{"id":889840,"date":"2019-07-19T07:43:00","date_gmt":"2019-07-19T06:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=889840"},"modified":"2019-07-19T07:43:00","modified_gmt":"2019-07-19T06:43:00","slug":"boaventura-descolonizar-o-saber-e-o-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/07\/boaventura-descolonizar-o-saber-e-o-poder\/","title":{"rendered":"Boaventura: Descolonizar o saber e o poder"},"content":{"rendered":"<p>O drama do nosso tempo \u00e9 domina\u00e7\u00e3o articulada e resist\u00eancia fragmentada. Muitas vezes, os movimentos anticapitalistas, feministas e antirracistas t\u00eam combatido uma destas formas de opress\u00e3o \u2013 e fechado os olhos \u00e0s outras<\/p>\n<p>\u201c<em>Outras Palavras\u201d tem orgulho de publicar, com frequ\u00eancia, os textos de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Boaventura de Sousa Santos. O que vem a seguir refere-se, em sua parte final, \u00e0s\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Elei%C3%A7%C3%B5es_legislativas_portuguesas_de_2019\">elei\u00e7\u00f5es parlamentares portuguesas<\/a>: marcadas para outubro, elas j\u00e1 incendeiam o pa\u00eds, inclusive pelo inconformismo da direita diante da \u201cgerigon\u00e7a\u201d \u2013 um raro governo de esquerda. Talvez falte, ao leitor n\u00e3o-portugu\u00eas, contexto para compreender parte dos argumentos lan\u00e7ados neste trecho.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas as reflex\u00f5es iniciais de Boaventura referem-se, de modo sint\u00e9tico e provocador, a um drama que talvez seja ainda mais intenso no Brasil que em Portugal. Ele aborda a desarticula\u00e7\u00e3o \u2013 e muitas vezes a exacerba\u00e7\u00e3o dos conflitos \u2013 entre os movimentos sociais anticapitalistas, feministas e antirracistas. O artigo sugere: talvez a origem do fen\u00f4meno esteja no fato de as esquerdas \u201cterem sido treinadas, no mundo euroc\u00eantrico, para desconhecer ou descartar as articula\u00e7\u00f5es entre os tr\u00eas modos de domina\u00e7\u00e3o\u201d\u2026 Esta elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica interessar\u00e1 decerto a nosso p\u00fablico majoritariamente brasileiro \u2013 que tamb\u00e9m tem, no texto, a oportunidade de se situar sobre uma das importantes disputas eleitorais que marcar\u00e3o os pr\u00f3ximos meses\u00a0<strong>(A.M.)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Os conflitos sociais t\u00eam ritmos e intensidades que variam consoante as conjunturas. Muitas vezes acirram-se para atingir objetivos que permanecem ocultos ou impl\u00edcitos nos debates que suscitam. Num per\u00edodo pr\u00e9-eleitoral em que as op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sejam de espectro limitado, os conflitos estruturais s\u00e3o o modo de dramatizar o indramatiz\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os conflitos estruturais do nosso tempo decorrem da articula\u00e7\u00e3o desigual e combinada dos tr\u00eas modos principais de desigualdade estrutural nas sociedades modernas. S\u00e3o eles, capitalismo, colonialismo e patriarcado, ou mais precisamente, hetero-patriarcado. Esta caracteriza\u00e7\u00e3o surpreender\u00e1 aqueles que pensam que o colonialismo \u00e9 coisa de passado, tendo terminado com os processos de independ\u00eancia. Realmente, o que terminou foi uma forma espec\u00edfica de colonialismo \u2014 o colonialismo hist\u00f3rico com ocupa\u00e7\u00e3o territorial estrangeira. Mas o colonialismo continuou at\u00e9 aos nossos dias sob muitas outras formas, entre elas, o neocolonialismo, as guerras imperiais, o racismo, a xenofobia, a islamofobia, etc. Todas estas formas t\u00eam em comum implicarem a degrada\u00e7\u00e3o humana de quem \u00e9 v\u00edtima da domina\u00e7\u00e3o colonial. A diferen\u00e7a principal entre os tr\u00eas modos de domina\u00e7\u00e3o \u00e9 que, enquanto o capitalismo pressup\u00f5e a igualdade abstrata de todos os seres humanos, o colonialismo e o patriarcado pressup\u00f5em que as v\u00edtimas deles s\u00e3o seres sem plena dignidade humana, seres sub-humanos. Estes tr\u00eas modos de domina\u00e7\u00e3o t\u00eam atuado sempre de modo articulado ao longo dos \u00faltimos cinco s\u00e9culos e as varia\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o significativas quanto a perman\u00eancia subjacente.