{"id":692950,"date":"2018-08-12T16:01:52","date_gmt":"2018-08-12T15:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=692950"},"modified":"2018-08-12T16:01:52","modified_gmt":"2018-08-12T15:01:52","slug":"aumento-da-pobreza-dos-protestos-e-da-repressao-a-argentina-de-macri-segundo-lider-comunitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2018\/08\/aumento-da-pobreza-dos-protestos-e-da-repressao-a-argentina-de-macri-segundo-lider-comunitario\/","title":{"rendered":"Aumento da pobreza, dos protestos e da repress\u00e3o: a Argentina de Macri segundo l\u00edder comunit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><em>Por<strong> Lu\u00eds Eduardo Gomes\/Sul 21<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Fidel Ruiz, membro do movimento social La Poderosa, fala sobre a experi\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o de favelas na Argentina<\/strong><\/p>\n<p>Porto Alegre recebeu neste \u00faltimo fim de semana o 2\u00b0 F\u00f3rum Latino-americano de La Poderosa, movimento social nascido na favela de Villa Zavaleta, em Buenos Aires, e que hoje j\u00e1 se espalha por 11 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Mais de 3 mil pessoas passaram por Porto Alegre, a grande maioria vindas das mais de 80 comunidades em que a entidade j\u00e1 est\u00e1 organizada. Antes do evento, o Sul21 conversou com Fidel Ruiz, uma das lideran\u00e7as \u2014 ainda que o movimento preconize a horizontalidade e que ningu\u00e9m fale por todos \u2013, para <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/areazero\/2018\/07\/nascido-na-argentina-movimento-la-poderosa-realizara-forum-latino-americano-em-porto-alegre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entender como La Poderosa surgiu<\/a>, se organizou e agora pretende se expandir para o Brasil.<\/p>\n<p>Fidel tinha apenas 9 anos quando La Poderosa surgiu em Villa Zavaleta, em 2004, com o intuito de organizar as disputas de futebol no bairro, que eram uma vers\u00e3o miniaturizada da realidade de uma comunidade carente de Buenos Aires: violenta e sem organiza\u00e7\u00e3o. Ele era um dos meninos que corriam atr\u00e1s da bola. Com o tempo, foi se tornando uma das vozes a serem ouvidas nas assembleias semanais, que, al\u00e9m de tratar das regras das partidas, passaram tamb\u00e9m a abordar os problemas vividos pelos moradores e como resolv\u00ea-los. Brinca que, aos 23 anos, \u00e9 um \u201cjovem aposentado\u201d no movimento social.<\/p>\n<p>Apesar de La Poderosa rejeitar apresentar seus membors como lideren\u00e7as, Fidel reconhece-se como uma refer\u00eancia, porque assim \u00e9 visto em sua comunidade. \u201cN\u00e3o porque eu seja melhor, mas porque podem me abordar e me veem como algu\u00e9m que pode contagiar a luta da comunidade\u201d, diz.<\/p>\n<p>La Poderosa \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o que se apresenta como apartid\u00e1ria, diz n\u00e3o ter uma plataforma pol\u00edtica, mas n\u00e3o nega sua liga\u00e7\u00e3o com a esquerda \u2014 ali\u00e1s, o nome vem da motocicleta que Ernesto Che Guevara usou para percorrer a Am\u00e9rica Latina. Ele ressalta que o movimento n\u00e3o nega a pol\u00edtica, n\u00e3o \u00e9 anarquista, pois compreende que ela n\u00e3o \u00e9 ruim em sua ess\u00eancia, n\u00e3o chama o voto em branco como cr\u00edtica aos governos que os deixaram na m\u00e3o, tampouco chama o voto em alguma pessoa ou partido, deixando seus membros livres para votarem em quem quiserem. \u201cMas constru\u00edmos um acordo para ningu\u00e9m votar no macrismo\u201d, demarca Fidel, que ao longo da entrevista vai abordar o aprofundamento da pobreza no Pa\u00eds nos anos de governo Maur\u00edcio Macri.