{"id":2689666,"date":"2026-04-02T14:39:25","date_gmt":"2026-04-02T13:39:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=2689666"},"modified":"2026-04-02T14:39:25","modified_gmt":"2026-04-02T13:39:25","slug":"vale-do-paraiba-serrinha-e-oswaldo-cruz-as-fronteiras-moveis-da-musicalidade-de-silas-de-oliveira-e-da-velha-guarda-show-do-imperio-serrano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2026\/04\/vale-do-paraiba-serrinha-e-oswaldo-cruz-as-fronteiras-moveis-da-musicalidade-de-silas-de-oliveira-e-da-velha-guarda-show-do-imperio-serrano\/","title":{"rendered":"Vale do Para\u00edba, Serrinha e Oswaldo Cruz: As fronteiras m\u00f3veis da musicalidade de Silas de Oliveira e da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">NOTA PRETA<\/span><\/h5>\n<p><em><strong>Por Mauro Viana<\/strong><\/em><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Este artigo investiga a obra do compositor Silas de Oliveira e a atua\u00e7\u00e3o da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano como pr\u00e1ticas de reconfigura\u00e7\u00e3o de fronteiras culturais, raciais e simb\u00f3licas.<\/strong> <\/span><\/h1>\n<p><strong>RESUMO<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ancorado nas teorias de \u00c9tienne Balibar (fronteiras m\u00f3veis), Michel de Certeau (t\u00e1ticas do cotidiano) e Renata Summa (inven\u00e7\u00e3o de lugares), o estudo compreende o samba do Morro da Serrinha (Rio de Janeiro) n\u00e3o apenas como express\u00e3o art\u00edstica, mas como campo de disputa pol\u00edtica e dispositivo de comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Por meio de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica cr\u00edtica e pesquisa de campo, analisa-se como essa musicalidade opera como cartografia afetiva, construindo mem\u00f3ria coletiva, projetando pertencimento e desafiando representa\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas do espa\u00e7o urbano. Conclui-se que a performance da Velha Guarda constitui um \u201cmuseu vivo\u201d e uma pedagogia insurgente, reinscrevendo a cultura negra na esfera p\u00fablica e acad\u00eamica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Palavras-chave: Silas de Oliveira; Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano; Fronteiras m\u00f3veis; Samba; Comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria; Morro da Serrinha.<\/span><\/p>\n<p><strong>1 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O roteiro da pesquisa Velha Guarda Show: Museu Vivo da Obra de Silas de Oliveira sugere um mergulho nas obras de \u00c9tienne Balibar (Politics and the Other Scene), Michel de Certeau (A inven\u00e7\u00e3o do cotidiano) e Renata Summa (Challenging the Representation of Ethnically Divided Cities). Trata-se de autores que, embora provenientes de diferentes tradi\u00e7\u00f5es intelectuais, compartilham uma preocupa\u00e7\u00e3o comum: compreender como os espa\u00e7os sociais, urbanos e simb\u00f3licos s\u00e3o continuamente constru\u00eddos, disputados e ressignificados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir de Balibar (2002), depreende-se a ideia de que as fronteiras n\u00e3o s\u00e3o apenas linhas fixas que delimitam territ\u00f3rios geogr\u00e1ficos, mas processos din\u00e2micos que atravessam corpos, institui\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas culturais. Certeau (1998), por sua vez, enfatiza o cotidiano como lugar privilegiado de resist\u00eancia, onde sujeitos aparentemente \u201can\u00f4nimos\u201d exercem t\u00e1ticas criativas para contornar as estruturas de poder e produzir novos sentidos para a vida coletiva. J\u00e1 Summa (2021) problematiza as representa\u00e7\u00f5es das cidades etnicamente divididas, mostrando que os territ\u00f3rios urbanos n\u00e3o podem ser compreendidos como espa\u00e7os homog\u00eaneos, mas sim como arenas de disputas permanentes, onde identidades, mem\u00f3rias e narrativas se sobrep\u00f5em e se confrontam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essas diferentes abordagens convergem para a compreens\u00e3o do espa\u00e7o como pr\u00e1tica social, pol\u00edtica e simb\u00f3lica. \u00c9 nesse ponto de encontro