{"id":340153,"date":"2016-07-12T16:06:28","date_gmt":"2016-07-12T15:06:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?p=340153"},"modified":"2016-07-12T16:10:48","modified_gmt":"2016-07-12T15:10:48","slug":"relacao-das-guerras-e-conflitos-armados-com-as-migracoes-e-refugiados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2016\/07\/relacao-das-guerras-e-conflitos-armados-com-as-migracoes-e-refugiados\/","title":{"rendered":"A rela\u00e7\u00e3o das guerras e conflitos armados com as migra\u00e7\u00f5es e os refugiados"},"content":{"rendered":"<p><em>Reproduzimos aqui o texto lido por Fernando Su\u00e1rez, argentino radicado no Brasil, na Mesa:\u00a0Mesa de debate: Guerras e conflitos armados, sua rela\u00e7\u00e3o com as migra\u00e7\u00f5es e refugio no VII F\u00f3rum Social Mundial das Migra\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Falar de refugiados e migra\u00e7\u00f5es sem falar da ind\u00fastria armamentista (o complexo militar industrial) \u00e9 deixar de lado os verdadeiros interesses que est\u00e3o por detr\u00e1s <strong>deste<\/strong> fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria B\u00e9lica \u00e9 a grande <strong>m\u00e1quina<\/strong> que impulsiona as guerras e conflitos internos nos pa\u00edses para obter lucros gigantescos, avan\u00e7ar e apoderar-se das riquezas de cada pa\u00eds no qual <strong>interv\u00e9m<\/strong> ou simplesmente vender armas para os dois lados em luta.<\/p>\n<p>Com isto geram um efeito que a pr\u00f3pria ind\u00fastria b\u00e9lica chama de colateral, que \u00e9 uma imensa massa de pessoas que fogem da viol\u00eancia, da instabilidade democr\u00e1tica, da fome etc, deslocando-se para outras regi\u00f5es dentro do seu pr\u00f3prio pa\u00eds, para pa\u00edses vizinhos, ou para outros pa\u00edses mais distantes onde se visualizem melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>Isto, desde o ponto de vista deles, de certa forma \u00e9 bom, porque o desespero do refugiado ou imigrante quando chega a seu novo destino faz gerar m\u00e3o de obra barata para as empresas que somente visam o lucro e n\u00e3o hesitam em tirar todo direito ao novo trabalhador.<\/p>\n<p>Mario Luis Rodrigues Cobos, autor conhecido como Silo, em seu livro Carta a meus Amigos, nos diz :<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 medida que as for\u00e7as que o grande capital mobiliza, v\u00e3o asfixiando os povos, surgem posturas incoerentes que come\u00e7am a fortalecer-se ao explorar esse mal estar, canalizando-o contra falsos culpados. Na base destes neo-fascismos est\u00e1 uma profunda nega\u00e7\u00e3o dos valores humanos.\u201d<\/p>\n<p>Desde essa postura neo-fascista avan\u00e7a a ideia discriminat\u00f3ria de que as culturas contaminam, de que os estrangeiros sujam e poluem, que tiram os empregos, fazendo surgir xenofobias de todo tipo. Ate chegar ao ponto de que pa\u00edses como o Reino Unido, prefere sair do mercado comum europeu a ter que acolher refugiados que eles mesmo ajudaram a gerar .<\/p>\n<p><strong>Atingindo<\/strong> um de cada 113 seres humanos, o deslocamento for\u00e7ado bate <strong>cifras recordes<\/strong>.<\/p>\n<p>O conflito e a <strong>persegui\u00e7\u00e3o<\/strong> provocaram <strong>um aumento consider\u00e1vel<\/strong> no deslocamento for\u00e7ado em 2015, alcan\u00e7ando o maior n\u00edvel jamais registrado, provocando um tremendo sofrimento humano, de acordo com o informe apresentado este ano pela ACNUR, a Agencia da ONU para os Refugiados.<\/p>\n<ul>\n<li>Atualmente existem 65,3 milh\u00f5es de pessoas deslocadas, \u00e9 a primeira vez que se supera <strong>a marca de<\/strong> 60 milh\u00f5es.<\/li>\n<li>No total, o n\u00famero de deslocados for\u00e7ados hoje \u00e9 maior que a popula\u00e7\u00e3o de pa\u00edses como Reino Unido, Fran\u00e7a ou It\u00e1lia.