{"id":776826,"date":"2018-12-15T23:34:02","date_gmt":"2018-12-15T23:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=776826"},"modified":"2018-12-15T23:34:02","modified_gmt":"2018-12-15T23:34:02","slug":"a-resistencia-que-vem-das-mulheres-camponesas-de-santa-catarina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2018\/12\/a-resistencia-que-vem-das-mulheres-camponesas-de-santa-catarina\/","title":{"rendered":"A resist\u00eancia que vem das mulheres camponesas de Santa Catarina"},"content":{"rendered":"<p><em>Por<strong> Silvia Medeiros, especial para a Revista do Brasil \/ Rede Brasil Atual<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Elas mudaram o lugar da mulher na sociedade catarinense, rompendo com ciclos de repress\u00e3o e viol\u00eancia machista. Agora revelam &#8220;m\u00edstica&#8221; para enfrentar tempos obscuros que se avizinham<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 chuvosa\u00a0daquele s\u00e1bado, 24 de novembro, em Chapec\u00f3, come\u00e7aram a descer dos \u00f4nibus mulheres com sacolas e cuias de chimarr\u00e3o nas m\u00e3os. Vindas de v\u00e1rias regi\u00f5es do estado, elas chegavam para celebrar os 35 anos da maior organiza\u00e7\u00e3o de mulheres de Santa Catarina, o Movimento das Mulheres Camponesas (MMC).<\/p>\n<p>A agricultura \u00e9 uma das principais fontes econ\u00f4micas do estado, l\u00edder nacional na produ\u00e7\u00e3o de alho e cebola e o segundo no pa\u00eds na produ\u00e7\u00e3o de arroz, fumo, ma\u00e7\u00e3 e pera.<\/p>\n<p>O movimento, que tem mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, surgiu no fim do regime militar e no auge do surgimento de diversos movimentos populares que lutavam pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. As elei\u00e7\u00f5es para sindicato dos trabalhadores rurais de Nova Itaberaba (distrito de Chapec\u00f3 na \u00e9poca) incentivou as camponesas a se organizarem.<\/p>\n<p>A primeira reuni\u00e3o contou com 28 mulheres, a segunda com 40, se expandiu para outros munic\u00edpios e, 35 anos depois, o MMC se consolida como um dos maiores movimentos feministas em Santa Catarina. Foi protagonista, nos anos 90, da luta pelo direito \u00e0 previd\u00eancia social das mulheres do campo e, atualmente, uma das principais refer\u00eancias no debate de <a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/economia\/2013\/03\/ceasa-de-santa-catarina-ganha-espaco-para-produtos-agroecologicos-da-agricultura-familiar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica<\/a> no estado.<\/p>\n<h4>O in\u00edcio da luta<\/h4>\n<p>Nova Itaberaba \u00e9 tem pouco mais de 4 mil habitantes. Emancipada de Chapec\u00f3 h\u00e1 27 anos, ainda era distrito quando mulheres trabalhadoras rurais se reuniram pela primeira vez, em 1983, e organizaram um grupo de agricultoras para participar, junto com os homens, da chapa de oposi\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Na pauta, direitos b\u00e1sicos de acesso aos <a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/cidadania\/2017\/03\/na-luta-contra-a-reforma-da-previdencia-movimentos-ocupam-ministerio-da-fazenda-em-brasilia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">benef\u00edcios previdenci\u00e1rios<\/a> j\u00e1 dispon\u00edveis aos homens. As mulheres do campo enfrentaram o machismo das pequenas cidades e formaram o Movimento das Mulheres Agricultoras, que em 2004 passa a ser chamado de Movimento das Mulheres Camponesas.