \u00e9 gratuito. Em um pa\u00eds capitalista rico bem sucedido como a Alemanha, \u00e9 gratuito. No M\u00e9xico, um pa\u00eds pobre, com padr\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o bastante decentes considerando as dificuldades econ\u00f4micas que enfrentam, \u00e9 gratuito. Agora olhe para os Estados Unidos: se voltarmos para os anos 1940 e 50, veremos que o ensino superior estava muito perto da gratuidade. O GI Bill deu educa\u00e7\u00e3o gratuita para um grande n\u00famero de pessoas que, sem isso, nunca teria conseguido ir para a faculdade.<\/p>\n<p>Foi muito bom para eles, para a economia e para a sociedade, sendo uma das raz\u00f5es para a elevada taxa de crescimento econ\u00f4mico naquele per\u00edodo. Mesmo em faculdades particulares, a educa\u00e7\u00e3o era muito perto de ser gratuita. Eu fui para a faculdade, em 1945, em uma universidade da Ivy League, a Universidade da Pensilv\u00e2nia, onde a taxa de matr\u00edcula foi de US$ 100. Isso talvez desse US$ 800 d\u00f3lares hoje. E foi muito f\u00e1cil obter uma bolsa de estudos. Ent\u00e3o era poss\u00edvel morar em casa, trabalhar e ir para a escola sem grandes gastos. Hoje a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ultrajante. Tenho netos na faculdade que t\u00eam que pagar sua matr\u00edcula e trabalhar, o que \u00e9 quase imposs\u00edvel. Para os alunos essa \u00e9 uma t\u00e9cnica disciplinar.<\/p>\n<p>Outra t\u00e9cnica de doutrina\u00e7\u00e3o \u00e9 cortar o contato entre o aluno e o professor. Isso se faz com turmas grandes, professores tempor\u00e1rios que est\u00e3o sobrecarregados e mal conseguem sobreviver com seu sal\u00e1rio. E uma vez que voc\u00ea n\u00e3o tem nenhuma estabilidade no emprego n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel construir uma carreira. Voc\u00ea n\u00e3o pode seguir em frente e planejar evoluir na carreira. Estas s\u00e3o todas t\u00e9cnicas de disciplina, doutrina\u00e7\u00e3o e controle.<\/p>\n<p>\u00c9 muito parecido com o que voc\u00ea esperaria encontrar em uma f\u00e1brica, onde os trabalhadores t\u00eam que ser disciplinados para serem odebientes e n\u00e3o, por exemplo, para desempenhar um papel na organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o ou do local de trabalho. Essas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o exclusivas dos gerentes. Pois esse modelo foi transportado para as universidades. E creio que n\u00e3o deve surpreender ningu\u00e9m, que j\u00e1 teve alguma experi\u00eancia com a iniciativa privada, a forma como funcionam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre como o ensino superior deve ser<\/strong><\/p>\n<p>Antes de tudo, devemos deixar de lado qualquer ideia de que houve algo como uma \u201cidade de ouro\u201d. As coisas eram diferentes e, em certo sentido, melhores no passado, mas longe de setem perfeitas. As universidades tradicionais eram extremamente hierarquizadas, com muito pouca participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na tomada de decis\u00f5es. Uma parte do ativismo dos anos 1960 queria justamente tentar democratizar as universidades, incluindo, por exemplo, representantes dos estudantes nas comiss\u00f5es do corpo docente. Esses esfor\u00e7os tiveram algum grau de sucesso. A maioria das universidades tem algum grau de participa\u00e7\u00e3o dos estudantes nas decis\u00f5es da institui\u00e7\u00e3o. Penso que dever\u00edamos nos mover nesta dire\u00e7\u00e3o: uma institui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, onde as pessoas envolvidas (professores, alunos e funcion\u00e1rios) participam na defini\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas da institui\u00e7\u00e3o e de como elas s\u00e3o exectutadas. E o mesmo deveria valer para uma f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Estas n\u00e3o s\u00e3o ideias radicais, devo dizer. Elas v\u00eam