te\u00f3rico que se ancora o presente artigo, o qual toma como estudo de caso a musicalidade de Silas de Oliveira e da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano. Ao trazer para o centro da reflex\u00e3o a cultura do samba do Morro da Serrinha e seus desdobramentos culturais, busca-se demonstrar que a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento de matriz africana n\u00e3o se limita \u00e0 dimens\u00e3o est\u00e9tica, mas constitui-se em campo de disputa simb\u00f3lica, territ\u00f3rio de mem\u00f3ria coletiva e pr\u00e1tica de inven\u00e7\u00e3o de lugares. A cultura do Morro da Serrinha, nesse contexto, \u00e9 entendida como linguagem comunicacional complexa, capaz de articular resist\u00eancias, construir sociabilidades e projetar futuros poss\u00edveis. Nesse sentido, opera como uma esp\u00e9cie de cartografia afetiva que, ao mesmo tempo em que compartilha a presen\u00e7a hist\u00f3rica da popula\u00e7\u00e3o negra na cidade do Rio de Janeiro, inscreve novas possibilidades de pertencimento e de visibilidade social.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nessa linha de reflex\u00e3o, a obra de Silas de Oliveira e a trajet\u00f3ria da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano ganham relev\u00e2ncia por evidenciarem como a arte pode se tornar um dispositivo pol\u00edtico de reconfigura\u00e7\u00e3o de fronteiras, sejam elas territoriais, raciais ou simb\u00f3licas. Esse argumento significa tamb\u00e9m reconhecer o car\u00e1ter transdisciplinar das m\u00eddias criativas. Por esta raz\u00e3o, a an\u00e1lise aqui proposta se insere no cruzamento entre comunica\u00e7\u00e3o, estudos culturais, sociologia urbana, hist\u00f3ria e antropologia, refor\u00e7ando a necessidade de metodologias que deem conta da complexidade das pr\u00e1ticas culturais contempor\u00e2neas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, compreender a obra de Silas e a atua\u00e7\u00e3o da Velha Guarda Show n\u00e3o apenas como mem\u00f3ria. De fato, tanto a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Silas de Oliveira quanto a performance viva de resist\u00eancia da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano, enquanto inven\u00e7\u00f5es culturais, permitem localizar o Morro da Serrinha como fronteira cultural m\u00f3vel, constantemente atualizada por pr\u00e1ticas sociais, estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia e mem\u00f3rias coletivas. No que tange \u00e0 metodologia, este trabalho combina revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica cr\u00edtica com pesquisa de campo. A revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica vem sendo conduzida a partir de autores cl\u00e1ssicos e contempor\u00e2neos que problematizam as rela\u00e7\u00f5es entre espa\u00e7o, cultura e comunica\u00e7\u00e3o, com destaque para Balibar (2002), Certeau (1998), Summa (2021), Sodr\u00e9 (1998; 2014), Paiva (1998) e Valen\u00e7a (2017). Esse arco te\u00f3rico se articula com entrevistas semiestruturadas, an\u00e1lise de registros sonoros e visuais e observa\u00e7\u00e3o participante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os encontros com a Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano t\u00eam permitido entrecruzar teoria e pr\u00e1tica, ampliando a compreens\u00e3o dos sujeitos de estudo em suas m\u00faltiplas perspectivas. Vale destacar que os objetivos da pesquisa se desdobram em tr\u00eas eixos principais: (1) compreender de que maneira a obra de Silas de Oliveira e a trajet\u00f3ria da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano se constituem como pr\u00e1ticas de resist\u00eancia cultural e pol\u00edtica; (2) analisar como o samba, enquanto linguagem comunicacional e cartografia afetiva, opera na constru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias coletivas e na reconfigura\u00e7\u00e3o de fronteiras simb\u00f3licas e territoriais; e (3) refletir sobre a contribui\u00e7\u00e3o do samba para o campo das m\u00eddias criativas, evidenciando seu car\u00e1ter transdisciplinar e seu potencial como pr\u00e1tica de inven\u00e7\u00e3o de lugares e de sociabilidades.