{"id":57503,"date":"2013-06-20T06:32:11","date_gmt":"2013-06-20T05:32:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pressenza.com\/?p=57503"},"modified":"2013-06-20T16:44:33","modified_gmt":"2013-06-20T15:44:33","slug":"o-relato-dos-presos-nos-protestos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2013\/06\/o-relato-dos-presos-nos-protestos\/","title":{"rendered":"O relato dos presos nos protestos"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Obrigaram-nos a cortar os cabelos \u201ca zero\u201d e a barba de quem a tivesse. Uns deveriam cortar os cabelos dos outros, o que causa grande constrangimento em quem corta e sensa\u00e7\u00e3o de humilha\u00e7\u00e3o em quem tem seus cabelos cortados dessa maneira. \u00c9 uma viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica<\/p>\n<p><em>Ederson Duda da Silva<\/em><\/p>\n<p><em>Daniel Silva Ferreira<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu, Ederson Duda da Silva, estudante do curso superior de Audiovisual e que trabalho como Editor de Imagens; e Daniel Silva Ferreira, que trabalha como Auxiliar de Designer, fomos abordados e presos na rua Artur Prado esquina de rua Pedroso, pr\u00f3ximo \u00e0 av. Brigadeiro Luis Ant\u00f4nio, bairro da Liberdade, S\u00e3o Paulo, por volta de 21h30 pela Pol\u00edcia Militar durante o 3\u00ba Grande Ato Contra o Aumento da Tarifa de S\u00e3o Paulo ter\u00e7a-feira, 11 de junho de 2013.<\/p>\n<p>Apesar de bem localizado, o endere\u00e7o que os policiais fizeram constar no Boletim de Ocorr\u00eancia foi \u201cPra\u00e7a da S\u00e9, em frente ao Tribunal de Justi\u00e7a\u201d. Caminh\u00e1vamos pela rua Pedroso em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 av. Brigadeiro Luiz Antonio quando dois policiais \u00e0 paisana atravessaram a rua e, apontando os rev\u00f3lveres e mandaram-nos encostar na parede. Fomos revistados rapidamente pela Pol\u00edcia Militar e um outro policial do Rocam, de moto. N\u00e3o portamos armas, n\u00e3o somos agressivos, n\u00e3o aceitamos nenhum dos adjetivos pelos quais nos chamaram a partir desse momento.<\/p>\n<p>Um dos policiais nos disse que chamaria um outro para que reconhecesse em n\u00f3s algu\u00e9m que lhe tinha jogado uma pedra. N\u00e3o fizemos isso. N\u00e3o jogamos pedra ou qualquer outro objeto em qualquer pessoa, fosse policial ou n\u00e3o. Caminh\u00e1vamos de volta para casa, ap\u00f3s participar da manifesta\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, um\u00a0\u00a0outro policial foi chamado e deu o veredito: \u201cForam eles. Podem levar\u201d.<\/p>\n<p>A partir desse momento come\u00e7ou nosso mart\u00edrio: Entre improp\u00e9rios e muitos palavr\u00f5es, nos algemaram e nos levaram para o 1\u00ba. Distrito Policial, no pr\u00f3prio bairro da Liberdade. Foi quando ouvimos uma das frases mais inusitadas de nossas vidas, dita por um dos policiais: \u201cAgora vamos chamar a m\u00eddia. Voc\u00eas se preparem para ficar famosos.\u201d Pensamos que fosse bravata. Mas eles tinham realmente esse poder. Uma equipe de reportagem da TV Globo logo chegou e nos gravou. N\u00e3o fomos entrevistados, n\u00e3o falaram conosco. Fomos \u201capresentados \u00e0 imprensa\u201d somente. Mas um dos policiais da delegacia gravou uma fala, onde disse que est\u00e1vamos sendo acusados de \u201cdesacato \u00e0 autoridade, dilapida\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio p\u00fablico e agress\u00e3o\u201d. S\u00f3 a\u00ed, ouvindo o policial falar \u00e0 TV, soubemos das acusa\u00e7\u00f5es que nos faziam. Injustamente, afirmamos.<\/p>\n<p>Pensamos que, diante de tantos acontecimentos na Manifesta\u00e7\u00e3o \u2013 da qual participamos pacificamente \u2013 a pol\u00edcia se sentiu na obriga\u00e7\u00e3o de prender algu\u00e9m, fosse quem fosse. Tanto que nos prenderam num lugar onde n\u00e3o transitam tantas pessoas, praticamente sem testemunhas, mas registraram um outro endere\u00e7o \u2013 a pra\u00e7a da S\u00e9 \u2013 onde estava acontecendo um grande massacre da Pol\u00edcia Militar contra os manifestantes.<\/p>\n<p>Ficamos na delegacia em p\u00e9, encostados numa parede, enquanto tr\u00eas dos policiais que nos prenderam davam um \u201cdepoimento\u201d ao delegado. N\u00e3o ouvimos o que disseram, mas achamos estranho que isso n\u00e3o fosse feito na nossa frente. Afinal, n\u00e3o temos experi\u00eancia nesse tipo de coisa. Nunca fomos presos antes.