{"id":273860,"date":"2016-02-02T18:09:33","date_gmt":"2016-02-02T18:09:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?p=273860"},"modified":"2016-04-19T18:20:35","modified_gmt":"2016-04-19T17:20:35","slug":"varoufakis-desafia-a-ditadura-dos-mercados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2016\/02\/varoufakis-desafia-a-ditadura-dos-mercados\/","title":{"rendered":"Varoufakis desafia a ditadura dos mercados"},"content":{"rendered":"<p>Depois de experimentar arrog\u00e2ncia e brutalidade da elite financeira, ex-ministro grego prop\u00f5e uma sa\u00edda: transpar\u00eancia total, para expor os que sequestraram a pol\u00edtica<\/p>\n<p>Yanis Varoufakis, entrevistado por Nick Buxton, do Transnational Institute | Tradu\u00e7\u00e3o: Gabriel Sim\u00f5es |01\/02\/2016<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o para reinventar o pensamento contra-hegem\u00f4nico \u2013 ou, ao menos, para encontrar alternativas, diante de uma ordem internacional cada vez mais desumanizadora \u2013 ganhar\u00e1, nos pr\u00f3ximos dias, um novo componente. Em 9 de fevereiro, o ex-ministro das Finan\u00e7as da Gr\u00e9cia, Yanis Varoufakis, lan\u00e7ar\u00e1, num teatro em Berlim, o movimento Democracia na Europa 2025 (DiEM). Ter\u00e1, entre outras companhias, a de Ada Colau, prefeita de Barcelona eleita h\u00e1 menos de um ano, na onda dos novos partidos-movimentos espanh\u00f3is. A iniciativa de Varoufakis tem pelo menos duas particularidades marcantes.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 a cr\u00edtica \u2013 radical, mas acima de tudo muito circunstanciada \u2013 do ex-ministro ao car\u00e1ter antidemocr\u00e1tico das institui\u00e7\u00f5es que dirigem a globaliza\u00e7\u00e3o. Entre janeiro e julho de 2015, Varoufakis tentou negociar com os demais governos do Grupo do Euro um acordo de reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida de Atenas que reduzisse o sofrimento do povo grego. Como argumento, n\u00e3o usou apenas a explos\u00e3o do desemprego e da pobreza, a redu\u00e7\u00e3o nominal dos sal\u00e1rios, a desarticula\u00e7\u00e3o do parque produtivo. Lembrou a democracia. O programa que o Grupo do Euro desejava impor havia sido rejeitado nas elei\u00e7\u00f5es gregas. De que serve, ent\u00e3o, o voto, nas sociedades contempor\u00e2neas? Apenas para legitimar decis\u00f5es que o poder econ\u00f4mico imp\u00f4s de antem\u00e3o?<\/p>\n<p>\u201cUma regra \u00e9 uma regra\u201d, argumentaram os demais ministros do Grupo do Euro, em di\u00e1logos que Varoufakis resgata com muita vividez. Ele chama esta atitude de despolitiza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica. Ou seja, as sociedades perdem o direito a examinar caminhos, assumir responsabilidades e decidir seu futuro coletivo. As decis\u00f5es tornam-se pol\u00edticas apenas na fachada. Ou, prossegue o ex-ministro, \u201ca cada vez que as urnas produzem um resultado que n\u00e3o agrada ao establishment, o processo democr\u00e1tico \u00e9 revogado ou amea\u00e7ado de revoga\u00e7\u00e3o\u201d. Como mostram os exemplos da Gr\u00e9cia, Espanha, ou Brasil, esta anula\u00e7\u00e3o da vontade comum n\u00e3o \u00e9 neutra. No caso brasileiro, por exemplo, recess\u00e3o, dispensas e desmonte dos servi\u00e7os p\u00fablicos aprofundam-se \u2013 mas os bancos nunca lucraram tanto quando depois do \u201cajuste fiscal\u201d\u2026<\/p>\n<p>Em sua luta contra a aristocracia financeira, Varoufakis parece ter optado por um caminho distinto \u2013 e talvez complementar \u2013 ao de Pablo Iglesias, do Podemos, ou Jeremy Corbyn, o l\u00edder rebelde do Partido Trabalhista brit\u00e2nico. Ele \u00e9 um intelectual, n\u00e3o um mobilizador de massas. Por meio do DiEM, pretende articular um conjunto de ideias capaz de articular alternativas, entre os movimentos e grupos pol\u00edticos europeus interessados em resgatar a democracia.<\/p>\n<p>Prepara um manifesto. Discorda da proposta \u2013 que hoje cresce, no Velho Continente \u2013 de recha\u00e7ar a Uni\u00e3o Europeia. N\u00e3o acredita que o retorno aos Estados Nacionais sirva aos povos em luta. Prefere formular propostas que coloquem em xeque as estruturas burocr\u00e1ticas de decis\u00e3o. Fala, por exemplo, em transpar\u00eancia: exigir que as reuni\u00f5es do Conselho Europeu e do Grupo do Euro sejam transmitidas ao vivo; e que se publiquem todos os rascunhos dos \u201cnovos\u201d acordos comerciais globais que amea\u00e7am criar um ultra-capitalismo.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 suficiente? No cen\u00e1rio atual, em que n\u00e3o h\u00e1 caminhos pol\u00edticos claros, embora tanto necessitemos deles, parece importante adotar algo como uma \u00e9tica da busca solid\u00e1ria. \u00c9 o oposto da antiga pr\u00e1tica da autofagia, que tanto marcou a esquerda nos s\u00e9culos passados. Implica apoiar as iniciativas de quem conserva-se cr\u00edtico, ainda quando identificamos suas eventuais fragilidades; acompanhar seus desdobramentos; saber tirar proveito de seus aspectos criativos, mesmo se n\u00e3o alcan\u00e7am todos os resultados esperados. Por isso, e tamb\u00e9m pelo relato concreto de quem viveu a brutalidade da aristocracia financeira, a entrevista de Yanis Varoufakis, que publicamos a seguir, \u00e9 t\u00e3o estimulante. (A.M.)<\/p>\n<p>O que voc\u00ea enxerga como a maior amea\u00e7a \u00e0 democracia, hoje?<\/p>\n<p>A amea\u00e7a \u00e0 democracia sempre foi o desd\u00e9m que o establishment sente por ela. A democracia \u00e9 fr\u00e1gil por natureza e a antipatia do establishment em rela\u00e7\u00e3o a ela \u00e9 n\u00edtida.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria nos remete de volta \u00e0 antiga Atenas, quando o desafio para estabelecer a democracia era imenso. A ideia de que os pobres n\u00e3o-escravos, que eram a maioria, poderiam ser postos no comando do governo sempre foi contestada. Plat\u00e3o escreveu A Rep\u00fablica como um tratado contra a democracia, defendendo um governo de experts.