{"id":6561,"date":"2011-08-29T00:00:00","date_gmt":"2011-08-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2011-08-29T18:45:07","modified_gmt":"2011-08-29T18:45:07","slug":"manifestacao-popular-desafia-o-oligopolio-da-midia-no-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2011\/08\/manifestacao-popular-desafia-o-oligopolio-da-midia-no-chile\/","title":{"rendered":"Manifesta\u00e7\u00e3o popular desafia o oligop\u00f3lio da m\u00eddia no Chile"},"content":{"rendered":"<p>Estudantes protestam contra o sistema caro e marcado pela desigualdade http:\/\/www.radiotierra.cl\/node\/3279. Grupos da sociedade civil e ecologistas se manifestam contra o projeto hidrel\u00e9trico HydroAys\u00e9n, com algum sucesso no \u00e2mbito jur\u00eddico. Os mineiros ainda enfrentam as terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es, s\u00e3o mal remunerados e n\u00e3o ha o que comemorar no primeiro anivers\u00e1rio do resgate dos &#8220;33&#8221;. No sul, a minoria ind\u00edgena mapuche encontrou um novo aliado para suas reivindica\u00e7\u00f5es territoriais e culturais. Em Santiago, os estudantes ocuparam v\u00e1rias vezes a sede da televis\u00e3o privada Chilevisi\u00f3n, propriedade de Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era antes de assumir a presid\u00eancia. Apesar da forte repress\u00e3o policial, mais de 500 marchas de protesto foram realizadas na capital desde o in\u00edcio do ano.<\/p>\n<p>Em visita ao Chile, pela comemora\u00e7\u00e3o do 20\u00ba anivers\u00e1rio da esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio comunit\u00e1ria Radio Tierra http:\/\/www.radiotierra.info\/node\/3225, os Rep\u00f3rteres sem Fronteiras puderam constatar como as not\u00edcias e informa\u00e7\u00f5es desempenham um papel importante na manifesta\u00e7\u00e3o do descontentamento popular. Todos os participantes online, comunidade e m\u00eddia alternativa, representantes de grupos da sociedade civil e jornalistas estrangeiros podem constatar que os protestos questionam o sistema pol\u00edtico, econ\u00f4mico e midi\u00e1tico herdado do per\u00edodo de Pinochet. Nos vinte anos de poder da Coaliz\u00e3o de Partidos pela Democracia, os meios de comunica\u00e7\u00e3o ficaram centrados em poucos m\u00e3os, provocando conflitos de interesse e impedindo o pluralismo.  O oligop\u00f3lio midi\u00e1tico est\u00e1 para explodir?<\/p>\n<p>Coaliz\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Cause, An\u00e1lisis, Apsi, Fort\u00edn Mapocho, La \u00c9poca \u2013 estes nomes n\u00e3o significam muito para a atual gera\u00e7\u00e3o estudantil que est\u00e1 nas ruas. Sem d\u00favida, esses peri\u00f3dicos desempenharam um papel fundamental de uma nova era, o referendum de 1988 que acabou com a ditadura e abriu caminho para a Coaliz\u00e3o de Partidos pela Democracia, coaliz\u00e3o de partidos de centro-esquerda e democrata-crist\u00e3os, que chegaram ao poder dois anos mais tarde. Criada em 1987, a campanha vote &#8220;N\u00e3o&#8221; a Pinochet e apoiada pela imprensa ainda dissidente, a coaliz\u00e3o p\u00f4s fim a 17 anos de censura direta. Foi uma grande conquista, mas insuficiente para muitos.<\/p>\n<p>Francisco Martorelli, ex vice-presidente da Escola de Jornalistas de 2006 a 2008 e hoje editor de El Periodista, uma publica\u00e7\u00e3o mensal com tiragem de 12.000 exemplares com uma vers\u00e3o on-line bem conhecida http:\/\/elperiodistaonline.cl\/, critica com veem\u00eancia o balan\u00e7o dos 20 anos da Coaliz\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCause, Fort\u00edn e outros peri\u00f3dicos da mesma linha sobreviveram por um tempo gra\u00e7as \u00e0 ajuda externa que se organizou no per\u00edodo da ditadura. Depois de 1990, a m\u00eddia deixou de ser prioridade para o governo, que j\u00e1 tinha conquistado o retorno da democracia e nunca tocou no sistema de subs\u00eddios implantados durante a ditadura de Pinochet. Este sistema, que resultou no desaparecimento da imprensa oposicionista, eliminou-a pela segunda vez, ap\u00f3s o regresso da democracia, quando mal acabara de ser ressuscitada. Resumindo, hoje h\u00e1 muito pouca m\u00eddia impressa no Chile do que no final da ditadura!