diretamente da tradi\u00e7\u00e3o do liberalismo cl\u00e1ssico. Se lermos, por exemplo, John Stuart Mill, uma figura importante dessa tradi\u00e7\u00e3o, veremos que ele concordava com a ideia de que os locais de trabalho deveriam ser administrados pelas pessoas que trabalham neles. Isso seria sin\u00f4nimo de liberdade e democracia (ver, por exemplo, de John Stuart Mill, Princ\u00edpios de Economia Pol\u00edtica, livro 4, cap.7)<\/p>\n<p>Podemos encontrar essas mesmas ideias nos Estados Unidos. Tomemos o caso dos Cavaleiros do Trabalho (Knights of Labor, primeira organiza\u00e7\u00e3o trabalhista nacional importante da hist\u00f3ria dos EUA, fundada em 1869 &#8211; NT). Um de seus objetivos declarados era \u201cestabelecer institui\u00e7\u00f5es cooperativas, que tender\u00e3o a substituir o sistema de sal\u00e1rios com a intordu\u00e7\u00e3o de um sistema industrial cooperativado\u201d. Ou ainda em algu\u00e9m como John Dewey, fil\u00f3sofo \u201cmainstream\u201ddo s\u00e9culo 20, que defendeu n\u00e3o s\u00f3 uma educa\u00e7\u00e3o voltada a desenvolver a independ\u00eancia criativa nas escolas, mas tamb\u00e9m o controle das ind\u00fastrias pelos trabalhadores, o que ele chamou de \u201cdemocracia industrial\u201d.<\/p>\n<p>Para Dewey, enquanto as institui\u00e7\u00f5es cruciais da sociedade (como produ\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio, transporte e m\u00eddia) n\u00e3o estiverem sob o controle democr\u00e1tico, ent\u00e3o a \u201cpol\u00edtica (ser\u00e1) a sombra projetada sobre a sociedade pelos grandes neg\u00f3cios\u201d (\u201cA Necessidade de um novo partido\u201d, 1931). Essa ideia quase elementar, que tem ra\u00edzes profundas na hist\u00f3ria dos Estados Unidos e no liberalismo cl\u00e1ssico, deveria ser uma esp\u00e9cie de segunda natureza para as pessoas que trabalham e ser aplicada igualmente para as universidades.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas decis\u00f5es em uma universidade onde n\u00e3o \u00e9 o caso de ter (transpar\u00eancia democr\u00e1tica) porque, por exemplo, \u00e9 preciso preservar a privacidade do aluno. Existem v\u00e1rios tipos de quest\u00f5es sens\u00edveis, mas na maioria da atividade normal da universidade n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para a democracia direta n\u00e3o ser considerada leg\u00edtima e \u00fatil. No meu departamento, por exemplo, por 40 anos tivemos representantes dos estudantes participando de reuni\u00f5es do departamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&#8220;Governan\u00e7a compartilhada&#8221; e controle dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>A universidade \u00e9, provavelmente, a institui\u00e7\u00e3o em nossa sociedade que est\u00e1 mais pr\u00f3xima da ideia de um controle democr\u00e1tico dos trabalhadores. Dentro de um departamento, por exemplo, \u00e9 normal que um professor possa determinar uma parte substancial de como ser\u00e1 seu trabalho: o que vai ensinar, quando, como deve ser o curr\u00edculo. A maioria das decis\u00f5es sobre o trabalho real do departamento passa pelos professores. H\u00e1, \u00e9 claro, um n\u00edvel superior de quest\u00f5es que n\u00e3o fica sob seu controle. Pode-se indicar algu\u00e9m para lecionar, digamos, e essa recomenda\u00e7\u00e3o pode ser rejeitada pelos reitores ou administradores. Isso n\u00e3o acontece com muita frequ\u00eancia, mas pode acontecer. E isso sempre tem a ver com quest\u00f5es mais estruturais que, embora sempre tenham existido, representavam um problema menor quando os professores participam da administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sob sistemas representativos, voc\u00ea tem que ter algu\u00e9m fazendo o trabalho administrativo, mas esses mandatos devem ser revog\u00e1veis em algum momento. Isso ocorre cada vez menos. Existem cada vez mais administradores profissionais, em v\u00e1rios n\u00edveis, tomando decis\u00f5es cada vez mais distantes do controle do corpo docente. Eu mencionei antes o livro \u201cThe Fall of the Faculty\u201d, de Benjamin Ginsberg, que entra em muitos detalhes sobre como isso funciona em universidades como John\u2019s Hopkins, Cornell e algumas outras.