<\/p>\n<div id=\"attachment_776855\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-776855\" class=\"size-large wp-image-776855\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC2-720x452.jpeg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"452\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC2-720x452.jpeg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC2-300x188.jpeg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC2-768x482.jpeg 768w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC2.jpeg 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-776855\" class=\"wp-caption-text\">MMC proporciona acesso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e pesquisas sobre organiza\u00e7\u00e3o de mulheres e agroecol\u00f3gica. Foto Carolina Timm\/RBA<\/p><\/div>\n<p>De acordo com Clementina Dalchiavon, uma das fundadoras, foi necess\u00e1ria muita uni\u00e3o das mulheres para enfrentar o primeiro obst\u00e1culo de consolida\u00e7\u00e3o do movimento, o machismo cotidiano. \u201cN\u00e3o foi uma luta f\u00e1cil, principalmente para as mulheres casadas. O boato que os homens contavam pelos bares \u00e9 que a gente ia abandon\u00e1-los e morar\u00edamos todas juntas numa s\u00f3 casa, o medo que os homens tinham \u00e9 de quem ia cuidar dos afazeres dom\u00e9sticos para eles\u201d, lembra a agricultora.<\/p>\n<p>A partir da pequena localidade de Nova Itaberaba e com o respaldo de movimentos da Igreja Cat\u00f3lica ligados \u00e0 Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, como as pastorais e as <a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/cidadania\/2017\/11\/padres-criticam-inercia-pastoral-querem-igreja-engajada-lutas-sociais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comunidades Eclesiais de Bases<\/a> (CEBs), muito presentes no oeste catarinense liderados pelo bispo Dom Jos\u00e9 Gomes, o Movimento das Mulheres foi se consolidando em outras cidades da regi\u00e3o e se organizando por todo estado e pelo Brasil.<\/p>\n<p>O trabalho de expans\u00e3o se deu por interm\u00e9dio de visitas e conversas nas localidades distantes do interior. \u201cA gente contava uma pra outra e ia repassando, uma ia tomar chimarr\u00e3o na casa de uma amiga e j\u00e1 convidava para conhecer o movimento. A gente falava pra sair de volta do tanque e vir se organizar, que a gente precisava ser reconhecida como mulheres trabalhadoras\u201d, explica Clementina.<\/p>\n<p>Por essas conversas Ad\u00e9lia Schmitz, de Descanso, munic\u00edpio a 130 quil\u00f4metro de Chapec\u00f3, conheceu o movimento. \u201c\u00c0 noite depois da reuni\u00e3o na minha comunidade, quando eu estava tirando o leite eu pensei \u2018puxa, como foi bonito as palestras destas companheiras, mulheres como eu. Ser\u00e1 que eu n\u00e3o sou capaz tamb\u00e9m, elas s\u00e3o agricultoras igual eu\u2019\u201d, lembra Ad\u00e9lia, que hoje \u00e9 uma das lideran\u00e7as nacionais do MMC e participou de atividades em todo o mundo representando as mulheres camponesas do Brasil.<\/p>\n<p>Para Ad\u00e9lia, o despertar para o movimento aconteceu em um debate sobre identidade, em que se deu conta de que as mulheres n\u00e3o devem se resignar com o papel de propriedades dos seus maridos. \u201cEu era a esposa do Schmitz, pra mim era natural isso, mas depois daquela reuni\u00e3o eu fui numa relojoaria consertar meus \u00f3culos e o atendente que ia anotar o meu pedido insistiu pra saber o nome do meu marido para deixar como respons\u00e1vel. Na hora eu questionei e pedi pra colocar o meu nome, porque eu que estava respons\u00e1vel pelo conserto\u201d, conta.<\/p>\n<p>Foi nessas desconstru\u00e7\u00f5es de &#8220;lugar de homem e de mulher&#8221;, de responsabilidades da casa e do trabalho que o MMC foi se consolidando. No ano seguinte ao de sua funda\u00e7\u00e3o, em 1984, para celebrar o dia 8 de mar\u00e7o, Nova Itaberaba recebeu 500 mulheres que marcharam pelo pequeno distrito, pedindo acesso das mulheres aos direitos previdenci\u00e1rios. Em 1985, o encontro foi em Chapec\u00f3.<\/p>\n<p>Em um grande debate que reuniu 300 mulheres no Semin\u00e1rio Diocesano, o movimento tra\u00e7ou estrat\u00e9gias e definiu que a luta era de g\u00eanero e de classe e que para organizar as mulheres era necess\u00e1rio construir lutas concretas que ficaram em torno da sindicaliza\u00e7\u00e3o, da campanha da documenta\u00e7\u00e3o para as mulheres, da aposentadoria, do sal\u00e1rio maternidade, com uma vis\u00e3o ampla da seguridade social, como acesso \u00e0 sa\u00fade, previd\u00eancia e assist\u00eancia.