<\/p>\n<p>De maneira similar, no caso da democracia americana, se olharmos para O Federalista e Alexander Hamilton voc\u00ea ver\u00e1 uma tentativa de conten\u00e7\u00e3o da democracia, e n\u00e3o uma defesa dela. A ideia por tr\u00e1s de uma democracia representativa era a de ter homens de neg\u00f3cios representando a plebe, pois esta n\u00e3o era considerada apta a decidir importantes quest\u00f5es de Estado.<\/p>\n<p>Os exemplos s\u00e3o in\u00fameros. Vejamos o que aconteceu no governo de Mossadeq no Ir\u00e3 nos anos 1950 ou no governo Allende no Chile. A cada vez que as urnas produzem um resultado que n\u00e3o agrada ao establishment, o processo democr\u00e1tico ou \u00e9 revogado ou \u00e9 amea\u00e7ado de revoga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se voc\u00ea me pergunta quem s\u00e3o e sempre foram os inimigos da democracia, a resposta est\u00e1 naqueles que possuem o poder econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Hoje, parece que a democracia est\u00e1, como nunca antes, sob ataque entrincheirado do poder. Esta \u00e9 a sua percep\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>O ano de 2015 \u00e9 especial nesse sentido. Tivemos a experi\u00eancia da Gr\u00e9cia, onde nas elei\u00e7\u00f5es a maioria dos gregos decidiu apoiar um partido antiestablishment, o Syriza, que chegou ao poder \u2018falando a verdade ao poder\u2019 e desafiando a ordem na Europa.<\/p>\n<p>Quando a democracia produz o tipo de coisa que agrada ao establishment, ela n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a. Mas quando produz for\u00e7as e demandas antiestablishment, \u00e9 vista como tal. Fomos eleitos para desafiar a Troika [Comiss\u00e3o Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monet\u00e1rio Internacional]. Foi neste momento que os poderes europeus perceberam, bem claramente, que n\u00e3o se pode permitir que a democracia mude alguma coisa.<\/p>\n<p>O que a sua experi\u00eancia como ministro das Finan\u00e7as da Gr\u00e9cia lhe revelou sobre a natureza da democracia e do poder? Houve coisas que o surpreenderam?<\/p>\n<p>Eu fui de olhos abertos. N\u00e3o tinha ilus\u00f5es. Sempre soube que as institui\u00e7\u00f5es europeias em Bruxelas, o Banco Central Europeu e outras foram estabelecidas, por defini\u00e7\u00e3o, como zonas isentas de democracia. N\u00e3o \u00e9 que havia um d\u00e9ficit de democracia que esgueirou-se pela Uni\u00e3o Europeia (UE); a partir dos anos 1950, a UE foi, na verdade, definida em primeiro lugar como um cartel da ind\u00fastria pesada, posteriormente cooptando os fazendeiros, principalmente os franceses. E a sua administra\u00e7\u00e3o foi como a de um cartel: a UE nunca foi pensada como sendo o in\u00edcio de uma rep\u00fablica ou de uma democracia em que \u201cn\u00f3s, o povo da Europa\u201d \u00e9 que mandamos.<\/p>\n<p>Algumas coisas me impressionaram. A primeira foi a aud\u00e1cia usada para deixar bem claro que a democracia era considerada irrelevante. Na primeira reuni\u00e3o do grupo do euro a que compareci, pensei que n\u00e3o seria contestado ao tentar explicar um ponto \u2014 o de que eu representava um governo rec\u00e9m-eleito, cujo mandato deveria ser respeitado em alguma medida e que deveria contribuir para um debate acerca de quais pol\u00edticas econ\u00f4micas deveriam ser aplicadas \u00e0 Gr\u00e9cia. Fiquei at\u00f4nito ao ouvir o ministro das Finan\u00e7as da Alemanha dizer, literalmente, que n\u00e3o se pode permitir que as elei\u00e7\u00f5es mudem a pol\u00edtica econ\u00f4mica j\u00e1 estabelecida. Em outras palavras, ele me dizia que a democracia \u00e9 boa desde que n\u00e3o ameace mudar coisa alguma! Embora esperasse que esse fosse o sentimento geral, eu n\u00e3o estava preparado para ouvi-lo falar de maneira t\u00e3o franca.<\/p>\n<p>A segunda coisa para a qual n\u00e3o estava t\u00e3o preparado era, parafraseando a famosa express\u00e3o de Hannah Arendt sobre a banalidade do mal, a banalidade da burocracia. Eu j\u00e1 esperava que os burocratas em Bruxelas fossem bastante desdenhosos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia, mas contava que fossem corteses e tecnicamente perfeitos. Ao inv\u00e9s disso, fiquei surpreso com o qu\u00e3o banal eles se mostraram e, de um ponto de vista tecnocr\u00e1tico, como eram med\u00edocres.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como o poder opera na Uni\u00e3o Europeia?<\/p>\n<p>O principal a notar sobre a UE \u00e9 que toda a opera\u00e7\u00e3o, em Bruxelas, baseia-se num processo de despolitiza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, de tomar decis\u00f5es que s\u00e3o essencial, profunda e irrevogavelmente pol\u00edticas e empurr\u00e1-las para o dom\u00ednio vinculado \u00e0s regras da tecnocracia, uma abordagem algor\u00edtmica. Eles pretendem que as decis\u00f5es sobre as economias na Europa s\u00e3o simplesmente problemas t\u00e9cnicos, que demandam solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas a serem decididas por burocratas que seguem regras pr\u00e9-estabelecidas, exatamente como um algoritmo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando se tenta politizar o processo, voc\u00ea se depara com um tipo particularmente t\u00f3xico de pol\u00edtica. Para lhe dar um exemplo. N\u00f3s est\u00e1vamos discutindo a pol\u00edtica econ\u00f4mica referente \u00e0 Gr\u00e9cia, no Eurogrupo. O programa que herdei, como Ministro das Finan\u00e7as, estabelecia uma meta de super\u00e1vit prim\u00e1rio de 4,5% do PIB, o que considerei escandalosamente alto. E eu contestava essa meta atrav\u00e9s de bases puramente t\u00e9cnicas, de teoria macroecon\u00f4mica.