\u201d<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a m\u00eddia chilena se caracterizou por uma extrema concentra\u00e7\u00e3o propriet\u00e1ria. Um exemplo disso \u00e9 o grupo espanhol Prisa, (propriet\u00e1rio do jornal El Pa\u00eds), que det\u00e9m cerca de 60% das esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio do Chile. Entretanto, os principais casos s\u00e3o os dois oligop\u00f3lios da midia nacional, grupo El Mercurio editor do di\u00e1rio El Mercurio e, Copesa, propriet\u00e1rio do di\u00e1rio La Tercera e editor da principal revista. \u00danicos benefici\u00e1rios de at\u00e9 5 milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais do sistema de subven\u00e7\u00e3o instaurado durante o regime ditatorial, esses dois conglomerados continuam sendo benefici\u00e1rios exclusivos desde 1990. O resto da m\u00eddia tem que enfrentar as flutua\u00e7\u00f5es do mercado sem nenhuma forma de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mauricio Weibel, hoje correspondente de v\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o estrangeiros, participou de cinco projetos nos \u00faltimos cinco anos.. \u201cSem a internet, seria totalmente imposs\u00edvel lan\u00e7ar qualquer tipo de m\u00eddia alternativa,\u201d explicou. \u201cA distribui\u00e7\u00e3o de peri\u00f3dicos j\u00e1 \u00e9 muito dif\u00edcil devido \u00e0 caracter\u00edstica geogr\u00e1fica do pa\u00eds. Para a impress\u00e3o do jornal, \u00e9 necess\u00e1rio dirigir-se aos oligop\u00f3lios. O mesmo ocorre com a distribui\u00e7\u00e3o, porque eles possuem os pontos de venda. No que tange \u00e0s esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio, elas pertencem ao setor privado, que se confunde totalmente com o setor financeiro.\u201d No final, \u00e9 ele quem decide a aloca\u00e7\u00e3o da publicidade necess\u00e1ria, sem qualquer controle p\u00fablico.<\/p>\n<p>Longa espera pelas esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dios<\/p>\n<p>\u201cSe este modelo est\u00e1 sendo questionado, deve-se particularmente ao governo de Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, que tem parte de sua origem direitista pr\u00f3-Pinochet e que se encontra vinculado aos grupos econ\u00f4micos dominantes e assim, apenas interessado em mant\u00ea-lo,\u201d comentou um jornalista. Poder ocorrer demora para as muitas m\u00eddias comunit\u00e1rias, que todavia se encontram econ\u00f4mica e juridicamente incapacitadas. As esperan\u00e7as poderiam ter sido melhores agora do que no per\u00edodo da Coaliza\u00e7\u00e3o em 1994, quando a lei de cobertura m\u00ednima foi adotada no per\u00edodo da transi\u00e7\u00e3o do presidente Patricio Aylwin para Eduardo Frei. Esta legisla\u00e7\u00e3o, a primeira do g\u00eanero no Chile, legalizou as esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio do tipo comunit\u00e1rio, com poder de transmiss\u00e3o limitado a 1 watt. Essa lei foi aprovada, apesar da forte resist\u00eancia dos oposicionistas conservadores, que queriam penalizar essa transmiss\u00e3o como ilegal.<\/p>\n<p>Durante a presid\u00eancia de Michelle Bachelet (2006-2010), foi aprovada uma nova lei de servi\u00e7os comunit\u00e1rios e de cidadania, que aumentou o poder de transmiss\u00e3o para 25 watts, ou 40 watts para as esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio localizadas em locais remotos, incluindo as comunidades ind\u00edgenas, para cumprir com os padr\u00f5es jur\u00eddicos interamericanos sobre a promo\u00e7\u00e3o das culturas minorit\u00e1rias. A nova legisla\u00e7\u00e3o introduziu duas cl\u00e1usulas novas. Uma dizia respeito \u00e0 necessidade de ser uma &#8220;organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil&#8221; que pudesse operar como uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio.  