<\/span><\/p>\n<p><strong>2 AS PONTES METODOL\u00d3GICAS ENTRE O VALE DO PARA\u00cdBA, A SERRINHA, OSWALDO CRUZ E MADUREIRA<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antes de completar duas d\u00e9cadas, o s\u00e9culo XXI redimensionou as rela\u00e7\u00f5es sociais, culturais e pol\u00edticas em diversas partes do mundo. Esse redimensionamento tem como elemento central a digitaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es socioculturais, que reconfigura n\u00e3o apenas os modos de comunica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m os processos de constru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria coletiva, da identidade e da sociabilidade urbana. Nesse contexto, as express\u00f5es culturais tradicionais \u2014 entre elas a cultura do Morro da Serrinha \u2014 convivem com fluxos digitais globais, mas preservam sua for\u00e7a como pr\u00e1ticas de resist\u00eancia e inven\u00e7\u00e3o cotidiana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No apagar das luzes do s\u00e9culo XX, em 7 de maio de 1999, o Espa\u00e7o Multim\u00eddia do Museu da Rep\u00fablica, no bairro do Catete, Rio de Janeiro, sediou o projeto de jornalismo comunit\u00e1rio Rep\u00fablica do Samba. Sua proposta inicial era refletir sobre a constru\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o como pr\u00e1tica social, pol\u00edtica e simb\u00f3lica, antecipando debates que se tornariam centrais no campo das m\u00eddias criativas e das ci\u00eancias sociais no s\u00e9culo XXI. Por esta raz\u00e3o, na linha de frente est\u00e1 a materialidade dos conceitos de Balibar (2002), Certeau (1998) e Summa (2021) ao caminhar, paralelamente, \u00e0 estrutura pol\u00edtico-social da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano. Ora, a postura do grupo musical envolve confrontar as fronteiras culturais e raciais por meio da obra de Silas de Oliveira. Nessa esfera, entende-se postura como \u201ct\u00e1tica\u201d (Certeau, 1998) dos sujeitos an\u00f4nimos de espa\u00e7os perif\u00e9ricos \u2014 Vale do Para\u00edba, Morro da Serrinha de Madureira e Oswaldo Cruz \u2014 como inven\u00e7\u00f5es de lugares musicais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trata-se, portanto, de simbologia cartogr\u00e1fica na qual a regi\u00e3o de Madureira est\u00e1 na fronteira com a cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos. Tal aproxima\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 casual: assim como Nova Orleans \u00e9 o ber\u00e7o do jazz e da cultura afro-americana, Madureira e seus arredores se consolidaram como epicentro da cultura do samba, territ\u00f3rio de mem\u00f3ria, resist\u00eancia e criatividade. N\u00e3o por acaso, o conhecido sub\u00farbio central \u00e9 o ninho das escolas de samba Imp\u00e9rio Serrano e Portela, cujas ancestralidades est\u00e3o assentadas no Morro da Serrinha. Lugar de manifesta\u00e7\u00e3o cultural e religiosa de sujeitos da etnia africana bantu, o Morro da Serrinha nos legou, entre outros artistas, aquele que se tornaria \u201cmaior compositor de samba-enredo de todos os tempos: Silas de Oliveira\u201d (Valen\u00e7a; Valen\u00e7a, 2017, p. 105).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em sua obra, nota-se o que Balibar (2002) conceitua como cidadania diferencial: uma forma de pertencimento que n\u00e3o se funda na homogeneidade imposta pelo Estado-na\u00e7\u00e3o, mas na multiplicidade de pr\u00e1ticas culturais. O Mestre Silas de Oliveira, nesse sentido, vive n\u00e3o apenas o tempo de sua pr\u00f3pria vida, mas permanece presente nas pessoas celebrantes do samba (Fernandes, 2001) da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano. De fato, a Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano performa uma institui\u00e7\u00e3o m\u00f3vel ao comunicar saberes pol\u00edticos para al\u00e9m do territ\u00f3rio nacional. Como ensina Balibar (2002, p. 75), \u201cas fronteiras operam nos corpos, nas l\u00ednguas e nas institui\u00e7\u00f5es, sendo constantemente reconfiguradas por processos hist\u00f3ricos, econ\u00f4micos e por sujeitos\u201d. A Velha Guarda, ao se apresentar em palcos internacionais, traduz essa no\u00e7\u00e3o em pr\u00e1tica