{"id":37108,"date":"2013-02-07T23:37:45","date_gmt":"2013-02-07T23:37:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pressenza.com\/?p=37108"},"modified":"2013-02-07T23:37:45","modified_gmt":"2013-02-07T23:37:45","slug":"estamos-devendo-muito-ao-povo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2013\/02\/estamos-devendo-muito-ao-povo-brasileiro\/","title":{"rendered":"\u201cEstamos devendo muito ao povo brasileiro\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\">N\u00e3o mexemos na estrutura deste Estado, que continua sendo uma cidadela dos grandes interesses econ\u00f4micos e culturais, a\ufb01rma Ol\u00edvio Dutra. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Mat\u00e9ria de\u00a0<\/span><em>Daniel Cassol ,\u00a0<\/em><em>de Porto Alegre (RS) para Brasil de Fato<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde quando criticou as \u201cm\u00e1s com\u00adpanhias\u201d que teriam levado o PT a enve\u00adredar pelos caminhos ortodoxos da po\u00adl\u00edtica, Ol\u00edvio Dutra vem sendo uma das vozes internas cr\u00edticas ao processo de in\ufb02ex\u00e3o conservadora do pr\u00f3prio parti\u00addo. Fundador do partido, primeiro prefeito petista em Porto Alegre, governa\u00addor do Rio Grande do Sul entre 1999 e 2002 e ministro das Cidades no primei\u00adro mandato do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, Ol\u00edvio Dutra faz um ba\u00adlan\u00e7o realista dos dez anos de PT no go\u00adverno federal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o mexemos na estrutura deste Es\u00adtado, que continua sendo uma cidade\u00adla dos grandes interesses econ\u00f4micos e culturais\u201d, a\ufb01rma. Em entrevista ao\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>, Ol\u00edvio, que esteve pre\u00adsente no lan\u00e7amento do jornal durante\u00a0o F\u00f3rum Social Mundial em janeiro de 2003, em Porto Alegre, reconhece os limites da gest\u00e3o petista, que come\u00e7ou naquele mesmo m\u00eas. \u201cTemos uma gran\u00adde d\u00edvida pela frente, mesmo que tenha\u00admos conquistado melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e de protagonismo pol\u00edtico de mi\u00adlh\u00f5es de brasileiros\u201c, reconhece, defen\u00addendo que o partido e a esquerda reto\u00admem o debate sobre as transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de um balan\u00e7o dos \u00faltimos dez anos, o ex-governador ga\u00facho apontou os limites da experi\u00eancia petista, os de\u00adsa\ufb01os da esquerda e n\u00e3o deixou de refor\u00ad\u00e7ar sua posi\u00e7\u00e3o sobre a postura do parti\u00addo em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cmensal\u00e3o\u201d: \u201cO PT ja\u00admais poderia ter feito isso mas pode, da\u00adqui para frente, se assumir como partido da transforma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o da concilia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato \u2013 O Brasil de Fato foi lan\u00e7ado em janeiro de 2003, logo ap\u00f3s a posse de Lula, durante o F\u00f3rum Social Mundial. O primeiro n\u00famero do jornal trazia uma entrevista com o economista Celso Furtado e a manchete: \u201c\u00c9 preciso coragem para mudar o Brasil\u201d. Passados dez anos do projeto do PT no poder, houve necess\u00e1ria coragem para as mudan\u00e7as profundas no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ol\u00edvio Dutra \u2013<\/strong>\u00a0Lembro de um cidad\u00e3o da Bossoroca (cidade ga\u00facha das Mis\u00ads\u00f5es, terra natal de Ol\u00edvio) que tinha 90 e tantos anos e dizia: \u201cCoragem n\u00e3o me falta, me falta ar\u201d. N\u00e3o faltou coragem nos dois mandatos do Lula e neste que est\u00e1 se desenrolando com a Dilma. Mas \u00e9 bem verdade que n\u00e3o rompemos com conjunturas adversas. Acabamos con\u00adtemporizando sob a alega\u00e7\u00e3o da gover\u00adnabilidade, tendo que construir uma maioria n\u00e3o program\u00e1tica no Congres\u00adso, tanto no primeiro quanto no segun\u00addo governo do Lula, e at\u00e9 mesmo ago\u00adra. Mesmo havendo coragem para en\u00adfrentar os desa\ufb01os de um pa\u00eds t\u00e3o gran\u00adde e com desigualdades imensas, esta maioria n\u00e3o program\u00e1tica sempre pu\u00adxou para baixo a execu\u00e7\u00e3o de um pro-grama que enfrentasse com radicalida\u00adde situa\u00e7\u00f5es de desigualdade que pe\u00adnalizam milh\u00f5es de brasileiros. Ent\u00e3o, penso que coragem n\u00e3o faltou.