<\/p>\n<p>Para Fidel, a luta de La Poderosa \u00e9 para dar voz para \u00e0queles que nunca tiveram, n\u00e3o para apoiar \u201ciluminados\u201d que falem pelos bairros pobres mesmo sequer conhecendo 1% de sua realidade. Por isso, em 2011, a organiza\u00e7\u00e3o colocou para circular a revista <em>Garganta Poderosa<\/em>, o meio de comunica\u00e7\u00e3o para que as comunidades falassem delas e para elas. \u201cObviamente, precisamos de companheiros que n\u00e3o s\u00e3o dos bairros se somem \u00e0 luta, porque \u00e9 uma luta de todos. Na Poderosa h\u00e1 muitos companheiros de fora, mas os moradores s\u00e3o aqueles que vivem a luta 24 horas, sete dias por semana\u201d, diz.<\/p>\n<p>Fidel tamb\u00e9m entende que, para mudar a sociedade, \u00e9 preciso primeiro construir a mobiliza\u00e7\u00e3o e organizar as comunidades. S\u00f3 depois, em sua vis\u00e3o, seria poss\u00edvel pensar em uma mudan\u00e7a estrutural que lhes permita sonhar em ocupar os espa\u00e7os dos quais sempre foram exclu\u00eddos, como a pol\u00edtica e o judici\u00e1rio. \u201cIsso ainda vai demorar muitos anos para ser poss\u00edvel\u201d, diz. Mesmo j\u00e1 com uma abrang\u00eancia importante e tendo conquistado uma voz, criar um partido n\u00e3o passa pelo ideia. Al\u00e9m disso, n\u00e3o seria interessante ser mais um partido a dividir o j\u00e1 fracionado voto da esquerda na Argentina. \u201cQuando nasceu La Poderosa, nasceu de uma necessidade de fazer diferente\u201d, diz, ressaltando, contudo, que a organiza\u00e7\u00e3o sabe de onde partiu, mas n\u00e3o tem um ponto de chegada. A aposta \u00e9 na caminhada e na constru\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<div id=\"attachment_692884\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-692884\" class=\"size-large wp-image-692884\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-3.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-3.jpg 800w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-3-720x480.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-692884\" class=\"wp-caption-text\">La Poderosa surgiu do futebol popular e hoje est\u00e1 presente em 11 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Foto Emergentes<\/p><\/div>\n<p>Confira a seguir a entrevista com Fidel Ruiz.<\/p>\n<p><strong>\u2013Como se deu a forma\u00e7\u00e3o de La Poderosa e deste movimento de organiza\u00e7\u00e3o entre bairros populares?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013La Poderosa nasceu h\u00e1 14 anos, em 8 de outubro de 2004, entendendo que tinha que ser uma organiza\u00e7\u00e3o que sa\u00edsse dos bairros, para atender as necessidades da comunidade e entendendo que os \u00fanicos fatores importantes da luta eram os vizinhos. E assim foi crescendo de uma maneira que muitos subestimavam. Come\u00e7amos com uma atividade de futebol popular, com uma bola, jogando futebol. Entendendo que dessa forma se poderia construir, porque o futebol era onde mais repercutia a viol\u00eancia, onde mais repercutia a discrimina\u00e7\u00e3o, o machismo, todas essas problem\u00e1ticas. Ent\u00e3o, n\u00f3s entendemos que se fiz\u00e9ssemos um futebol misto n\u00e3o era para sermos revolucion\u00e1rios, mas para que o bairro come\u00e7asse a crer que poderiam conviver em um mesmo campo mulheres e homens. E jogando sem \u00e1rbitro, n\u00e3o porque ele era ruim, mas porque acreditamos que assim se produzia um interc\u00e2mbio maior. Para n\u00f3s, o futebol n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um esporte, \u00e9 um espa\u00e7o de disputa, de forma\u00e7\u00e3o social, de educa\u00e7\u00e3o social, como dizemos, porque \u00e9 ali que repercutem muitas emo\u00e7\u00f5es, muitos saberes, muitas interpela\u00e7\u00f5es e muito dessa uni\u00e3o popular que muitas vezes os meios de comunica\u00e7\u00e3o, pelo menos na nossa experi\u00eancia da Argentina, n\u00e3o mostram. Sempre mostram todo o lado ruim, mas n\u00e3o mostram essa uni\u00e3o comunit\u00e1ria que existe. E assim nasceu e cresceu La Poderosa, trazendo os pais das crian\u00e7as que estavam discutindo sobre como iam disputar o futebol popular para uma assembleia, uma reuni\u00e3o semanal para discutir as problem\u00e1ticas dos bairros.