<\/p>\n<p>Pedimos para fazer um telefonema, o que nos foi negado. Estranhamente, n\u00e3o nos comunicaram formalmente que ficar\u00edamos presos, nem do que \u00e9ramos acusados. Soubemos disso ao acaso, na hora em que o policial dava entrevista \u00e0 TV. Nossa sorte foi que o dr. Bruno , advogado que j\u00e1 atendia outras pessoas e era nosso conhecido, nos ajudou \u00e0quela hora.<\/p>\n<p>Permanecemos no 1\u00ba. DP at\u00e9 duas ou tr\u00eas horas da madrugada. Depois nos algemaram de novo, como se f\u00f4ssemos perigosos, e nos transferiram para o 2\u00ba. Distrito Policial, no bairro do Bom Retiro. A raz\u00e3o dessa transfer\u00eancia, segundo os policiais, era de que no 2\u00ba. DP ficavam as pessoas presas \u201cem flagrante\u201d. Ora, flagrante do qu\u00ea? And\u00e1vamos pela rua, simplesmente, na hora da pris\u00e3o.\u00a0\u00a0Nada mais.<\/p>\n<p>No 2\u00ba. Distrito ficamos numa cela com mais seis presos, que dormiam \u00e0 hora em que chegamos. Nos acomodamos como pudemos e dormimos at\u00e9 a manh\u00e3 seguinte. Por volta das 10 horas nos chamaram, nos identificaram com fotos e passamos por um aparelho de \u201creconhecimento da fala\u201d, outra coisa que n\u00e3o conhec\u00edamos nem sabemos para que serve.<\/p>\n<p>&#8230;E veio mais uma transfer\u00eancia, a segunda em pouco mais de 12 horas. Antes de nos levarem para o CDP \u2013 Centro de Deten\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria \u2013 do Bel\u00e9m, nos levaram para o IML para exame de corpo de delito. Fomos com v\u00e1rios outros presos, pela nossa conta cerca de 30, algemados uns aos outros. Isso aconteceu dentro de apenas um caminh\u00e3o da pol\u00edcia, e o ar quase nos faltava na carroceria fechada.<\/p>\n<p>Chegando ao IML ficamos, todos os presos, dentro de uma sala min\u00fascula, de p\u00e9, esperando nossa vez de sermos examinados. Ap\u00f3s o exame, nos colocaram novamente no caminh\u00e3o para fazer outra transfer\u00eancia. Perguntamos v\u00e1rias vezes para onde estavam nos levando, mas ningu\u00e9m respondia. A inseguran\u00e7a, diante dessa sensa\u00e7\u00e3o de \u201cn\u00e3o-exist\u00eancia\u201d, \u00e9 altamente estressante. Na verdade apavorante. Mas o pior ainda n\u00e3o tinha chegado.<\/p>\n<p>Depois da viagem dentro do caminh\u00e3o da policia, com os outros presos, chegamos ao CDP Bel\u00e9m 2, onde fomos revistados e nos fizeram cortar as barras das cal\u00e7as, transformando-as em bermudas, pois l\u00e1 era proibido cal\u00e7a que n\u00e3o fosse a padr\u00e3o do uniforme interno \u2013 outra medida sobre a qual jamais ouvimos falar. Ficamos na \u201ccela de inclus\u00e3o\u201d com mais 12 presos. Era uma cela escura, com o ch\u00e3o cheio de \u00e1gua, onde t\u00ednhamos que dividir as camas com outros. Chegamos l\u00e1 depois da hora do almo\u00e7o. Isso significa que o preso, depois dessa hora, n\u00e3o pode comer nada antes da hora da janta. Ou seja, ficamos sem comer o dia inteiro \u2013 e nada t\u00ednhamos comido no dia anterior.<\/p>\n<p>Obrigaram-nos a cortar os cabelos \u201ca zero\u201d e a barba de quem a tivesse. Uns deveriam cortar os cabelos dos outros, o que causa grande constrangimento em quem corta e sensa\u00e7\u00e3o de humilha\u00e7\u00e3o em quem tem seus cabelos cortados dessa maneira. \u00c9 uma viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Ficamos l\u00e1 at\u00e9 um pouco antes seis horas da tarde, quando nos chamaram para fazer outra identifica\u00e7\u00e3o e depois nos separaram dos outros presos e, numa cela onde ficamos junto com outros dois presos por terem participado da Manifesta\u00e7\u00e3o, passaram a nos dizer que \u00e9ramos \u201cinimigos do governo\u201d, que a nossa pris\u00e3o era pol\u00edtica e serviria de exemplo para os manifestantes do lado de fora, entre outras coisas, como que n\u00f3s \u201cn\u00e3o sab\u00edamos com quem est\u00e1vamos lidando\u201d. Al\u00e9m disso, um outro agente penitenci\u00e1rio veio nos dizer que n\u00e3o sabia ainda o que ia acontecer conosco e que est\u00e1vamos sendo separados dos demais presos porque er\u00e1mos \u201cperigosos\u201d e \u201cpara n\u00e3o organizar os presos acusados de delitos comuns\u201d. Disse ainda que essa ordem partia de algu\u00e9m muito acima dele, hierarquicamente, e, portanto n\u00e3o poderia questionar nem nada fazer. No CDP Bel\u00e9m-2 tamb\u00e9m nos chamaram de vagabundos, v\u00e2ndalos, baderneiros e de \u201cterroristas do Estado\u201d ao nos levar para um cambur\u00e3o e dizer que mais uma vez ser\u00edamos transferidos. Perguntamos e, novamente, nos disseram que n\u00e3o podiam responder &#8211; e que apenas o motorista sabia para onde nos levaria.