cultural: rompe barreiras f\u00edsicas e simb\u00f3licas, desloca fronteiras raciais e projeta no mundo uma mem\u00f3ria afro-diasp\u00f3rica enraizada na Serrinha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No livro A inven\u00e7\u00e3o do cotidiano, Michel de Certeau (1998) aproxima-se dos conceitos de Balibar contidos em Politics and the Other Scene ao demonstrar que \u201ccontar (e cantar) uma hist\u00f3ria \u00e9, tamb\u00e9m, inventar um lugar\u201d, porque a narrativa desenha mapas simb\u00f3licos, cria sentidos e produz espacialidades. Nessa mesma linha de pensamento, sua no\u00e7\u00e3o de \u201ct\u00e1ticas\u201d (Certeau, 1998) descreve formas de resist\u00eancia que, embora n\u00e3o enfrentem diretamente o poder institu\u00eddo, o contornam e subvertem seus usos. O samba de Silas de Oliveira, aqui, se converte em t\u00e1tica por excel\u00eancia ao cantar o cotidiano da Serrinha. Al\u00e9m disso, opera politicamente ao reinventar o espa\u00e7o urbano ao qual s\u00e3o atribu\u00eddos significados que escapam \u00e0 l\u00f3gica hegem\u00f4nica da cidade formal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nessa dire\u00e7\u00e3o, os sujeitos celebrantes do samba (Fernandes, 2001) do bairro de Madureira materializam o conceito de inventing places (Summa, 2021) por meio da contesta\u00e7\u00e3o cotidiana das representa\u00e7\u00f5es espaciais dominantes. Em Challenging the Representation of Ethnically Divided Cities, Renata Summa (2021) demonstra como os residentes de cidades como Nic\u00f3sia, Mostar e Belgrado desafiam discursos fixos sobre identidade, territ\u00f3rio e pertencimento. Ao adaptarmos essa conceitua\u00e7\u00e3o para as fronteiras \u00e9tnico-sociais da Serrinha, constatamos que a teoria se encaixa em diferentes modalidades de disputa. O espa\u00e7o urbano, nesse caso, n\u00e3o \u00e9 mero reflexo de divis\u00f5es sociais preexistentes, mas palco de resist\u00eancia est\u00e9tica, pol\u00edtica e afetiva. Por isso, Summa (2021, p. 12) \u201caponta para a necessidade de pensar os lugares n\u00e3o como entidades fechadas, mas como constru\u00e7\u00f5es relacionais, atravessadas por mem\u00f3ria, conflito e desejo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa pol\u00edtica de contesta\u00e7\u00e3o estruturou a Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano, por meio da obra de Silas de Oliveira, como plataforma identit\u00e1ria de Madureira. Nesse ponto, importa notar que a media\u00e7\u00e3o da Velha Guarda n\u00e3o se limita a preservar tradi\u00e7\u00f5es, mas funciona como for\u00e7a pedag\u00f3gica, impulsionando novas gera\u00e7\u00f5es a mergulhar na hist\u00f3ria do territ\u00f3rio para reinscrever o passado no presente. Assim, ao \u201cinventar lugares\u201d (Summa, 2021), os sujeitos reconfiguram os significados da cidade e criam fissuras nos regimes de visibilidade estabelecidos. Aqui, o significante \u201cfissura\u201d assume sentido de estopim em meio \u00e0 guerra cultural, como resposta de parte da comunidade discursiva hegem\u00f4nica. No limite, a disputa \u00e9 alimentada por ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o corporativos que frequentemente resistem em admitir a centralidade da na\u00e7\u00e3o bantu no redesenho constante das fronteiras socioculturais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contra-hegemonicamente, os talentos do Morro da Serrinha constru\u00edram, por meio da cultura do samba, sua pr\u00f3pria plataforma de agrega\u00e7\u00e3o social. Essa firmeza das vozes da Serrinha \u2014 no que diz respeito \u00e0 difus\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o das identidades locais \u2014 resulta, ao longo de d\u00e9cadas, no constante processo de reexist\u00eancia da cultura da Serrinha. Embora a cultura do samba do Morro da Serrinha ainda se alicerce em bases associativas, o projeto da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano exerce papel central n\u00e3o apenas na vida comunit\u00e1ria, mas tamb\u00e9m no percurso acad\u00eamico de pesquisadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A trajet\u00f3ria da pesquisadora Rachel Valen\u00e7a \u00e9 um exemplo