<\/p>\n<p><strong>\u2013Quais eram os problemas que apareciam nas assembleias?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013Os mesmos problemas de agora, o tema da habita\u00e7\u00e3o, o tema da fome. A nossa primeira regra do futebol popular foi tomar caf\u00e9 da manh\u00e3, porque muitas das fam\u00edlias das crian\u00e7as, se compravam dois pacotes de arroz, tinham que reservar um para o dia ou a semana seguinte. Ent\u00e3o, o caf\u00e9 da manh\u00e3 se convertia na janta, nem sequer na merenda ou no almo\u00e7o. Os problemas de habita\u00e7\u00e3o eram muitos. Muitas das crian\u00e7as iam jogar descal\u00e7as porque tinham que guardar os chinelos, porque era o \u00fanico par de cal\u00e7ados para ir ao col\u00e9gio no dia seguinte. E assim milh\u00f5es de problemas, como tamb\u00e9m a falta de educa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o era porque as crian\u00e7as n\u00e3o queriam ir \u00e0 escola, mas porque n\u00e3o podiam ir porque n\u00e3o tinham dinheiro para o transporte, porque col\u00e9gios n\u00e3o aceitavam pela falta de cultura e tamb\u00e9m porque os livros escolares n\u00e3o chegavam \u00e0 periferia. O tema habitacional \u00e9 o grande problema que temos h\u00e1 muitos anos e alguns dos nossos bairros est\u00e3o sob o mesmo governo local h\u00e1 mais de 50 anos. Isso demonstra que h\u00e1 falta de vontade de resolver.<\/p>\n<p><strong>\u2013Os problemas s\u00e3o mais resultado da falta de compromisso dos governos locais ou da aus\u00eancia de pol\u00edticas nacionais para estas popula\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013Acredito que as duas coisas andam juntas. Atualmente, governo Macri e o governo que est\u00e1 na cidade de Buenos Aires s\u00e3o do mesmo partido, a assim foi na Prov\u00edncia e em muitos lugares ao longo da hist\u00f3ria. Mas entendemos que n\u00e3o h\u00e1 vontade, n\u00e3o h\u00e1 compromisso. Sempre falam de urbanizar, de localizar as pessoas que n\u00e3o t\u00eam casas, mas isso nunca termina sendo cumprindo. Eu vivo em Villa Zavaleta, onde come\u00e7ou La Poderosa, em que se urbanizou apenas um quarto dele e depois o dinheiro que estava designado para a urbaniza\u00e7\u00e3o desapareceu.<\/p>\n<p><strong>\u2013Quando ocorreu essa urbaniza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013As obras ocorreram entre 2003 e 2007. Mas isso n\u00e3o foi por compromisso estatal, foi porque os moradores se organizaram e acamparam, com barracas, na frente dos minist\u00e9rios. A policia os reprimiu muitas vezes. Tinha pessoas que ouviam promessas h\u00e1 40 anos e continuavam sem moradia digna. A\u00ed vemos que tanto os governos locais, como os nacionais, n\u00e3o t\u00eam a vontade de erradicar a pobreza.<\/p>\n<p><strong>\u2013Quais foram as obras feitas?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013Fizeram edif\u00edcios e casas. O plano principal previa um espa\u00e7o cultural, pra\u00e7as e parques. Em 2009, n\u00f3s fizemos a pra\u00e7a Kevin, em homenagem a um menino v\u00edtima de uma bala perdida. Essa pra\u00e7a quem fez foi a comunidade, n\u00e3o o Estado.<\/p>\n<div id=\"attachment_692875\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-692875\" class=\"size-large wp-image-692875\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-2.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-2.jpg 800w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-2-720x480.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-692875\" class=\"wp-caption-text\">Fidel diz que a mudan\u00e7a para as comunidades pobres s\u00f3 pode vir com a organiza\u00e7\u00e3o popular nos pr\u00f3prios bairros.