<br \/>\nEnt\u00e3o, fui imediatamente questionado sobre como eu gostaria que fosse o super\u00e1vit. E tentei dar uma resposta honesta, dizendo que dever\u00edamos considerar essa quest\u00e3o \u00e0 luz de tr\u00eas fatores e figuras-chaves: investimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 poupan\u00e7a, calend\u00e1rio de pagamentos da d\u00edvida e d\u00e9ficit ou super\u00e1vit em conta corrente. Tentei explicar que, se quis\u00e9ssemos fazer com que o programa grego funcionasse ap\u00f3s 5 anos de um fracasso catastr\u00f3fico, que levou \u00e0 perda de quase um ter\u00e7o da receita nacional, n\u00f3s t\u00ednhamos de olhar para esse conjunto de vari\u00e1veis.<\/p>\n<p>Contudo, o que me foi dito \u00e9 que, pelas regras, devemos olhar para apenas um n\u00famero. Ent\u00e3o, respondi: \u201cE da\u00ed? Se uma regra ruim est\u00e1 em vig\u00eancia, n\u00f3s devemos mud\u00e1-la.\u201d A resposta foi: \u201cUma regra \u00e9 uma regra!\u201d E eu retrucaria dizendo \u201cSim, essa \u00e9 uma regra, mas por que deveria ser uma regra?\u201d Nesse ponto recebi uma resposta tautol\u00f3gica: \u201cPorque \u00e9 uma regra\u201d. Isso \u00e9 o que acontece quando nos afastamos de um processo pol\u00edtico em dire\u00e7\u00e3o a um processo burocr\u00e1tico: culminamos em um processo de despolitiza\u00e7\u00e3o que conduz \u00e0 pol\u00edtica t\u00f3xica e \u00e0 m\u00e1 economia.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 que, num certo momento, est\u00e1vamos discutindo o programa grego e debatendo a reda\u00e7\u00e3o de um comunicado sobre aquela reuni\u00e3o do Eurogrupo. Eu disse tudo bem, vamos mencionar estabilidade financeira, sustentabilidade fiscal \u2013 tudo que a Troika e outros queriam dizer \u2013, mas vamos tamb\u00e9m falar sobre a crise humanit\u00e1ria e o fato de que estamos lidando com quest\u00f5es tais como a fome generalizada. A resposta que recebi foi que isso seria \u201cmuito pol\u00edtico\u201d. Que n\u00e3o podemos usar esse \u201cvocabul\u00e1rio pol\u00edtico\u201d no comunicado. Portanto, dados sobre estabilidade financeira e super\u00e1vit prim\u00e1rio tudo bem, mas dados sobre a fome e o n\u00famero de domic\u00edlios sem acesso a eletricidade e calefa\u00e7\u00e3o durante o inverno n\u00e3o podia, j\u00e1 que era \u201cmuito pol\u00edtico\u201d.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o seria essa tentativa de despolitiza\u00e7\u00e3o, na verdade, algo profundamente pol\u00edtico, uma vez que o neoliberalismo \u00e9 um processo pol\u00edtico?<\/p>\n<p>Mas eles n\u00e3o pensam dessa maneira. Convenceram a si pr\u00f3prios de que h\u00e1 certas regras que se referem a equa\u00e7\u00f5es e vari\u00e1veis naturais, e todo o resto n\u00e3o est\u00e1 nem aqui nem l\u00e1. \u00c9 assim que eles pensam.<\/p>\n<p>A democracia na Europa sempre esteve condenada ao fracasso, ou houve processos ou inst\u00e2ncias que minaram esse processo, tal como o Tratado de Maastricht?<\/p>\n<p>O que vou compartilhar aqui \u00e9 mais ou menos o assunto do meu livro que vai sair em abril, e chama-se And the weak suffer what they must? [\u2018E os fracos sofrem o que devem?\u2019, em tradu\u00e7\u00e3o livre]. Crise europeia, futuro econ\u00f4mico da Am\u00e9rica. O t\u00edtulo vem do antigo escritor grego Tuc\u00eddides e o debate que ele narra, entre os generais atenienses e os melianos derrotados, a quem os generais afinal esmagaram.<\/p>\n<p>O ponto aqui \u00e9 esse. Ao contr\u00e1rio do Estado norte-americano, alem\u00e3o ou brit\u00e2nico, que se formaram ao longo de s\u00e9culos de evolu\u00e7\u00e3o e evolu\u00edram como um instrumento funcional para a resolu\u00e7\u00e3o de diferentes tipos de conflitos sociais, na UE isso n\u00e3o aconteceu. Por exemplo, se voc\u00ea tomar o Estado brit\u00e2nico, a Revolu\u00e7\u00e3o Gloriosa, de 1688, baseou-se em colocar limites ao poder da monarquia como resultado de choques entre os bar\u00f5es e o rei; reformas posteriores resultaram de conflitos entre aristocratas e comerciantes, depois entre comerciantes e a classe trabalhadora. \u00c9 assim que um Estado normal se desenvolve, e \u00e9 como as democracias liberais se formaram.<\/p>\n<p>Mas a UE n\u00e3o se desenvolveu assim, de forma alguma. Sua forma\u00e7\u00e3o, conforme eu dizia antes, deu-se por volta dos anos 1950 com a Comunidade Europeia do Carv\u00e3o e do A\u00e7o, a qual era, basicamente, um cartel tal como a OPEP. E Bruxelas se estabeleceu como a administradora desse cartel. Isso, portanto, foi bem diferente de um Estado. N\u00e3o se tratava de mitigar choques entre diferentes grupos e classes sociais. O ponto principal de um cartel \u00e9 estabilizar pre\u00e7os e restringir a competi\u00e7\u00e3o entre seus membros.<\/p>\n<p>O desafio, para Bruxelas foi inicialmente como estabilizar o pre\u00e7o do carv\u00e3o e do a\u00e7o e, depois, todas as outras commodities e bens de consumo, num cartel que abrangeu diferentes regimes monet\u00e1rios e, portanto, seis taxas de c\u00e2mbio. Sem taxas de c\u00e2mbio est\u00e1veis entre as moedas desta uni\u00e3o, teria sido imposs\u00edvel estabilizar os pre\u00e7os \u00e0 escala europeia do cartel, atrav\u00e9s dos seus seis membros iniciais. Enquanto o sistema de Bretton Woods esteve em vigor (vinculando as taxas de c\u00e2mbio ao d\u00f3lar, cujo valor foi fixado em US$35 por libra de ouro), manter as moedas europeias alinhadas umas \u00e0s outras era autom\u00e1tico. Mas quando esse sistema foi encerrado, em 1971, pelo Secret\u00e1rio do Tesouro dos EUA, John Connally, e outros, as taxas de c\u00e2mbio de diferentes pa\u00edses europeus se desequilibraram. O marco alem\u00e3o come\u00e7ou a subir, a lira italiana come\u00e7ou a descer, com o franco franc\u00eas lutando para n\u00e3o seguir o mesmo caminho da lira.