A outra, referia-se ao direito de transmitir publicidade, mas somente para empresas fisicamente localizadas na \u00e1rea de cobertura da difus\u00e3o. A co-diretora da R\u00e1dio Terra e presidente internacional da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de R\u00e1dios Comunit\u00e1rias (AMARC), Maria Pia Matta, critica a Coaliz\u00e3o por aprovarem esta lei, que ainda n\u00e3o foi promulgada.<\/p>\n<p>\u201cA no\u00e7\u00e3o do per\u00edmetro geogr\u00e1fico foi tomada como crit\u00e9rio e n\u00e3o uma defini\u00e7\u00e3o clara do que \u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio comunit\u00e1ria,\u201d lamentou. \u201cA lei fala sobre as \u2018organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil\u2019 sem maiores esclarecimentos. Elas podem se referir a igrejas protestantes ou neg\u00f3cios.\u201d O n\u00famero de esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio comunit\u00e1rias no Chile dependem muito dos crit\u00e9rios da nova lei ou da AMARC, que exclui as esta\u00e7\u00f5es que tem cunho pol\u00edtico ou proselitismo religioso. Se voc\u00ea levar em conta a nova lei, 350. Se a AMARC, 30. Matta critica com severidade: &#8220;o maior erro cometido por Michellet Bachelet em 2008, foi a chamada lei &#8220;expressa&#8221;, que foi promulgada e que priorizou as concess\u00f5es perp\u00e9tuas de frequ\u00eancia para r\u00e1dios comerciais.&#8221;<\/p>\n<p>Desde o terrremoto ocorrido em fevereiro de 2010, as esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio comunit\u00e1rias se encontram em estado prec\u00e1rio e apesar de terem provado a sua efic\u00e1cia durante as situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia locais, s\u00e3o as mais prejudicadas com o decreto assinado pelo atual presidente em outubro de 2010, que permite a redistribui\u00e7\u00e3o de transmiss\u00e3o de determinadas frequ\u00eancias sem prever uma parte das concess\u00f5es para os meios de comunica\u00e7\u00e3o que s\u00e3o muito pequenos para suportar a concorr\u00eancia do mercado.<\/p>\n<p>Tabu Mapuche<\/p>\n<p>\u201cEstamos testemuhando uma transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica?\u201d pergunta o diretor do escrit\u00f3rio da ag\u00eancia espanhola EFE em Santiago, Manuel Fuentes,. \u201cIndubitavelmente \u00e9 muito cedo para dizer. Mas obviamente os conflitos atuais sobre quest\u00f5es educacionais e ambientais se manifestam contra um modelo econ\u00f4mico desconexo e brutal. H\u00e1 um aumento de consci\u00eancia e at\u00e9 mesmo uma cidadania emergente que ficou estagnada por muito tempo devido ao trauma vivido durante a ditadura.\u201d E logicamente, \u00e9 a\u00ed, onde esta pesada heran\u00e7a foi mais sentida que o descontentamento foi mais forte. Em Araucan\u00eda, a terra ancestral de Mapuche.<\/p>\n<p>O conflito ecol\u00f3gico e pol\u00edtico entre as comunidades ind\u00edgenas Mapuche e os grupos agro-industriais vinculados sobretudo \u00e0s poderosas fam\u00edlias Matte e Angelini \u00e9 antigo. A grande parte da fortuna dessas fam\u00edlias prov\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o florestal e da ind\u00fastria pesqueira. Estima-se que hoje a \u00e1rea ocupada seja de 3 milh\u00f5es de hectares, cinco vezes mais do que a \u00e1rea dispon\u00edvel aos Mapuche. A influ\u00eancia direta dos interesses econ\u00f4micos nos meios de comunica\u00e7\u00e3o explicam a quase total aus\u00eancia de cobertura dos conflitos na maior parte da imprensa. Na verdade, ainda \u00e9 um tabu que o caso Hydro-Ays\u00e9n, uma quest\u00e3o nacional, seja divulgado na imprensa, que apenas agora come\u00e7a a se projetar. http:\/\/en.rsf.org\/chile-press-freedom-cases-highlight-17-05-2011,40290.html.