emblem\u00e1tico: moradora de Bras\u00edlia nos anos 1970, Valen\u00e7a descobriu a verde e branco de Madureira por meio de um pequeno bloco do bairro da Ceil\u00e2ndia. Nos anos 1980, ao voltar a residir no Rio de Janeiro, no bairro de Laranjeiras, teve contato direto com integrantes da Escola de Samba Imp\u00e9rio Serrano. Um deles chama-se Cizinho. Ele faz parte da galeria dos grandes mestres-salas da escola que nasceu do racha da agremia\u00e7\u00e3o conhecida como Prazer da Serrinha. Ao lado de Paulo Omar e Lelei Sabino, Cizinho \u00e9 um dos coordenadores da a\u00e7\u00e3o local chamada Baluartes de Turia\u00e7u. N\u00e3o por coincid\u00eancia, os tr\u00eas baluartes s\u00e3o disc\u00edpulos de pessoas ilustres da verde e branco de Madureira. O trio segue os ensinamentos de Mano El\u00f3i, Tia Eul\u00e1lia, V\u00f3 Maria, Silas de Oliveira, Mano D\u00e9cio, Dona Ivone Lara, Beto Sem Bra\u00e7o, Seu Darcy do Jongo, Mestre Fa\u00edsca, Jorginho do Imp\u00e9rio e Arlindo Cruz. Em tradu\u00e7\u00e3o livre, podemos concluir que os Baluartes de Turia\u00e7u, assim como a Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano, s\u00e3o extens\u00f5es do \u201ccampo de disputa simb\u00f3lica, onde a resist\u00eancia n\u00e3o se d\u00e1 apenas por confronto, mas pela cria\u00e7\u00e3o de novos sentidos e usos\u201d (Summa, 2021, p. 18).<\/span><\/p>\n<p><strong>3 COTIDIANO, ESPACIALIDADES E FRONTEIRAS NA MUSICALIDADE DA SERRINHA<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em raz\u00e3o dos restritos espa\u00e7os midi\u00e1ticos reservados \u00e0 cultura do Morro da Serrinha e, por extens\u00e3o, \u00e0 Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano, a pesquisa em curso se prop\u00f5e a problematizar a geografia carioca do samba (Vianna, 2007) como esfera simb\u00f3lica. Se o autor que mapeou a geografia cultural do samba partiu da Pra\u00e7a Onze e seguiu pelos bairros do Est\u00e1cio, Lapa, Botafogo, Madureira, Inha\u00fama, Tijuca, Vila Isabel e Mangueira, a matriz deste artigo, o jornal\u00edstico intitulado Rep\u00fablica do Samba, concentra seu campo de a\u00e7\u00e3o no Pal\u00e1cio do Catete. Na pr\u00e1tica cotidiana, o Museu da Rep\u00fablica, naquele per\u00edodo hist\u00f3rico, sofreu um deslocamento estrutural ao discutir a diversidade da cultura do Morro da Serrinha por meio da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano. Tal gesto, aparentemente localizado, constitui-se em a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de reposicionamento cultural: uma tentativa de centrar a narrativa do Morro da Serrinha n\u00e3o apenas nos territ\u00f3rios cl\u00e1ssicos, mas em novas espacialidades que garantiam um espa\u00e7o de poder aos guardi\u00f5es da cultura do Morro da Serrinha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por esta raz\u00e3o, as hist\u00f3rias e mem\u00f3rias dessas pessoas pensadoras do campo art\u00edstico foram registradas em m\u00faltiplos suportes \u2014 \u00e1udio, v\u00eddeo e material impresso \u2014, compondo uma esp\u00e9cie de cartografia multim\u00eddia da mem\u00f3ria da Serrinha. No jornal\u00edstico Rep\u00fablica do Samba, a for\u00e7a das imagens atua como biografia comunit\u00e1ria ao inscrever uma hist\u00f3ria social de enorme complexidade. O acervo, contudo, n\u00e3o se limita a constituir um reposit\u00f3rio, mas opera tamb\u00e9m como fronteiras m\u00f3veis, nas quais as imagens se tornam mapas simb\u00f3licos (Summa, 2021), desvelando e tensionando espa\u00e7os culturais e raciais. Em cada registro, os corpos, as vozes e os gestos dos integrantes da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano e das galerias vinculadas \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o de Velhas Guardas das Escolas de Samba do Estado do Rio de Janeiro reafirmam a centralidade da cultura do samba como dispositivo micropol\u00edtico das favelas cariocas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e0 toa, a hist\u00f3ria da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano, nesse contexto, adquire car\u00e1ter paradigm\u00e1tico. Ela come\u00e7a algumas d\u00e9cadas ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o