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o fundante da articula\u00e7\u00e3o \u00e9 que o trabalho livre entre seres humanos iguais, pressuposto pelo capitalismo, n\u00e3o pode garantir a sobreviv\u00eancia deste sem a exist\u00eancia paralela de trabalho an\u00e1logo ao trabalho escravo, trabalho socialmente desvalorizado e mesmo n\u00e3o pago. Para serem socialmente aceit\u00e1veis, estes tipos de trabalho t\u00eam de ser socialmente vistos como sendo produzidos por seres humanos desqualificados. Essa desqualifica\u00e7\u00e3o \u00e9 fornecida pelo colonialismo e patriarcado. Esta articula\u00e7\u00e3o faz com que as pessoas que acham desej\u00e1vel a desigualdade social do capitalismo tendam a desejar tamb\u00e9m a continua\u00e7\u00e3o do colonialismo e do patriarcado, e sejam, por isso, racistas e sexistas, mesmo que jurem n\u00e3o s\u00ea-lo. Esta \u00e9 a verdadeira natureza dos grupos pol\u00edticos de direita e de extrema direita. Se, numa dada conjuntura, as prefer\u00eancias racistas e sexistas v\u00eam \u00e0 tona, \u00e9 quase sempre para expressarem a oposi\u00e7\u00e3o ao governo do dia, sobretudo quando este \u00e9 menos pr\u00f3-capitalista que o desejado por tais grupos.<\/p>\n<p>O drama do nosso tempo \u00e9 que, enquanto os tr\u00eas modos de domina\u00e7\u00e3o moderna atuam articuladamente, a resist\u00eancia contra eles \u00e9 fragmentada. Muitos movimentos anticapitalistas t\u00eam sido muitas vezes racistas e sexistas, movimentos anti-racistas t\u00eam sido frequentemente pr\u00f3-capitalistas e sexistas e movimentos feministas t\u00eam sido muitas vezes pr\u00f3-capitalistas e racistas. Enquanto a domina\u00e7\u00e3o agir articuladamente e a resist\u00eancia a ela agir fragmentadamente, dificilmente deixaremos de viver em sociedades capitalistas, colonialistas e homof\u00f3bicas-patriarcais. Talvez, por isso, e como se tem visto ultimamente, aos jovens de muitos pa\u00edses seja hoje mais f\u00e1cil imaginar o fim do mundo (pelo agravamento da crise ambiental) do que o fim do capitalismo. A assimetria entre a domina\u00e7\u00e3o articulada e a resist\u00eancia fragmentada \u00e9 a raz\u00e3o \u00faltima da tend\u00eancia das for\u00e7as de esquerda para se dividirem em guetos sect\u00e1rios e das for\u00e7as de direita para se promiscuirem em am\u00e1lgamas ideol\u00f3gicas na mesma cama do poder.<\/p>\n<p>A continuidade da domina\u00e7\u00e3o segrega um senso comum capitalista, racista e sexista que serve as for\u00e7as de direita, at\u00e9 porque \u00e9 reproduzido incessantemente por grande parte da opini\u00e3o publicada e pelas redes sociais. Porque age na corrente, a direita pode dar-se ao luxo de ser indolente e transmitir a ideia de \u201cestar ao corrente\u201d e, quando tal n\u00e3o funciona, aciona a sua asa de extrema direita (t\u00e3o presa ao seu tronco quanto a asa de direita moderada) para dramatizar o discurso e provocar novas divis\u00f5es nas esquerdas, sobretudo se estas ocupam o poder de governo e estamos em per\u00edodo pr\u00e9-eleitoral e a aus\u00eancia de alternativas cred\u00edveis salta aos olhos. Pelo contr\u00e1rio, as for\u00e7as de esquerda est\u00e3o sempre \u00e0 beira do abismo da fragmenta\u00e7\u00e3o por terem sido treinadas no mundo euroc\u00eantrico para desconhecer ou descartar as articula\u00e7\u00f5es entre os tr\u00eas modos de domina\u00e7\u00e3o. As dificuldades s\u00e3o ainda maiores por terem de agir contra a corrente do senso comum reacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Identifico duas tarefas urgentes para superar tais dificuldades. A primeira \u00e9 de curto prazo e tem um nome: pragmatismo. Se a agressividade do pensamento reacion\u00e1rio, explicitamente racista e encobertamente hiper-capitalista e patriarcal, \u00e9 a que se observa e ocorre num pa\u00eds cujos cidad\u00e3os ainda h\u00e1 cinquenta anos eram v\u00edtimas de racismo por toda a Europa dita desenvolvida e antes disso tinham sido