<\/p>\n<p>Isso gerou for\u00e7as enormes, que poderiam prejudicar muito a UE. Bruxelas n\u00e3o conseguia mais estabilizar o seu cartel. Foi ent\u00e3o que surgiu a necessidade de uma moeda comum.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio dos anos 1970, tivemos na Europa v\u00e1rias tentativas fracassadas de substituir a taxa de c\u00e2mbio fixa, que os americanos vinham administrando at\u00e9 ent\u00e3o, por um sistema europeu. A primeira tentativa foi o European Currency Snake, em 1972; nos anos 1990 tivemos, \u00e9 claro, o Mecanismo Europeu de Taxa de C\u00e2mbio, e finalmente, em 1992 e 1993, o euro foi apresentado junto com o Tratado de Maastricht, que colocou v\u00e1rios Estados europeus sob a vig\u00eancia de uma mesma moeda, um dinheiro.<\/p>\n<p>Mas no momento em que o fizeram (sem ter nenhuma maneira de gerenciar, politicamente, a \u00e1rea abrangida por essa moeda), de repente o processo de despolitizar a pol\u00edtica (que sempre foi parte e por\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia) se tornou extremamente poderoso e come\u00e7ou a destruir a soberania pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Uma das poucas pessoas que entendeu bem essa quest\u00e3o n\u00e3o era de esquerda, e sim de direita. Foi Margaret Thatcher, que liderou a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 moeda \u00fanica e realmente decifrou seus perigos de maneira bem clara. Eu me opus \u00e0 Thatcher em tudo o mais, por\u00e9m nesse ponto ela estava certa. Ela disse que a pessoa que controla o dinheiro, pol\u00edtica monet\u00e1ria e taxas de juros controla as pol\u00edticas de economia social. O dinheiro \u00e9 pol\u00edtico, e s\u00f3 pode ser pol\u00edtico, e qualquer tentativa de despolitiz\u00e1-lo e entreg\u00e1-lo a um bando de burocratas n\u00e3o eleitos em Frankfurt (onde o BCE est\u00e1) constitui, com efeito, uma abdica\u00e7\u00e3o da democracia.<\/p>\n<p>Por que Thatcher foi a \u00fanica voz de oposi\u00e7\u00e3o, dado que ela era uma forte defensora da prote\u00e7\u00e3o dos interesses neoliberais?<\/p>\n<p>Thatcher era uma conservadora, uma Tory. Ao mesmo tempo que foi uma pioneira do neoliberalismo, ela tamb\u00e9m acreditava na soberania do parlamento e no controle sobre o processo pol\u00edtico. O neoliberalismo era um processo pol\u00edtico em que acreditava, mas ainda era muito importante, para ela, que o parlamento brit\u00e2nico controlasse as pol\u00edticas neoliberais. A eurozona n\u00e3o tem um parlamento real. O Parlamento Europeu \u00e9 uma piada cruel, n\u00e3o funciona como um verdadeiro parlamento. Ele \u00e9, no m\u00e1ximo, simulacro de um parlamento e, para um brit\u00e2nico, para quem a legitimidade da democracia vem da legitimidade do poder soberano, do parlamento, o euro pareceu uma moeda destinada a murchar e morrer.<\/p>\n<p>Interessante que um dos meus maiores apoiadores enquanto fui Ministro das Finan\u00e7as na Gr\u00e9cia foi Norman Lamont, um ministro de Thatcher que j\u00e1 foi Ministro das Finan\u00e7as. N\u00f3s nos tornamos at\u00e9 amigos. O que temos em comum \u00e9 um compromisso com a democracia. Temos vis\u00f5es muito diferentes sobre quais pol\u00edticas devem ser implementadas como parte do regime democr\u00e1tico, mas ele ficou furioso pela forma como funcion\u00e1rios n\u00e3o eleitos conduziram as pol\u00edticas monet\u00e1ria e fiscal da Gr\u00e9cia, o que esmagou sua economia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o Reino Unido \u00e9 afetado pelas pol\u00edticas da eurozona, uma vez que se manteve fora do euro?<\/p>\n<p>Bem, como sabemos, a Gr\u00e3-Bretanha vem passando pelas primeiras fases de uma campanha para um referendo acerca da filia\u00e7\u00e3o \u00e0 UE. Essa \u00e9 uma conversa altamente emotiva. Eu certamente acredito que foi maravilhoso para os brit\u00e2nicos o fato de terem ficado de fora do euro, um golpe de sorte. Isto posto, a economia deles \u00e9 completamente determinada pelo calabou\u00e7o da eurozona, portanto a ideia de que \u00e9 poss\u00edvel escapar de sua influ\u00eancia, votando pela sa\u00edda da UE, \u00e9 otimista demais. Eles n\u00e3o podem sair.<\/p>\n<p>Agora, os conservadores brit\u00e2nicos que apoiam a sa\u00edda da UE argumentam que n\u00e3o precisam da Uni\u00e3o Europeia; que eles podem ter o mercado \u00fanico sem a camisa de for\u00e7a de Bruxelas. Mas este \u00e9 um argumento altamente d\u00fabio, j\u00e1 que o mercado \u00fanico n\u00e3o pode ser concebido sem prote\u00e7\u00e3o em comum para os trabalhadores, maneiras em comum de prevenir a explora\u00e7\u00e3o do trabalho ou padr\u00f5es comuns para o ambiente industrial. Ent\u00e3o, a ideia de que se pode ter o mercado \u00fanico sem uni\u00e3o pol\u00edtica se choca com a realidade pol\u00edtica de que o \u00fanico jeito de se ter o livre com\u00e9rcio, atualmente, \u00e9 atrav\u00e9s de legisla\u00e7\u00f5es comuns acerca de patentes, padr\u00f5es industriais, regras para competi\u00e7\u00e3o etc. E como se pode ter uma legisla\u00e7\u00e3o assim, a menos que haja uma esp\u00e9cie de institui\u00e7\u00e3o ou processo democr\u00e1tico que se aplique a todas as jurisdi\u00e7\u00f5es? Ent\u00e3o, se voc\u00ea rejeita a possibilidade de uma Uni\u00e3o Europeia democratizada, rejeita a de um parlamento brit\u00e2nico soberano e acaba em acordos comerciais atrozes, como o TTIP (sigla em ingl\u00eas para Acordo de Parceria Transatl\u00e2ntica de Com\u00e9rcio e Investimento).<\/p>\n<p>Onde est\u00e1, ent\u00e3o, o poder na Europa?