<\/p>\n<p>Finalmente, no dia 22 de junho, foram reitrados os processos instaurados contra Marcela Rodriguez, uma jovem fot\u00f3grafa do website Mapuexpress, http:\/\/www.mapuexpress.net\/, que foi detida durante uma manifesta\u00e7\u00e3o anti-HydroAys\u00e9n em maio. Mas isso teria acontecido se a manifesta\u00e7\u00e3o contra o projeto tivesse ocorrido tivesse restrito a Araucania? Esta quest\u00e3o \u00e9 trazida \u00e0 baila porque no mesmo per\u00edodo, a CORFO, ag\u00eancia p\u00fablica que patrocinou a produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio de Elena Varela, autora do filme Newen Mapuche, se negou a distribu\u00ed-lo, alegando que promoveria uma &#8220;imagem negativa de Araucania. \u201d Al\u00e9m de estar desanimada, Elena foi detida enquanto filmava em 2008 e somente dois anos depois \u00e9 que ela finalmente foi absolvida de ter &#8220;v\u00ednculos com uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista&#8221;, um resqu\u00edcio da ditadura. Introduzido sob a forma de lei em 1984, hoje a acusa\u00e7\u00e3o s\u00f3 se aplica aos ativistas Mapuche.<\/p>\n<p>\u201cSem duvida, os protestos contra a hidrel\u00e9trica Hydro Ays\u00e9n tamb\u00e9m levantou a quest\u00e3o Mapuche no debate p\u00fablico,\u201d comentou Varela. \u201cFoi s\u00f3 no \u00faltimo momento \u00e9 que veio a p\u00fablico a exist\u00eancia do projeto desta hidrel\u00e9trica, ap\u00f3s a assinatura dos contratos. As pessoas descobriram que os fatos foram omitidos por muito tempo e que n\u00e3o existe acesso real \u00e0s informa\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Rotas alternativas<\/p>\n<p>Essa opini\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 compartilhada por Flavia Liberona, uma ativista ambiental que dirige h\u00e1 quatro anos a funda\u00e7\u00e3o Terram. \u201cA maioria das pessoas que se manifestaram contra o projeto HydroAys\u00e9n em Santiago, n\u00e3o conhecia os detalhes e n\u00e3o estavam familiarizados com essa regi\u00e3o, onde a hidrel\u00e9trica seria constru\u00edda. Isso significa que uma nova gera\u00e7\u00e3o de meio de comunica\u00e7\u00e3o ou circuitos de informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 surgindo.\u201d<\/p>\n<p>Criada como ONG em 1997, Terram publica um boletim di\u00e1rio, monitiorando quest\u00f5es ambientais que v\u00e3o desde a pesca e biodiversidade \u00e0 explora\u00e7\u00e3o mineral http:\/\/www.terram.cl\/. Segundo a diretora, hoje a publica\u00e7\u00e3o conta com 4.000 assinantes e est\u00e1 come\u00e7ando a ser vista como refer\u00eancia mesmo para as autoridades. \u201cComo resultado da enorme oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 HydroAys\u00e9n, um senador da regi\u00e3o de Ays\u00e9n, Antonio Horvath, adotou uma posi\u00e7\u00e3o ecologista embora seja da direita conservadora. Esta posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixou de influir na suspens\u00e3o do projeto, por parte da Corte de Apela\u00e7\u00e3o de Puerto Montt, no \u00faltimo dia 20 de junho. Em outras palavras, tudo dever\u00e1 ser debatido novamente.&#8221;<\/p>\n<p>\u201cA marginalidade acabou nos unindo,\u201d disse a diretora da Pressenza, Pia Figueroa, http:\/\/pressenza.com\/, uma ag\u00eancia on-line especializada na cobertura de conflitos e na promo\u00e7\u00e3o da n\u00e3o-viol\u00eancia. \u201cO apoio de nossas redes externas \u00e9 decisivo no processo de constru\u00e7\u00e3o de formas alternativas de comunica\u00e7\u00e3o,\u201d acrescenta.