<\/p>\n<p>E pol\u00edti\u00adca evidentemente se faz com coragem, mas tamb\u00e9m com clareza dos objeti\u00advos. Por isso, penso que ainda h\u00e1 mui\u00adto o que fazer. Estamos devendo muito ao povo brasileiro, mesmo que tenha\u00admos conquistados direitos sociais, me\u00adlhor distribui\u00e7\u00e3o da renda, oportunida\u00adde de emprego e trabalho regular. Mas n\u00e3o \ufb01zemos, por exemplo, a reforma agr\u00e1ria com a radicalidade necess\u00e1ria. Com a maioria que constitu\u00edmos, n\u00e3o \ufb01zemos nenhuma das reformas funda\u00admentais do Estado. Temos uma grande d\u00edvida pela frente, mesmo que tenha\u00admos conquistado melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e de protagonismo pol\u00edtico de milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<p><strong>Como o senhor mesmo diz, apesar dos avan\u00e7os nas \u00e1reas econ\u00f4mica e social, os governos Lula e Dilma n\u00e3o enfrentaram quest\u00f5es estruturais. Foi por causa da governabilidade ou o projeto do PT no poder acabou sendo n\u00e3o enfrentar estes temas?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Sou um dos fundadores do PT e at\u00e9 hoje n\u00e3o vi nenhuma inst\u00e2ncia do par\u00adtido se decidir por um projeto que \ufb01\u00adque estacion\u00e1rio ou que se condicione \u00e0s conjunturas. Se isso est\u00e1 andando, \u00e9 por conta de alguns setores que est\u00e3o se contemplando com o que j\u00e1 se conquis\u00adtou. Se pensamos que dialogar com am\u00adplos setores da sociedade brasileira \u00e9 su\ufb01ciente, que isso abre espa\u00e7os e reduz press\u00f5es, o projeto vai \ufb01cando, na sua realiza\u00e7\u00e3o, cada vez mais longe. O ho\u00adrizonte vai \ufb01cando mais distante. E isso sem ter tido uma discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o papel de um partido de esquerda e do so\u00adcialismo democr\u00e1tico em sendo governo e tendo representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para en\u00adfrentar um Estado que n\u00e3o \u00e9 o que aco\u00adlhe um projeto de transforma\u00e7\u00e3o social? N\u00e3o mexemos na estrutura deste Es\u00adtado, que continua sendo uma cidade\u00adla dos grandes interesses econ\u00f4micos e culturais. As elites se sentem muito con\u00adtrariadas em terem tido a fraqueza de deixar o povo brasileiro eleger um me\u00adtal\u00fargico para a Presid\u00eancia da Rep\u00fabli\u00adca, e agora uma mulher que vem de uma luta que n\u00e3o \u00e9 a luta que eles sempre pa\u00adtrocinaram. Mas isso n\u00e3o os impede de continuar tendo poder. Porque poder n\u00e3o \u00e9 apenas estar no governo. O prota\u00adgonismo do povo brasileiro ainda preci\u00adsa ser estimulado, provocado. N\u00f3s che\u00adgamos no governo e de certa forma con\u00adtemporizamos com as coisas.<\/p>\n<p>Os movi\u00admentos sociais t\u00eam presen\u00e7a nos conse\u00adlhos aqui e acol\u00e1, mas isso garante for\u00e7a para os movimentos sociais e mobiliza\u00ad\u00e7\u00e3o ampla que um governo de transfor\u00adma\u00e7\u00e3o precisa ter na base da sociedade para poder avan\u00e7ar? Isso n\u00e3o temos res\u00adpondido como partido. Ali\u00e1s, qual o pro\u00adjeto que a esquerda brasileira tem para\u00a0o pa\u00eds, n\u00e3o apenas para ganhar elei\u00e7\u00f5es? Como a esquerda v\u00ea o Brasil e a possibi\u00adlidade de transform\u00e1-lo? E estabelecer entre si compromissos e poder alternar\u00adse por dentro da esquerda, e n\u00e3o a es\u00adquerda disputar esta ou aquela elei\u00e7\u00e3o e depois ter que fazer negocia\u00e7\u00f5es em que\u00a0o seu projeto se estilha\u00e7a e o horizon\u00adte da transforma\u00e7\u00e3o \ufb01ca cada vez mais distante.