<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o interessante. Superficialmente, as \u00fanicas pessoas poderosas na Europa s\u00e3o Mario Draghi, chefe do Banco Central Europeu, e Angela Merkel, a chanceler alem\u00e3. Mas, tendo dito isso, eles mesmos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o poderosos assim. Nas reuni\u00f5es do Eurogrupo percebi Mario Draghi extremamente frustrado em rela\u00e7\u00e3o ao que estava sendo dito, \u00e0 sua pr\u00f3pria impot\u00eancia, a ter que fazer coisas que ele achava serem terr\u00edveis para a Europa. Ao mesmo tempo, Angela Merkel sente-se claramente limitada pelas exig\u00eancias do seu pr\u00f3prio parlamento, do seu pr\u00f3prio partido, com necessidade de manter um modus vivendi com os franceses, dos quais ela discorda.<\/p>\n<p>Portanto, a resposta \u00e0 sua quest\u00e3o \u00e9 que n\u00f3s tratamos de criar na Europa um monstro, onde a eurozona \u00e9 uma entidade com poderes supremos, mas que n\u00e3o \u00e9 controlada por ningu\u00e9m. As institui\u00e7\u00f5es e regras que foram colocadas de modo a manter o equil\u00edbrio pol\u00edtico, que configurou todo o projeto do euro, retira poderes de quase todos os atores que t\u00eam algua legitimidade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Mas esse processo n\u00e3o deu enormes poderes aos mercados financeiros?<\/p>\n<p>Os mercados financeiros n\u00e3o t\u00eam mais poder na Europa do que nos EUA ou em qualquer outro lugar.<br \/>\nVoltemos a 2008. Naquele ano, depois de anos de desregulamenta\u00e7\u00e3o do setor financeiro e da cria\u00e7\u00e3o criminosa de cr\u00e9dito por parte desse setor, as institui\u00e7\u00f5es financeiras implodiram e os capit\u00e3es das finan\u00e7as viraram-se para os governos e disseram: \u201csalve-nos\u201d. E assim o fizemos, ao transferir enormes quantias dos contribuintes para os bancos. Isso aconteceu nos EUA e na Europa, n\u00e3o houve diferen\u00e7a alguma. O problema \u00e9 que a arquitetura da UE, e do euro em particular, era t\u00e3o terr\u00edvel que essa transfer\u00eancia massiva de dinheiro dos contribuintes, e especialmente dos setores mais fracos da sociedade, para os bancos n\u00e3o foi suficiente para estabilizar o sistema financeiro.<\/p>\n<p>Deixe-me dar um exemplo. Compare Nevada com a Irlanda. O clima de ambos pode ser bem diferente, mas os dois t\u00eam o mesmo tamanho, em termos de popula\u00e7\u00e3o, e economias parecidas. Suas economias baseiam-se no setor imobili\u00e1rio, no setor financeiro e na atra\u00e7\u00e3o de corpora\u00e7\u00f5es por meio de incentivos fiscais. A partir de 2008, ambas as economias entraram em recess\u00e3o profunda, afetando principalmente o setor imobili\u00e1rio e a ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o, e empreiteiras foram \u00e0 fal\u00eancia, na medida em que os pre\u00e7os das casas entraram em colapso com o mercado de sub-primes, o que resultou numa crise de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 a maneira como eles estavam aptos a responder. Imagine que as zonas do d\u00f3lar americano tivessem sido constru\u00eddas da mesma maneira que a eurozona. Ent\u00e3o, o estado de Nevada teria tido que encontrar dinheiro, tanto para salvar os bancos quanto para pagar os benef\u00edcios aos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil desempregados \u2013 e sem a ajuda do Fed. Em outras palavras, Nevada teria que ter ido de chap\u00e9u na m\u00e3o pegar esse dinheiro emprestado ao setor financeiro.<\/p>\n<p>Dado que os investidores saberiam que o governo de Nevada n\u00e3o teria um Banco Central apoiando-o, eles n\u00e3o teriam emprestado o dinheiro ao estado ou, ao menos, n\u00e3o teriam emprestado sob taxas de juros razo\u00e1veis. Ent\u00e3o, Nevada teria ido \u00e0 fal\u00eancia, bem como os seus bancos, e o povo de Nevada perderia seus benef\u00edcios de desemprego ou sa\u00fade e servi\u00e7os educacionais. Imagine, ent\u00e3o, que o estado tivesse ido ao Fed, de chap\u00e9u na m\u00e3o, pedindo ajuda. E imagine que o Fed tenha dito \u201cn\u00f3s lhe daremos o resgate e emprestaremos dinheiro sob a condi\u00e7\u00e3o de que voc\u00ea reduza sal\u00e1rios, pens\u00f5es, seguro-desemprego em 20%\u201d. Isso permitiria que o estado de Nevada cumprisse pagamentos de curto prazo, mas a austeridade e a redu\u00e7\u00e3o de receitas e pens\u00f5es etc. reduziria tanto a receita de Nevada, e aumentaria o d\u00e9bito atrav\u00e9s dos empr\u00e9stimos de resgate, de tal maneira que Nevada estaria acabado. Se isso tivesse acontecido em Nevada, teria acontecido no Missouri, no Arizona, come\u00e7ando um efeito domin\u00f3 pelos EUA afora.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que estou dizendo. N\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a em termos de import\u00e2ncia do setor financeiro e sua tirania sobre a democracia nos EUA ou na Europa, a diferen\u00e7a \u00e9 que nos EUA h\u00e1 uma consolida\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es que as torna melhor preparadas para lidar com crises com essas, prevenindo que se desdobrem em crises humanit\u00e1rias. Os americanos aprenderam essa li\u00e7\u00e3o nos anos 1930. O New Deal criou institui\u00e7\u00f5es que agem no sentido de absorver os choques, ao passo que na Europa estamos de volta ao ponto onde est\u00e1vamos em 1929. Estamos permitindo que essa austeridade competitiva, junto com os empr\u00e9stimos de resgate, destruam um pa\u00eds atr\u00e1s do outro, at\u00e9 que a Uni\u00e3o Europeia se vire contra si pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>\u00c9 hora, ent\u00e3o, de advogar pela sa\u00edda do euro? Retornar a uma moeda nacional n\u00e3o pode ao menos dar uma oportunidade a mais de democratizar a presta\u00e7\u00e3o de contas?<\/p>\n<p>Essa, \u00e9 claro, \u00e9 uma batalha em curso que venho travando com meus companheiros na Gr\u00e9cia. Eu cresci numa Gr\u00e9cia um tanto isolada, na periferia da economia capitalista, com sua pr\u00f3pria moeda, o dracma, e uma economia com cotas e tarifas que preveniam a livre circula\u00e7\u00e3o de bens e capitais. Posso lhe assegurar que aquela era um Gr\u00e9cia muito \u00e1rida, certamente n\u00e3o era um para\u00edso socialista. Ent\u00e3o, a ideia de que devemos recorrer ao Estado-na\u00e7\u00e3o para criar uma sociedade melhor \u00e9, para mim, particularmente boba e implaus\u00edvel.