da verde e branco da Serrinha, no dia 23 de mar\u00e7o de 1947, com nomes como Mano D\u00e9cio da Viola, Campolino, Mestre Fuleiro e Wilson das Neves compondo a primeira fase do grupo. Esse ciclo inicial foi fundamental para firmar o lugar do Imp\u00e9rio Serrano na hist\u00f3ria das escolas de samba, articulando m\u00fasica, pol\u00edtica comunit\u00e1ria e pedagogia da mem\u00f3ria. Um intervalo de cinco anos separa a primeira forma\u00e7\u00e3o da segunda, reconstitu\u00edda nos anos 1990. Essa nova etapa, distinta em sua composi\u00e7\u00e3o, re\u00fane artistas de diferentes segmentos da agremia\u00e7\u00e3o, entre os quais: Rachel Valen\u00e7a, Silvio Manoel da Silva, Alu\u00edzio Machado Capoeira, Tia Vilma, Lindomar e Cizinho. Este coletivo, formado por cantoras, cantores e m\u00fasicos, mant\u00e9m, h\u00e1 quase quatro d\u00e9cadas, a tarefa de fazer reverberar os cl\u00e1ssicos da agremia\u00e7\u00e3o fundada pela comunidade do Sindicato dos Portu\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste cap\u00edtulo, n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que as marcas do tempo hist\u00f3rico se inscrevem nas visualidades f\u00edsicas e digitais tanto do projeto Rep\u00fablica do Samba quanto da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano. Ambos atuam como agentes de inven\u00e7\u00e3o de lugares que articulam mem\u00f3ria e presen\u00e7a viva. Combina\u00e7\u00e3o esta que ganha concretude em um acervo (digital e anal\u00f3gico) ao colecionar centenas de imagens em diferentes formatos, clippings de imprensa e registros sonoros. O formato audiovisual do programa, ao incorporar a participa\u00e7\u00e3o da plateia, nos informa que o p\u00fablico n\u00e3o era mera figura\u00e7\u00e3o, mas cocriador na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Nesta din\u00e2mica, o samba do Morro da Serrinha aparece como pr\u00e1tica comunicacional que negocia sentidos, desestabiliza fronteiras simb\u00f3licas e cria novos regimes de visibilidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim como \u00c9tienne Balibar (2002), Michel de Certeau (1998) e Renata Summa (2021) tensionam as fronteiras na chave da valoriza\u00e7\u00e3o do cotidiano como produtor de lugar, linguagem e conflito, a pesquisa em torno da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano: Museu Vivo da Obra de Silas de Oliveira utiliza esta mesma chave te\u00f3rica ao confrontar a cultura do samba com as din\u00e2micas de mercado do entretenimento. Nos anos 1990 e in\u00edcio dos 2000, o cen\u00e1rio musical era fortemente marcado pela ascens\u00e3o do chamado pagode rom\u00e2ntico paulista (Coutinho, 2008), que monopolizava os circuitos de consumo cultural. Nesse contexto, a sustenta\u00e7\u00e3o da for\u00e7a do samba do Morro da Serrinha se configurava como projeto de cidadania diferencial (Balibar, 2002), capaz de afirmar identidades e resist\u00eancias contra-hegem\u00f4nicas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O distanciamento e a atualidade hist\u00f3rica nos convidam a refletir sobre o percurso delimitado pelo corte epist\u00eamico aqui proposto (2000-2005) e seus desdobramentos at\u00e9 o presente. No caso, o intervalo n\u00e3o deve ser visto apenas como recorte cronol\u00f3gico, mas como campo f\u00e9rtil para observar conquistas, perdas, deslocamentos e inven\u00e7\u00f5es. A pesquisa, nesse sentido, busca compreender os deslocamentos n\u00e3o como meras transi\u00e7\u00f5es espaciais, mas como dispositivos de reconfigura\u00e7\u00e3o cultural. Observa-se que \u00e9 justamente nesses movimentos que se revelam as fronteiras como institui\u00e7\u00f5es m\u00f3veis (Balibar, 2002), constantemente tensionadas por pr\u00e1ticas sociais, mem\u00f3rias coletivas e t\u00e1ticas cotidianas.