<\/p>\n<p>Em 1987, a primeira mulher agricultora eleita deputada estadual, Luci Choinacki (PT), era uma das fundadoras do MMC.\u00a0Dentro do parlamento, enfrentou o <a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/entretenimento\/2017\/01\/machismo-e-misoginia-tambem-se-combate-com-musica-8343.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">machismo<\/a> dos espa\u00e7os pol\u00edticos e o preconceito com os trabalhadores do campo. Em 1992, se elegeu deputada federal e foi reeleita ao cargo em mais tr\u00eas legislaturas, nos anos de 1999, 2003 e 2011.<\/p>\n<h4>Sujeitas da pr\u00f3pria hist\u00f3ria<\/h4>\n<p>A antrop\u00f3loga Arlene An\u00e9lia Renk, doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora da Unochapec\u00f3, ressalta que o Movimento das Mulheres Camponesas foi um marco para a sociedade catarinense.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres come\u00e7am a querer romper o ciclo de <a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/politica\/2014\/06\/eleonora-menicucci-2018violencia-contra-a-mulher-ainda-e-uma-questao-cultural-patriarcal-e-machista2019-4851.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">viol\u00eancia<\/a>\u00a0que come\u00e7ava desde a inf\u00e2ncia, com menos oportunidade para estudar, para escolher seus companheiros e para definir as atividades da casa, como sentar e conversar com o esposo sobre os neg\u00f3cios ou decidir o que devem plantar\u201d, diz Arlene. Segundo a\u00a0pesquisadora, especialista em antropologia rural, o movimento cresce apoiado na luta dos trabalhadores rurais ent\u00e3o vistos como cidad\u00e3os de segunda categoria, recebendo apenas metade de um sal\u00e1rio m\u00ednimo na aposentadoria.<\/p>\n<p>\u201cElas come\u00e7am a se organizar e requerer direitos, come\u00e7am a entrar nas organiza\u00e7\u00f5es, antes ocupadas somente por homens, passam pela luta da documenta\u00e7\u00e3o e chegam na luta do reconhecimento do direito, atrav\u00e9s da conquista do acesso aos benef\u00edcios previdenci\u00e1rios\u201d, lemArlene destaca o papel fundamental na \u00e9poca dos padres e pastores que orientavam os homens a deixarem suas mulheres livres e a n\u00e3o serem t\u00e3o carrascos com elas e seus familiares. \u201cDepois de organizadas elas come\u00e7am a participar das marchas do dia 8 de mar\u00e7o, data em que muitas agricultoras nem sabiam que era dia da mulher, elas v\u00e3o aprendendo e incorporando pra dentro de casa tudo o que debatem nos encontros\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_776846\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-776846\" class=\"size-large wp-image-776846\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC3-720x452.jpeg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"452\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC3-720x452.jpeg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC3-300x188.jpeg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC3-768x482.jpeg 768w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC3.jpeg 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-776846\" class=\"wp-caption-text\">Justina Cima: tempos de uni\u00e3o para ouvir os anseios das mulheres do campo e da cidade. Foto Carolina Timm\/RBA<\/p><\/div>\n<p>Organizadas, elas come\u00e7am a participar de muitas reuni\u00f5es e assembleias e a viajar para a capital catarinense e para Bras\u00edlia. Arlene relembra as muitas viagens para a capital do Brasil, com horas de trajeto.