{"id":840019,"date":"2019-04-14T17:45:03","date_gmt":"2019-04-14T16:45:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=840019"},"modified":"2019-04-14T17:45:03","modified_gmt":"2019-04-14T16:45:03","slug":"presenca-de-refugiados-angolanos-no-brasil-carece-de-atencao-em-relacao-a-outros-fluxos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/04\/presenca-de-refugiados-angolanos-no-brasil-carece-de-atencao-em-relacao-a-outros-fluxos\/","title":{"rendered":"Presen\u00e7a de refugiados angolanos no Brasil carece de aten\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a outros fluxos"},"content":{"rendered":"<p><em>No final dos anos 90, angolanos foram a nacionalidade mais numerosa entre refugiados no Brasil<\/em><\/p>\n<p>Por Beatriz Santana<\/p>\n<p>O ref\u00fagio da popula\u00e7\u00e3o angolana \u00e9 um dos fluxos contempor\u00e2neos mais antigos do Brasil. Com in\u00edcio nos anos 1990, a vinda desses migrantes foi motivada por longos per\u00edodos de guerra e conflitos na Angola. Durante os anos de 1961 a 1974, o pa\u00eds havia passado pela Guerra de Independ\u00eancia e, posteriormente, pelo conflito de descoloniza\u00e7\u00e3o (1974\/75). Quando enfim tornou-se independente de Portugal, instaurou-se uma guerra civil, motivada pela disputa de poder entre dois movimentos de liberta\u00e7\u00e3o: o Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA) e a Uni\u00e3o Nacional para a Independ\u00eancia Total de Angola (UNITA). O conflito durou 27 anos e gerou cerca de 4 milh\u00f5es de deslocados internos e 600 mil refugiados para pa\u00edses vizinhos ou em outros continentes.<\/p>\n<p>A vinda de angolanos para o Brasil em busca de ref\u00fagio apresentou destaque entre a d\u00e9cada de 1990 at\u00e9 o ano de 2004. Segundo uma an\u00e1lise realizada pela pesquisadora Milani Rubio em 2005 a partir de acervos das C\u00e1ritas de S\u00e3o Paulo e do Rio de Janeiro, at\u00e9 o ano de cria\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Nacional para os Refugiados (CONARE) em 1998, foram identificados 2.068 processos de ref\u00fagio deferidos no pa\u00eds. Desse total, 1.191 eram angolanos, sendo esta a nacionalidade mais expressiva do total de reconhecimentos naquele momento.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-12392 td-animation-stack-type2-2\" src=\"https:\/\/migramundo.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/refugiados_brasil_1998.png\" sizes=\"(max-width: 556px) 100vw, 556px\" srcset=\"https:\/\/migramundo.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/refugiados_brasil_1998.png 556w, https:\/\/migramundo.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/refugiados_brasil_1998-300x233.png 300w\" alt=\"\" data-lazy-loaded=\"true\" \/><\/figure>\n<div class=\"td-g-rec td-g-rec-id-content_inline td_uid_30_5cb35db45d33f_rand td_block_template_1 \"><ins class=\"adsbygoogle\" data-ad-client=\"ca-pub-9415683211161497\" data-ad-slot=\"4611138982\" data-adsbygoogle-status=\"done\"><ins id=\"aswift_1_expand\"><ins id=\"aswift_1_anchor\"><iframe id=\"aswift_1\" name=\"aswift_1\" width=\"468\" height=\"60\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/ins><\/ins><\/ins><\/div>\n<p>Entre o per\u00edodo de 1998 a 2006, houve um decl\u00ednio na rela\u00e7\u00e3o de solicita\u00e7\u00f5es de ref\u00fagio por parte desses nacionais, sendo deferido o total de 567 pedidos. Entre os anos de 2006 a 2008, apenas 4 refugiados angolanos foram reconhecidos e, entre 2008 a 2010, apenas 1. Apesar da diminui\u00e7\u00e3o, esses migrantes representavam 39,2% do total de refugiados no Brasil em 2010.<\/p>\n<p>No intervalo seguinte (2011-2014), houve uma varia\u00e7\u00e3o negativa do total de angolanos no pa\u00eds. Tal diminui\u00e7\u00e3o deve-se \u00e0s medidas de repatria\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, concess\u00e3o de resid\u00eancia permanente ou naturaliza\u00e7\u00e3o, e pela entrada em vigor da cl\u00e1usula de cessa\u00e7\u00e3o em julho de 2012, medida adotada pelo Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (ACNUR) com base na paz e na estabilidade alcan\u00e7adas na Angola ap\u00f3s o t\u00e9rmino da guerra civil. A cl\u00e1usula encerrou uma das mais prolongadas situa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio na \u00c1frica e gerou mudan\u00e7as no perfil de refugiados no Brasil.