<\/li>\n<li>No final de 2005, a ACNUR registrava uma media de 6 pessoas deslocadas a cada minuto. Hoje o n\u00famero \u00e9 de 24 por minuto \u2013 quase o dobro da frequ\u00eancia habitual com que uma pessoa adulta respira.<\/li>\n<li>Tr\u00eas pa\u00edses geram a metade dos refugiados do mundo: S\u00edria com 4,9 milh\u00f5es, Afeganist\u00e3o com 2,7 milh\u00f5es e Som\u00e1lia com 1,1 milh\u00f5es.<\/li>\n<li>Por outro lado, a Col\u00f4mbia com 6,9 milh\u00f5es, S\u00edria com 6,6 milh\u00f5es, Iraque com 4,4 milh\u00f5es e I\u00eamen com 2,5 milh\u00f5es, registram as maiores cifras de deslocados internos.<\/li>\n<li>86 por cento dos refugiados<strong> sob<\/strong> o amparo da ACNUR em 2015 estavam em pa\u00edses de rendas baixas e m\u00e9dias, pr\u00f3ximos a zonas de conflito.<\/li>\n<li>O L\u00edbano acolheu mais refugiados em compara\u00e7\u00e3o com sua popula\u00e7\u00e3o que nenhum outro pa\u00eds (183 refugiados <strong>para<\/strong> cada 1.000 habitantes).<\/li>\n<li>Em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho da sua economia, a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo foi o pa\u00eds que acolheu mais refugiados (471 refugiados <strong>para<\/strong> cada d\u00f3lar de PIB per <strong>capta,<\/strong> medidos em termos de paridade do poder aquisitivo).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Este crescimento recorde se deve principalmente a tr\u00eas motivos: as situa\u00e7\u00f5es que provocam os grandes fluxos de refugiados est\u00e3o durando mais (por exemplo, os conflitos na Som\u00e1lia e Afeganist\u00e3o est\u00e3o agora na sua terceira e quarta d\u00e9cada, respectivamente); com frequ\u00eancia surgem novos conflitos ou se reativam outros j\u00e1 existentes (hoje o maior \u00e9 o da S\u00edria, <strong>mas<\/strong> tamb\u00e9m nos \u00faltimos cinco anos Sud\u00e3o do Sul, I\u00eamen, Burundi, Ucr\u00e2nia, Rep\u00fablica Centro Africana t\u00eam contribu\u00eddo para esse crescimento. E a resposta para solucionar o problema dos refugiados e deslocados internos \u00e9 muito lenta, muito vagarosa.<\/p>\n<p>Para ilustrar isto podemos dar uma olhada no informe da Acnur de 2016 que mostra os pa\u00edses de onde <strong>est\u00e1<\/strong> saindo a maior parte dos refugiados.<\/p>\n<p><strong> Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica<\/strong><\/p>\n<p>A guerra da S\u00edria continua sendo <strong>mundialmente<\/strong> a principal causa do deslocamento e do sofrimento a que isto leva, <strong>no final<\/strong> de 2015 pelo menos 4,9 milh\u00f5es de pessoas tinham sido for\u00e7adas ao ex\u00edlio como refugiados, e 6,6 milh\u00f5es tinham sido deslocadas dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds, afetando quase a metade da popula\u00e7\u00e3o da S\u00edria antes da guerra. O conflito no Iraque tinha deslocado at\u00e9 o final do ano 4,4 milh\u00f5es de pessoas internamente e gerado quase um quarto de milh\u00e3o de refugiados. A guerra civil no I\u00eamen, que come\u00e7ou em 2015, no final de dezembro do ano passado calculou-se em 2,5 milh\u00f5es de deslocados; mais novos deslocados que qualquer outro conflito no mundo. Incluindo os 5,2 milh\u00f5es de palestinos refugiados sob o controle da UNRWA, por volta de meio milh\u00e3o de l\u00edbios for\u00e7ados a fugir de seus lares e que permanecem no pa\u00eds, e mais outros afetados pelas situa\u00e7\u00f5es de menor relev\u00e2ncia, a regi\u00e3o de Oriente M\u00e9dio e Norte de \u00c1frica foram as que mais somaram <strong>deslocados<\/strong> no mundo.