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o corpo docente se v\u00ea cada vez mais reduzido \u00e0 categoria de trabalhadores tempor\u00e1rios que t\u00eam a garantia de uma exist\u00eancia prec\u00e1ria, sem perspectiva de evoluir na carreira. Eu tenho conhecidos que s\u00e3o efetivamente professores permanentes, mas eles n\u00e3o t\u00eam esse status na pr\u00e1tica, tendo de se aplicar a cada ano de modo a serem nomeados novamente. Essas coisas n\u00e3o deveriam acontecer. E a situa\u00e7\u00e3o dos auxiliares foi institucionalizada: eles n\u00e3o fazem parte do corpo de tomada de decis\u00f5es e n\u00e3o tem seguran\u00e7a no emprego, o que s\u00f3 amplia o problema. Esse pessoal tamb\u00e9m deveria ser integrado ao processo de tomada de decis\u00f5es, uma vez que fazem parte da universidade.<\/p>\n<p>Portanto, h\u00e1 muito o qu\u00ea fazer, mas podemos entender facilmente porque essas tend\u00eancias est\u00e3o se desenvolvendo. Isso tem a ver com a imposi\u00e7\u00e3o de um modelo de neg\u00f3cio em quase todos os aspectos da vida. \u00c9 a ideologia neoliberal sob a qual a maior parte do mundo tem vivido h\u00e1 40 anos. Ela \u00e9 muito prejudicial para as pessoas e n\u00e3o encontra resist\u00eancia na maioria dos casos. S\u00f3 duas regi\u00f5es conseguiram escapar dela: a \u00c1sia Oriental, onde ela nunca predominou, e a Am\u00e9rica do Sul, nos \u00faltimos 15 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre a alegada necessidade de \u201cflexibilidade\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cFlexibilidade\u201d \u00e9 um termo que \u00e9 muito familiar para os trabalhadores na ind\u00fastria. Parte daquilo que costuma ser chamado de \u201creforma trabalhista\u201d consiste em fazer o trabalho mais \u201cflex\u00edvel\u201d, ou seja, fazer com que seja mais f\u00e1cil contratar e demitir pessoas. \u00c9, mais uma vez, uma forma de garantir a maximiza\u00e7\u00e3o de lucro e de controle. \u201cFlexibilidade\u201d, supostamente, \u00e9 uma coisa boa, assim como a \u201cmaior inseguran\u00e7a dos trabalhadores\u201d. Deixando de lado a ind\u00fastria, onde \u00e9 exatamente isso o que ocorre mesmo, mas universidades n\u00e3o h\u00e1 justificativa para esse tipo de pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Consideremos o caso de um curso com baixo n\u00famero de matriculados. Isso n\u00e3o \u00e9 um grande problema. Uma de minhas filhas ensina em uma universidade e me disse que sua carga hor\u00e1ria sofrer\u00e1 altera\u00e7\u00e3o porque um dos cursos que estava sendo oferecido teve poucos matriculados. Ok, o mundo n\u00e3o acaba por causa disso. O professor ou professora pode dar um curso com uma metodologia diferente ou buscar outra alternativa. As pessoas n\u00e3o t\u00eam que ser jogadas fora ou ficar inseguras por causa da varia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de alunos matriculados em um curso. H\u00e1 v\u00e1rias possibilidades de ajuste para essa situa\u00e7\u00e3o. A ideia de que o trbaalho deve atender \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de \u201cflexibilidade\u201d \u00e9 apenas mais uma t\u00e9cnica padr\u00e3o de controle e domina\u00e7\u00e3o. Por que n\u00e3o dizer que os administradores devem ser jogados fora se n\u00e3o h\u00e1 nada para se fazer naquele semestre? A mesma situa\u00e7\u00e3o se aplica aos altos executivos das ind\u00fastrias: se o trabalho tem que ser flex\u00edvel, o que dizer da gest\u00e3o? A maioria deles \u00e9 bastante in\u00fatil ou at\u00e9 prejudicial. Ent\u00e3o vamos nos livrar deles. E voc\u00ea pode continuar assim.