<\/p>\n<p>Agora, eu queria que n\u00e3o tiv\u00e9ssemos criado o euro, queria que tiv\u00e9ssemos mantido nossas moedas nacionais. \u00c9 fato que o euro foi um desastre. Ele criou uma uni\u00e3o monet\u00e1ria destinada a fracassar, e que garantiu dificuldades incalcul\u00e1veis aos povos da Europa. Tendo dito isso, existe uma diferen\u00e7a em afirmar que n\u00e3o dever\u00edamos ter criado o euro e dizer agora que n\u00f3s devemos sair. Devido ao que chamamos, em matem\u00e1tica, de histerese. Em outras palavras, sair n\u00e3o nos levar\u00e1 de volta onde est\u00e1vamos, ou onde estivemos antes de entrar, ou onde estar\u00edamos se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos entrado.<\/p>\n<p>Algumas pessoas falam do exemplo da Argentina, mas a Gr\u00e9cia n\u00e3o estava como a Argentina em 2002. N\u00e3o temos uma moeda para ser desvalorizada frente ao euro. N\u00f3s temos o euro! Sair do euro significa criar uma nova moeda, o que leva cerca de um ano, e s\u00f3 ent\u00e3o desvaloriz\u00e1-la. Seria o equivalente \u00e0 Argentina anunciar uma desvaloriza\u00e7\u00e3o com 12 meses de anteced\u00eancia. Isso seria catastr\u00f3fico, porque se voc\u00ea desse esse tanto de informa\u00e7\u00f5es aos investidores \u2013 e at\u00e9 mesmo aos cidad\u00e3os comuns \u2013 eles liquidariam tudo, tirariam todo o dinheiro no tempo que voc\u00ea deu, na expectativa de uma desvaloriza\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o sobraria nada de p\u00e9 no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mesmo que pud\u00e9ssemos retornar coletivamente \u00e0s nossas moedas nacionais ao longo da eurozona, pa\u00edses como a Alemanha, cuja moeda foi suprimida por conta do euro, veriam suas taxas de c\u00e2mbio dispararem. Isso significaria que a Alemanha, que tem pouco desemprego no momento, e uma alta porcentagem de trabalhadores pobres, veria esses trabalhadores pobres se tornarem desempregados pobres. E isso se repetiria no centro-norte e nordeste da Europa, na Holanda, \u00c1ustria, Finl\u00e2ndia \u2013 no que eu chamo de pa\u00edses superavit\u00e1rios. Ao mesmo tempo, em lugares como It\u00e1lia, Portugal e Espanha, e Fran\u00e7a tamb\u00e9m, haveria simultaneamente uma queda acentuada de atividade econ\u00f4mica (por conta da crise em pa\u00edses como a Alemanha) e um forte aumento da infla\u00e7\u00e3o (j\u00e1 que as novas moedas nesses pa\u00edses iriam se desvalorizar de maneira significativa, causando a disparada dos pre\u00e7os de importa\u00e7\u00e3o, tais como petr\u00f3leo, energia e bens b\u00e1sicos).<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se retornarmos ao casulo do Estado-na\u00e7\u00e3o, n\u00f3s teremos uma linha de falha em algum lugar ao longo do rio Reno e dos Alpes. Todas as economias ao leste do Reno e ao norte dos Alpes se tornariam economias em depress\u00e3o e o resto da Europa seria um territ\u00f3rio de estagfla\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, com alto desemprego e altos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Essa Europa poderia, at\u00e9 mesmo, produzir uma grande guerra, ou, se n\u00e3o uma guerra, seriam produzidas tantas dificuldades que as na\u00e7\u00f5es poderiam se voltar umas contra as outras. De qualquer maneira, a Europa poderia, mais uma vez, afundar a economia mundial. A China seria devastada e a recupera\u00e7\u00e3o vacilante dos EUA desapareceria. N\u00f3s ter\u00edamos condenado o mundo todo a pelo menos uma gera\u00e7\u00e3o perdida. Eu digo aos meus amigos que a esquerda jamais se beneficiaria de tal acontecimento. Ser\u00e3o sempre os ultranacionalistas, os racistas, fan\u00e1ticos e os nazistas os \u00fanicos a se beneficiarem.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel democratizar o euro e a Uni\u00e3o Europeia?<\/p>\n<p>Vamos pensar os dois em conjunto, por ora. A Europa pode ser democratizada? Sim, penso que sim. Ser\u00e1 democratizada? Suspeito que n\u00e3o. Ent\u00e3o, o que vir\u00e1? Se voc\u00ea pedir minha previs\u00e3o, eu estou muito pessimista, sombrio. Acho que o processo de democratiza\u00e7\u00e3o tem uma chance muito pequena de sucesso. E nesse caso teremos desintegra\u00e7\u00e3o e um futuro sombrio. Mas a diferen\u00e7a, quando estamos falando sobre a sociedade ou sobre o clima, \u00e9 que o clima n\u00e3o liga nem um pouco para nossas previs\u00f5es, ent\u00e3o podemos nos permitir sentar, olhar para o c\u00e9u e dizer \u201cacho que vai chover\u201d, porque tal fala n\u00e3o ir\u00e1 influenciar na possibilidade de chuva. Mas, penso que em quest\u00f5es como sociedade e pol\u00edtica, temos o dever moral e pol\u00edtico de ser otimistas e dizer: \u201cok, entre todas as op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, qual tem a menor chance de causar uma cat\u00e1strofe?\u201d Para mim, essa \u00e9 a tentativa de democratizar a Uni\u00e3o Europeia. Se acredito no sucesso dessa tentativa? N\u00e3o sei, mas se n\u00e3o tiver esperan\u00e7a de que podemos, eu n\u00e3o posso levantar da cama de manh\u00e3 e sair por a\u00ed fazendo qualquer coisa.<\/p>\n<p>Democratizar a Europa \u00e9 uma quest\u00e3o de reclamar princ\u00edpios fundamentais ou trata-se de desenvolver um novo conceito de soberania?