<\/p>\n<p><strong> \u00c1frica S<\/strong><strong>ubsaariana<\/strong><\/p>\n<p>O aumento do conflito no Sud\u00e3o do Sul em 2015, assim como na Rep\u00fablica Centro Africana e Som\u00e1lia, somados aos novos ou continuados deslocamentos massivos dentro ou desde pa\u00edses como Nig\u00e9ria, Burundi, Sud\u00e3o, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Mo\u00e7ambique e outros, geraram um total de 18,4 milh\u00f5es de refugiados e deslocados internos, segundo dados do final do ano passado. Enquanto isso, a \u00c1frica Subsaariana acolheu 4,4 milh\u00f5es de refugiados no total, mais que nenhuma outra regi\u00e3o. Cinco dos 10 principais pa\u00edses <strong>que acolheram<\/strong> refugiados foram africanos, liderados pela Eti\u00f3pia, seguida de Qu\u00eania, Uganda, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e Chade.<\/p>\n<p><strong> \u00c1sia e Pac\u00edfico<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA regi\u00e3o de \u00c1sia e Pac\u00edfico tinha pelo menos um de cada seis refugiados e deslocados internos no mundo todo em 2015, convertendo-se na terceira regi\u00e3o do mundo com maior deslocamento. Um de cada seis refugiados <strong>sob<\/strong> o controle da ACNUR procediam de Afeganist\u00e3o (2,7 milh\u00f5es de pessoas), onde quase 1,2 milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o deslocadas internamente. Mianmar foi o segundo pa\u00eds de origem de refugiados e deslocados internos da regi\u00e3o (451.800 e 451.000 respectivamente). Paquist\u00e3o (1,5 milh\u00f5es) e a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e1 (979.000) permanecem entre os principais pa\u00edses que mais <strong>acolheram<\/strong> refugiados no mundo.<\/p>\n<p><strong> Am\u00e9rica<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um n\u00famero crescente de pessoas que fogem das maras ou gangues assim como outro tipo de viol\u00eancia na <strong>Am\u00e9rica Central<\/strong>, contribu\u00edram para elevar em at\u00e9 17% o deslocamento na regi\u00e3o. Os refugiados e solicitantes de asilo procedentes de El Salvador, Guatemala e Honduras somaram um total de 109.800 pessoas, na maioria que alcan\u00e7aram o M\u00e9xico e Estados Unidos, quintuplicando as cifras nos \u00faltimos tr\u00eas anos. Col\u00f4mbia, com uma crise prolongada, continua sendo o maior pa\u00eds em deslocamento interno (6,9 milh\u00f5es). Agora com o acordo de Paz bilateral, esperamos que estas condi\u00e7\u00f5es melhorem.<\/p>\n<p><strong> Europa<\/strong><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o em Ucr\u00e2nia, a proximidade da Europa com a S\u00edria e Iraque, somadas \u00e0 chegada de mais de um milh\u00e3o de refugiados e imigrantes pelo Mediterr\u00e2neo, a maior parte procedentes dos 10 principais pa\u00edses de origem de refugiados, dominaram o cen\u00e1rio do deslocamento na regi\u00e3o em 2015. No total, os pa\u00edses europeus geraram por volta de 593.000 refugiados \u2013na sua maioria desde a Ucr\u00e2nia, e acolheram 4,4 milh\u00f5es, 2,5 milh\u00f5es <strong>deles<\/strong> na Turquia. As cifras proporcionadas pelo governo de Ucr\u00e2nia contabilizaram 1,6 milh\u00f5es de deslocados ucranianos dentro do pa\u00eds. O informe Tend\u00eancias Globais <strong>mostra<\/strong> que tiveram 441.900 <strong>solicita\u00e7\u00f5es<\/strong> de asilo na Alemanha, onde a popula\u00e7\u00e3o refugiada teve um aumento de um 46% comparada com as cifras de 2014, com 316.000 pessoas.<\/p>\n<p><strong>Refugiados no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o CONARE, o Brasil possui atualmente (abril de 2016) 8.863 refugiados reconhecidos, de 79 nacionalidades distintas (28,2% deles s\u00e3o mulheres) \u2013 incluindo refugiados reassentados.<\/p>\n<p>Os principais grupos s\u00e3o compostos por nacionais da S\u00edria- Conflitos internos (2.298), Angola \u2013 Crise econ\u00f4mica \u2013 (1.420), Col\u00f4mbia \u2013 Conflitos internos(1.100), Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo \u2013 conflitos internos(968) e Palestina conflitos com Israel (376).