<\/p>\n<p>Para tomar uma not\u00edcia dos \u00faltimos dias, que tal Jamie Dimon, CEO do banco JP Morgan Chase? Ele teve um aumento bastante substancial, quase o dobro de seu sal\u00e1rio, por gratid\u00e3o por ter salvo o banco de acusa\u00e7\u00f5es criminais que teriam levado seus executivos para a cadeia. Conseguiram escapar com apenas US$ 20 bilh\u00f5es em multas por atividades criminosas. Bem, eu posso imaginar que se livrar de algu\u00e9m assim pode ser \u00fatil para a economia. Mas n\u00e3o \u00e9 disso que as pessoas est\u00e3o falando quando falam sobre a \u201creforma trabalhista\u201d. S\u00e3o as pessoas que trabalham que devem sofrer. Devem sofrer por ter um trabalho inseguro, por n\u00e3o ter certeza sobre de onde sair\u00e1 o p\u00e3o de amanh\u00e3. Por isso, devem ser disciplinadas e obedientes e n\u00e3o fazer perguntas ou pedir por seus direitos. Essa \u00e9 a maneira pela qual os sistemas tir\u00e2nicos operam. E o mundo dos neg\u00f3cios \u00e9 um sistema tir\u00e2nico. Quando essa l\u00f3gica \u00e9 imposta \u00e0s universidades, ela refletir\u00e1 as mesmas ideiais. Isso n\u00e3o \u00e9 nenhum segredo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre a finalidade da educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Estes debates remontam ao Iluminismo, quando as quest\u00f5es de ensino superior e educa\u00e7\u00e3o de massa estavam sendo levantadas, e n\u00e3o mais apenas a educa\u00e7\u00e3o para o clero e a da aristocracia. Havia basicamente dois modelos discutidos nos s\u00e9culos 18 e 19, e foram discutidos com imagens bastante sugestivas. Uma imagem da educa\u00e7\u00e3o dizia que ela deve ser vista como um vaso que deve ser preenchido com \u00e1gua. Isso \u00e9 o que chamamos hoje em dia de \u201censinar para testar\u201d: voc\u00ea derrama \u00e1gua dentro do vaso e, em seguida, ele devolve a \u00e1gua. Mas \u00e9 um vaso muito perme\u00e1vel, como muitos de n\u00f3s que passamos pela experi\u00eancia da escola podemos constatar, j\u00e1 que podemos memorizar algo para um exame pelo qual n\u00e3o t\u00ednhamos muito interesse e, uma semana depois, n\u00e3o lembrarmos mais do que se tratava. O modelo do vaso nos dias de hoje \u00e9 chamado de \u201cnenhuma crian\u00e7a deixada para tr\u00e1s\u201d, \u201censinando para testar\u201d, \u201ccorrida para o topo\u201d e outras coisas semelhantes em universidades. Os pensadores ilumistas eram contr\u00e1rios a esse modelo.<\/p>\n<p>O outro modelo foi descrito pela imagem de uma corda estendida ao longo da qual o aluno progride em seu pr\u00f3prio caminho, sob sua pr\u00f3pria iniciativa, talvez seguindo a corda, talvez decidindo ir para outro lugar, talvez levantando quest\u00f5es. Seguir a corda significa impor algum grau de estrutura. Assim, um programa de educa\u00e7\u00e3o, seja ela qual for, um curso sobre f\u00edsica ou algo assim, n\u00e3o ser\u00e1 um vale tudo, ter\u00e1 certa estrutura. Mas o seu objetivo \u00e9 que o aluno adquira a capacidade de investigar, de criar, inovar e desafiar \u2013 isso \u00e9 que \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. Um f\u00edsico mundialmente famoso, foi questionado uma vez por um aluno sobre qual seria o conte\u00fado do curso no semestre. Sua resposta foi: \u201cn\u00e3o importa o que vamos tratar, mas sim o que voc\u00ea vai descobrir\u201d. Voc\u00ea ganha capacidade e auto-confian\u00e7a para desafiar e criar. Dessa forma voc\u00ea internaliza o tema do estudo e pode ir em frente. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de acumular uma quantidade fixa de fatos que, em seguida, voc\u00ea pode descrever em uma prova e amanh\u00e3 j\u00e1 n\u00e3o lembrar.