\u00a0Foto Emergentes<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2013Estamos falando da d\u00e9cada passada, quando a Argentina tinha um governo popular ou supostamente popular. H\u00e1 alguma diferen\u00e7a entre como os governos kirchneristas e o atual trabalham os programas sociais e as pol\u00edticas para as comunidades populares?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013H\u00e1 diferen\u00e7as. O que acontece e o que o kirchnerismo nunca fez foi revitalizar as bases, sempre subestimou a luta das bases. Sempre reinou nos bairros o assistencialismo e o clientelismo, nunca uma forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o das refer\u00eancias sociais e dos lutadores. N\u00f3s, no La Poderosa, temos moradores que, quando aderiram ao movimento, j\u00e1 tinham 30 de anos de experi\u00eancia de luta. N\u00e3o estavam em nenhum partido pol\u00edtico, n\u00e3o porque a pol\u00edtica seja m\u00e1, mas porque a pol\u00edtica lhes mentiu. O kirchnerismo teve muitos avan\u00e7os de direitos humanos. Come\u00e7aram os julgamentos de lesa-humanidade dos militares. Houve muitos avan\u00e7os, mas tamb\u00e9m tivemos muitas defici\u00eancias.<\/p>\n<p>Tivemos o caso do menino Kevin, de 9 anos, morto por uma bala perdida das for\u00e7as nacionais, em 2013. For\u00e7as enviadas pelo mesmo governo Kirchner para \u201ccustodiar\u201d Villa Zabeleta. Ent\u00e3o, tinha dois lugares com a for\u00e7a nacional, supostamente para a nossa seguran\u00e7a, mas nesse dia n\u00e3o estavam. E esse dia n\u00e3o foi \u00fanico, tivemos muitos casos anteriores e muitos casos depois tamb\u00e9m. Assim, acreditamos que tamb\u00e9m n\u00e3o existe a vontade de cuidar da nossa seguran\u00e7a. Sempre dizemos que essas for\u00e7as de seguran\u00e7a estiveram para cuidar de quem estava fora, pois nos violentaram. Tivemos que criar um controle comunit\u00e1rio que cham\u00e1vamos de controle popular, onde vizinhos e vizinhas se organizavam para controlar as for\u00e7as de seguran\u00e7a que deviam estar cuidando de n\u00f3s. Acreditamos ent\u00e3o que estavam violentando os direitos humanos, no tema habitacional, cultural, esportivo, social, agora tamb\u00e9m nos violentavam os direitos de seguran\u00e7a. Assim, entendemos que a \u00fanica uni\u00e3o que vamos ter \u00e9 dos que est\u00e3o embaixo, porque, lamentavelmente, n\u00e3o h\u00e1 Estado que nos resguarde, resguarde o nosso futuro. Quando aconteceu com Kevin, dissemos que a pr\u00f3xima bala viria para n\u00f3s. N\u00e3o queremos que nos roubem mais futuros. Queremos que nossos meninos sigam sonhando, sigam desfrutando uma inf\u00e2ncia tranquila. E isso n\u00f3s vemos ainda mais no Macrismo. Se os nossos direitos n\u00e3o estavam garantidos, com esse governo muito menos.<\/p>\n<p><strong>\u2013As informa\u00e7\u00f5es que chegam s\u00e3o de que a pobreza extrema est\u00e1 crescendo sob o governo Macri. Como isso est\u00e1 afetando os bairros populares? As favelas est\u00e3o crescendo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013Primeiro, est\u00e1 tudo ruim, pelo menos o que est\u00e1 acontecendo nos bairros populares. Por exemplo, antes, os t\u00e1xis n\u00e3o entravam nos bairros, mas se podia chegar at\u00e9 certo ponto e caminh\u00e1vamos o resto das quadras. Em algum momento, isso deixou de acontecer, porque passou a ser muito caro para os moradores. Ent\u00e3o, se formaram cooperativas, que chamamos de <em>\u2018remises&#8217;<\/em>, que s\u00e3o moradores dos pr\u00f3prios bairros que cobram um pouco menos que os t\u00e1xis e que se pode chamar. Se tu est\u00e1 no Obelisco, por exemplo, te buscam e te deixam dentro dos bairros. Hoje, o que est\u00e1 acontecendo \u00e9 que muitos moradores est\u00e3o perdendo essa oportunidade de trabalho com os <em>remises<\/em>\u00a0porque os demais n\u00e3o t\u00eam dinheiro para pagar.