<\/p>\n<p>Segundo dados do Conare, entre 2007 e 2017, 39% dos refugiados reconhecidos eram de nacionalidade s\u00edria, e apenas 1% de angolanos. No entanto, estes representaram a 4\u00b0 nacionalidade mais expressiva nas solicita\u00e7\u00f5es de reconhecimento de ref\u00fagio em 2017, com um total de 2.036 pedidos em tramita\u00e7\u00e3o no \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Um rapaz de 33 anos, que preferiu n\u00e3o declarar seu nome, relatou as dificuldades enfrentadas durante os anos de conflito. Natural de Luanda, capital de Angola, ele comentou que os efeitos da guerra n\u00e3o eram fortemente percept\u00edveis na capital. Por\u00e9m, conforme a necessidade de militares no ex\u00e9rcito, ocorriam recrutamentos obrigat\u00f3rios de jovens fisicamente aptos para servir. Segundo ele, civis de diversas partes do pa\u00eds fugiam para Luanda buscando maior seguran\u00e7a. Ele complementa ainda que caminh\u00f5es com armamentos eram disponibilizados para a popula\u00e7\u00e3o, a fim de que se protegessem e combatessem as for\u00e7as da UNITA. Hoje, ele vive na Holanda.<\/p>\n<p>J\u00e1 G.L. de 27 anos que hoje mora no Brasil, refor\u00e7ou a maior estabilidade na capital do pa\u00eds durante os anos de conflito, contrastada com o recrutamento for\u00e7ado de civis para o ex\u00e9rcito. Segundo ele, homens encontrados nas ruas \u00e0 noite eram levados para servir na guerra e militares invadiam as casas em busca de jovens para o ex\u00e9rcito. G.L. destacou tamb\u00e9m a recente liberdade de express\u00e3o conquistada no pa\u00eds. Conforme ele, manifesta\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias ao governo eram punidas, inclusive por meio de pris\u00f5es ou assassinatos.<\/p>\n<p>No geral, o conhecimento do Brasil por parte dos angolanos se d\u00e1 ainda na Angola, onde emissoras de televis\u00e3o brasileiras veiculam um pouco da realidade local em programas, como notici\u00e1rios e novelas. Muitos dos que migraram durante os anos de conflito tinham a esperan\u00e7a de que tais informa\u00e7\u00f5es e imagens apresentadas, somadas \u00e0s proximidades culturais e \u00e0 facilidade de comunica\u00e7\u00e3o (devido ao idioma oficial de ambos os pa\u00edses ser o Portugu\u00eas), garantiriam melhores oportunidades.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s quase 7 anos do estabelecimento da cl\u00e1usula de cessa\u00e7\u00e3o, analisar o contexto da guerra na Angola e suas conseq\u00fc\u00eancias para o perfil de ref\u00fagio no Brasil incitam a import\u00e2ncia de considerar a vinda de refugiados angolanos \u2013 movimento que, muitas vezes, carece de aten\u00e7\u00e3o diante de fluxos mais recentes, mas que necessita de um olhar atento, dado o expressivo n\u00famero desses migrantes no pa\u00eds.<\/p>\n<p><em>*Beatriz Santana, 23, \u00e9 bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Unesp \u2013 Franca. Atualmente desenvolve pesquisa sobre o processo de securitiza\u00e7\u00e3o da entrada de refugiados, tendo como foco a Alemanha<\/em><\/p>\n<div><ins class=\"adsbygoogle\" data-ad-client=\"ca-pub-9415683211161497\" data-ad-slot=\"4611138982\" data-ad-format=\"auto\" data-adsbygoogle-status=\"done\"><ins id=\"aswift_2_expand\"><ins id=\"aswift_2_anchor\"><iframe id=\"aswift_2\" name=\"aswift_2\" width=\"696\" height=\"60\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/ins><\/ins><\/ins><\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"td-g-rec td-g-rec-id-content_bottom td_uid_32_5cb35db45d7fc_rand td_block_template_1 \"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final dos anos 90, angolanos foram a nacionalidade mais numerosa entre refugiados no Brasil Por Beatriz Santana O ref\u00fagio da popula\u00e7\u00e3o angolana \u00e9 um dos fluxos contempor\u00e2neos mais antigos do Brasil. 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