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o dois modelos bem distintos de educa\u00e7\u00e3o. O ideal iluminista foi o segundo e eu acho que \u00e9 isso que devemos nos esfor\u00e7ar em buscar. Essa \u00e9 a verdadeira educa\u00e7\u00e3o, do jardim de inf\u00e2ncia \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Na verdade, existem programas desse tipo, muito bons, para o jardim de inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre o amor de ensinar<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s certamente queremos que as pessoas, tanto professores como alunos, se envolvam em atividades que sejam gratificantes, agrad\u00e1veis, estimulantes e excitantes. Eu realmente n\u00e3o acho que isso seja dif\u00edcil. As crian\u00e7as s\u00e3o criativas, curiosas, querem saber coisas, querem entender as coisas, e, a menos que sejam submetidas a um processo, essas coisas ficam com elas o resto de sua vida. Se voc\u00ea tem oportunidade de seguir esse compromisso, \u00e9 uma das coisas mais gratificantes da vida. Isso \u00e9 verdade se voc\u00ea \u00e9 um f\u00edsico pesquisador ou se voc\u00ea \u00e9 um carpinteiro. Voc\u00ea est\u00e1 tentando criar algo de valor, lidando com um problema dif\u00edcil e tentando resolv\u00ea-lo. Acho que isso \u00e9 o que faz funcionar o tipo de coisa que voc\u00ea quer fazer.<\/p>\n<p>Em uma universidade que funciona razoavelmente, voc\u00ea encontra pessoas que trabalham o tempo todo porque elas adoram o que est\u00e3o fazendo. \u00c9 o que elas querem fazer. Elas receberam a oportunidade, t\u00eam os recursos e s\u00e3o encorajadas a serem livres, independentes e criativos. O que poderia ser melhor? \u00c9 o que elas gostam de fazer. E isso, repito, pode ser feito em qualquer n\u00edvel.<\/p>\n<p>Vale a pena pensar sobre alguns dos programas educacionais imaginativos e criativos que est\u00e3o sendo desenvolvidos em diferentes n\u00edveis. Algu\u00e9m me descreveu, dias atr\u00e1s, um programa de ci\u00eancia que est\u00e1 usando em escolas de ensino m\u00e9dio, por meio do qual os alunos s\u00e3o provocados por uma pergunta interessante: &#8220;Como pode um mosquito voar na chuva?&#8221; Essa \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil quando voc\u00ea pensa sobre isso. Se algo batesse em um ser humano com a for\u00e7a com que um pingo de chuva bate em um mosquito ele seria achatado imediatamente. Ent\u00e3o como \u00e9 que o mosquito n\u00e3o \u00e9 esmagado instantaneamente? E como pode o mosquito continuar voando? Responder essa pergunta \u00e9 um trabalho muito dif\u00edcil que envolve entrar em quest\u00f5es de matem\u00e1tica, f\u00edsica e biologia, quest\u00f5es suficientemente desafiadoras para algu\u00e9m querer encontrar uma resposta para elas.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 o que a educa\u00e7\u00e3o deve ser em todos os n\u00edveis, desde o jardim de inf\u00e2ncia. Existem programas de jardim de inf\u00e2ncia em que, por exemplo, \u00e9 dada uma cole\u00e7\u00e3o de pequenos objetos para cada crian\u00e7a: seixos, conchas, sementes, e coisas assim. Em seguida, a classe recebe a tarefa de descobrir quais s\u00e3o as sementes. O processo come\u00e7a com o que chamam de uma &#8220;confer\u00eancia cient\u00edfica&#8221;: as crian\u00e7as conversam entre si e tentam descobrir quais s\u00e3o as sementes. H\u00e1 alguma orienta\u00e7\u00e3o de professores, \u00e9 claro, mas a id\u00e9ia \u00e9 fazer com que as crian\u00e7as pensem sobre o tema. Depois de um tempo, s\u00e3o feitas v\u00e1rias experi\u00eancias para tentar descobrir quais s\u00e3o as sementes. Nesse ponto, cada crian\u00e7a recebe uma lupa e, com a ajuda do professor, olham para dentros das rachaduras da semente e encontram o embri\u00e3o que faz a semente crescer. Estas crian\u00e7as aprendem algo, realmente, n\u00e3o apenas sobre sementes e o que faz com que as coisas cres\u00e7am, mas tamb\u00e9m sobre como descobrir. Eles est\u00e3o aprendendo a alegria da descoberta e da cria\u00e7\u00e3o, e \u00e9 isso o que voc\u00ea carrega de forma independente, para fora da sala de aula, para al\u00e9m de qualquer curso.