<\/p>\n<p><strong>Os maiores fabricantes de armas<\/strong><\/p>\n<p>Os maiores fabricantes de armas s\u00e3o aqueles que t\u00eam cadeira cativa no conselho de seguran\u00e7a da ONU, <strong>Estados Unidos, R\u00fassia, Reino Unido, Fran\u00e7a e China<\/strong>, sem deixar de mencionar tamb\u00e9m Espanha, Ucr\u00e2nia, It\u00e1lia e Israel.<\/p>\n<p>E o Brasil \u00e9 um dos maiores produtores e exportadores de armas leves, assim como tamb\u00e9m lan\u00e7adores m\u00faltiplos de foguete (Astros II) que foram exportados em grande escala para Ar\u00e1bia Saudita, Mal\u00e1sia, Indon\u00e9sia, Angola, Catar, Bahrein e Iraque. E fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis ar-ar de curto alcance.<\/p>\n<p>Os verdadeiros interesses para gerar guerras <strong>s\u00e3o<\/strong> os conflitos encobertos pelos mais variados motivos religiosos, geopol\u00edticos, defesa dos direitos humanos, pela liberdade democr\u00e1tica etc<\/p>\n<ul>\n<li>Hoje com 10 % do que se gasta em armamento por ano daria para resolver o problema da fome no mundo.<\/li>\n<li>Em uma hora, gasta-se em armas o que aproximadamente 100.000 trabalhadores poderiam ganhar em um m\u00eas.<\/li>\n<li>Aproximadamente os 25% dos <strong>pesquisadores<\/strong> de todo o mundo se dedicam a <strong>pesquisa<\/strong><\/li>\n<li>O custo de um tanque de guerra <strong>daria<\/strong> para construir 520 salas de aula de educa\u00e7\u00e3o escolar.<\/li>\n<li>O custo de um avi\u00e3o ca\u00e7a equivale ao gasto para implementar 40.000 consult\u00f3rios de sa\u00fade.<\/li>\n<li>O pre\u00e7o de um contratorpedeiro poderia ser usado para a eletrifica\u00e7\u00e3o de 13 cidades e de 19 zonas rurais com uma popula\u00e7\u00e3o de 9 milh\u00f5es de pessoas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>7- Com 25 % do que se gasta em armamento em um ano se poderiam cobrir os gastos estruturais (irriga\u00e7\u00e3o, planta\u00e7\u00f5es, eletrifica\u00e7\u00e3o, abastecimento de \u00e1gua e recursos sustent\u00e1veis ) para resolver os problemas da fome no continente africano.\u00a0Estes dados s\u00e3o para mostrar que estes pa\u00edses n\u00e3o t\u00eam o m\u00ednimo interesse em resolver e ajudar os pa\u00edses necessitados. E sim de promover sua economia e influ\u00eancia a qualquer custo.\u00a0Mas ante esta informa\u00e7\u00e3o as pessoas falam: Este \u00e9 um problema mundial, aqui na cidade onde vivo os problemas s\u00e3o outros, temos muito com que nos ocupar. O que eu poderia fazer?Isso n\u00e3o me afeta diretamente.\u00a0Claro, as mortes, o desespero dos migrantes e refugiados n\u00e3o afetam as pessoas porque acontece longe de onde elas est\u00e3o, a\u00ed quando aparece a foto de um menino afogado jogado na praia sente-se a dor e o sofrimento mais perto e se solidarizam com ele, mas retomam suas vidas e duas horas depois n\u00e3o se lembram mais do ocorrido.\u00a0Mas ser\u00e1 que as coisas s\u00e3o assim? <strong>Por que existe a<\/strong> desconex\u00e3o entre a vida cotidiana e a ind\u00fastria b\u00e9lica? As pessoas e a sociedade podem come\u00e7ar a perceber e fazer essa rela\u00e7\u00e3o, ainda que dif\u00edcil, entre essa ind\u00fastria e o sofrimento que gera? Por que n\u00e3o reagem ou <strong>quando reagem,<\/strong> o fazem de forma espor\u00e1dica e desestruturada ?\u00a0\u00c9 uma ilus\u00e3o pensar que nossa rea\u00e7\u00e3o pode ajudar a produzir mudan\u00e7as nas nossas vidas e para as futuras gera\u00e7\u00f5es?\u00a0Ilus\u00e3o mesmo \u00e9 acreditar que esses governos e os poderes que eles representam v\u00e3o produzir <strong>essa mudan\u00e7a<\/strong>, j\u00e1 que eles encobertamente est\u00e3o mancomunados com a ind\u00fastria b\u00e9lica para sustentar seu modelo econ\u00f4mico voraz e doentio que \u00e9 indiferente a dor e sofrimento dos seres humanos.