<\/p>\n<p>Ambos. N\u00e3o h\u00e1 nada de novo sob o sol. O conceito de soberania n\u00e3o muda, mas a maneira de aplic\u00e1-lo a \u00e1reas multi\u00e9tnicas e multijurisdicionais como a Europa deve ser repensada. H\u00e1 um debate interessante que acontece principalmente na Gr\u00e3-Bretanha, j\u00e1 que o resto da Europa n\u00e3o parece estar interessada. Foi sempre frustrante tentar convencer os franceses e os alem\u00e3es de que h\u00e1 uma profunda diferen\u00e7a entre uma Europa de na\u00e7\u00f5es e uma Uni\u00e3o Europeia. Os brit\u00e2nicos entendem isso melhor, especialmente os conservadores, ironicamente. Eles s\u00e3o adeptos de Edmund Burke, anticonstrutivistas que acreditam que deve haver uma liga\u00e7\u00e3o parte-a-parte entre na\u00e7\u00e3o, parlamento e moeda: uma na\u00e7\u00e3o, um parlamento, uma moeda.<\/p>\n<p>Quando pergunto aos meus amigos conservadores ingleses, \u201cMas, e a Esc\u00f3cia? N\u00e3o \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o id\u00f4nea? Se assim for, eles n\u00e3o deveriam ter um Estado e uma moeda separados?\u201d, a resposta que recebo \u00e9 do tipo: \u00c9 claro que existe uma na\u00e7\u00e3o escocesa, uma galesa e outra inglesa, e n\u00e3o uma na\u00e7\u00e3o do Reino Unido, mas h\u00e1 uma identidade em comum forjada nas guerras de conquista, participa\u00e7\u00e3o no Imp\u00e9rio e por a\u00ed vai. Se isso \u00e9 verdade, e pode ser, ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que diferentes nacionalidades podem unir-se sob uma identidade em comum que evoluiu em conjunto. Ent\u00e3o, \u00e9 dessa maneira que eu gostaria de enxergar. Nunca teremos uma na\u00e7\u00e3o europeia, mas podemos ter uma identidade europeia que corresponda \u00e0 soberania do povo europeu. Portanto, n\u00f3s preservamos o antigo conceito de soberania, mas o relacionamos a uma identidade europeia que ent\u00e3o \u00e9 ligada a uma \u00fanica soberania e um parlamento que contrabalanceie o poder executivo ao n\u00edvel da Europa.<\/p>\n<p>No momento, temos o ECOFIN, o Eurogrupo e o Conselho Europeu tomando importantes decis\u00f5es em nome do povo europeu, mas esses \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o respondem a nenhum parlamento. N\u00e3o \u00e9 suficiente dizer que os membros dessas institui\u00e7\u00f5es respondem cada um ao seu parlamento nacional, porque os membros dessas institui\u00e7\u00f5es, quando retornam ao seu pa\u00eds e v\u00e3o se explicar perante o seu parlamento nacional, dizem \u201cN\u00e3o olhem pra mim, eu discordei de tudo em Bruxelas mas n\u00e3o tive for\u00e7a suficiente para efetivar minha decis\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o sou respons\u00e1vel pela decis\u00e3o do Conselho, do Eurogrupo ou do ECOFIN\u201d. A menos que os organismos institucionais possam ser censurados ou rejeitados como tal, por um parlamento comum, n\u00e3o teremos uma democracia soberana. Portanto, esse deve ser o objetivo da Europa.<\/p>\n<p>Alguns argumentariam que isso atrasaria o processo de tomada de decis\u00f5es e o tornaria ineficaz.<\/p>\n<p>N\u00e3o, acho que n\u00e3o atrasaria a tomada de decis\u00f5es, ela se tornaria mais r\u00e1pida. Nesse momento, nenhuma decis\u00e3o \u00e9 tomada antes que seja imposs\u00edvel n\u00e3o agir, pois n\u00e3o temos esse tipo de mensura\u00e7\u00e3o. Eles vivem atrasando, atrasando, negando um problema durante anos, sempre falsificando um resultado at\u00e9 o \u00faltimo minuto poss\u00edvel. Esse \u00e9 o sistema mais ineficaz poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Voc\u00ea agora est\u00e1 envolvido no lan\u00e7amento do Movimento Democracia na Europa. Fale-nos sobre isso.<\/p>\n<p>O lado bom do esmagamento sofrido pelo nosso governo no ano passado \u00e9 que milh\u00f5es de europeus foram alertados sobre como a Europa est\u00e1 sendo governada. As pessoas est\u00e3o muito, muito furiosas, at\u00e9 mesmo pessoas que discordavam de mim e de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, estou em turn\u00ea pela Europa, indo de um pa\u00eds a outro, tentando despertar a consci\u00eancia acerca dos desafios que enfrentamos em comum e da toxicidade que surge a partir do v\u00e1cuo de democracia. Este foi o primeiro passo. O segundo passo tem sido esbo\u00e7ar um manifesto, j\u00e1 que manifestos s\u00e3o importantes, pois concentram as ideias e podem tornar-se um ponto focal para pessoas que est\u00e3o com raiva e preocupadas, e querem participar de um processo de democratiza\u00e7\u00e3o na Europa.<\/p>\n<p>Nas pr\u00f3ximas semanas estaremos organizando um evento significativo em Berlim (em 9 de fevereiro), realizado l\u00e1 por raz\u00f5es simb\u00f3licas \u00f3bvias, para lan\u00e7ar o manifesto e convocar os europeus de todos os 28 Estados-membros a juntar-se a n\u00f3s em um movimento que tem uma pauta simples: ou democratizar a UE ou aboli-la. Porque se permitirmos que as atuais estruturas burocr\u00e1ticas antidemocr\u00e1ticas e institui\u00e7\u00f5es de Bruxelas, Frankfurt e Luxemburgo continuem a aplicar pol\u00edticas em nosso nome, n\u00f3s chegaremos \u00e0 distopia que descrevi anteriormente.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o evento de 9 de fevereiro em Berlim, n\u00f3s planejamos uma s\u00e9rie de eventos pela Europa, o que dar\u00e1 ao nosso movimento o impulso necess\u00e1rio. N\u00f3s n\u00e3o somos uma coaliz\u00e3o de partidos pol\u00edticos. A ideia \u00e9 que qualquer um possa participar, independente de filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria ou ideologia, porque a democracia pode ser um tema unificador. At\u00e9 mesmo meus amigos conservadores ingleses podem juntar-se a n\u00f3s, ou liberais que conseguem enxergar que a UE n\u00e3o \u00e9 sequer insuficientemente democr\u00e1tica, mas sim antidemocr\u00e1tica e, por essa raz\u00e3o, economicamente incompetente.