<\/p>\n<p>O mesmo vale para toda a educa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Em um semin\u00e1rio de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel, voc\u00ea n\u00e3o esperar que os alunos baixem a cabe\u00e7a para copiar e depois repetir o que voc\u00ea diz. Voc\u00ea espera que eles lhe digam quando voc\u00ea est\u00e1 errado ou que cheguem a novas id\u00e9ias, para desafiar, para perseguir algum sentido que n\u00e3o tinha sido pensado antes. Isso \u00e9 o que a verdadeira educa\u00e7\u00e3o \u00e9 em todos os n\u00edveis, e \u00e9 isso o que deve ser incentivado. Esse deveria ser o prop\u00f3sito da educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 para despejar informa\u00e7\u00f5es na cabe\u00e7a de algu\u00e9m, que depois vai \u201cvazar\u201d esse conte\u00fado, mas para permitir que eles se tornem pessoas criativas, independentes, capazes de encontrar emo\u00e7\u00e3o na descoberta e cria\u00e7\u00e3o e criatividade em qualquer n\u00edvel ou em qualquer dom\u00ednio de seus interesses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre o uso da ret\u00f3rica corporativa contra as corpora\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9 como perguntar como voc\u00ea deve justificar, perante o propriet\u00e1rio de escravos, que as pessoas n\u00e3o devem ser escravos. Voc\u00ea est\u00e1 em um n\u00edvel de investiga\u00e7\u00e3o moral onde provavelmente \u00e9 muito dif\u00edcil encontrar respostas. Somos seres humanos com direitos humanos. \u00c9 bom para o indiv\u00edduo, \u00e9 bom para a sociedade e mesmo para a economia, em sentido estrito, que as pessoas sejam criativas, independentes e livres. Todos se beneficiam se as pessoas s\u00e3o capazes de participar, de controlar seu destino, de trabalhar uns com os outros. Isso pode n\u00e3o maximizar o lucro e domina\u00e7\u00e3o, mas por que dever\u00edamos perseguir esses valores?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conselhos para professor tempor\u00e1rio organizar sindicatos<\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00ea sabe melhor do que eu o que tem que ser feito, o tipo de problemas que voc\u00ea enfrenta . Ent\u00e3o, v\u00e1 em frente e fa\u00e7a o que tem que ser feito. N\u00e3o se deixe intimidar , n\u00e3o se assuste, e reconhe\u00e7a que o futuro pode estar em nossas m\u00e3os, se estamos dispostos a compreend\u00ea-lo.<\/p>\n<p>(*) Noam Chomsky OCCUPY: Class War, Rebellion and Solidarity \u00e9 publicado pela Zuccotti Park Press .<\/p>\n<p>[Nota da Tradutora] A express\u00e3o \u201cAdjunct Faculty\u201d utilizada por Chomsky no texto original designa, nos Estados Unidos, os professores universit\u00e1rios contratados em regime tempor\u00e1rio para dar um curso durante um semestre ou um ano, n\u00e3o possuindo qualquer estabilidade de emprego. Essa categoria n\u00e3o corresponde ao \u201cprofessor adjunto\u201d das universidades p\u00fablicas brasileiras, que s\u00e3o concursados e possuem estabilidade de emprego.<\/p>\n<p>Nota da Pressenza: A modalidade de professor tempor\u00e1rio \u00e9 extremamente comum nas faculdades e universidades particulares, onde o professor s\u00f3 tem a garantia de emprego pelo semestre, que \u00e9 dura\u00e7\u00e3o comum dos cursos. Nas Universidades P\u00fablicas, como a USP, o mesmo regime vem sendo empregado paralelamente aos professores adjuntos.<\/p>\n<p>Publicado pelo Portal Carta Maior com tradu\u00e7\u00e3o de Louise Antonia Le\u00f3n<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O crescimento da contrata\u00e7\u00e3o de tempor\u00e1rios nas universidades dos EUA \u00e9 parte de um modelo de neg\u00f3cios projetado para reduzir os custos do trabalho. 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