<\/p>\n<p>\u201cElas estavam cansadas e de p\u00e9s inchados e foram tentar entrar no plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados, quando um guarda as interpelou: \u2018aqui voc\u00eas n\u00e3o entram de chinelo\u2019, a resposta das agricultoras foi imediata \u2018ent\u00e3o se n\u00e3o entramos de chinelo, a gente entra descal\u00e7o\u2019 e assim foi\u201d.<\/p>\n<p>Essa ousadia \u00e9 uma caracter\u00edstica das <a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/cidadania\/2011\/08\/mulheres-comecam-a-ocupar-brasilia-para-participar-da-marcha-das-margaridas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mulheres camponesas<\/a>. \u201cS\u00f3 pode ousar quem acredita no seu potencial, quem conseguiu enxergar, quem tira a venda dos olhos e segue em frente. Quando se rompe com este poder patriarcal, se vai adiante desde a ousadia de entrar num espa\u00e7o sem cal\u00e7ados, at\u00e9 a luta de conquistar direitos negados\u201d.<\/p>\n<p>E foi desafiando a cultura patriarcal e machista que Justina Cima, coordenadora do MMC de Santa Catarina, questionou desde a inf\u00e2ncia a inferioridade com que era tratada por ser menina. Segundo ela, sua vida tem marcas dessa sociedade patriarcal e machista e do resultado da sociedade capitalista que privilegia o lucro de alguns em detrimento da pobreza de muitos. \u201cEu estudei somente at\u00e9 a quinta s\u00e9rie prim\u00e1ria, eu n\u00e3o tive condi\u00e7\u00f5es pela pobreza que minha fam\u00edlia vivia, mas tamb\u00e9m pela cultura que meu pai e minha m\u00e3e tinham de que menina n\u00e3o precisava estudar, n\u00e3o precisava sair de casa\u201d.<\/p>\n<p>Justina diz que foi o desejo de estudar que a trouxe para dentro dos movimentos da igreja e, posteriormente, ao Movimento de Mulheres Camponesas. A agricultora fez parte da funda\u00e7\u00e3o do MMC no estado e foi eleita vereadora em 1988, no munic\u00edpio de Quilombo, a 60 quil\u00f4metros de Chapec\u00f3, encampando a luta pelo acesso \u00e0 aposentadoria \u00e0s agricultoras.<\/p>\n<h4>Feminismo<\/h4>\n<p>Depois da conquista da aposentadoria das trabalhadoras rurais, efetivada somente em 1992, quatro anos depois da <a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/cidadania\/2018\/10\/nos-30-anos-da-constituicao-nuvens-carregadas-sobre-a-democracia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o<\/a> que incluiu as mulheres agricultoras no direito ao acesso aos direitos previdenci\u00e1rios, a luta do Movimento das Mulheres Camponesas se fortaleceu com o debate sobre a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, como um expoente de modo de vida e de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Noeli Welter Taborda, dirigente nacional, entrou no movimento de mulheres movida pela discuss\u00e3o sobre as produ\u00e7\u00f5es agroecol\u00f3gicas e o cultivo de sementes crioulas. \u201cEm 1998 e 1999, o MMC iniciou um projeto de produ\u00e7\u00e3o e melhoramento das sementes crioulas. As mulheres estudaram sobre a pr\u00e1tica de fazer agricultura, como guardar sementes, como fazer com que o solo fortemente atingido pelos agrot\u00f3xicos, as sementes h\u00edbridas e os fertilizantes, fossem recuperados. As mulheres foram entendendo a agricultura no tempo das nossas av\u00f3s, adaptando as condi\u00e7\u00f5es de hoje, mas preservando e trocando experi\u00eancias umas com as outras\u201d.<\/p>\n<p>Noeli, moradora de Tun\u00e1polis, a 150 quil\u00f4metros de Chapec\u00f3, encontrou no Movimento de Mulheres Camponesas uma perspectiva feminista. \u201cA nossa pr\u00e1tica feminista n\u00e3o \u00e9 de sermos contra os homens, mas construir uma rela\u00e7\u00e3o diferente, falar com eles que, assim como os homens sabem, n\u00f3s mulheres tamb\u00e9m sabemos, assim como eles querem descanso, n\u00f3s tamb\u00e9m queremos\u201d, explica Noeli. Ela conta ter\u00a0vivenciado na inf\u00e2ncia a viol\u00eancia dom\u00e9stica, e que encontrou no movimento a for\u00e7a e a compreens\u00e3o de que as