<\/p>\n<p>O PT \u00e9 o maior partido de es\u00adquerda do pa\u00eds e n\u00e3o nasceu de gabine\u00adtes, mas est\u00e1 cada vez mais dependente destes nichos de poder dentro de um Es\u00adtado que est\u00e1 longe de ter esse controle p\u00fablico e popular efetivo. E estamos ge\u00adrindo esse Estado. \u00c9 uma discuss\u00e3o s\u00e9\u00adria que precisamos nos debru\u00e7ar sobre ela. O PT tem que fazer a obriga\u00e7\u00e3o de fazer isso. N\u00e3o esgotou este projeto na medida em que n\u00e3o se tornar um parti\u00addo da acomoda\u00e7\u00e3o e se mantiver como partido da transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O senhor defende a necessidade de a esquerda, n\u00e3o s\u00f3 o PT, discutir o que quer para o Brasil.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O PT aceitou o jogo democr\u00e1tico, mas a democracia n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica, \u00e9 um pro\u00adcesso. Temos que estabelecer formas de ir desmontando a l\u00f3gica do Estado que funciona bem para poucos e mal para a maioria. Temos que discutir como agir por dentro do Estado, em um processo democr\u00e1tico, mas n\u00e3o perdendo o obje\u00adtivo estrat\u00e9gico de ganhar for\u00e7a na base\u00a0da sociedade, semear transforma\u00e7\u00f5es. N\u00e3o temos que sair com um tijolo em cada m\u00e3o, ou dando murro em ponta de faca, mas temos que ter consci\u00eancia que o partido tem de ser uma escola pol\u00edtica. Pode haver uma altern\u00e2ncia entre as \ufb01\u00adguras dos diferentes partidos de esquer\u00adda, desde que haja um compromisso de sequ\u00eancia do projeto de transforma\u00ad\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de acomoda\u00e7\u00e3o. Nosso parti\u00addo tem que tirar li\u00e7\u00f5es dos governos que j\u00e1 exercemos, mas n\u00e3o \ufb01car se autoelo\u00adgiando e nem se remoendo. H\u00e1 uma rea\u00adlidade a ser enfrentada. E \u00e9 preciso ter povo mobilizado constantemente, n\u00e3o como massa de manobra, mas para for-mar uma base de sustenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O senhor acredita que ainda haja espa\u00e7o para isso no PT? O senhor e outros dirigentes v\u00eam defendo uma retomada de velhas tradi\u00e7\u00f5es do PT, mas n\u00e3o \u00e9 ilus\u00f3rio imaginar que o partido voltar a ser algo que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais?<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o prego este retorno, mas tam\u00adb\u00e9m a\ufb01rmo que, sem ra\u00edzes, uma \u00e1rvore n\u00e3o tem tronco com seiva su\ufb01 ciente pa\u00adra sustentar a galharia l\u00e1 em cima. E es\u00adsas ra\u00edzes s\u00e3o as lutas sociais e popula\u00adres, de um per\u00edodo hist\u00f3rico importante do pa\u00eds, no qual se originou esse ambien\u00adte de funda\u00e7\u00e3o do PT. A conjuntura mun\u00addial \u00e9 desa\ufb01adora. Vamos buscar apenas nos adaptar? N\u00e3o \u00e9 uma oportunidade de darmos um salto? O PT tem que debater isso.<\/p>\n<p>As inst\u00e2ncias partid\u00e1rias afrouxa\u00adram-se de tal maneira que inclusive tive\u00admos pessoas importantes do PT que co\u00admeteram pol\u00edticas que n\u00e3o se diferen\u00adciam das pol\u00edticas tradicionais que sem\u00adpre condenamos, sob alega\u00e7\u00e3o da gover\u00adnabilidade e essas coisas todas. Isso n\u00e3o pode ser culpa apenas desta ou daque\u00adla \ufb01gura, mas as estruturas partid\u00e1rias n\u00e3o estavam su\ufb01cientemente atentas ou atuantes, e se criaram essas situa\u00e7\u00f5es em que as pessoas pensavam que podiam fa\u00adzer ou desfazer coisas que depois se jus\u00adti\ufb01cariam pelos objetivos. E isso levou a essa situa\u00e7\u00e3o que estamos sofrendo, que \u00e9 a A\u00e7\u00e3o Penal 470, o chamado mensa\u00adl\u00e3o, que n\u00e3o pode ser o objetivo do nosso debate \ufb01car remoendo, acusando aqui ou ali, mas se superando.<\/p>\n<p>Achar que pode\u00admos comprar e vender opini\u00e3o, comprar e vender posi\u00e7\u00f5es, comprar e vender vo\u00adtos, isso \u00e9 o pior da pol\u00edtica, que tem des\u00adgra\u00e7ado o povo brasileiro e desquali\ufb01ca\u00addo as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. O PT jamais poderia ter feito isso mas pode, daqui para frente, se assumir como partido da transforma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o da concilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Apesar das cr\u00edticas ao julgamento do mensal\u00e3o, o governador ga\u00facho Tarso Genro vem a\ufb01rmando em artigos que o partido deve mudar de agenda. \u00c9 o que o senhor est\u00e1 dizendo tamb\u00e9m?