ostracizados como brancos escuros \u2014 ou\u00a0<em>portygyes<\/em>\u00a0no Caribe, Hava\u00ed e EUA \u2013 se tudo isto ocorre num pa\u00eds cujo poder de governo \u00e9 ocupado por for\u00e7as de esquerda, \u00e9 f\u00e1cil imaginar o que ser\u00e1 quando voltarmos (se voltarmos) a ser governados pela direita. O entendimento entre as for\u00e7as de esquerda tem contra si for\u00e7as imensas, nacionais e internacionais: capitalismo financeiro global, privatarias p\u00fablico-privadas, Comiss\u00e3o Europeia, Embaixadas norte-americana e de muitos pa\u00edses europeus, ag\u00eancias da sociedade civil supostamente promotoras da democracia, Igrejas conservadoras, a raz\u00e3o indolente da direita infiltrada h\u00e1 muito no PS portugu\u00eas contra a milit\u00e2ncia corajosa do \u00faltimo M\u00e1rio Soares, a raz\u00e3o indolente do sectarismo de pequenos grupos de esquerda radical que t\u00eam sempre os dois p\u00e9s no mesmo s\u00edtio para acreditarem que s\u00e3o firmes em vez de est\u00e1ticos. Mas o que est\u00e1 em jogo \u00e9 muito e o pragmatismo imp\u00f5e-se. Quando a direita come\u00e7a a defender transportes p\u00fablicos e sa\u00fade p\u00fablica, a esquerda no governo deve lembrar-se do que est\u00e1 a esquecer. A resposta \u00e0 extrema-direita racista tem de ser tanto pol\u00edtica como jur\u00eddica e judicial. Defendo h\u00e1 muito que as lutas jur\u00eddicas contra o senso comum reacion\u00e1rio s\u00f3 devem ocorrer depois de tais lutas terem adquirido forte densidade pol\u00edtica. \u00c9, pois, imprudente determinar em abstrato a validade da via jur\u00eddico-judicial ou da via pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A segunda tarefa \u00e9 de longo prazo e consiste em descolonizar o saber cient\u00edfico e popular e o poder, tanto social como cultural e pol\u00edtico. Esta tarefa \u00e9 particularmente dif\u00edcil em Portugal por duas raz\u00f5es. Em primeiro lugar, a \u00faltima fase da descoloniza\u00e7\u00e3o do colonialismo portugu\u00eas ocorreu h\u00e1 muito pouco tempo (1961-1975). As feridas coloniais est\u00e3o ainda t\u00e3o abertas e fundas que, tal como as crateras produzidas pela minera\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto, parecem parte integrante da paisagem. O longo ciclo colonial est\u00e1 inscrito na carne do pa\u00eds at\u00e9 ao mais \u00edntimo tutano. Um pa\u00eds com tanta falsa esperan\u00e7a hist\u00f3rica sente-se agora dominado por tanto falso medo de ser menos europeu que a Europa desenvolvida que sempre recolonizou o colonialismo portugu\u00eas para maior benef\u00edcio dela. Por sua vez, os pa\u00edses que nasceram da luta anticolonial contra Portugal tiveram o privil\u00e9gio de sofrer o menor \u00f4nus neocolonial. Todos sem exce\u00e7\u00e3o se afirmaram orgulhosamente socialistas e n\u00e3o apenas independentes. Foram, por\u00e9m, rapidamente postos na ordem pelo capitalismo financeiro global. Sucederam-se lideran\u00e7as que querem esquecer a viol\u00eancia e rapina colonialistas para melhor ocultarem a viol\u00eancia e a rapina que elas pr\u00f3prias v\u00e3o exercendo contra as suas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A segunda decorre do fato de os processos de independ\u00eancia terem ocorrido como uma dupla revolu\u00e7\u00e3o: nas ent\u00e3o col\u00f3nias, a revolu\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia, e em Portugal, a revolu\u00e7\u00e3o da democracia do 25 de Abril de 1974. Os mesmos militares que sustentaram o regime colonial no seu \u00faltimo per\u00edodo, participaram na guerra dita de pacifica\u00e7\u00e3o e certamente cometeram as atrocidades correspondentes, s\u00e3o tamb\u00e9m os her\u00f3is de que muito nos orgulhamos por terem aberto o caminho \u00e0s independ\u00eancias sem peias neocoloniais e pela democracia que nos devolveram em Portugal. Passar\u00e1 ainda algum tempo para que as feridas se exponham, e assim possam ser eficazmente curadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O drama do nosso tempo \u00e9 domina\u00e7\u00e3o articulada e resist\u00eancia fragmentada. 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