<\/span><\/p>\n<p><strong>4 CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa em andamento Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano: Museu Vivo da Obra de Silas de Oliveira alinha-se profundamente com as orienta\u00e7\u00f5es do Professor Paulo C\u00e9sar de Oliveira. Para al\u00e9m desses alinhamentos conceituais, o presente estudo flerta com a no\u00e7\u00e3o de comunidade na perspectiva de Paiva (1998) em O esp\u00edrito do comum e de Sodr\u00e9 (2014) em A ci\u00eancia do comum. A contribui\u00e7\u00e3o de Muniz Sodr\u00e9 (1998) se revela decisiva n\u00e3o apenas na formula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, mas tamb\u00e9m na viv\u00eancia do samba como terreiro de experi\u00eancias coletivas, sintetizada em sua obra Samba, o dono do corpo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse eixo de sustenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica se amplia com as pesquisas da Professora Rachel Valen\u00e7a (Valen\u00e7a; Valen\u00e7a, 2017), da Professora Mar\u00edlia Trindade Barbosa, bi\u00f3grafa de Silas de Oliveira, e do artista-pesquisador Nei Lopes, cujas obras configuram verdadeiros mananciais para a compreens\u00e3o da cultura do samba do Morro da Serrinha como pr\u00e1tica hist\u00f3rica, pol\u00edtica e comunicacional. Nesse tr\u00e2nsito interdisciplinar, a intersec\u00e7\u00e3o com o Laborat\u00f3rio de Estudos em Comunica\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria (LECC) e com o Grupo de Estudos Muniz Sodr\u00e9 (GEMS) torna-se imperiosa, pois ambos representam espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica que reconhecem a centralidade das culturas populares na tessitura da vida social.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos passos do estudo de caso, o caminhar da pesquisa segue em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 micropol\u00edtica de Certeau (1998), no sentido de lan\u00e7ar luz sobre emaranhados de saberes, tensionando as encruzilhadas epistemol\u00f3gicas (Rufino, 2019). Todo este arcabou\u00e7o ser\u00e1 articulado ao longo da disserta\u00e7\u00e3o, que, por meio de pesquisa de campo e entrevistas, pretende oferecer uma vis\u00e3o expandida da cultura do samba do Morro da Serrinha como experi\u00eancia cotidiana, como espacialidade disputada e como fronteira simb\u00f3lica permanentemente negociada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acoplar tais estudos ao fen\u00f4meno das fronteiras como produtoras de lugar \u00e9 um caminho que remete, inevitavelmente, a Wittgenstein, para quem a filosofia deveria ser entendida como atividade de elucida\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es trazidas pela linguagem em sua dimens\u00e3o ordin\u00e1ria (Sodr\u00e9, 2014). De tal modo, a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 reduzida a mera transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, mas entendida como campo de produ\u00e7\u00e3o de mundos comuns, de sentidos partilhados e de resist\u00eancias culturais. Nessa composi\u00e7\u00e3o, o di\u00e1logo com o pensamento do Professor Paulo C\u00e9sar de Oliveira mostra-se autoexplicativo, na medida em que a obra de Silas de Oliveira, nas vozes da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano, ecoa como pedagogia insurgente, afinada com a Pedagogia do oprimido de Paulo Freire (1974).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Retroativamente, a conflu\u00eancia com Balibar (2002), Certeau (1998) e Summa (2021) nos remete \u00e0 estreia do Rep\u00fablica do Samba, em 7 de maio de 1999, no Museu da Rep\u00fablica, cuja bancada reuniu o te\u00f3rico da comunica\u00e7\u00e3o Muniz Sodr\u00e9 e o compositor e cantor portelense Walter Alfaiate. O depoimento de Sodr\u00e9, tanto no programa quanto no livro Fala, crioulo: o que \u00e9 ser negro no Brasil (Costa, 2009), mostra como a cultura do samba do Morro da Serrinha e a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento acad\u00eamico se entrela\u00e7am em um mesmo gesto de reinscri\u00e7\u00e3o das fronteiras. De fato, Sodr\u00e9 revela que sua teoria da comunica\u00e7\u00e3o e da cultura \u201cest\u00e1 sempre partindo do negro, mesmo que eu n\u00e3o fale\u201d (Costa, 2009, p. 52), e sua trajet\u00f3ria pessoal como Ob\u00e1 de Xang\u00f4 refor\u00e7a que a legitimidade epist\u00eamica n\u00e3o se restringe ao espa\u00e7o acad\u00eamico, mas se enra\u00edza nas tradi\u00e7\u00f5es afro-brasileiras, sobretudo no Candombl\u00e9, compreendido como investimento