<\/p>\n<p>Hoje, se tu tem dinheiro vivo, tem que pensar minuciosamente os gastos que vai ter semanalmente. Se tu consegue tal quantidade de dinheiro, j\u00e1 na tua cabe\u00e7a est\u00e1 pensando no que tem que gastar. Isso est\u00e1 repercutindo muito nos bairros, e tamb\u00e9m a falta de trabalho. Eu tenho 23 anos. Aos jovens de 18 a 24 anos est\u00e1 custando muito para conseguir um trabalho. E assim com muitos moradores. A venda ambulante est\u00e1 crescendo muito, porque se est\u00e1 sofrendo muito e j\u00e1 leva tr\u00eas anos de governo macrista em que isso se nota. Imagina que chegou no ponto de desespero que hoje os nossos vizinhos est\u00e3o observando se o d\u00f3lar aumenta ou n\u00e3o. Imagina. Imagina tamb\u00e9m todo esse apocalipse que vem dos meios de comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, porque tem meios que s\u00e3o pr\u00f3ximos do governo e outros que n\u00e3o s\u00e3o, mas te vendem um mundo que est\u00e1 caindo aos peda\u00e7os. Ningu\u00e9m fala a partir dos bairros e o que est\u00e1 acontecendo em nossos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>\u2013Por isso que La Poderosa construiu um canal pr\u00f3prio de comunica\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013Sim. Quando pensamos na Garganta Poderosa, que \u00e9 nosso ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o, pensamos que, de uma vez por todas, se fossemos falar dos bairros, isso deveria ser em primeira pessoa. Isso era importante para as pessoas, porque a Garganta n\u00e3o nasceu porque sim, n\u00e3o nasceu para um fim comercial, nasceu por uma necessidade de informar ou de gritar, de nos expressarmos. Chamamos de Garganta Poderosa porque a garanta \u00e9 o nosso grito, nossa voz. E Poderosa porque a luta que fazemos nos territ\u00f3rios tamb\u00e9m se faz pela comunica\u00e7\u00e3o. Para n\u00f3s, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o de luta, porque nossos moradores n\u00e3o estiveram 50, 60 anos trancados nas suas casas, estiveram 50, 60 anos lutando. E, no meio de tudo isso, os meios de comunica\u00e7\u00e3o despejando porcarias nas comunidades e n\u00e3o sabiam nem 1% do que se passava por l\u00e1. Ent\u00e3o, a Garganta representa isso, contar todas as problem\u00e1ticas que passam nos bairros e tamb\u00e9m contar todas as coisas boas. Desde um espa\u00e7o do futebol popular, um espa\u00e7o art\u00edstico, at\u00e9 uma nova casa para que as mulheres tenham um espa\u00e7o pr\u00f3prio, para que no futuro os meninos tenham um espa\u00e7o polidesportivo e tamb\u00e9m para forma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>De pouquinho em pouquinho, vamos contando n\u00f3s, e tamb\u00e9m dando uma vis\u00e3o da favela do que est\u00e1 passando, tanto na conjuntura argentina, como latino-americana. Hoje, as vozes da Poderosa s\u00e3o conhecidas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, porque quando o governo toma uma medida, ou tal pessoa disse tal coisa sobre os bairros, nos chamam. Por qu\u00ea? Porque constru\u00edmos a legitimidade vinda de baixo.\u00a0Quando lan\u00e7amos a revista, em primeiro de janeiro de 2011, escolhemos a data por duas raz\u00f5es. Primeiro, porque \u00e9 a data da revolu\u00e7\u00e3o cubana. E segundo porque era o \u00fanico dia que a imprensa que tem o monop\u00f3lio do papel na Argentina n\u00e3o circulava, o \u00fanico dia que n\u00e3o jogariam porcaria nos bairros.<\/p>\n<div id=\"attachment_692893\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-692893\" class=\"size-large wp-image-692893\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-4.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-4.jpg 800w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-4-720x480.