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O partido n\u00e3o deve \ufb01car se justi\ufb01cando, mas n\u00e3o deve tamb\u00e9m colocar a ca\u00adbe\u00e7a no ch\u00e3o como avestruz. Tem que assumir que houve erros de conduta po\u00adl\u00edtica. N\u00e3o \u00e9 condenar Fulano ou Bel\u00adtrano, mas assumir que em uma situa\u00ad\u00e7\u00e3o tal, as inst\u00e2ncias do partido n\u00e3o fo\u00adram capazes de n\u00e3o se deixar aprovar por condutas assim. E ir adiante, evi\u00addentemente. Penso que a pol\u00edtica para n\u00f3s tem que ser a constru\u00e7\u00e3o do bem comum, com protagonismo das pesso\u00adas. O Estado, para funcionar bem, tem que estar sob controle p\u00fablico efetivo. Esse \u00e9 um objetivo, colocar o Estado sob controle da sociedade. E para isso \u00e9 pre\u00adciso ter espa\u00e7o para os movimentos so\u00adciais, instig\u00e1-los dentro da sua autono\u00admia. Um governo tem limites para exe\u00adcutar coisas, mas n\u00e3o pode submeter os movimentos sociais a esses limites que tem na institucionalidade.<\/p>\n<p><strong>O Brasil de Fato foi lan\u00e7ado durante o F\u00f3rum Social Mundial. O balan\u00e7o que o senhor faz do FSM e das coisas que aconteceram no Brasil e na Am\u00e9rica Latina nestes dez anos \u00e9 otimista ou pessimista?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 realista. H\u00e1 avan\u00e7os importantes, que n\u00e3o fossem as edi\u00e7\u00f5es do FSM n\u00e3o teriam acontecido. Agora, h\u00e1 coisas que poderiam ter ido mais longe. O FSM tamb\u00e9m n\u00e3o pode \ufb01car atrelado e depen\u00addente de governos, mesmo que sejam go\u00advernos s\u00e9rios e comprometidos com as lutas sociais. O F\u00f3rum tem que ter for-mas de fazer com que suas delibera\u00e7\u00f5es ecoem nas inst\u00e2ncias supranacionais, nos organismos internacionais. O fato de o FSM ter perdido um pouco do foco, porque se mundializou, passou a aconte\u00adcer em diferentes locais e depois ter en\u00adcontros maiores, continentais, para de\u00adpois ter um encontro global, tem que ser revisto, para n\u00e3o se perder.<\/p>\n<p><strong>E qual o balan\u00e7o realista que o senhor faz da imprensa alternativa brasileira neste per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p>Cresceu muito, eu penso. Temos mui\u00adtos ve\u00edculos alternativos, mas qual \u00e9 o conte\u00fado, o que est\u00e3o provocando? Pen-so que esse \ufb02orescimento de uma im\u00adprensa alternativa \u00e9 um caminho im\u00adportante para enfrentar os grandes gru\u00adpos econ\u00f4micos que lidam com a infor\u00adma\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso ter uma mir\u00edade de fon\u00adtes alternativas de informa\u00e7\u00e3o e comuni\u00adca\u00e7\u00e3o. Mas precisam ter uma vis\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 cada uma no seu territ\u00f3rio, na sua ca\u00adtegoria, \u00e9 preciso ter uma vis\u00e3o de como as coisas se relacionam, se interligam. E isso tamb\u00e9m \u00e9 papel dos partidos pol\u00ed\u00adticos, instigar essas rela\u00e7\u00f5es e a quali\ufb01\u00adca\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o. Temos um gover\u00adno com problemas s\u00e9rios na rela\u00e7\u00e3o com os grandes grupos econ\u00f4micos e a gran\u00adde m\u00eddia.<\/p>\n<p>A grande m\u00eddia se alimenta das contas de publicidade do governo e das empresas p\u00fablicas. Enquanto isso, pa\u00adra jornais e ve\u00edculos alternativos sobram migalhas. S\u00e3o quest\u00f5es pol\u00edticas e preci\u00adsam ser encaradas. Isto \u00e9 uma d\u00edvida que ainda n\u00e3o saldamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o mexemos na estrutura deste Estado, que continua sendo uma cidadela dos grandes interesses econ\u00f4micos e culturais, a\ufb01rma Ol\u00edvio Dutra. 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