<\/p>\n<p>Mauricio Weibel n\u00e3o discorda dessa declara\u00e7\u00e3o. Atualmente Weibel trabalha na cria\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sulamericana de Representantes da Imprensa Estrangeira, cujo congresso inaugural ocorrer\u00e1 em outubro, em Santiago. \u201cPara n\u00f3s, correspondentes da imprensa estrangeira, \u00e9 mais f\u00e1cil obter informa\u00e7\u00f5es, inclusive das autoridades, do que para a imprensa nacional,\u201d comentou Weibel. \u201cHoje, o desafio \u00e9 saber como garantir que as informa\u00e7\u00f5es sobre o Chile e divulgadas primeiro no exterior retorne ao p\u00fablico chileno, que \u00e9 o principal interessado. Por exemplo, h\u00e1 cerca de dois anos eu fui o primeiro a revelar os planos do governo sobre o controle das redes sociais. As manifesta\u00e7\u00f5es atuais foram necess\u00e1rias para que finalmente a m\u00eddia dominante chilena decidisse abordar a quest\u00e3o, que ainda \u00e9 not\u00edcia.\u201d<\/p>\n<p>Francisco Martorell de El Periodista \u00e9 cauteloso e prev\u00ea muitos outros est\u00e1gios antes da democratiza\u00e7\u00e3o real das informa\u00e7\u00f5es e not\u00edcias no Chile. \u201cNenhum partido pol\u00edtico de qualquer tend\u00eancia se comprometeram verdadeiramente com a liberdade de express\u00e3o e o pluralismo,\u201d. \u201cE mais, n\u00e3o h\u00e1 a descriminaliza\u00e7\u00e3o dos delitos da imprensa, como a difama\u00e7\u00e3o. O perigo dos jornalistas serem encarcerados ainda existe.\u201d O pr\u00f3prio Martorelli viveu essa situa\u00e7\u00e3o, por ter revelado um caso de pedofilia que implicava uma personalidade de alto n\u00edvel.<\/p>\n<p>O diretor de EFE, Manuel Fuentes, aguarda pelo an\u00fancio de uma determin\u00e3o contra a impunidade desde que o fot\u00f3grafo da EFE, Victor Salas, perdeu a vis\u00e3o de um olho ap\u00f3s ter sido agredido violentamente pelas autoridades policiais enquanto cobria a manifesta\u00e7\u00e3o de professores em Valpara\u00edso em maio de 2008. O sargento da pol\u00edcia que atacou Salas foi identificado. E o que ocorreu?<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um ano, o promotor tentou encerrar o caso,\u201d disse Fuentes. \u201cEle teve que voltar atr\u00e1s diante de todas as evid\u00eancias que a Pol\u00edcia de Investiga\u00e7\u00e3o (PDI) coletou no decurso de sua investiga\u00e7\u00e3o. No entanto, isso n\u00e3o resolve o problema da justi\u00e7a militar, que \u00e9 respons\u00e1vel pelo caso, j\u00e1 que o acusado \u00e9 um policial.\u201d A heran\u00e7a do golpe militar de 1973 ainda persiste. N\u00e3o obstante, quanto \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e pluralismo, no Chile a luta est\u00e1 a caminho de se tornar algo mais do que Patricio Aylwin, denominou em sua posse emm 1990: &#8220;uma democracia na medida do poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p>Por Beno\u00eet Hervieu, Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras Am\u00e9ricas<\/p>\n<p>(com a colabora\u00e7\u00e3o de AMARC &#8211; Internacional e R\u00e1dio Terra)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de um ano, ao receber o grupo de trinta e tr\u00eas mineiros que ficaram aprisionados em consequ\u00eancia do desabamento de uma mina no deserto do Atacama, o presidente Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era disse:  \u201cNasce um novo Chile!\u201d . <\/p>\n<p>O pa\u00eds mudou desde ent\u00e3o, mas n\u00e3o como esperavam os atuais ocupantes do Pal\u00e1cio La Moneda de Santiago de Chile. <\/p>\n","protected":false},"author":524,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[104,42,111],"tags":[],"class_list":["post-6561","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-do-sul","category-internacional-2","category-politica-pt-pt"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Manifesta\u00e7\u00e3o popular desafia o oligop\u00f3lio da m\u00eddia no Chile<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"H\u00e1 cerca de um ano, ao receber o grupo de trinta e tr\u00eas mineiros que ficaram aprisionados em consequ\u00eancia do desabamento de uma mina no deserto do Atacama, o presidente Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era disse: \u201cNasce um novo Chile!\u201d .   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