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, como podemos imaginar nossa interven\u00e7\u00e3o? O modelo pol\u00edtico europeu tem se baseado em partidos pol\u00edticos espec\u00edficos de cada na\u00e7\u00e3o. Portanto, um partido pol\u00edtico cresce em um determinado pa\u00eds, h\u00e1 um manifesto dirigido aos cidad\u00e3os daquele pa\u00eds, ent\u00e3o uma vez que o partido se encontra no governo, s\u00f3 ent\u00e3o (como se fosse um pensamento tardio) s\u00e3o feitas tentativas de construir alian\u00e7as com partidos que partilham os mesmos valores na Europa, no Parlamento Europeu, Bruxelas e tudo mais. At\u00e9 onde vejo, esse modelo de pol\u00edtica est\u00e1 esgotado. A soberania dos parlamentos foi dissolvida pela eurozona e pelo Eurogrupo; a capacidade de cumprir um mandato em n\u00edvel do Estado-na\u00e7\u00e3o foi erradicada e, por isso, quaisquer manifestos dirigidos aos cidad\u00e3os de um determinado Estado-membro se tornam exerc\u00edcios te\u00f3ricos. Mandatos eleitorais s\u00e3o, agora, por defini\u00e7\u00e3o, imposs\u00edveis de ser cumpridos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ao inv\u00e9s de partirmos do n\u00edvel do Estado-na\u00e7\u00e3o para o n\u00edvel da Europa, pensamos que dever\u00edamos fazer o contr\u00e1rio; que dever\u00edamos construir um movimento pan-europeu transfronteiri\u00e7o, manter um di\u00e1logo naquele espa\u00e7o para identificar pol\u00edticas comuns para enfrentar problemas comuns, e uma vez atingido o consenso sobre estrat\u00e9gias comuns na escala europeia, esse consenso pode achar sua express\u00e3o nos n\u00edveis regional, municipal e do Estado-na\u00e7\u00e3o. Assim, estamos revertendo o processo, come\u00e7ando com o n\u00edvel europeu para tentar chegar a um consenso e ent\u00e3o movermo-nos para baixo. Esse ser\u00e1 nosso modus operandi.<\/p>\n<p>Quanto ao calend\u00e1rio, dividimos a pr\u00f3xima d\u00e9cada em diferentes intervalos de tempo, porque temos no m\u00e1ximo uma d\u00e9cada para mudar a Europa. Se fracassarmos em 2025, ent\u00e3o, acredito que n\u00e3o haver\u00e1 uma Uni\u00e3o Europeia a ser salva ou sequer para se falar sobre. Para aqueles que desejam saber o que queremos, a resposta agora \u00e9: transpar\u00eancia! N\u00f3s exigimos, no m\u00ednimo, que as reuni\u00f5es do Conselho Europeu, ECOFIN e Eurogrupo sejam transmitidas ao vivo, que as minutas do Banco Central Europeu sejam publicadas e que os documentos relacionados a negocia\u00e7\u00f5es comerciais, como a TTIP, sejam disponibilizadas online. No curto a m\u00e9dio prazo, devemos discutir a redefini\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is de institui\u00e7\u00f5es existentes da UE, dentro dos tratados existentes (embora terr\u00edveis), visando a estabiliza\u00e7\u00e3o da crise em curso nos dom\u00ednios da d\u00edvida p\u00fablica, falta de investimento, servi\u00e7os banc\u00e1rios e pobreza. Finalmente, no m\u00e9dio a longo prazo, deveremos convocar uma Assembleia Constituinte, a ser convocada pelo povo da Europa, com poderes para decidir sobre uma futura constitui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que substituir\u00e1 todos os tratados europeus existentes.<\/p>\n<p>Parece que estamos vivendo em tempos esperan\u00e7osos, mas tamb\u00e9m muito dif\u00edceis. Vemos a crescente popularidade de partidos tais como o Podemos na Espanha, o Bloco de Esquerda em Portugal, Jeremy Corbyn no Reino Unido, entre outros, mas ao mesmo tempo temos a experi\u00eancia do Syriza esmagado, sem a menor cerim\u00f4nia, pela Troika. Dada a experi\u00eancia do Syriza, que esperan\u00e7a voc\u00ea guarda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o popular das pol\u00edticas de austeridade?<\/p>\n<p>Acredito que o surgimento desses partidos e movimentos antiausteridade mostra claramente que os povos da Europa, n\u00e3o apenas na Espanha ou na Gr\u00e9cia, j\u00e1 se cansaram dessa velha pol\u00edtica, as pol\u00edticas centradas em consensos que levaram \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o da crise e empurraram a Europa para o caminho que leva \u00e0 desintegra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida disso.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9: como podemos aproveitar esse descontentamento? No nosso caso, na Gr\u00e9cia, n\u00f3s falhamos. H\u00e1 uma enorme desconex\u00e3o entre a lideran\u00e7a do partido e as pessoas que votaram nele. Ent\u00e3o, \u00e9 por isso que acredito que o foco no Estado-na\u00e7\u00e3o j\u00e1 passou do prazo de validade. Se o Podemos assume o governo, eles o far\u00e3o sob as mesmas condi\u00e7\u00f5es, extremamente restritivas, impostas pela Troika \u2013 tal qual o novo governo, ainda em forma\u00e7\u00e3o, em Portugal. A menos que tais partidos progressistas sejam sustentados por um movimento pan-europeu que exer\u00e7a uma press\u00e3o progressista em todos os lugares, e de uma vez s\u00f3, eles acabar\u00e3o frustrando seus eleitores, for\u00e7ados a aceitar as regras que os impedem de cumprir seus mandatos.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que enfatizo a quest\u00e3o de construir um movimento pan-europeu. \u00c9 porque a \u00fanica maneira de mudar a Europa \u00e9 atrav\u00e9s de uma onda que varra o continente. Caso contr\u00e1rio, o voto de protesto manifestando-se na Gr\u00e9cia, Espanha, Reino Unido, Portugal, se n\u00e3o estiver sincronizado em todos os lugares acabar\u00e1 por se dissipar, deixando para tr\u00e1s nada al\u00e9m da amargura e da inseguran\u00e7a produzidas pela incontrol\u00e1vel fragmenta\u00e7\u00e3o da Europa.<\/p>\n<p>Fonte: Reda\u00e7\u00e3o Outras Palavras<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de experimentar arrog\u00e2ncia e brutalidade da elite financeira, ex-ministro grego prop\u00f5e uma sa\u00edda: transpar\u00eancia total, para expor os que sequestraram a pol\u00edtica Yanis Varoufakis, entrevistado por Nick Buxton, do Transnational Institute | Tradu\u00e7\u00e3o: Gabriel Sim\u00f5es |01\/02\/2016 O esfor\u00e7o 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