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-692893\" class=\"wp-caption-text\">Inaugurac\u00e3o da Casa da Mulher na Vila 21. Foto Emergentes<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2013Como o movimento pensa em crescer para as comunidades que ainda n\u00e3o est\u00e3o organizadas? Como ocorre esse trabalho de comunica\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o nos novos bairros?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013Primeiro, n\u00f3s n\u00e3o temos um livro que diga \u2018\u00e9 assim\u2019. N\u00f3s sempre dizemos que La Poderosa, mais do que nunca, se reconhece pela pr\u00e1tica, se conhece pela a\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00f3s mostramos a legitimidade aut\u00f4nomo, autogestionada. A revista, vendemos n\u00f3s mesmos, em todas as universidades, em todos os espa\u00e7os culturais, nas ruas. N\u00f3s nascemos da luta, o que n\u00f3s fazemos \u00e9 contagiar esses lugares mostrando como fomos nos organizando frente \u00e0s necessidades. La Poderosa nasceu de uma necessidade. A Garganta nasceu de uma necessidade tamb\u00e9m. E lamentavelmente nascem de uma necessidade, porque n\u00e3o nascemos no mundo ideal, nascemos neste mundo com contradi\u00e7\u00f5es, muitos preconceitos. E tamb\u00e9m mostrando a grande organiza\u00e7\u00e3o que existe nos territ\u00f3rios. Mostramos isso em cada palestra para a qual somos convidados nas universidades, em cada espa\u00e7o cultural que nos convidam para falar, em cada espa\u00e7o que temos.<\/p>\n<p><strong>\u2013E como ocorre o processo de chegada em cidades de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, como no Brasil? <\/strong><em>[La Poderosa tem rela\u00e7\u00f5es com movimentos sociais de Porto Alegre e de cidades como Salvador e Niter\u00f3i]<\/em><\/p>\n<p>\u2013Primeiro, entendendo que, quando n\u00f3s come\u00e7amos, em 2004, chamamos de La Poderosa por dois motivos. Primeiro, porque defendemos a palavra poder. Sempre nos acostumamos a acreditar que a palavra poder era ruim e n\u00e3o poderia se construir a partir dali. Mas podemos construir, sim, de baixo. Os governos que mais foram reivindicativos do povo sa\u00edram de baixo tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, n\u00f3s acreditamos que \u00e9 poss\u00edvel. E chamamos Poderosa tamb\u00e9m porque assim se chamava a moto de Che, com a qual ele percorreu toda a Am\u00e9rica Latina. N\u00f3s acreditamos nisso, que n\u00e3o podemos falar de Venezuela sem conhecer a realidade da Venezuela. N\u00e3o podemos falar da Col\u00f4mbia sem conhecer a realidade. Tudo o que fazemos, e nos custa muito, \u00e9 viajar, conhecer a realidade, conhecer as experi\u00eancias e convid\u00e1-los a fazer parte desta experi\u00eancia que soubemos construir na Argentina. No Brasil, certamente em Porto Alegre, pensamos nisso. Por isso fazer um F\u00f3rum Latino-Americano, uma C\u00fapula de Bases, tamb\u00e9m para que Porto Alegre possa se somar \u00e0 luta Poderosa latino-americana. Por isso reunir refer\u00eancias de direitos humanos, feminismo, cultura, esportes, da problem\u00e1tica da terra, para expressar e demonstrar que as lutas latino-americanas n\u00e3o s\u00e3o dispersas, que agora \u00e9 quando mais juntas elas devem estar. Acreditamos que, quando come\u00e7amos a nacionalizar a Poderosa na Argentina, t\u00ednhamos que conhecer a realidade. Se a Garganta tinha que comunicar algo sobre outros estados, deveria comunicar a partir das pessoas que viviam nesses locais. E assim acreditamos em cada setor da Am\u00e9rica Latina, por isso fazemos assembleias em todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, Cuba e M\u00e9xico.