\u00a0Ent\u00e3o, se a maior parte das pessoas \u00e9 contra as guerras e conflitos, estamos frente \u00e0 necessidade de nos perguntar: -Como \u00e9 que desde a base social podemos nos organizar para mudar esta situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 sustentada por uma minoria sem escr\u00fapulos, mas muito bem organizada que alimenta essa m\u00e1quina de morte? \u00a0<strong>Alguns podem<\/strong> dizer: \u201cmas j\u00e1 existem os movimentos sociais e pacifistas que lutam por isso\u201d.Existem sim, v\u00e1rios movimentos, que lutam cotidianamente pelo desarmamento, fazendo campanhas como a Marcha Mundial pela paz e pela n\u00e3o viol\u00eancia, que percorreu todos os pa\u00edses do planeta em 2009 e somou milhares de pessoas. Tamb\u00e9m na Rep\u00fablica Checa movimentos se organizaram para rejeitar a instala\u00e7\u00e3o de bases americanas que faziam parte do escudo de prote\u00e7\u00e3o da OTAN, no leste europeu. Essa campanha mobilizou milhares de pessoas e conseguiram, pressionando seu governo, que as bases n\u00e3o <strong>fossem <\/strong>instaladas.\u00a0Mas <strong>isso tudo<\/strong> n\u00e3o \u00e9 suficiente para conseguir mudar o rumo que a humanidade est\u00e1 seguindo.<\/p>\n<p>Hoje as mobiliza\u00e7\u00f5es sociais est\u00e3o marcando um antes e um depois. Em geral partem do motor da \u201cindigna\u00e7\u00e3o\u201d contra injusti\u00e7as, falta de democracia e perdas de direitos sociais. Tomam caminhos que d\u00ea uma certa forma s\u00e3o novidade, realizando-se de forma pac\u00edfica se apoiam na metodologia da n\u00e3o viol\u00eancia. Esta onda com estas dimens\u00f5es acontece pela primeira vez, transladando-se de forma espont\u00e2nea, sem l\u00edderes, com horizontalidade, de uma forma totalmente nova. Todo isto marca um ponto de inflex\u00e3o com as anteriores revolu\u00e7\u00f5es violentas. O modelo do \u201cguerrilheiro\u201d <strong>ficou no passado<\/strong> da hist\u00f3ria. Agora se fala de \u201cRevolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n<p>Este proceder desloca os poderes que est\u00e3o preparados para lutar contra a viol\u00eancia. O sistema violento necessita da viol\u00eancia para se perpetuar. Ainda mais quando estes movimentos atuam de forma pac\u00edfica conseguem um amplo apoio popular, por isso, sua for\u00e7a cresce de forma impar\u00e1vel. Conforme o testemunho de um ativista: \u201cN\u00e3o nos podem parar. Para n\u00f3s d\u00e1 na mesma o que fa\u00e7a a pol\u00edcia. Se eles v\u00eam e nos mandam embora, n\u00f3s n\u00e3o os enfrentamos de forma violenta. Nos dispersamos, mas amanh\u00e3 voltamos a protestar outra vez e somos ainda mais. Cada dia <strong>chegam<\/strong> mais pessoas . Assim uma e mil vezes.\u201d<\/p>\n<p>Se todas estas mobiliza\u00e7\u00f5es sociais do mundo conseguissem sintonizar e convergir em um s\u00f3 clamor para a redu\u00e7\u00e3o e o fim da industria b\u00e9lica, seria uma for\u00e7a que poderia derrubar governos, avan\u00e7ar para uma sociedade solid\u00e1ria e n\u00e3o violenta, que tenha como valor central o ser humano.\u00a0Seria o nascimento de uma nova cultura, de uma nova civiliza\u00e7\u00e3o, o nascimento de uma na\u00e7\u00e3o humana universal.\u00a0Enquanto estas ideias amadurecem no interior das pessoas, hoje podemos avan\u00e7ar pressionando nossos governos, apresentando e apoiando propostas com o objetivo que incluam desarmamentos regionais e progressivos e a substitui\u00e7\u00e3o dos ex\u00e9rcitos de guerra, em for\u00e7as regionais de Paz que colaborem em situa\u00e7\u00f5es de cat\u00e1strofe e na solu\u00e7\u00e3o dos problemas b\u00e1sicos de sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. Que os governos incorporem em suas constitui\u00e7\u00f5es a rejei\u00e7\u00e3o expl\u00edcita \u00e0 guerra como m\u00e9todo de resolu\u00e7\u00e3o de conflitos. Que fa\u00e7am uma redu\u00e7\u00e3o progressiva dos or\u00e7amentos b\u00e9licos em cada pa\u00eds e esses recursos sejam aplicados de imediato nas \u00e1reas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.