mulheres organizadas conseguem avan\u00e7ar e romper ciclos de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_776837\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-776837\" class=\"size-large wp-image-776837\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC4-720x452.jpeg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"452\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC4-720x452.jpeg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC4-300x188.jpeg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC4-768x482.jpeg 768w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/SC4.jpeg 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-776837\" class=\"wp-caption-text\">Movimento \u00e9 refer\u00eancia para outras organiza\u00e7\u00f5es feministas de SC. Foto Carolina Timm\/RBA<\/p><\/div>\n<p>Mulheres como Noeli fazem Justina acreditar na continuidade do movimento e na reinven\u00e7\u00e3o de novas pr\u00e1ticas em defesa da emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres camponesas. \u201cEu acredito que a palavra-chave para enfrentar este novo ciclo que come\u00e7a na hist\u00f3ria brasileira \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio reinventar o movimento, buscar trabalho de base efetivo, trazer para os grupos com muita m\u00edstica, muita ajuda e sempre valorizando o que vem de novo com a juventude e fazendo a leitura com a sabedoria das que fizeram toda a caminhada at\u00e9 aqui\u201d,avalia Justina.<\/p>\n<p>Foi nesta m\u00edstica, que reuniu mulheres de diferentes idades, trabalhadoras do campo e da cidade, com lan\u00e7amento de livros, troca de estudo, de sementes, de ervas medicinais, de relembrar as hist\u00f3rias de luta, que o encontro celebrou os 35 anos de funda\u00e7\u00e3o do movimento.<\/p>\n<p>Entre a leitura do que j\u00e1 viveu e o que acredita que est\u00e1 por vir, Justina reflete que a luta das mulheres em todo o per\u00edodo da humanidade precisou ser reinventada. &#8220;Minha gera\u00e7\u00e3o teve de enfrentar as consequ\u00eancias da ditadura e todo ataque aos direitos do povo. \u00c0s vezes, os camponeses nem conseguiam fazer a leitura do que estavam passando. Tivemos que come\u00e7ar toda uma organiza\u00e7\u00e3o rebelde, determinada, ousada para aqueles tempos e foi daquele jeito que n\u00f3s fizemos e chegamos at\u00e9 hoje&#8221;, observa.<\/p>\n<p>&#8220;Penso que neste momento precisamos resistir e nos reinventar. Acredito que a juventude, as crian\u00e7as, v\u00e3o ter que entender o movimento com a caminhada e com a organiza\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m v\u00e3o precisar encontrar o seu caminho para poder construir e dar continuidade a esta luta que \u00e9 quest\u00e3o da dignidade humana, dos direitos humanos e da democracia.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Silvia Medeiros, especial para a Revista do Brasil \/ Rede Brasil Atual Elas mudaram o lugar da mulher na sociedade catarinense, rompendo com ciclos de repress\u00e3o e viol\u00eancia machista. Agora revelam &#8220;m\u00edstica&#8221; para enfrentar tempos obscuros que se avizinham&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":44,"featured_media":776875,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[104,1255,1256],"tags":[2744,52867,52868,51549,52869,18994,5623,52866],"class_list":["post-776826","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-do-sul","category-diversidade","category-nao-violencia","tag-brasil","tag-camponesas","tag-cebs","tag-genero-pt-pt-2","tag-movimento-das-mulheres-camponesas","tag-mulheres","tag-pt","tag-santa-catarina"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A resist\u00eancia que vem das mulheres camponesas de Santa Catarina<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Por Silvia Medeiros, especial para a 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