civilizat\u00f3rio do povo negro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por isso, n\u00e3o se pode atribuir ao acaso o fato de muitos homens e mulheres da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano serem sujeitos marcadamente constitu\u00eddos por essas \u201cacr\u00f3poles gregas\u201d \u2014 que, na formula\u00e7\u00e3o de Sodr\u00e9 (1998, p. 45), correspondem simbolicamente aos terreiros de Candombl\u00e9 \u2014, lugares de resist\u00eancia, reinven\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de saberes. Assim, o percurso desenvolvido neste artigo buscou mostrar que a musicalidade de Silas de Oliveira, por meio da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano, ultrapassa o campo da arte, configurando-se como campo de disputa simb\u00f3lica, mem\u00f3ria coletiva e inven\u00e7\u00e3o de lugares. Entre fronteiras m\u00f3veis e pr\u00e1ticas cotidianas, entre arquivos anal\u00f3gicos e digitais, entre terreiros e palcos, a cultura do samba do Morro da Serrinha se afirma como produtora de lugares pol\u00edticos e culturais. Ao resgatar e projetar tais experi\u00eancias, esta pesquisa n\u00e3o apenas intenciona reinscrever o lugar da cultura da Serrinha na esfera p\u00fablica e acad\u00eamica, mas tamb\u00e9m prop\u00f5e uma pedagogia do comum, em que a mem\u00f3ria dos ancestrais ilumine os caminhos poss\u00edveis para a comunica\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de emancipa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">BALIBAR, \u00c9tienne. Politics and the Other Scene. London: Verso, 2002.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">CERTEAU, Michel de. A inven\u00e7\u00e3o do cotidiano. Petr\u00f3polis: Vozes, 1998.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">COSTA, Haroldo. Fala, crioulo: o que \u00e9 ser negro no Brasil. Rio de Janeiro: Record, 2009.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">COUTINHO, E. G. (Org.). Comunica\u00e7\u00e3o e contra-hegemonia: processos culturais e comunicacionais de contesta\u00e7\u00e3o, press\u00e3o e resist\u00eancia. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2008.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">FERNANDES, N\u00e9lson da N\u00f3brega. Escolas de Samba: sujeitos celebrantes e objetos celebrados. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 2001. (Cole\u00e7\u00e3o Mem\u00f3ria Carioca, v. 3).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 1974.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">PAIVA, Raquel. O esp\u00edrito comum: comunidade, m\u00eddia e globalismo. Petr\u00f3polis: Vozes, 1998.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">RUFINO, Luiz. Exu e a pedagogia das encruzilhadas. Rio de Janeiro: M\u00f3rula, 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">SODR\u00c9, Muniz. Samba, o dono do corpo. 2. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">SODR\u00c9, Muniz. A ci\u00eancia do comum: notas para o m\u00e9todo comunicacional. Petr\u00f3polis: Vozes, 2014.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">SUMMA, Renata. Inventing places: disrupting the \u201cdivided city\u201d. In: CARABELLI, Giulia; DJURASKOVIC, Aleksandra; SUMMA, Renata. Challenging the Representation of Ethnically-Divided Cities. London: Routledge, 2021. p. 9-28.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">VALEN\u00c7A, Rachel; VALEN\u00c7A, Suet\u00f4nio. Serra, Serrinha, Serrano: o imp\u00e9rio do samba. Rio de Janeiro: Record, 2017.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">VIANNA, Luiz Fernando. Geografia carioca do samba. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2007.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00b9 Mestrando\u00a0 do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em M\u00eddias Criativas da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NOTA PRETA Por Mauro Viana Este artigo investiga a obra do compositor Silas de Oliveira e a atua\u00e7\u00e3o da Velha Guarda Show do Imp\u00e9rio Serrano como pr\u00e1ticas de reconfigura\u00e7\u00e3o de fronteiras culturais, raciais e simb\u00f3licas. 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