\u00a0Nossa grande ajuda para esta a\u00e7\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria humana mesma, que nos mostra sem atenuantes como grandes utopias se convertem em realidade quando estas se convertem em sentidas necessidades do ser humano. A utopia de acabar com a ind\u00fastria b\u00e9lica \u00e9 de um n\u00edvel superior em nossas consci\u00eancias e implica uma dire\u00e7\u00e3o evolutiva transcendental de nossa esp\u00e9cie. Seu sinal mais claro ser\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 a rejei\u00e7\u00e3o que se expressa nas ideias, mas tamb\u00e9m a repugn\u00e2ncia pessoal e social com todo tipo de viol\u00eancia. Esta nova consci\u00eancia ser\u00e1 o passo necess\u00e1rio para um mundo livre de viol\u00eancia, n\u00e3o somente em sua express\u00e3o mais cruel, as guerras e a viol\u00eancia f\u00edsica, mas tamb\u00e9m livre da viol\u00eancia econ\u00f4mica, racial, religiosa, sexual, psicol\u00f3gica e moral.\u00a0Este poss\u00edvel fen\u00f4meno foi descrito e expressado magistralmente por Silo (2006)iii em um dos seus \u00faltimos escritos. Ele nos diz: \u201c\u00c9 poss\u00edvel considerar configura\u00e7\u00f5es de consci\u00eancia avan\u00e7adas nas quais todo tipo de viol\u00eancia provocar\u00e1 repugn\u00e2ncia com os correlatos som\u00e1ticos do caso. Esta estrutura\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia n\u00e3o violenta poderia chegar a se instalar nas sociedades como uma conquista cultural profunda. Isto ir\u00e1 muito alem das ideias ou das emo\u00e7\u00f5es que debilmente se manifestam nas sociedades atuais, para come\u00e7ar a fazer parte da rede psicossom\u00e1tica e psicossocial do ser humano\u201d.iv \u00a0Tomara que em um futuro n\u00e3o muito distante a regra de ouro, \u201cTrata aos demais como queres ser tratado\u201d seja normal em nosso cotidiano e comecemos a avan\u00e7ar na dire\u00e7\u00e3o de sentir amor pelos outros, al\u00e9m daqueles que fazem parte do nosso entorno e consigamos expandir esse sentimento de amor para o conjunto chamado humanidade. A\u00ed sim estaremos diante do \u201cser humano\u201d.\u00a0Convido a <strong>todos e todas<\/strong> agora a fazer um pedido pelos refugiados e migrantes de todo o mundo, imaginemos a situa\u00e7\u00e3o em que se encontram,&#8230;&#8230; agora vamos enviar uma onda de bem estar para eles, de reconforto, de energias positivas,&#8230;&#8230;Agora imaginemos o futuro que desejamos para eles e sintamos como esta onda de bem estar chega at\u00e9 eles&#8230;.. Isto foi bom para eles, reconfortante para n\u00f3s e inspirador para nossas vidas, saudamos a todos imersos nesta corrente de bem estar refor\u00e7ada pelos bons desejos dos aqui presentes.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p>SIPRI (Instituto de Investigaci\u00f3n para la Paz, Estocolmo, Suecia). <a href=\"http:\/\/www.sipri.org\/\"><strong>www.sipri.org<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Acnur &#8211; Agencia da ONU para os Refugiados.<\/p>\n<p>CONARE<\/p>\n<p>Mundo sem Guerras: <a href=\"http:\/\/www.theworldmarch.org\/\">www.theworldmarch.org<\/a><\/p>\n<p>Pressenza Press International Agency&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reproduzimos aqui o texto lido por Fernando Su\u00e1rez, argentino radicado no Brasil, na Mesa:\u00a0Mesa de debate: Guerras e conflitos armados, sua rela\u00e7\u00e3o com as migra\u00e7\u00f5es e refugio no VII F\u00f3rum Social Mundial das Migra\u00e7\u00f5es &#8220;Falar de refugiados e migra\u00e7\u00f5es 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