<\/p>\n<p><strong>\u2013Voltando \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Argentina. O governo Macri, assim como o governo brasileiro, tem uma pol\u00edtica econ\u00f4mica que os meios de comunica\u00e7\u00e3o vendem como a \u00fanica poss\u00edvel. N\u00e3o se pode gastar com pol\u00edticas sociais porque \u00e9 preciso pagar os credores, os juros, porque t\u00eam que fazer o ajuste fiscal e ocorre a nega\u00e7\u00e3o das alternativas. Nos dois pa\u00edses, a pobreza tamb\u00e9m voltou a crescer. Como as pessoas e os meios de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e3o tratando esse crescimento da pobreza?<\/strong><\/p>\n<p>\u00ad\u2013Na Argentina, \u00e9 muito dif\u00edcil a comunica\u00e7\u00e3o. Hoje, todos os meios tradicionais, se podemos falar assim, jogam junto com o governo macrista. H\u00e1 um que outro que pode fazer algo diferente, mas todos est\u00e3o com o macrismo, tratando de justificar certas pol\u00edticas de estado, o porqu\u00ea a infla\u00e7\u00e3o da Argentina n\u00e3o baixar, que agora s\u00f3 vai baixar em fevereiro do ano que vem, enquanto o pr\u00f3ximo semestre seguir\u00e1 muito mal. Em mar\u00e7o deste ano, em Tucum\u00e1n, um policial matou um menino de 12 anos com um tiro na nuca, pelas costas. Todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o trataram de justificar a a\u00e7\u00e3o do policial e at\u00e9 hoje permanecem justificando. Ou seja, tentam justificar que a vida de um menino de 12 anos n\u00e3o vale nada, porque era um delinquente, quando todos sabemos dos problemas que existem por tr\u00e1s.<\/p>\n<p>E, no ano passado, tamb\u00e9m tivemos a m\u00e1 experi\u00eancia de um caso de desaparecimento for\u00e7ado seguido de morte, de Santiago Maldonado, no sul da Patag\u00f4nia Argentina, que lutava junto com os mapuches argentinos, que hoje est\u00e3o sendo violentados e sendo tratados como terroristas, obviamente, com o acompanhamento do Chile, que est\u00e1 fazendo uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a em que cada dia os reprimem mais. Todo os meios tratando de dizer qualquer barbaridade, levantando hip\u00f3teses de qualquer magnitude, dando voz para os funcion\u00e1rio do macrismo que diziam que Santiago Maldonado estava escondido no Chile, estava num lado ou no outro. Dois meses depois, o corpo apareceu no mesmo rio onde supostamente n\u00e3o o encontravam. Agora, tentam dar outra justificativa. Um m\u00eas depois, acontece o caso de Rafael Nahuel <em>[morto em novembro de 2017 durante uma opera\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o de posse na prov\u00edncia de Rio Negro]<\/em>, tamb\u00e9m de viol\u00eancia da for\u00e7a nacional contra a luta mapuche. Tentaram justificar que Rafael estava armado, quando as principais hip\u00f3teses dizem que n\u00e3o estava, e assim com muitas causas em que os meios de comunica\u00e7\u00e3o ficaram do lado do macrismo.<\/p>\n<div id=\"attachment_692866\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-692866\" class=\"size-large wp-image-692866\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-1.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-1.jpg 800w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-1-720x480.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-692866\" class=\"wp-caption-text\">Foto Emergentes<\/p><\/div>\n<p>Hoje, reivindicam a abertura de um restaurante comunit\u00e1rio, quando todos sabemos que abrir um restaurante comunit\u00e1rio \u00e9 reconhecer e afirmar que est\u00e1 em pobreza. Em todas essas coisas, em quest\u00f5es econ\u00f4micas, sociais, comunit\u00e1rias, os meios ficam do lado do macrismo. Nesses tr\u00eas anos <em>[de governo Macri]<\/em>, muitos ve\u00edculos despediram trabalhadores e os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios sa\u00edram a justificar suas demiss\u00f5es. Muitos que ficaram tamb\u00e9m saem a justificar a demiss\u00e3o dos seus colegas, companheiros que conheciam h\u00e1 anos, ent\u00e3o assim vemos que est\u00e3o com esse governo todos os meios econ\u00f4micos, judici\u00e1rio, de seguran\u00e7a e tamb\u00e9m de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u2013Mas com o crescimento dos problemas, tamb\u00e9m cresce uma press\u00e3o popular. Qual tu achas que ser\u00e1 o resultado dessa press\u00e3o diante do cont\u00ednuo crescimento da pobreza?