\u00a0\u00a0N\u00e3o sabemos o que pretendiam com isso \u2013 fora o absurdo que representa tratamento t\u00e3o constrangedor, na tentativa de nos atingir humana e moralmente.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o comportamento que deve ter um funcion\u00e1rio p\u00fablico? O que ganha ele com isso? O que ganha a pol\u00edcia \u2013 que ele representa &#8211;\u00a0\u00a0como institui\u00e7\u00e3o do Estado?<\/p>\n<p>Mais uma vez, no carro, a transfer\u00eancia feita de novo na hora em que seria servido a janta &#8211; ficamos sem comer por mais de vinte e quatro horas &#8211; seguimos para o pres\u00eddio de Trememb\u00e9, considerado de seguran\u00e7a m\u00e1xima \u2013 como, soubemos depois, foi fartamente noticiado pela imprensa. Na viagem, o motorista freava abruptamente, provocando susto e queda. Durante o percurso, os agentes que nos transportaram diziam que est\u00e1vamos sendo levados para o pres\u00eddio de Urso Branco, que fica localizado em Rond\u00f4nia, que morrer\u00edamos l\u00e1 para servir de exemplo as pessoas do lado de fora que queriam se manifestar, que n\u00e3o dever\u00edamos ter desafiado o Governo, que ganhamos \u201cPasse Livre\u201d pra cadeia. Soubemos que est\u00e1vamos em Trememb\u00e9 quando chegamos l\u00e1. Foi surpreendente at\u00e9 para os funcion\u00e1rios do pres\u00eddio, que disseram que n\u00f3s n\u00e3o dever\u00edamos estar naquela penitenci\u00e1ria e que est\u00e1vamos l\u00e1 por ordem superior muito acima deles. Foi uma surpresa tamb\u00e9m para os presos, pois n\u00e3o somos criminosos nem suspeitos de crime algum.<\/p>\n<p>Passamos de novo pelo processo de identifica\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o no pres\u00eddio de Trememb\u00e9, pedimos para fazermos uma liga\u00e7\u00e3o \u2013 j\u00e1 que esse direito nos foi negado desde in\u00edcio \u2013 e disseram que n\u00e3o pod\u00edamos ligar, pois como presidi\u00e1rios n\u00e3o t\u00ednhamos esse direito l\u00e1, apenas na delegacia. Continuamos afastados de tudo o que estava acontecendo do lado de fora, sem poder falar com o advogado, avisar nossos familiares que est\u00e1vamos sendo acusados arbitrariamente, pois t\u00ednhamos medo de que soubessem que est\u00e1vamos presos atrav\u00e9s de notici\u00e1rios \u2013 j\u00e1 que a TV filmou nossa pris\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00f3 fomos soltos na quinta-feira, dia 12\/6, depois de paga a fian\u00e7a. Soubemos que estamos sendo processados por agress\u00e3o, dano ao patrim\u00f4nio p\u00fablico, desacato \u00e0 autoridade! Isso nos deixa indignados, pois nada devemos nesse sentido e jamais nos envolvemos nesses crimes. Exercemos, simplesmente, o nosso direito de cidad\u00e3os, de nos manifestar contra o que n\u00e3o concordamos \u2013 no caso o aumento da passagem. Fizemos isso pacificamente, junto com milhares de pessoas. Se houve excessos e gestos incontrol\u00e1veis, isso tem que ser creditado a outra conta que n\u00e3o a nossa. A trucul\u00eancia policial, que aumentou muito na segunda Manifesta\u00e7\u00e3o, enquanto est\u00e1vamos presos, pode ser considerada abusiva e incontrol\u00e1vel. Soubemos da pris\u00e3o de mais de uma dezena de jornalistas, que foram impedidos de fazer seu trabalho. Mas outros continuaram em seu lugar, e a TV, os jornais e as fotos nas redes sociais puderam mostrar isso fartamente. Se houve alguma baderna, ela partiu da pol\u00edcia do Estado de S\u00e3o Paulo, com certeza.<\/p>\n<p>Assinado<\/p>\n<p><em>Ederson Duda da Silva<\/em><\/p>\n<p><em>Daniel Silva Ferreira<\/em><\/p>\n<p>Publicado pelo Brasil de Fato<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Obrigaram-nos a cortar os cabelos \u201ca zero\u201d e a barba de quem a tivesse. 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