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013Hoje, na cidade de Buenos Aires, por exemplo, n\u00e3o h\u00e1 um dia em que n\u00e3o haja uma manifesta\u00e7\u00e3o social, porque se entende que, se n\u00e3o sairmos para a rua, nada vai acontecer. E tamb\u00e9m porque os meios de comunica\u00e7\u00e3o interpretam mal as informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o informam o porqu\u00ea de as pessoas estarem as ruas, apenas o caos no tr\u00e2nsito, nunca a causa. Hoje, as pessoas est\u00e3o se manifestando por uma necessidade. No ano passado, sofremos repress\u00e3o como h\u00e1 muitos anos n\u00e3o sofr\u00edamos na Argentina na luta contra a reforma da Previd\u00eancia. Aumentaram a idade de aposentadoria e cortaram benef\u00edcios sociais, e o povo saiu para as ruas. O povo est\u00e1 protestando a cada segundo. Tamb\u00e9m protestou quando morreu Santiago Maldonado. E essa semana voltou a sair contra o projeto do governo nacional de voltar a instalar as for\u00e7as militares na seguran\u00e7a interna, que supostamente v\u00e3o controlar as fronteiras argentinas para combater o narcotr\u00e1fico e o terrorismo que pode vir do exterior. Mas entendemos que, na \u00faltima vez que isso aconteceu <em>[na ditadura militar]<\/em>, todos sabemos as consequ\u00eancias. Por isso o povo vai protestar, n\u00e3o vai porque sim, mas porque nunca mais queremos isso. O povo argentino est\u00e1 resistindo muito para que terminem todos os ajustes, toda as pol\u00edticas, todos os decretos. Mas tamb\u00e9m porque tem um valor na sociedade argentina que \u00e9 o de lutar. Ao longo da hist\u00f3ria, a Argentina lutou nas ruas, desde a ditadura militar, depois, antes, em todos os anos 90, 2000, nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tentamos tratar de interpelar as demais classes sociais para que n\u00e3o seja uma luta de classes, que s\u00f3 os pobres est\u00e3o marchando porque n\u00e3o tem trabalho. Tem que ser uma luta conjunta. Quando na Argentina se cantava, em 2001, \u201cPiquete y cacerola \u00a1la lucha es una sola!\u201d\u00a0<em>[Piquete e panela, a luta \u00e9 uma s\u00f3!]<\/em>, os piquetes faziam convoca\u00e7\u00f5es para as marchas a todas as classes sociais. Hoje, parte da resist\u00eancia popular se d\u00e1 tamb\u00e9m na classe m\u00e9dia, porque ela tamb\u00e9m est\u00e1 passando mal, n\u00e3o somente os que vivem nos bairros populares. Tem que haver essa hecatombe, esse desajuste, para que o povo se una. N\u00f3s, com a Garganta Poderosa, tentamos fazer isso, tentamos interpelar. N\u00e3o tentamos dizer \u201cessa \u00e9 a verdade\u201d, dizemos o que est\u00e1 acontecendo e tentamos informar a sociedade para que cada vez mais estejamos do mesmo lado e lutando. O que est\u00e1 acontecendo na Argentina \u00e9 isso.<\/p>\n<div id=\"attachment_692911\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-692911\" class=\"size-large wp-image-692911\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-6.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-6.jpg 800w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-6-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-6-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/La-Poderosa-Emergentes-6-720x480.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-692911\" class=\"wp-caption-text\">Foto Emergentes<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lu\u00eds 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